O Palácio do Planalto remodelou sua estratégia para o Projeto de Lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos após o adiamento da votação na Câmara dos Deputados provocado por divergências recentes.
Em vez de insistir na formação de uma estatal, a Presidência decidiu apresentar um pacote de sugestões ao relator, o deputado Arnaldo Jardim, do Cidadania de São Paulo. O objetivo é fortalecer a industrialização doméstica dessas matérias-primas vitais para tecnologias de ponta.
Articuladores do governo indicam que o relator deve protocolar um parecer atualizado em breve, contemplando incentivos fiscais, cotas de conteúdo nacional e metas de processamento interno. A proposta visa impedir a simples exportação do minério bruto.
A mudança de rota foi chancelada pela equipe econômica, que avaliou a baixa viabilidade política de criar uma nova empresa pública. O Congresso é dominado por bancadas que priorizam a abertura ao capital externo.
O núcleo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entende que o Estado pode induzir o setor por meio de créditos do BNDES, compras governamentais e exigências de transferência tecnológica. São mecanismos já validados em outras cadeias produtivas estratégicas.
Autoridades do Ministério de Minas e Energia e da Fazenda trabalham em estimativas sobre alíquotas diferenciadas de Imposto de Renda e isenção temporária de IPI para equipamentos instalados em unidades de separação. A condição é que a produção permaneça em solo brasileiro.
Representantes de estados mineradores como Minas Gerais e Bahia foram chamados a Brasília para defender a inclusão de cláusulas de participação social nos resultados. A proposta garante que parte da receita financie educação técnica e infraestrutura regional.
Lula tem reiterado que a disputa global por terras raras envolve soberania e não pode repetir o padrão histórico de exportação de commodities sem valor agregado. A tese encontra eco em setores da indústria eletroeletrônica e de defesa.
O interesse internacional pelos minerais cresceu com a corrida por baterias, turbinas e satélites, tornando países como a China líderes quase monopolistas. Estados Unidos e União Europeia buscam diversificar fornecedores para reduzir riscos geopolíticos — enquanto o país possui algumas das maiores reservas conhecidas, distribuídas da Amazônia ao cerrado.
Em audiências reservadas, mineradoras estrangeiras pressionam pela flexibilização do licenciamento e pela possibilidade de remessa integral de lucros. Entidades industriais nacionais, por sua vez, reivindicam contrapartidas em conteúdo local e formação de consórcios mistos.
A expectativa é que o parecer de Arnaldo Jardim incorpore parte das sugestões do governo, viabilizando uma votação consensual ainda no primeiro semestre. O tema foi destaque em reportagem da Carta Capital.
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Ricardo Menezes
03/05/2026
Mais um plano mirabolante do PT pra gastar dinheiro público com estatal ineficiente. Se deixassem o setor privado tocar isso sem essa burocracia infernal e com menos impostos, a gente já estaria processando terras raras e vendendo com valor agregado. Enquanto isso, o Estado só atrapalha e aumenta a conta do contribuinte.
Luciana Santos
03/05/2026
Ah, lá vem Lula com mais articulação. Enquanto isso, a gente aqui na luta pra pagar conta no fim do mês. Promessa de valor agregado é bonita no papel, mas na prática o que a gente vê é jogo de interesse. Tomara que dessa vez dê certo, mas não vou segurar a respiração não.
Carlos Oliveira
03/05/2026
Pessoal, a Sofia e a Vanessa acertaram em cheio. O Brasil já perdeu décadas exportando minério de ferro a preço de banana pra comprar vergalhão e aço tratado lá fora. Se a gente repetir esse erro com as terras raras, vai ser mais um ciclo de dependência tecnológica. A saída não é estatizar por estatizar, é criar mecanismos de desenvolvimento regional que obriguem o beneficiamento aqui dentro, com geração de emprego qualificado e salário digno pro trabalhador. O Lula está certo em articular, mas a esquerda precisa ficar vigilante pra não virar só um acordo de cúpula.
Fernando O.
03/05/2026
A Sofia e a Vanessa cravaram o diagnóstico certo: o problema histórico do Brasil é exportar commodity bruta e importar o produto manufaturado com margem dez vezes maior. Se o PL criar zonas de processamento com incentivo fiscal amarrado a conteúdo local mínimo, pode funcionar. Agora, se for só subsídio pra multinacional montar galpão de triagem e continuar mandando o concentrado pra China refinar, aí é a mesma enganação de sempre.
Bia Carioca
03/05/2026
A Sofia e a Vanessa cravaram bem o ponto. O Lula tá certo em recuar da estatal se for pra viabilizar o projeto, mas o essencial é não repetir o erro do minério de ferro: vender barato e importar caro. Se a esquerda não brigar por cadeia produtiva completa aqui dentro, a tal da “soberania” vira piada.
Sofia García
03/05/2026
gente o Tonho Patriota já veio com o print pronto kkkkk mas olha, se a gente continuar vendendo terra rara como se fosse brita vai dar ruim sim. a china já domina o processamento, se a gente não criar mecanismo pra reter valor agregado vira só mais um ciclo colonial com filtro do instagram. Vanessa falou tudo.
Jeferson da Silva
03/05/2026
Sargento Bruno, com todo respeito, mas esse papo de “controle militar” e “patriotismo” é o que sempre serviu pra entregar riqueza nacional de bandeja pra multinacional enquanto o trabalhador se fode na fábrica. Quero ver é ter salário digno e condição de trabalho pra quem vai extrair e beneficiar essas terras raras, não ficar de discurso vazio.
Vanessa Silva
03/05/2026
Beto Engenheiro tem razão: o ponto não é ideologia, é planejamento. Se a gente não cria mecanismos claros para reter as etapas de beneficiamento aqui, vamos repetir o mesmo erro histórico do minério de ferro. O importante é que o desenho final do projeto tenha incentivos reais para agregação de valor, e não apenas discurso.
Sargento Bruno
03/05/2026
Mais uma cortina de fumaça desse governo. Enquanto eles discutem “valor agregado” em terras raras, a segurança nacional e a soberania vão pro beleléu. Cadê o controle militar sobre esses recursos estratégicos? Sem disciplina e patriotismo, isso vira balcão de negócios para os amigos do PT e para a China.
Tonho Patriota
03/05/2026
ESSA TURMA AÍ ACHA QUE O BRASIL VAI FICAR RICO COM PEDRA? FAZ O L E VAI TOMAR NO CU, ESSE PROJETO É CORTINA DE FUMAÇA PRA DESVIAR DINHEIRO, QUEM MANDA NISSO É O CHINA, NEM SABEM O QUE É TERRAS RARAS
João Carlos da Silva
03/05/2026
Tonho, sua indignação é legítima, mas o problema não é “fazer o L” ou “a China” — é o fato de que, sem mediação estatal, repetimos o ciclo colonial de exportar matéria-prima e importar tecnologia, como já denunciou Celso Furtado. Se você acha que terras raras são “pedra”, sugiro ler um pouco sobre a cadeia de ímãs de neodímio, que move de carro elétrico a turbina eólica.
Maria Silva
03/05/2026
Puxa, Beto Engenheiro, acho que você foi direto ao ponto. Não precisa ser estatal nem entregar de bandeja para multinacionais, mas o Brasil não pode repetir o erro do minério de ferro, exportando riqueza bruta e importando tecnologia cara. O equilíbrio está em exigir contrapartidas reais de quem vier explorar, com regras claras e fiscalização séria.
Beto Engenheiro
03/05/2026
Ah, Ahmed, desculpa mas discordo. Terras raras não são loteamento de condomínio. Sem o Estado garantindo que a refinaria e a metalurgia fiquem aqui, vamos continuar exportando minério bruto e importando placa de celular. Pragmatismo é obra, não ideologia.
Ana Karine Xavante
03/05/2026
Ahmed, com todo respeito, mas seu comentário parece ignorar que o “projeto de nação que respeite a propriedade privada” que você defende já existe há séculos neste continente e se chama colonialismo extrativista. A propriedade privada das terras raras, sem mediação estatal forte, significa exatamente o que sempre foi: a Vale, a Anglo American e congêneres levando o minério bruto no porão dos navios enquanto comunidades inteiras, especialmente indígenas e quilombolas, ficam com rios contaminados e nenhum centavo de royalty que preste. Não é teoria, é a história do Brasil desde o ciclo do ouro em Minas Gerais.
O recuo do Planalto em criar uma estatal me preocupa profundamente, mas não me surpreende. A correlação de forças no Congresso, hegemonizada pelo agro e pela mineração, inviabiliza qualquer projeto de soberania nacional que não passe pelo cheque mensal do setor privado. A saída “pragmática” de Lula – exigir contrapartidas de valor agregado via PL, sem controle acionário – é o possível dentro do jogo, mas é insuficiente. O que garante que uma multinacional chinesa ou australiana, ao se instalar em território indígena ou em área de recarga aquífera, vai realmente construir a usina de processamento prometida? Cadê o mecanismo de fiscalização e punição para quando a empresa simplesmente recalcular a rota e levar o concentrado para processar na China?
Augusto tocou no ponto crucial: a China não é potência em terras raras por acaso. Eles aprenderam que minério bruto não constrói soberania tecnológica. Enquanto o Brasil insistir em ser mero fornecedor de matéria-prima, vamos repetir o ciclo da borracha, do café e do minério de ferro: boom de exportação, riqueza concentrada, passivo ambiental e, quando o preço cair, comunidades abandonadas. Não se trata de “estatizar tudo”, como alguns liberais de plantão gostam de caricaturar. Trata-se de garantir que o povo brasileiro, que é o dono constitucional desses recursos, tenha voz ativa na cadeia produtiva. E isso exige, sim, um Estado regulador forte, com poder de veto e participação nos lucros, especialmente quando a extração ocorre em territórios indígenas, onde o direito ao consentimento livre, prévio e informado é constantemente atropelado.
No fim das contas, a discussão sobre terras raras é um espelho do nosso dilema civilizatório: vamos continuar vendendo o chão dos nossos ancestrais a preço de banana para alimentar a transição energética do Norte Global, ou vamos finalmente exigir que essa riqueza sirva para financiar escolas, hospitais e tecnologia aqui mesmo? O PL reformulado pode ser um avanço tático, mas sem licenciamento ambiental rigoroso, sem consulta prévia aos povos afetados e sem mecanismos de reparação histórica, será apenas mais uma maquiagem verde para o mesmo saque de sempre. Fiquemos atentos.
Augusto Silva
03/05/2026
Ah, Ahmed, querido, “Estado se meter onde não é chamado” é um mantra bonito, mas vamos aos fatos: a China controla 60% da produção global de terras raras e 90% do processamento. Sem o Estado brasileiro sentando à mesa para negociar contrapartidas de valor agregado, a “propriedade privada com regras claras” vira um convite para exportarmos toneladas de minério bruto enquanto importamos imãs de neodímio prontos a preço de ouro. É o mesmo roteiro da Vale com o minério de ferro, que já nos custou décadas de industrialização.
Ahmed El-Sayed
03/05/2026
Ora, mais um capítulo dessa novela em que o Estado brasileiro insiste em se meter onde não é chamado. Terras raras são estratégicas, sim, mas a solução não é criar estatal ou entregar de bandeja para multinacionais. O que falta é um projeto de nação que respeite a propriedade privada e a soberania, sem essa mania de querer controlar tudo do Planalto. Enquanto ficarem nesse pingue-pongue ideológico, quem perde é o Brasil.
Cecília Alves
03/05/2026
Luiz Augusto e Marina, a discussão de vocês prova exatamente o que eu sempre digo: enquanto a esquerda briga pra criar estatal e a direita ufanista acha que multinacional vai nos salvar, ninguém pergunta o óbvio — por que o Estado precisa meter a mão no setor? Propriedade privada com regras claras e tributação baixa já resolveria. Menos burocracia, mais liberdade econômica.
Marcos Andrade Niterói
03/05/2026
Cecília, com todo respeito, essa sua “liberdade econômica” é o mesmo discurso que entrega o pré-sal e as terras raras para multinacionais enquanto a população de Niterói espera décadas por um metrô. Menos Estado só funciona quando o mercado tem interesse no lucro imediato; para projetos de longo prazo e soberania nacional, a mão do Estado é indispensável.
Cecília Ramos
03/05/2026
Cecília, “menos Estado” só funciona quando o mercado não depende de subsídio, isenção fiscal e exploração de mão de obra barata — liberdade econômica sem regulação é o que transforma terra rara em miséria pra quem mora perto da mina.
Ricardo Almeida
03/05/2026
Cecília, sua receita de “menos Estado” ignora que terras raras são um mercado oligopolizado e geopoliticamente estratégico. Sem regulação forte e participação estatal na cadeia, a “propriedade privada com regras claras” vira carta branca para remessa de lucros e passivo ambiental.
Mariana Santos
03/05/2026
Cecília, “propriedade privada com regras claras” num setor dominado por meia dúzia de conglomerados globais é o mesmo que pedir licença pra ser saqueado — sem poder de barganha do Estado na cadeia, o valor agregado vai pro exterior e a gente fica com o passivo ambiental.
Luiz Augusto
03/05/2026
O governo desistir da estatal mostra que, no fundo, sabem que o Estado não tem capacidade de gerir um setor tão estratégico com eficiência. Se querem agregar valor às terras raras, abram o setor para a iniciativa privada com regras claras e segurança jurídica, não com mais burocracia e intervencionismo. Enquanto ficarem nesse jogo de empurra, a China continua nos comprando matéria-prima barata e vendendo tecnologia de ponta.
Lucas Pinto
03/05/2026
Luiz Augusto, sua defesa da iniciativa privada como solução mágica para a agregação de valor em terras raras é um exemplo clássico do que Gramsci chamaria de “senso comum” burguês naturalizado. Você parte de uma premissa falsa: a de que o Estado é intrinsecamente ineficiente e o mercado, eficiente. Isso não é um fato empírico, é uma ideologia. Olhe para a China: o Estado não só gere o setor de terras raras como o domina com mão de ferro, via monopólios estatais e subsídios maciços. Resultado? Eles não vendem matéria-prima barata; eles vendem ímãs de neodímio, baterias e turbinas eólicas prontas. O Estado chinês não é “ineficiente” — ele é um instrumento de planejamento central da burguesia de Estado deles. O problema do Brasil não é o Estado em si, é qual classe o controla e a que interesses ele serve.
Você pede “regras claras e segurança jurídica” para o capital privado. Mas segurança jurídica para quem? Para a Vale, que extrai minério de ferro há décadas e deixa um rastro de rompimentos de barragens e cidades soterradas? Para as mineradoras canadenses que operam em Carajás com isenção fiscal enquanto o Pará continua sendo o estado mais pobre da federação? O discurso da “eficiência privada” sempre esconde a verdade elementar: o capital privado só agrega valor quando o lucro extraído da cadeia supera o custo da agregação. No caso das terras raras, a agregação de valor exige investimento pesado em P&D, refino químico e escala industrial — coisas que o capital privado brasileiro, historicamente rentista e avesso ao risco, nunca fez. Preferem continuar vendendo minério bruto para a China e comprar de volta o produto manufaturado com margem de 500%. Isso não é ineficiência estatal; é a lógica do subimperialismo funcionando perfeitamente.
O recuo do Lula em relação à estatal não prova que o Estado não tem capacidade — prova que a fração progressista do bloco no poder não teve força política para enfrentar o rentismo mineral e o lobby das multinacionais. A crise de hegemonia que o Carlos Henrique mencionou é isso: o governo tenta um equilíbrio instável entre a base social que o elegeu (que quer soberania industrial) e os setores do capital que financiam a governabilidade (que querem desregulamentação e exportação de commodities). Desistir da estatal não é um reconhecimento de incompetência técnica; é uma derrota política. E enquanto a esquerda não encarar que a solução para a dependência mineral não é “mais mercado” nem “mais Estado abstrato”, mas sim a ruptura com a inserção subordinada do Brasil na divisão internacional do trabalho, vamos continuar nesse joguinho de empurra que só beneficia quem compra nosso minério barato.
Marina Silva
03/05/2026
Que lindo, Luiz Augusto, o discurso liberal padrão de quem acha que entregar riqueza nacional pra multinacional é “segurança jurídica” e não simplesmente entrega de soberania.
Evelyn Olavo
03/05/2026
O Lucas e a Cecília já desmontaram bem a lorota de que igreja fecha por causa de política industrial. O que fecha é o barraco de quem trabalha igual condenado e ainda vê o país vender riqueza na matéria-prima. Mas o Lula desistir da estatal já mostra que o Planalto prefere um meio-termo covarde a enfrentar o mercado de frente.
Carlos Henrique Silva
03/05/2026
Evelyn, você tocou num ponto central e fez uma crítica justa ao recuo do governo. De fato, desistir do modelo de estatal para terras raras é um sintoma do que Gramsci chamaria de crise de hegemonia da fração progressista dentro do bloco no poder. O Planalto tenta um equilíbrio instável entre a necessidade de desenvolvimento nacional e a pressão do capital financeiro internacional, que prefere o Brasil como mero fornecedor de matéria-prima barata. Esse meio-termo não é covardia individual do Lula, mas a expressão política de uma correlação de forças desfavorável: a burguesia nacional associada ao capital estrangeiro ainda dita os termos da inserção do país na divisão internacional do trabalho.
No entanto, precisamos ir além da crítica à tática e examinar a estratégia. Marx já alertava, n’O Capital, que o capital não se importa com a nacionalidade do explorador, apenas com a taxa de lucro. Uma estatal de terras raras, por si só, não quebra a lógica do subdesenvolvimento se operar dentro da mesma racionalidade de mercado. O problema não é apenas quem detém a propriedade formal da empresa, mas a que interesses ela serve. Se a estatal for criada para capturar renda e distribuir entre aliados políticos, vira mais um instrumento de acumulação interna. Se for pensada como ferramenta de planejamento estatal para integrar a cadeia produtiva, com controle público e democrático sobre o excedente, aí sim pode ser um passo adiante.
O que me preocupa no discurso de Evelyn e de outros companheiros é uma certa nostalgia do desenvolvimentismo estatal dos anos 1970, como se bastasse o Estado empreender para resolver a desigualdade estrutural. Não basta. Sem uma reforma tributária progressiva que taxe grandes fortunas e lucros e dividendos, o valor agregado das terras raras vai parar nos mesmos bolsos de sempre. O barraco que fecha na favela não fecha porque o país exporta minério bruto, mas porque o trabalhador não tem poder de compra nem direitos. Agregar valor industrial é condição necessária, mas insuficiente. A briga tem que ser dupla: por soberania produtiva E por distribuição de renda.
Por fim, discordo que o Planalto esteja apenas sendo covarde. Há um cálculo político real: enfrentar o mercado de frente, neste momento, sem uma base social organizada e mobilizada, resultaria em isolamento e golpe institucional. Lembremos de 2016. A questão não é se Lula deveria ter ido para o confronto direto, mas como construir força social para que, na próxima crise, a correlação de forças permita um salto qualitativo. Enquanto a esquerda ficar discutindo se a estatal é 100% pública ou PPP, o capital financeiro segue lucrando com a financeirização da própria terra e dos recursos naturais. O inimigo não é o meio-termo, é a ausência de um projeto de poder popular que subordine o mercado às necessidades da maioria.
Lurdinha Deus Acima de Todos
03/05/2026
Amém 🙏🇧🇷 vão inventar mais um monte de sigla pra roubar dinheiro do povo enquanto as igrejas fecham pelo Brasil afora 😡😡😡
Mateus Silva
03/05/2026
Lurdinha, o fechamento de igrejas que a senhora menciona não é causado por política industrial, mas pela concentração de renda que empurra o trabalhador para a informalidade e tira seu poder de consumo. Agregar valor às terras raras é justamente o oposto de criar siglas para roubar: é o Estado usando seu poder para que o lucro fique no Brasil, em vez de virar divisa para a China. Se a senhora quer igrejas abertas, precisa de povo com emprego e salário digno — e isso não se constrói exportando areia bruta.
Lucas Andrade
03/05/2026
Lurdinha, a senhora confunde a materialidade da exploração mineral com uma suposta perseguição espiritual — enquanto isso, o capital extrativista segue exportando litio e terras raras a preço de banana, e a fé vira moeda de troca em templos que funcionam como franquias.
Cecília Silva
03/05/2026
Lurdinha, a senhora acha que igreja fecha por causa de política industrial? Na favela onde eu cresci, igreja lota todo domingo, mas o que fecha é o barraco de família que não consegue pagar conta porque o país exporta riqueza bruta e importa emprego. Enquanto isso, o dízimo que a senhora paga vai pra conta de pastor que anda de jatinho.
Luan Silva
03/05/2026
Mais um jeito de enfiar dinheiro público em empresa de amigo do PT. Brasil acima de tudo, mas o bolso deles acima do Brasil.
Cláudio Ribeiro
03/05/2026
Luan, sua crítica ignora que o Estado brasileiro sempre financiou setores estratégicos — da Embraer à Petrobras — e que agregar valor às terras raras é exatamente o que países como China e Alemanha fazem para não virar mero exportador de matéria-prima. O problema não é gasto público, mas saber se o dinheiro gera capacidade tecnológica nacional ou apenas alimenta a velha lógica extrativista; e aqui o debate deveria ser sobre transparência e controle social, não sobre demonizar qualquer intervenção estatal.
Zé do Povo
03/05/2026
MAIS UM ESQUEMA DO LULA PRA ENCHER O BOLSO DOS AMIGOS PETISTAS 😡 BRASIL TA VIRANDO UMA VENEZUELA COM ESSA TURMA NO PODER
Pedro Almeida
03/05/2026
Zé do Povo, a Venezuela tem petróleo nacionalizado e ainda assim afundou por má gestão autoritária, não por política industrial. O que Lula propõe é o que a China faz desde os anos 80: extrair matéria-prima e fabricar aqui mesmo os ímãs de terras raras para turbinas e celulares. Se você acha que vender minério bruto é patriota, recomendo a leitura de Celso Furtado sobre a economia colonial.
João Batista
03/05/2026
Zé do Povo, irmão, a Bíblia diz que quem fecha os olhos para a necessidade do povo será amaldiçoado (Provérbios 28:27). Chamar de esquema gerar emprego e renda para o trabalhador brasileiro é trocar a justiça pelo medo — e medo é ferramenta de quem quer manter o pobre na miséria.
Clarice Historiadora
03/05/2026
Zé do Povo, vou ignorar os emoticons e ir direto ao ponto: comparar política industrial de agregação de valor com a Venezuela é ignorar que o país de Maduro nunca teve um parque industrial de terras raras porque desmantelou a engenharia nacional. O que Lula propõe é o que o BNDES fez nos anos 2000 com a Embraer e a indústria naval — e, por mais que doa no seu bolso ideológico, deu emprego pra gente que não era petista.
Adalberto Livre
03/05/2026
MAIS UM ESQUEMA PRA ENRIQUECER AMIGO DO PT E AINDA VAI SOBRAR PRA GENTE PAGAR A CONTA, ESSE PAIS NAO TEM JEITO MESMO
Tiago Mendes
03/05/2026
Adalberto, a Bíblia nos ensina a administrar com justiça os recursos da terra (Deuteronômio 8:18), e agregar valor ao minério é criar emprego e renda para o povo brasileiro, não privilégio de meia dúzia. O problema não é o Estado agir, é acharmos que entregar riqueza bruta pro mercado externo é o único caminho.
Maura Santos
03/05/2026
Adalberto, amigo, respira fundo que a pressão vai fazer mal. Enquanto você acha que tudo é esquema, o Brasil perdeu décadas vendendo minério barato e comprando tecnologia cara de quem soube agregar valor — e adivinha? Quem fez isso foi Estado sim, vide Coreia e Noruega. Mas se você prefere acreditar que o problema é o PT e não o fato de a gente exportar riqueza bruta feito colônia, continua torcendo contra, que o bonde vai passar sem você.
Letícia Fernandes
03/05/2026
Adalberto, antes de tudo, quero que entenda que não escrevo para convencê-lo. Escrevo porque sua fala, tão carregada de uma revolta legítima contra um sistema que realmente o explora, merece mais do que o diagnóstico raso de que “tudo é esquema”. O que você chama de “esquema para enriquecer amigo do PT” é, na verdade, a expressão mais visível de um fenômeno estrutural que você, infelizmente, aprendeu a odiar no lugar errado. O problema não é o Estado intervir na cadeia produtiva das terras raras; o problema é que, sob o capitalismo periférico brasileiro, toda intervenção estatal é capturada pela lógica do lucro privado. Mas a ausência do Estado, meu caro, não é sinônimo de liberdade — é sinônimo de entrega total da nossa soberania mineral às corporações estrangeiras que, diferentemente dos “amigos do PT”, não precisam de licitação para levar nosso minério bruto por preço de banana.
Você está certo em desconfiar do Estado burguês, mas erra ao acreditar que o mercado é uma alternativa ética. A Noruega, que Maura citou, tem fundo soberano bilionário construído sobre estatal do petróleo. A Coreia do Sul industrializou-se com planejamento estatal centralizado e protecionismo feroz. O que esses países fizeram foi usar o Estado como instrumento de desenvolvimento nacional, não como balcão de negócios. O Brasil, ao contrário, sempre oscilou entre o entreguismo neoliberal e o capitalismo de compadrio. A questão, Adalberto, não é se o Estado deve ou não atuar — ele sempre atua, mesmo quando se omite, pois a omissão beneficia quem já detém o poder econômico. A questão é: a serviço de quem? Enquanto você grita contra o “PT”, as mineradoras transnacionais aplaudem sua indignação, porque sabem que um povo desmobilizado e desconfiado do próprio Estado é o melhor cenário para continuarem extraindo nossas riquezas sem agregar um centavo de valor aqui dentro.
Sinto pena, Adalberto, não por você ser de direita, mas por ter internalizado tão profundamente a ideologia do capital que sua revolta contra a exploração — que é real e cotidiana — acaba canalizada para o combate a políticas públicas que, em tese, poderiam reduzir sua própria condição de explorado. Você paga a conta, sim, mas não por causa do Estado; você paga a conta porque vive num país onde a renda do trabalho é sistematicamente transferida para o capital, e onde qualquer tentativa de reverter essa equação é sabotada por uma histeria moral que chama de “esquema” o que deveria ser chamado de política industrial. Seu “esse país não tem jeito mesmo” é a sentença de quem já desistiu de lutar pela transformação real e prefere o conforto psíquico da indignação impotente. O dia em que você entender que o inimigo não é o PT, e sim a lógica que transforma tudo — inclusive a revolta — em mercadoria, talvez possamos começar uma conversa de verdade.
Rick Ancap
03/05/2026
Mais um plano do Estado pra gastar dinheiro que não tem e afastar investimento privado de verdade.
Marta
03/05/2026
Ah, Rick, menino, senta aqui que a vó vai te explicar um negócio. Você cresceu ouvindo que o Estado é um peso morto, que o mercado resolve tudo, e infelizmente acreditou nessa historinha de livro de economia de cursinho preparatório. Deixa eu te contar como funciona o mundo real, não a utopia liberal dos seus posts do Instagram.
Terras raras, meu filho, não são como vender pastel na esquina. O Brasil tem a segunda maior reserva do planeta, mas hoje exporta minério bruto por mixaria e importa produtos industrializados com valor agregado que a China, sim, a China que você provavelmente odeia, aprendeu a fabricar. Quer saber como eles fizeram isso? Com planejamento estatal, subsídios, e uma visão de longo prazo que o seu “investimento privado de verdade” nunca teria coragem de fazer porque dá retorno em 15, 20 anos. O mercado privado quer lucro no trimestre que vem, não quer saber de construir parque industrial, formar engenheiro de materiais, desenvolver tecnologia de separação de óxidos. Isso quem faz é o Estado, organizando a bagunça, como fez com a Embrapa, como fez com o pré-sal. Se dependesse do “investimento privado de verdade” que você tanto venera, a gente ainda estaria exportando ouro em pó pra Portugal e comprando de volta o anel de casamento.
Outra coisa: “gastar dinheiro que não tem”. Meu anjo, você já olhou o balanço de quanto o Brasil perde de receita com isenção fiscal pra empresa multinacional que vem, explora, leva o minério e deixa um buraco no chão e meia dúzia de empregos temporários? Isso sim é gastar dinheiro que não tem. O Lula está tentando fazer o que qualquer país sério faz: reter o valor aqui dentro, gerar emprego qualificado, criar cadeia produtiva. Isso não é gasto, é investimento. É o mesmo princípio do BNDES que você critica mas que financiou a Embraer e a Vale. Seu discurso é tão velho quanto a minha aula de História do Brasil sobre a economia colonial. A diferença é que naquela época a gente chamava o que você defende de “pacto colonial”. Hoje chama de “liberalismo”. Mas no fundo, é a mesma submissão. Vai estudar, menino, que ignorância tem cura.