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Ação cobra R$ 200 milhões de São Paulo por 84 mortes nas operações Escudo e Verão

49 Comentários🗣️🔥 Policiais militares e civis em operação na Baixada Santista, em São Paulo. (Foto: diariodocentrodomundo.com.br) Uma ação civil pública apresentada em São Paulo pressiona o governo estadual a responder por 84 mortes ocorridas nas operações Escudo e Verão, que se tornaram símbolo do debate sobre violência policial na Baixada Santista. O pedido judicial estabelece […]

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Policiais militares e civis em operação na Baixada Santista, em São Paulo. (Foto: diariodocentrodomundo.com.br)

Uma ação civil pública apresentada em São Paulo pressiona o governo estadual a responder por 84 mortes ocorridas nas operações Escudo e Verão, que se tornaram símbolo do debate sobre violência policial na Baixada Santista. O pedido judicial estabelece indenização de R$ 200 milhões por dano moral coletivo e exige que o governador Tarcísio de Freitas ofereça um pedido formal de desculpas às famílias atingidas.

O advogado Michael de Jesus, responsável pela peça jurídica e integrante da Educafro, afirma que se trata da maior ação coletiva contra a Polícia Militar de São Paulo desde o episódio do Carandiru. Ele sustenta que o volume de mortes e o perfil das operações conferem gravidade inédita à ação, conforme destacou o portal Diário do Centro do Mundo.

A peça argumenta que os episódios não representam desvios isolados, mas um padrão contínuo de letalidade reproduzido por estruturas institucionais. O documento reúne dados oficiais e relatórios produzidos por organismos internacionais, descrevendo uma espécie de assinatura estatística das operações, marcada por dezenas de mortos, ausência de baixas na tropa e baixo número de prisões.

A ação também coloca sob análise declarações públicas de Tarcísio e do então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite. Segundo a argumentação jurídica, falas que classificaram as operações como bem-sucedidas, mesmo diante de denúncias de abusos, funcionariam como uma validação institucional das mortes registradas.

O processo sustenta que autoridades do Executivo têm obrigação constitucional de neutralidade institucional ao comentar ações policiais. Afirma que gestos de celebração ou legitimação de letalidade, quando há questionamentos sobre a legalidade das incursões, violariam essa responsabilidade prevista na estrutura democrática.

A denúncia encaminhada por familiares à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) já havia pedido reparação, além de medidas de não repetição e pedido público de desculpas. O material consolidado naquela ocasião reforça o argumento de que o Estado brasileiro deve responder pelo resultado das operações conduzidas na região litorânea.

Entre as medidas solicitadas estão a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais, a elaboração de planos prévios detalhados para cada ação policial e a definição de metas de redução de mortes durante operações. O processo também sugere suspender incursões que não cumprirem os parâmetros estabelecidos, reforçando a necessidade de controle civil das estruturas de segurança.

Organizações como a Conectas apontam que relatórios produzidos sobre as operações citadas identificaram indícios de execuções sumárias, tortura e falhas graves na preservação das cenas de crime. Esses elementos integram o arcabouço de provas que sustenta o pedido de responsabilização coletiva contra o governo paulista.

A estratégia da ação inclui ainda a intenção de levar o caso ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos, ampliando a pressão internacional sobre o Estado brasileiro. A mobilização busca fortalecer instrumentos de responsabilização e de proteção, articulando atuação local e internacional para garantir que as mortes sejam examinadas sob parâmetros de direitos humanos.

O envio anterior de denúncias à CIDH contou com apoio da Defensoria Pública de São Paulo e da Conectas, sinalizando que o tema consolidou uma frente de atuação técnica e articulada. Esse processo demonstra como episódios de grande letalidade policial tendem a extrapolar fronteiras institucionais e a se tornar objeto de supervisão internacional.

O caso reacende o debate nacional sobre uso da força e sobre o papel do Estado na regulação da atividade policial em territórios vulnerabilizados. Reforça, ao mesmo tempo, a urgência de políticas públicas baseadas em direitos humanos para enfrentar ciclos de violência e desigualdade que persistem em áreas periféricas.

A depender do desfecho, a ação pode se transformar em um marco para o controle institucional da letalidade policial no país. Ela também se insere em uma discussão mais ampla sobre transparência, fiscalização e responsabilidade pública em um Estado democrático de direito.


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Major Ricardo Silva

04/05/2026

84 mortos em operação contra o crime organizado e o pessoal quer tratar policial como assassino. Esses R$ 200 milhões iam pro bolso de advogado de bandido enquanto as famílias das vítimas dos traficantes ficam sem nada. Aqui é guerra sim, e quem não gosta que vá defender marginal na faculdade.

    Tiago Mendes

    04/05/2026

    Major Ricardo, essa lógica de guerra justifica qualquer exagero e esquece que a maioria desses 84 mortos nunca teve passagem pela polícia. Se o Estado erra o alvo e mata inocente na laje, o imposto que o senhor paga também financia o enterro de quem não tinha nada a ver com o crime — e a Bíblia que o senhor carrega no bolso manda amar o inimigo, não atirar primeiro e perguntar depois.

Lucas Gomes

04/05/2026

É estarrecedor como alguns comentários aqui tentam reduzir 84 mortes a uma questão de “eficiência” ou “currículo de guerra”. O Luizinho 16 acertou em cheio: isso não é policiamento, é genocídio contra a periferia. E olha que nem precisamos ir longe para entender o padrão — a Baixada Santista sempre foi tratada como zona de sacrifício pelo capital imobiliário e pelo Estado penal. Essas operações Escudo e Verão não vieram do nada; são a continuidade lógica de um modelo que criminaliza a pobreza enquanto os grandes empreendimentos turísticos e portuários avançam sobre territórios indígenas e quilombolas na região.

O Rick Ancap reclama dos R$ 200 milhões saindo do bolso do contribuinte, mas parece ignorar que o verdadeiro rombo nos cofres públicos vem da isenção fiscal para agronegócio desmatador e da especulação imobiliária que expulsa comunidades inteiras sem indenização justa. Enquanto isso, a polícia mata 84 pessoas em operações que duram meses — um número que supera conflitos armados declarados em vários países — e o debate se desvia para “defensoria de bandido”. A pergunta que fica é: quem define quem é bandido nesse país? Um jovem negro com uma tornozeleira eletrônica na periferia de Santos ou um executivo da Porto de Santos S.A. que sonega milhões em impostos?

A ação civil pública é um passo importante, mas insuficiente. Indenizar famílias não devolve vidas, e o valor de R$ 200 milhões, dividido por 84 mortes, dá cerca de R$ 2,38 milhões por vítima — uma miséria diante do sofrimento causado. O que realmente precisamos é de uma auditoria completa nessas operações, com participação de movimentos sociais e organismos internacionais, para expor o racismo estrutural que orienta o uso da força letal. Enquanto a PM continuar sendo treinada como força de ocupação em vez de protetora da comunidade, essas tragédias vão se repetir.

E para o Sargento Bruno, que deve estar lendo isso: lamento informar, mas 84 mortos não é “número de guerra” — é o resultado de uma política deliberada de extermínio que o Estado de São Paulo insiste em chamar de segurança pública. Seus colegas de farda continuarão sendo instrumentos dessa máquina enquanto a sociedade não romper com a lógica que transforma a periferia em campo de batalha. A ecologia política nos ensina que violência contra corpos marginalizados é violência contra o próprio território — e a Baixada Santista sangra por todos os lados.

Luizinho 16

04/05/2026

Sargento Bruno, 84 corpos não é “currículo de guerra”, é genocídio contra periferia, e vc chama isso de treinamento? Acorda, farda não apaga sangue de inocente.

João Pereira

04/05/2026

84 mortes em operações que duram meses é estatística de guerra, não de policiamento. O Rick Ancap reclama do imposto indo pra defensoria, mas esquece que o mesmo imposto paga bala perdida que mata morador na laje. Se o estado não consegue prender sem matar, o problema é de treinamento, não de “bandidagem”.

Rick Ancap

04/05/2026

84 mortos e o Estado vai pagar 200 milhões que saíram do meu bolso pra financiar defensoria de bandido, enquanto eu pago imposto e não tenho segurança.

Karina Libertária

04/05/2026

Sargento Bruno, você acha mesmo que 84 mortos é “número de guerra”? Aqui em Miami a polícia não sai matando todo mundo que encontram pela frente, eles tem treinamento de verdade, não esse bang bang de filme. Enquanto isso o povo brasileiro paga imposto pra sustentar essa truculência e ainda tem gente que defende. Se fosse na Zona Sul do Rio esses boys do asfalto estariam pedindo justiça, mas como é na Baixada Santista vira “bandido bom é bandido morto”. Ridículo.

João Batista

04/05/2026

Sargento, com todo respeito à sua farda, mas o próprio Cristo ensinou que quem vive pela espada, pela espada morre. 84 mortos não é guerra, é carnificina. Onde fica o mandamento “não matarás” quando o Estado decide que certas vidas não merecem julgamento? Indenizar as famílias é o mínimo, mas o que a gente precisa mesmo é de polícia que proteja o povo, não que elimine os pobres.

Sgt Bruno 🇧🇷

04/05/2026

Padre Antônio, com todo respeito, mas esse papo de “marginais” é a mesma ladainha de sempre. O senhor já viu o currículo de guerra desses policiais? Selva! Eles são treinados pra eliminar ameaça, não pra fazer média com bandido. 84 mortes em operação é número de guerra, sim, e guerra se ganha no grito ou na bala. Essa ação de 200 milhões é um absurdo, querem desmoralizar a PM que tá na linha de frente contra o crime. Enquanto isso, os comunistas de melancia aplaudem.

Cíntia Alves

04/05/2026

84 vidas e o debate sempre cai no “mas eles eram bandidos” ou “mas o estado precisa se defender”. Cansa essa falsa dicotomia. Dá pra combater crime organizado sem transformar polícia em pelotão de fuzilamento, e cobrar indenização não é mimimi, é o mínimo pra pressionar por transparência. Se o estado errou, que pague e mude o protocolo, simples.

Padre Antônio Rocha

04/05/2026

O Ricardo e o Carlos falam como se o Estado não tivesse o direito e o dever de se defender. Essas operações visam combater o crime organizado que aterroriza a população de bem. Se 84 marginais morreram em confronto, que se investigue, mas essa choradeira por indenização milionária é um absurdo. Enquanto isso, as famílias honestas continuam reféns da violência e o dinheiro público é desviado para financiar bandidos.

    Mariana Ambiental

    04/05/2026

    Padre, chamar de ‘marginais’ 84 pessoas mortas sem julgamento é transformar o Estado em juiz, executor e parte interessada ao mesmo tempo. Se a apuração fosse tão séria quanto o senhor sugere, talvez descobríssemos que muitas dessas vidas poderiam ter sido salvas com políticas públicas que o Estado também tem o dever de garantir.

Ricardo Almeida

04/05/2026

O Márcio trouxe um dado que ninguém consegue rebater: 84 mortos é um número que acende todos os alertas, independente de quem eram as vítimas. O problema não é só o valor da indenização, é a falta de transparência e a repetição desse padrão em operações pelo país. Enquanto tratarmos letalidade policial como “efeito colateral” aceitável, vamos continuar girando nesse loop de violência e impunidade.

Carlos Menezes

04/05/2026

A Silvia tocou num ponto importante: se houve excessos, que se apure com justiça. Mas o problema é que no Brasil a apuração raramente chega a lugar nenhum quando o envolvido é o Estado. 84 mortes é um número alto demais pra passar batido só porque a maioria tinha passagem pela polícia.

Silvia Ramos

04/05/2026

Silvia: Amados, que tristeza ver tanta discussão sobre dinheiro quando o que está em jogo são vidas preciosas. A Bíblia nos ensina em Romanos 13 que a autoridade foi instituída por Deus para punir o mal e proteger o bem. Se houve excessos, que se apure com justiça, mas não podemos tratar policiais como vilões enquanto o crime organizado destrói famílias inteiras. O que realmente precisamos é de oração e de um despertamento espiritual neste país, porque sem Deus nenhuma indenização vai trazer paz verdadeira.

Adalberto Livre

04/05/2026

200 MILHÃO PRA FAMÍLIA DE BANDIDO E O POVO TRABALHADOR NÃO TEM SEGURANÇA NEM HOSPITAL VSF ESSE PAÍS ACABOU

    Márcio Torres

    04/05/2026

    Adalberto, eu entendo sua indignação com a precariedade dos serviços públicos. É realmente revoltante ver hospitais sucateados e segurança ausente enquanto bilhões são gastos em operações que, segundo dados oficiais, matam desproporcionalmente jovens negros da periferia. Mas sua fala comete um erro lógico grave ao tratar indenização como se fosse um prêmio ou um incentivo ao crime, quando na verdade é um mecanismo de reparação por falha do Estado.

    O direito à indenização não depende do mérito moral da vítima, mas da conduta do agente estatal. Se um policial, agindo fora dos protocolos, executa sumariamente alguém que sequer estava armado (como apontam laudos periciais de ao menos 12 das 84 mortes), o Estado deve reparar os danos. Isso não é “dar dinheiro pra bandido”, é obrigar o contribuinte a arcar com os custos de uma política pública que matou quem deveria proteger. Se você acha que hospital não funciona, a raiva deveria ser direcionada a quem desvia verba da saúde para fazer guerra urbanística com fuzil, não à família que perdeu um filho.

    Aliás, seu raciocínio revela um curioso paradoxo: você cobra que o Estado invista em segurança e saúde, mas ao mesmo tempo defende que ele mate 84 pessoas sem prestar contas. Ora, se o Estado erra e não paga, ele não tem incentivo nenhum para corrigir os excessos. A ação de R$ 200 milhões não tira um centavo do orçamento da saúde — ela apenas redireciona, via decisão judicial, parte do dinheiro que já foi gasto em munição e blindados para reparar vidas perdidas. Se você quer hospital funcionando, lute para que a polícia pare de atirar como se estivesse em Fallujah e comece a investigar de verdade, prendendo traficante com mandado, não com bala perdida em comunidade.

Eduardo Nogueira

04/05/2026

200 milhões pra quem? Pra família de marginal que escolheu viver no crime? Enquanto isso o cidadão de bem toma tiro cruzado e ninguém processa o tráfico. Brasil tá perdendo a mão mesmo.

    Ana Karine Xavante

    04/05/2026

    Eduardo, sua fala é um reflexo perfeito de como o Estado brasileiro constrói a narrativa de que certas vidas são descartáveis. Você chama os mortos de “marginais que escolheram viver no crime”, mas essa escolha pressupõe condições iguais de partida, e sabemos que não existem. Uma criança que nasce na periferia da Baixada Santista, preta, sem acesso a saneamento, educação de qualidade ou qualquer perspectiva de mobilidade social, tem o mesmo “livre arbítrio” que um jovem do Jardim Paulista? O tráfico não é uma escolha ontológica, é a única indústria que bate na porta desses meninos desde os 12 anos. Rotular 84 mortos como “bandidos” é um conforto moral para não encarar o genocídio programado que acontece sob o discurso da “guerra às drogas”. E, francamente, essa guerra já matou muito mais do que qualquer tráfico de varejo.

    Você pergunta “200 milhões pra quem?”. Pra família de um jovem que foi executado com um tiro de fuzil na nuca enquanto descia o morro pra comprar pão, talvez. O “cidadão de bem” que você defende é o mesmo que aplaude operações violentas até o dia em que a bala perdida entra pela janela do apartamento dele. O problema é que a violência policial não é seletiva: ela cria um ambiente de guerra que atinge todo mundo, mas o Estado nunca é responsabilizado porque a opinião pública, como a sua, legitima o extermínio. Enquanto você pedir “processo contra o tráfico”, o tráfico continuará existindo porque ele é alimentado pela demanda que o próprio “cidadão de bem” sustenta e pela política de encarceramento em massa que não resolve raiz nenhuma.

    O Brasil não está “perdendo a mão”. O Brasil está, finalmente, sendo forçado a olhar para a mão que sempre esteve suja. Essa ação de 200 milhões não é um prêmio pra criminoso, é uma tentativa mínima de reparação por um padrão histórico de violência estatal que remonta à escravidão. Enquanto você enxergar “marginal” onde eu enxergo vítima de um sistema que produz cadáveres em série, a conversa não avança. Mas saiba que, do lado de cá da história, a luta é para que nenhuma mãe precise enterrar um filho com a certeza de que o Estado foi o algoz e a sociedade, como você, foi o juiz que absolveu o assassino antes do julgamento.

Beto Engenheiro

04/05/2026

R$ 200 milhões de indenização? E pra construir o que, exatamente? Nada contra apurar excesso, mas cadê o mesmo afinco pra cobrar dos traficantes que transformaram a Baixada Santista em campo de guerra? Enquanto isso, a infraestrutura da região segue largada às traças.

Lurdinha Deus Acima de Todos

04/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, 200 milhões pros bandido e vão fechar as igrejas??? Isso é perseguição contra os cristãos! 🙏🇧🇷

    Lucas Andrade

    04/05/2026

    Lurdinha, o problema não é fechar igreja, é o Estado matar 84 pessoas com bala de fuzil enquanto o discurso de “guerra às drogas” vira teatro para justificar extermínio de corpos pretos e pobres. Seu pânico com perseguição cristã só desvia o foco do que realmente importa: quem decide quem vive e quem morre nessa cidade.

Evelyn Olavo

04/05/2026

Lucas Pinto, bonito seu discurso acadêmico, mas na prática quem vive na Baixada sabe que o tráfico domina os morros e a polícia entra pra tentar conter o caos. Duvido que você more num desses bairros pra ter propriedade pra falar. Essas operações podem ter excessos, mas reduzir tudo a “execução sumária” é ignorar que bandido armado até os dentes não entrega a arma de boa vontade.

Mariana Santos

04/05/2026

João, seu comentário ignora que a polícia brasileira é uma das que mais mata no mundo, e a Baixada Santista virou laboratório de execuções sumárias com aval do Estado. R$ 200 milhões não é “indenização pra bandido”, é o mínimo para famílias que perderam filhos, pais e irmãos sem qualquer devido processo legal. Enquanto você repete esse discurso de guerra, a conta pública vai pagar por décadas de treinamento militarizado e falta de investigação.

Rubens O Pescador

04/05/2026

Pois é, João Santos, você fala em bandido bom é bandido morto, mas eu me lembro bem do tempo do Lula e da Dilma, quando a gente tinha segurança sem precisar matar geral. Lá no interior, a polícia prendia os caras e a comida chegava na mesa do povo. Agora é só tiro e miséria, e quem paga o pato é o trabalhador que nem bandido é.

Ronaldo Silva

04/05/2026

Pois é, João Santos, você acha que esses 200 milhões é pra bandido, mas quem garante que todos ali eram criminosos? Sou motorista de app, ando nessas áreas todo dia, e vejo que a violência policial também pega inocente. Esse dinheiro podia ir pra educação e saúde, não pra ficar matando gente e depois pagar indenização. O problema é que imposto já é caro e a gente paga o pato duas vezes.

João Santos

04/05/2026

Pô, 200 milhões de indenização pra bandido? Tá de sacanagem! Essas operações foram pra proteger a população da Baixada Santista, que tava refém do crime. Policial arrisca a vida todo dia e ainda tem que pagar por isso? Bandido bom é bandido preso, e se morreu em confronto, azar o dele.

    Lucas Pinto

    04/05/2026

    João, seu comentário reproduz exatamente o que a criminologia crítica chama de ideologia da segurança pública como guerra. Você parte de uma premissa que nem sequer é questionada no seu discurso: a de que os 84 mortos eram “bandidos”. Mas quem te deu essa certeza? O boletim de ocorrência lavrado pela própria polícia? A mesma instituição que, como mostrou o próprio Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, tem histórico de forjar versões de confronto para encobrir execuções sumárias? Você está operando dentro do que Foucault descreveu como o poder disciplinar que fabrica corpos dóceis e, quando eles resistem, os elimina sob o signo do “bandido”. Não há investigação independente que tenha atestado que cada um daqueles mortos estava armado e atirando. O que há é a palavra da PM contra 84 cadáveres que não podem mais falar.

    Você usa a expressão “bandido bom é bandido preso”, mas na prática defende “bandido bom é bandido morto”. É aí que a sua lógica se desmonta sozinha. Se o Estado tem o monopólio legítimo da violência, como diria Weber, ele também tem o dever de prestar contas quando esse monopólio é exercido de forma ilegal e desproporcional. R$ 200 milhões não é “mimo pra bandido”, é a tentativa de responsabilizar civilmente o Estado por 84 mortes que, em qualquer país com controle externo efetivo da atividade policial, teriam gerado inquéritos, afastamentos e, sim, indenizações às famílias. O valor pode parecer alto, mas cada morte violenta custa ao Estado brasileiro muito mais em pensões, perda de produtividade e sofrimento social — sem falar no custo político de naturalizar a matança como política pública.

    Por fim, você fala em “proteger a população da Baixada Santista”. Proteger de quem? Dos mesmos traficantes que, segundo denúncias de moradores e da imprensa, muitas vezes têm relações espúrias com agentes do próprio Estado? A Operação Escudo e a Operação Verão não resolveram a estrutura do narcotráfico na região — apenas eliminaram corpos e inflaram estatísticas de “confronto”. Enquanto a polícia continuar sendo treinada para matar em vez de prender, e enquanto cidadãos como você repetirem acriticamente que “azar o dele”, o ciclo de violência vai se retroalimentar. O problema não é o bandido que morre; é o Estado que mata sem investigar, e uma sociedade que aplaude. Isso não é segurança pública, é barbárie com uniforme.

Maria Silva

04/05/2026

Nadia, você tocou num ponto crucial: 84 mortes em operações que deveriam ser de proteção à população, não de extermínio. Sou cristã e acredito que justiça se faz com investigação séria, não com corporativismo. R$ 200 milhões é muito dinheiro, mas cada vida perdida tem um valor que vai além do financeiro. Espero que esse processo force o estado a repensar esses métodos.

Nadia Petrova

04/05/2026

Ana Costa, cair na taxa de letalidade não é mérito quando o patamar ainda é bizarramente alto comparado a qualquer democracia minimamente funcional. 84 mortes em operações que mais parecem campanha militar do que policiamento — isso não é indicador de melhora, é sinal de que o estado continua tratando favela como zona de guerra. R$ 200 milhões é barato pelo que essa máquina de matar custa em legitimidade institucional.

Carlos Henrique Silva

04/05/2026

Ana Costa, você tenta trazer um dado técnico — a queda da letalidade policial — como se isso por si só neutralizasse o debate. O problema é que esse tipo de análise descontextualizada serve justamente ao que o Gramsci chamava de hegemonia: naturalizar a violência de Estado como um mal necessário. Sim, a taxa de homicídios dolosos caiu, mas em grande parte porque o Estado transferiu a execução para dentro do sistema penal e para as operações policiais. Não é coincidência que as mortes decorrentes de intervenção policial em São Paulo, embora tenham oscilado, ainda representam uma parcela desproporcional dos homicídios totais. A pergunta que fica é: quem está morrendo? Jovens, negros, periféricos. Isso não é acaso, é projeto.

O valor de R$ 200 milhões parece alto para quem acredita que o orçamento público é uma conta de supermercado, mas é irrisório diante do que o Estado gasta com repressão. Cada blindado da Rocca, cada fuzil comprado com verba do Fundo de Segurança Pública, cada hora extra paga em operação de guerra urbana — tudo isso sai do mesmo bolso do contribuinte. A diferença é que, quando o dinheiro vai para indenizar famílias que perderam seus filhos em execuções sumárias, o discurso muda para “isso é caro demais”. Ora, 84 mortes significam 84 famílias destruídas, 84 histórias interrompidas, 84 corpos que nunca terão um enterro digno porque o laudo pericial já vem pronto: “resistência seguida de morte”. Enquanto isso, o governador vai a eventos públicos bater no peito dizendo que “bandido bom é bandido morto”.

O que me assusta nessa thread é ver gente como o Marcos Conservador tentando dar um verniz de “bom senso cristão” a uma política que é puro darwinismo social. Não há cristianismo que justifique matar sem julgamento. Não há “guerra às drogas” que justifique transformar a Baixada Santista em zona de extermínio. O que há é a velha lógica do Estado penal, denunciada por Loïc Wacquant: prender e matar os excedentes do capitalismo periférico para que a elite possa dormir tranquila. E, francamente, Célia Carmo e Alice T. têm toda razão ao apontar a hipocrisia desse discurso que benze a arma antes de atirar.

A ação civil pública é um passo importante, mas não pode ser o único. Precisamos de uma discussão estrutural sobre o modelo de segurança pública no Brasil. Enquanto a PM for formada na doutrina de “guerra ao crime”, enquanto o controle externo da atividade policial for uma piada de mau gosto, enquanto o Ministério Público fizer vista grossa para os autos de resistência, essas 84 mortes serão apenas a ponta do iceberg. Não adianta chorar pelas vítimas se não enfrentamos o sistema que as produz. E isso exige coragem política, não apenas cifrões.

Ana Costa

04/05/2026

A cifra de R$ 200 milhões parece astronômica, mas, por outro lado, precisamos olhar os números com calma: a taxa de letalidade policial em São Paulo, embora ainda alta, caiu nos últimos anos, enquanto a de homicídios dolosos também recuou. O problema é que, sem uma investigação isenta sobre cada uma dessas 84 mortes, fica impossível separar o joio do trigo e saber se o dinheiro público está pagando por excessos ou por ações legítimas dentro de uma operação de choque.

Alice T.

04/05/2026

Célia, amiga, o “bom senso cristão” do Marcos é aquele que fecha os olhos pros 84 corpos e abre a carteira pra pagar bala. 200 milhões é troco de pão perto do que essa máquina de matar já custou pros cofres públicos. Enquanto isso, cadê a CPI pra investigar desvio de verba da segurança?

Marcos Conservador

04/05/2026

Ricardo Menezes, se o senhor acha que R$ 200 milhões é caro, tente colocar na ponta do lápis o preço de 84 almas que foram ceifadas sem julgamento. Enquanto isso, o governo gasta fortunas em blindados e balas, e o cidadão de bem continua pagando a conta duplicada: primeiro com impostos pra matar, depois com impostos pra indenizar. Cadê o bom senso cristão nessa história?

    Célia Carmo

    04/05/2026

    Concordo, Marcos, mas esse “bom senso cristão” aí é o mesmo que benze a bala antes de sair matando pobre na favela, né? #ForaGenocida

Ricardo Menezes

04/05/2026

Mais um rombo de 200 milhões que vai sair do bolso de quem paga imposto certinho. Enquanto isso, o cidadão de bem espera meses por um simples atendimento no hospital público. Essa turma que critica a operação devia explicar como combater o crime organizado sem meter bala — ou prefere que os traficantes tomem conta de vez?

    Francisco de Assis

    04/05/2026

    Ricardo, meu amigo, você acha que 200 milhões é caro pra enterrar 84 vidas? O barato mesmo é o Estado gastar rios de dinheiro em bala e blindado e depois chorar no STF pedindo indenização. Enquanto isso, o cidadão de bem espera meses por um hospital porque a verba foi pro orçamento secreto de vereador que só pensa em reeleição. Quer combater crime sem meter bala? Chama o SUS, chama a educação, chama o Bolsa Família — coisa que o governo Lula já tá fazendo, mas a mídia não mostra.

Luiz Carlos

04/05/2026

84 mortes é número de guerra, não de operação policial. Sou a favor de mão firme contra bandido, mas R$ 200 milhões de indenização é dinheiro do contribuinte que paga imposto todo santo dia. Cadê a prestação de conta desse gasto?

    Carlos Oliveira

    04/05/2026

    Luiz Carlos, você toca num ponto crucial: a prestação de contas. Mas me permita inverter a pergunta: cadê a prestação de contas das balas que mataram esses 84 jovens, muitos deles sem passagem pela polícia? O dinheiro do contribuinte já foi gasto na pólvora, no blindado e no enterro — a indenização é só o reconhecimento tardio de que o Estado errou, e feio.

João Silva

04/05/2026

A Adriana e o Paulo devem achar que 200 milhões é caro. O barato mesmo, na lógica deles, é enterrar 84 pobres em vala comum e chamar de política de segurança. Isso não é eficiência, é barbárie travestida de gestão. Cadê a auditoria cidadã que o Paulo Freire já pedia nos anos 80?

Cristina Rocha

04/05/2026

Adriana, sua contabilidade macabra de “marginal morto é lucro” não é apenas uma grosseria gratuita — é a expressão mais sincera de como o neoliberalismo brasileiro administra as periferias. Você reduz 84 vidas a uma equação contábil onde o Estado gasta R$ 200 milhões em operações que, segundo qualquer métrica séria, não reduziram a criminalidade estrutural da Baixada Santista. O que essas operações Escudo e Verão produziram foi um exército de mães sem filhos, famílias despedaçadas e um discurso de “guerra às drogas” que há décadas serve para justificar a eliminação de corpos pretos e pobres. Não é combate ao crime, é gestão de excedentes humanos — conceito que o filósofo Achille Mbembe desenvolveu como necropolítica, e que você aplica com orgulho no teclado.

O que me assusta, Letícia, é ver como o debate público ainda engole a narrativa de que violência policial é “excesso” e não “sistema”. Não se trata de 84 “erros” individuais de policiais descontrolados. Trata-se de uma política de segurança pública deliberada, que transforma o direito penal em instrumento de eliminação. A própria ação civil pública de R$ 200 milhões é um paliativo — não vai trazer ninguém de volta, mas ao menos expõe a conta que o Estado paulista terá que pagar por transformar a Baixada Santista em campo de tiro. Enquanto isso, a mídia hegemônica trata essas operações como “choque de ordem”, como se matar 84 pessoas fosse um custo operacional aceitável.

Maura, você tocou no ponto central: 84 famílias sem resposta, enquanto o governador Tarcísio de Freitas desfila com discurso de “mão firme”. Mas mão firme contra quem? Os dados mostram que a taxa de homicídios na região não caiu — o que caiu foi a expectativa de vida de jovens negros da periferia. Isso não é segurança pública, é política de extermínio com verniz de legalidade. A esquerda precisa parar de reagir apenas com indignação moral e começar a articular uma proposta concreta de desmilitarização policial, controle externo da atividade policial e investimento em políticas sociais que ataquem as raízes da violência. Enquanto tratarmos essas mortes como “tragédia” e não como projeto, o ciclo se repete.

E para quem acha que R$ 200 milhões é “taxa de comunismo”: sugiro uma leitura de “Vigiar e Punir”, do Michel Foucault, para entender como o Estado moderno usa a punição como espetáculo e controle social. Ou, mais acessível, o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2023, que mostra que a polícia brasileira mata 5 vezes mais que a dos EUA e 13 vezes mais que a da Europa. Não é comunismo, é estatística. O comunismo que vocês temem é o mesmo que garante direitos trabalhistas e saúde pública — coisas que, aliás, salvam mais vidas que fuzil.

Maura Santos

04/05/2026

Adriana, 200 milhões de taxa de comunismo? Amiga, isso aí é o mesmo papinho de quem chamava a CPI da Covid de “comunista”. O problema não é o valor, é que 84 famílias tão sem resposta enquanto o estado gasta rios de dinheiro em operação que mais parece tiro ao alvo do que segurança pública. Cadê a transparência nessa conta?

Letícia Fernandes

04/05/2026

Adriana, sua contabilidade macabra de “marginal morto é lucro” revela algo muito mais profundo do que mero sadismo: é a expressão sincera de como o capitalismo periférico brasileiro administra seus excedentes humanos. Você não está apenas sendo cruel — está sendo funcional ao sistema. Cada uma daquelas 84 pessoas mortas nas operações Escudo e Verão era, antes de qualquer rótulo jurídico, um corpo que o mercado de trabalho já havia descartado, um jovem da periferia que a escola pública abandonou, que o sistema de saúde nunca tratou como cidadão. A polícia, nesse arranjo, não combate o crime: ela faz a gestão violenta dos restos sociais que a acumulação capitalista produz.

O que me fascina — e assusta — é a naturalização dessa lógica. O Estado de São Paulo gastou algo em torno de R$ 200 milhões nessas operações, um valor que daria para financiar centenas de bolsas de estudo, construir unidades de saúde, implementar políticas de redução de danos. Mas prefere-se investir em balas, blindados e indenizações futuras. Isso não é eficiência, é necropolítica orçamentária. A conta não fecha nem na lógica fria do custo-benefício: 84 mortes, zero redução sustentável da violência, comunidades inteiras traumatizadas, e o crime organizado — que não é bando de “marginais” isolados, mas sim uma expressão empresarial do capitalismo ilegal — continua operando.

Augusto já apontou a ineficiência prática, Marta expôs a falácia histórica, Mariana escancarou a dimensão moral. Mas eu gostaria de acrescentar um elemento estrutural: a violência policial seletiva não é um desvio, é uma política de Estado. Quando o governador autoriza operações com nomes bélicos como “Escudo” e “Verão”, ele está enviando uma mensagem clara às periferias: vocês são alvos, não cidadãos. E quando cidadãos como você aplaudem, Adriana, estão apenas confirmando que a barbárie não precisa de ditadura militar — ela se sustenta perfeitamente com o consentimento popular, desde que as vítimas sejam devidamente desumanizadas antes.

A ação de R$ 200 milhões é um começo, mas o problema não é apenas indenizatório. Enquanto a superestrutura jurídica e midiática tratar a morte de jovens periféricos como “efeito colateral aceitável” do combate ao crime, enquanto o Ministério Público precisar ser provocado por ação civil pública para questionar 84 mortes, enquanto comentaristas celebrarem cadáveres como “lucro” — estaremos apenas trocando a pele do monstro. O capitalismo brasileiro precisa do genocídio da juventude negra para manter sua ordem. E vocês, que aplaudem, são seus capatazes voluntários.

Augusto Silva

04/05/2026

Adriana e Paulo, vocês dois estão confundindo a conta do bar com o orçamento público. Uma gestão que gasta R$ 200 milhões em operações que matam 84 pessoas sem reduzir um ponto percentual na taxa de homicídios da Baixada Santista não é “combate ao crime” — é ineficiência administrativa com verniz de truculência. Se fosse uma obra superfaturada do PAC, vocês mesmos estariam pedindo CPI. O problema não é defender bandido, é financiar um modelo que custa caro, mata muito e entrega zero resultado mensurável.

Adriana Silva

04/05/2026

Faz o L, vão cobrar 200 milhões de taxa de comunismo agora? Marginal morto é lucro, vai pra Cuba defender bandido!

    Mariana Alves

    04/05/2026

    Adriana, sua frase “marginal morto é lucro” não é apenas moralmente repugnante — é a expressão mais sincera do que o neoliberalismo brasileiro reserva para as periferias: uma gestão de excedentes humanos descartáveis. Você reduz 84 mortes a uma equação contábil onde vidas de jovens pobres, majoritariamente negros, são tratadas como custo operacional aceitável. Isso não é segurança pública, é política de extermínio travestida de combate ao crime. O Estado de São Paulo gastou R$ 200 milhões nessas operações e o retorno foram corpos. A ação cobra exatamente isso: que o poder público pare de tratar a periferia como zona de guerra onde baixas civis são “efeito colateral”.

    Você menciona Cuba, mas o problema é que sua referência de “comunismo” serve apenas como espantalho retórico para evitar o debate real. Cuba tem defeitos gravíssimos, mas não precisa de operações Escudo e Verão porque não transforma a segurança pública numa indústria de morte seletiva. O que há aqui é um modelo que aprendeu com a ditadura militar a naturalizar a eliminação do “inimigo interno” — e esse inimigo, convenhamos, tem cor, endereço e classe social definidos. O “L” que você ironiza não é comunismo, é a constatação de que 84 famílias não terão seus filhos de volta porque o governo escolheu atirar primeiro e perguntar depois.

    O mais grave no seu comentário é a naturalização da violência como linguagem política. “Paciência” para morte de marginal, “lucro” em cadáver — esse vocabulário não veio do nada. Ele é a ponta do iceberg de um projeto que desumaniza sistematicamente o pobre para justificar sua eliminação. Enquanto você repete bordões de WhatsApp, há mães reais carregando caixões reais. A ação de R$ 200 milhões não é “taxa de comunismo”, é a conta que a sociedade civil apresenta para que o Estado pare de matar em nosso nome. Se isso te incomoda, talvez seja hora de perguntar por que você defende tanto o direito de matar e tão pouco o direito de viver.

Paulo Rocha

04/05/2026

Mais um absurdo dessa esquerda que quer proteger bandido. O governo de SP tem que combater o crime, e se morrer marginal no meio do fogo cruzado, paciência. Brasil pra brasileiros de bem, não pra defensores de criminoso. Faz o L, pessoal, e vai pra Cuba.

    Marcos Andrade Niterói

    04/05/2026

    Paulo, essa lógica de “paciência pra morte de marginal” é o mesmo discurso raso que ignora que 84 famílias perderam alguém — muitas vezes um jovem negro da periferia que nunca teve acesso a políticas públicas decentes. Aqui em Niterói a gente vê que dá pra reduzir violência com planejamento urbano e gestão séria, não com truculência de araque.

    Marta

    04/05/2026

    Paulo Rocha, meu filho, senta aqui que a vovó professora vai te dar uma aula de história e cidadania, já que parece que você faltou nesse dia. Você repete esse discurso raso de “bandido bom é bandido morto” como se fosse um bordão de novela das oito, sem parar pra pensar no que está dizendo. Essas 84 mortes não são números abstratos, são mães que perderam seus filhos, muitos deles jovens negros da periferia que nunca tiveram acesso a uma escola decente, a um emprego digno ou a qualquer política pública que não fosse o cano de um fuzil. Chamar isso de “combate ao crime” é uma piada de mau gosto, porque operação que mata sem investigação, sem devido processo legal, não é segurança pública, é execução sumária. E olha, viu, o Brasil não precisa de “brasileiros de bem” que fecham os olhos pra barbárie; precisa de cidadãos que exijam que o Estado cumpra seu papel de proteger todo mundo, inclusive os que erraram.

    Você ainda mete um “Faz o L e vai pra Cuba” como se fosse um argumento, menino. Isso é o mesmo que eu falar “vai pra Orlando e compra uma arma” — não tem nada a ver com o debate. Cuba tem seus problemas, sim, mas não é modelo de nada aqui. O que me preocupa é essa mania de achar que criticar a violência policial é “defender bandido”. Não, Paulo, é defender a Constituição, que diz que ninguém pode ser torturado nem morto pelo Estado sem julgamento. Se você acha que 84 mortes em operações são aceitáveis, então me explica por que você não defende que a polícia entre na sua rua atirando em todo suspeito? Ah, porque aí o “marginal” pode ser seu vizinho, seu sobrinho, ou você mesmo num erro de identidade. É fácil falar “paciência” quando o caixão não vem pra sua casa.

    E sobre o “Brasil pra brasileiros de bem”: quem define quem é “de bem”? O Bolsonaro, que deu cargo pra miliciano? O Tarcísio, que sancionou essa operação violenta? Ou o Lula, que pelo menos tenta dialogar com os movimentos sociais e reduzir a desigualdade? Olha, eu passei 35 anos dando aula em escola pública, vi menino virar bandido porque não tinha outra escolha, e vi menino virar doutor porque teve oportunidade. O problema não é “bandido”, é a falta de Estado presente. Enquanto você achar que matar resolve, a violência só vai aumentar. E, por favor, pare de repetir esse “Faz o L” como se fosse um xingamento — Lula ganhou as eleições com o voto popular, e se você não gosta, problema seu. Mas respeito é bom e todo mundo gosta, inclusive os “marginais” que você tanto despreza.


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