O vice-comandante para assuntos políticos do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, major-general Yadollah Javani, declarou que a passagem pelo estreito de Ormuz dependerá de autorização expressa das forças armadas iranianas. Em entrevista à televisão, ele destacou que a medida reflete o direito soberano do país de proteger suas águas territoriais estratégicas.
Javani defendeu que a nova gestão do corredor marítimo pode estabelecer bases para uma ordem internacional mais equilibrada. Qualquer embarcação que busque cruzar a zona demarcada deverá obter aval da República Islâmica do Irã.
O pronunciamento foi divulgado pelo portal da agência Mehr, que destacou a relevância estratégica do estreito de Ormuz, com apenas 33 quilômetros de largura. Essa rota concentra cerca de um terço do petróleo exportado por via marítima no mundo.
De acordo com dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), aproximadamente 21 milhões de barris de petróleo passam diariamente pelo estreito. Os países exportadores incluem Irã, Iraque, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
Javani alertou que navios de nações consideradas hostis serão enfrentados de maneira decisiva. A declaração reforça as tensões entre Teerã e Washington, agravadas pela presença de porta-aviões e destróieres americanos no Golfo Pérsico.
Desde episódios de 2019, como a apreensão de petroleiros, forças norte-americanas e britânicas intensificaram patrulhas na região sob o argumento de proteger rotas comerciais. Teerã interpreta essas ações como ingerência militar em sua zona de segurança marítima e como parte de uma estratégia de pressão imperialista.
Além do petróleo, cerca de 25% do gás natural liquefeito mundial também atravessa o estreito de Ormuz, segundo o Ministério do Petróleo iraniano. Isso amplia o impacto potencial de qualquer interrupção prolongada na rota.
Consultorias de risco calculam que um bloqueio total, mesmo que temporário, poderia dobrar o preço do barril no curto prazo. Economias dependentes de importação de energia, como Japão, Coreia do Sul e União Europeia, seriam gravemente afetadas.
Diplomatas europeus ouvidos por agências internacionais enxergam na fala de Javani um recado político claro. Ao exigir permissão prévia, o Irã sinaliza capacidade de interromper rotas de exportação de adversários caso sanções ou ataques ameacem sua soberania.
O governo iraniano assegura que não pretende bloquear o tráfego comercial legítimo no estreito. Contudo, ressalta que retaliações são possíveis diante de operações provocativas, como a apreensão de petroleiros iranianos em alto-mar.
Com a presença crescente da Marinha chinesa em exercícios conjuntos no Golfo e a modernização da frota iraniana, a região pode ver novas dinâmicas de patrulha coordenada. Isso poderia reconfigurar o equilíbrio naval no Oriente Médio nos próximos anos.
O comando naval iraniano já opera um sistema de monitoramento com radar costeiro e drones de longo alcance. Essa tecnologia identifica embarcações que desligam transponders, prática comum entre petroleiros sob sanções.
Teerã argumenta que a gestão integrada do estreito pode trazer benefícios como coordenação de resgate mais rápida e controle ambiental rigoroso. Isso reduziria riscos de acidentes com superpetroleiros que transportam milhões de barris.
Washington ainda não se pronunciou oficialmente sobre a exigência iraniana de permissão. Think tanks ligados ao Pentágono sugerem, porém, que tentativas de inspeção forçada de navios militares ocidentais podem escalar para confronto aberto.
Economistas iranianos defendem que a estabilização do estreito sob guarda regional permitiria ao Irã ampliar exportações de derivados e diversificar receitas. Isso também financiaria projetos transfronteiriços de infraestrutura energética.
Seguradoras marítimas revisam tabelas de prêmios diante do risco crescente de incidentes. A falta de coordenação formal entre patrulhas iranianas e exercícios militares americanos pode agravar a situação.
Observadores em Teerã concluem que a declaração de Javani posiciona o estreito de Ormuz como epicentro da disputa entre unilateralismo e soberania regional. A postura iraniana abre, ao mesmo tempo, espaço para acordos diplomáticos sobre regras de navegação que atendam a interesses mútuos.
Leia também: Irã avisa que bloqueará navios dos EUA no Estreito de Ormuz sem autorização de Teerã
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