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Arqueólogos descobrem acampamento de mineração de cobre de 7 mil anos nos Pireneus

15 Comentários🗣️🔥 Arqueólogos trabalham em uma caverna nos Pireneus, onde rochas verdes sugerem a produção de cobre há 4.000 anos. (Foto: livescience.com) Arqueólogos encontraram quase 200 fragmentos de rocha verde brilhante em uma caverna a mais de 2.200 metros de altitude nos Pireneus, revelando que povos pré-históricos extraíam cobre naquele local por cerca de quatro […]

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Arqueólogos trabalham em uma caverna nos Pireneus, onde rochas verdes sugerem a produção de cobre há 4.000 anos. (Foto: livescience.com)

Arqueólogos encontraram quase 200 fragmentos de rocha verde brilhante em uma caverna a mais de 2.200 metros de altitude nos Pireneus, revelando que povos pré-históricos extraíam cobre naquele local por cerca de quatro milênios.

O achado, localizado na província de Girona, na fronteira entre Espanha e França, demonstra uma ocupação humana prolongada nas montanhas. O estudo foi publicado na revista Frontiers in Environmental Archaeology.

A pesquisa, conduzida por cientistas espanhóis, muda a percepção sobre o uso das altas montanhas na pré-história. Ela sugere a existência de uma rede de conhecimento transmitida por gerações ao longo de milhares de anos.

A caverna abrigava camadas de carvão, ossos de animais, restos de cerâmica e lareiras datadas entre 5000 e 4300 a.C. O período de maior atividade ocorreu entre 3600 e 2400 a.C., auge da Idade do Cobre na Europa.

O arqueólogo Carlos Tornero, da Universidade Autônoma de Barcelona, destacou que essa é a primeira evidência de um campo de mineração de alta montanha operado continuamente nos Pireneus. Ele aponta que o local reflete uma organização sofisticada para a época.

Os cientistas acreditam que os fragmentos verdes sejam de malaquita, um carbonato de cobre que, quando aquecido, se transforma em óxido de cobre preto. Esse é um passo inicial para obter o metal puro.

A presença de fogueiras e fragmentos com marcas de calor reforça a ideia de que a caverna era uma oficina sazonal. Julia Montes-Landa, arqueóloga da Universidade de Granada e coautora do estudo, observou que outros materiais na caverna não apresentam sinais de fogo.

Isso indica que o aquecimento da malaquita era uma ação deliberada, descartando a possibilidade de queimadas acidentais. A conclusão reforça o caráter técnico e intencional das atividades no local.

Entre os objetos pessoais encontrados, destacam-se um pingente de concha marinha Glycymeris e um dente de urso-pardo perfurado, sugerindo rituais ou uso funerário do espaço. Um dente de leite humano e um osso de dedo também foram recolhidos, apontando para um possível depósito simbólico de restos mortais.

O estudo revela que diferentes grupos retornaram ao mesmo abrigo por milhares de anos, mantendo técnicas de fundição e rotas de acesso a esse ponto isolado. Para Tornero, isso mostra que os Pireneus não eram um território marginal, mas parte de uma estratégia de mobilidade e exploração de recursos.

Descobertas anteriores, como o machado de cobre de Ötzi nos Alpes, já indicavam mineração em altitude na Europa. Nenhuma, porém, havia demonstrado uma continuidade multissecular tão evidente quanto a deste sítio nos Pireneus.

Os arqueólogos planejam análises de laboratório para confirmar se todos os fragmentos são de malaquita e estimar a escala de produção de cobre no local. Essas análises também podem esclarecer a distribuição regional do metal na pré-história.

Conforme noticiado pelo Live Science, a equipe pretende continuar as escavações por vários anos. O objetivo é reconstruir a cadeia produtiva, desde a extração do minério até a circulação de artefatos metálicos pelo Mediterrâneo ocidental.

A longa trajetória do acampamento, se confirmada, reforçará o papel da metalurgia na formação de rotas comerciais pré-históricas. Também servirá como modelo para compreender como comunidades de montanha lidavam com desafios como clima extremo e logística.

O trabalho dialoga com debates atuais sobre mineração em áreas sensíveis, mostrando que a relação entre humanos e montanhas é antiga. Essa interação passou por ciclos de uso intensivo, abandono e ressignificação ao longo dos milênios.

Com o avanço das pesquisas, os autores esperam mapear outras cavernas semelhantes na região. Isso permitirá traçar um panorama mais amplo da transição tecnológica que colocou o cobre no centro da vida cotidiana europeia há sete mil anos.


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Carlos Menezes

05/05/2026

Interessante como a arqueologia sempre joga uma pá de cal na nossa arrogância moderna. Mineração organizada há 7 mil anos, a mais de 2 mil metros de altitude – me pergunto qual era a lógica logística daquela época e se a gente não superestima o “atraso” das sociedades pré-históricas.

    Letícia Fernandes

    05/05/2026

    Caro Carlos, sua observação é precisa e toca num ponto que a historiografia tradicional insiste em obscurecer: a noção de “atraso” é uma invenção da modernidade capitalista para justificar sua própria violência. Quando arqueólogos encontram um acampamento de mineração de cobre a 2 mil metros de altitude, com 7 mil anos de idade, o que temos diante de nós não é uma curiosidade exótica, mas a demonstração empírica de que sociedades ditas “pré-históricas” já possuíam um grau de organização social, técnica e logística que desafia frontalmente a narrativa evolucionista linear que o Ocidente burguês nos impõe.

    A lógica logística daquela época, meu caro, não era movida pelo imperativo do lucro, da acumulação privada ou da exploração de mais-valia. Era uma lógica enraizada nas necessidades coletivas da comunidade, na reprodução da vida material e simbólica do grupo. Mineração em alta montanha exige cadeias de suprimento, conhecimento geológico, divisão do trabalho e, muito provavelmente, alguma forma de excedente que permitisse sustentar mineradores longe das áreas de cultivo. Isso não é “primitivo” — é uma sofisticação que nossa sociedade, obcecada pela produtividade e pela mercadoria, insiste em não enxergar porque isso abalaria os alicerces da superestrutura ideológica que nos faz acreditar que o capitalismo é o ápice da evolução humana.

    O que você chama de “pá de cal na arrogância moderna” é, na verdade, a pá que desenterra a verdade incômoda: o “atraso” é um conceito fabricado para hierarquizar culturas e justificar o colonialismo, ontem e hoje. Enquanto a burguesia intelectual celebra o progresso técnico como se fosse uma escalada inevitável, esses achados arqueológicos revelam que o que realmente nos separa daquelas sociedades não é a inteligência ou a capacidade organizativa, mas o modo de produção. Eles mineravam cobre para produzir ferramentas e objetos de uso comum; nós mineramos lítio para produzir smartphones que nos alienam e nos vigiam. Quem é mais “atrasado” afinal? Fico feliz que você tenha feito essa provocação, pois ela nos obriga a sair da zona de conforto do progresso automático e a encarar a história com a seriedade que ela merece.

      John Marshall

      05/05/2026

      Letícia, sua análise é brilhante e resgata o melhor do materialismo histórico — mas cuidado para não trocar um mito por outro: a comunidade pré-histórica não era um paraíso igualitário, e a divisão do trabalho que você corretamente aponta pode ter sido tão coercitiva quanto a nossa, apenas sem o véu do contrato social burguês.

Paulo Rocha

05/05/2026

Pois é, e enquanto isso a esquerda fica gastando dinheiro com ideologia e doutrinação, nossos antepassados já trabalhavam duro extraindo recursos. Brasil pra brasileiros, nada de marxismo cultural. Faz o L e vai pra Cuba, seus comunistas.

    Beatriz Lima

    05/05/2026

    Paulo, que salto lógico impressionante. Você leu sobre um acampamento de mineração de cobre de 7 mil anos nos Pireneus e conseguiu puxar um fio direto para “marxismo cultural” e “Faz o L”. Isso é quase um esporte olímpico de associação livre. Vamos aos fatos: aquela mineração neolítica não era exatamente uma empresa privada com lucro para acionistas. Muito provavelmente era uma atividade comunitária, organizada por clãs ou tribos, onde o minério era extraído para ferramentas coletivas e rituais. Se você for aplicar a lógica “trabalho duro = capitalismo virtuoso”, vai ter que explicar por que esses mesmos antepassados também construíam monumentos megalíticos que exigiam coordenação coletiva e, pasme, sem nenhum CNPJ no meio.

    O seu “Brasil pra brasileiros” é uma frase de efeito bonita, mas vazia quando confrontada com a realidade histórica. Esses mineradores de 7 mil anos atrás não tinham noção de Estado-nação, bandeira ou partido. Eles estavam preocupados em não morrer de fome no inverno e em não serem devorados por ursos. Projetar sua guerra cultural particular do século XXI sobre um sítio arqueológico nos Pireneus é um exercício de anacronismo que faria qualquer historiador sério ter um aneurisma. E já que você invocou Cuba: vale lembrar que a ilha tem um dos maiores índices de médicos per capita do mundo e uma taxa de alfabetização que países de “primeiro mundo” invejam. Mas claro, isso é “doutrinação”, enquanto a mineração neolítica é “trabalho duro”. A seletividade é sempre conveniente.

    Por fim, seu comentário parece menos sobre arqueologia e mais sobre um reflexo pavloviano: qualquer notícia serve como gatilho para o mesmo discurso ensaiado. Eu genuinamente gostaria de saber qual é a sua proposta concreta para o Brasil além de slogans e xingamentos. Porque enquanto você gasta energia fazendo conexão entre cobre de 7 mil anos e o PT, tem mineradora ilegal devastando a Amazônia com conivência de políticos que você provavelmente aplaude. Mas isso é “empreendedorismo”, não é? Vamos combinar: se você quer falar de trabalho duro, comece cobrando quem sonega imposto e explora mão de obra análoga à escravidão, que são problemas reais e atuais. O resto é ruído de internet.

    Silvia Ramos

    05/05/2026

    Amém, irmão Paulo! Enquanto o mundo se perde em ideologias vazias, a história mostra que o trabalho honesto e a família sempre foram a base de toda civilização. Que Deus abençoe o Brasil e nos livre desse marxismo cultural que só quer destruir nossos valores.

      Maria Antonia

      05/05/2026

      Silvia, concordo que trabalho e mérito são pilares, mas esse papo de “marxismo cultural” soa mais como espantalho ideológico do que análise real. A história mostra que mineração de cobre já existia muito antes de qualquer Estado moderno ou igreja organizada — o que prova que o empreendedorismo humano sempre superou amarras.

Luiz Carlos

05/05/2026

Pois é, mais de 7 mil anos atrás e o povo já sabia o que era trabalho pesado pra extrair cobre. Hoje em dia a gente reclama de pagar imposto, mas naquela época não tinha burocracia, era na raça. Se bobear, até a segurança era melhor, ninguém invadia a caverna dos outros.

    Clotilde Pátria

    05/05/2026

    Ah, Luiz Carlos, mas naquela época também não tinha aposentadoria nem direitos trabalhistas! Era só no braço mesmo, igualzinho ao que o PT quer fazer com a gente hoje, implantando essa tal de reforma que vai nos jogar de volta à idade da pedra.

    Carlos A. Mendes

    05/05/2026

    Pois é, Luiz, mas não esquece que naquela época também não tinha SUS, aposentadoria nem direito a reclamar do chefe da mina.

    Major Ricardo Silva

    05/05/2026

    Pois é, Luiz Carlos, naquela época não tinha esse mimimi de ideologia de gênero e nem sindicalista querendo atrapalhar o trabalho. Era homem de verdade suando pra construir algo útil, sem burocracia e sem esses esquerdistas enchendo o saco. Se dependesse de mim, a segurança hoje em dia era na base da lei e da ordem, igualzinho naquele tempo.

    Adalberto Livre

    05/05/2026

    É, Luiz Carlos, e com essa mentalidade você ainda estaria lá, cavando cobre com as unhas enquanto reclamava do comunismo dos vizinhos da caverna ao lado.

Carlos Oliveira

05/05/2026

Que descoberta fascinante, meus amigos. Enquanto as elites de hoje lucram com mineração predatória e concentração de terras, esses povos pré-históricos já mostravam que é possível extrair recursos da natureza com organização coletiva e respeito ao ambiente. Isso nos lembra que a verdadeira riqueza de um povo está no trabalho comunitário, e não na exploração de poucos sobre muitos.

    Bia Carioca

    05/05/2026

    Carlão, é exatamente isso! Enquanto a direita defende mineração a qualquer custo, esses achados provam que dá pra pensar extração de recursos com lógica coletiva e sustentável. Falta coragem aos governantes de hoje pra romper com o lobby das mineradoras.

      Paula Santos

      05/05/2026

      Bia, concordo que a descoberta nos faz refletir sobre responsabilidade na extração de recursos, mas acho que o problema não é a mineração em si, e sim a ganância descontrolada. A Bíblia nos ensina a sermos bons mordomos da criação, o que inclui explorar com sabedoria e justiça, não com ideologia.


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