Uma nova abordagem no tratamento do câncer de cólon vem produzindo resultados surpreendentes e promissores. Pesquisadores do University College London (UCL) conduziram o estudo NEOPRISM-CRC, que demonstrou que uma breve aplicação de imunoterapia antes da cirurgia pode manter pacientes livres do câncer por quase três anos.
A descoberta desafia o tratamento padrão, que tradicionalmente envolve cirurgia seguida de meses de quimioterapia. O estudo, liderado por especialistas do UCL e do UCLH, aplicou nove semanas de tratamento com pembrolizumab em pacientes com câncer colorretal em estágio dois ou três.
Os resultados iniciais mostraram que 59% dos pacientes não apresentavam câncer detectável após a imunoterapia e a cirurgia. Após 33 meses de acompanhamento, nenhum dos pacientes sofreu recaída, um contraste significativo com o tratamento padrão, no qual cerca de 25% dos pacientes veem o retorno do câncer em três anos.
Além dos resultados promissores, os pesquisadores buscaram entender por que a imunoterapia foi tão eficaz e como identificar os pacientes que mais se beneficiariam. Testes de sangue personalizados foram desenvolvidos para detectar a presença de DNA do câncer na corrente sanguínea, permitindo prever o sucesso do tratamento.
O investigador chefe do estudo, Kai-Keen Shiu, do UCL e do UCLH, destacou a importância desses testes para adaptar o tratamento às necessidades individuais dos pacientes. Conforme reportagem do Science Daily, a pesquisa focou em um subtipo genético específico do câncer colorretal, que representa entre 10% e 15% dos casos.
O câncer de cólon é o quarto mais comum no Reino Unido, com cerca de 44 mil novos casos anualmente. A detecção precoce é crucial, pois a taxa de sobrevivência é de 90% no estágio um, mas cai para 65% no estágio três e apenas 10% no estágio quatro.
Os resultados do estudo foram apresentados na Reunião Anual da Associação Americana para Pesquisa do Câncer 2026, em San Diego. O professor Marnix Jansen, do UCL Cancer Institute, afirmou que os achados não apenas confirmam a durabilidade das respostas observadas anteriormente, mas também fornecem insights biológicos cruciais sobre a eficácia da imunoterapia.
Um exemplo do impacto positivo do estudo é Christopher Burston, paciente de 73 anos de Portland, em Dorset, que participou do ensaio após ser diagnosticado com câncer colorretal em fevereiro de 2023. Após receber três doses de imunoterapia e passar por cirurgia, ele permanece livre do câncer quase três anos depois, demonstrando o potencial transformador desse tratamento inovador.
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Clotilde Pátria
06/05/2026
Ah, e ninguém vai comentar que essa tal “imunoterapia” é feita com células de fetos abortados? Pois é, a mídia esconde, mas a verdade aparece. Enquanto isso o Brasil quer legalizar o aborto até o nono mês, e o Lula só pensa em destruir a família tradicional. Que Deus tenha misericórdia dessa nação!
Julia Andrade
06/05/2026
Clotilde, seu comentário é um exemplo perfeito do que eu chamo de “virologia da desinformação”: uma afirmação falsa que se replica sem encontrar resistência imunológica nos corpos sociais que a recebem. Vamos aos fatos, porque a verdade não precisa de bênção divina para se sustentar. A imunoterapia que você menciona — especificamente os inibidores de checkpoint imunológico, como o pembrolizumabe, que foram destaque no estudo que originou este artigo — não é produzida a partir de células fetais abortadas. Essa tecnologia utiliza anticorpos monoclonais desenvolvidos em linhagens celulares imortalizadas, como células de ovário de hamster chinês (CHO), cultivadas em laboratório há décadas. A confusão que você faz provavelmente vem de uma distorção de um fato científico completamente diferente: algumas vacinas virais (como a da rubéola) foram historicamente cultivadas em linhagens derivadas de tecidos fetais de abortos eletivos dos anos 1960. São contextos, tecnologias e finalidades absolutamente distintos. Misturar tudo é como dizer que um pneu é feito de leite materno porque ambos contêm água.
Mais grave que o erro factual, Clotilde, é a estrutura do seu argumento: você parte de uma falsidade científica para justificar uma posição política pré-estabelecida contra o direito ao aborto e contra o governo Lula. É um movimento retórico clássico do que a filósofa Hannah Arendt chamou de “banalização do mal” na esfera pública — quando a mentira repetida com convicção substitui o fato verificável. Você não está debatendo ciência; está usando um artigo sobre câncer como trampolim para um pânico moral. Enquanto isso, pacientes reais com câncer de cólon metastático — muitos deles cristãos, muitos deles conservadores, muitos deles mães e pais de família — tiveram suas vidas estendidas por esse tratamento. Reduzir a imunoterapia a uma conspiração abortista é desrespeitar a dor concreta de quem luta contra a doença.
Por fim, é interessante notar como o discurso de “defesa da família tradicional” frequentemente opera como uma blindagem contra a compaixão. Seu Deus, pelo que você escreve, parece mais preocupado em vigiar úteros do que em consolar os doentes. A imunoterapia não é um complô, Clotilde: é o resultado de 40 anos de pesquisa básica em imunologia financiada por dinheiro público — inclusive de governos que você provavelmente detesta. A pergunta que fica é: se amanhã um parente seu precisar desse tratamento, você vai recusar em nome da “verdade” que a mídia esconde? Ou vai aceitar a ciência que salva vidas, mesmo que ela tenha nascido em laboratórios que você considera pecaminosos?
Paulo Rocha
06/05/2026
Que bom que a ciência avança, mas enquanto isso o Brasil gasta rios de dinheiro com palhaçada ideológica em vez de investir em pesquisa de verdade. Se esse estudo fosse feito aqui, metade do orçamento já teria ido para “marxismo cultural” nas universidades. Brasil pra brasileiros de bem, não pra essa esquerda que só sabe atrasar o país. Faz o L, vão pra Cuba se curar.
Pedro Almeida
06/05/2026
Paulo, sua fala reproduz o velho mito liberal de que a pesquisa básica em humanidades é “ideologia” enquanto a aplicada seria “ciência pura”. Ocorre que a própria imunoterapia que você celebra depende de décadas de investimento público em pesquisa fundamental, inclusive em países que não separam o conhecimento em “de bem” e “de esquerda”. Se o Brasil patina na ciência, é por sucateamento deliberado das universidades, não por suposto “marxismo cultural”.
Cristina Rocha
06/05/2026
Paulo, seu comentário é um verdadeiro prato cheio para quem estuda a relação entre discurso reacionário e ignorância sobre ciência. Você celebra a imunoterapia como um avanço, mas aparentemente não faz a menor ideia de que essa tecnologia não brota do vácuo como um milagre neoliberal. A imunoterapia é fruto de décadas de pesquisa básica em imunologia, genética e biologia molecular — áreas que dependem maciçamente de investimento público e de um ecossistema universitário robusto. O mesmo sistema que você acusa de estar tomado por “marxismo cultural” é o que forma os pesquisadores que, se tivessem financiamento decente no Brasil, poderiam estar desenvolvendo tratamentos semelhantes. A falácia de que “humanidades atrasam o país” é tão velha quanto o positivismo rasteiro do século XIX, e já foi desmontada até por físicos como Freeman Dyson, que reconhecia o papel da crítica social na própria direção da pesquisa científica.
Quando você diz “Brasil pra brasileiros de bem” e manda a esquerda “ir pra Cuba”, está revelando um profundo desconhecimento sobre como a ciência realmente funciona em países periféricos. Cuba, aliás, tem um dos sistemas de saúde pública mais eficientes do mundo e desenvolveu vacinas contra a covid-19 enquanto o Brasil, sob o governo que você provavelmente apoiou, negociava cloroquina. O Instituto Butantan e a Fiocruz, que produzem vacinas e imunobiológicos essenciais, são instituições públicas que formam cientistas formados em universidades que você chama de “ideológicas”. A pesquisa em humanidades não compete com a pesquisa biomédica; ela é parte do mesmo ecossistema. O problema não é o orçamento para as humanidades, que é ínfimo perto do que se gasta com juros da dívida pública ou com subsídios para o agronegócio. O problema real é que você prefere um país que reproduz desigualdades a um que invista em ciência, educação e pensamento crítico de forma integrada.
Seu discurso repete o mantra de que “esquerda atrasa o país”, mas quem atrasa é exatamente essa visão tacanha que reduz a universidade a uma fábrica de mão de obra barata para o mercado. A imunoterapia que você celebra não existiria sem a crítica ao modelo biomédico reducionista, sem os estudos sobre determinantes sociais da saúde, sem a bioética que questiona quem tem acesso a esses tratamentos caríssimos. Você quer ciência sem crítica, mas ciência sem crítica é tecnologia a serviço do capital — e aí os pacientes de câncer de cólon que você diz celebrar continuarão sem acesso ao tratamento, porque o SUS será desmontado e o plano de saúde custará um rim. Então, antes de pedir que a esquerda vá para Cuba, sugiro que leia um pouco sobre como Cuba forma médicos e desenvolve vacinas com uma fração do orçamento que o Brasil desperdiça com privilégios fiscais para os ricos. A ignorância não é ideológica, Paulo — ela é política. E a sua, infelizmente, é bastante conveniente.