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Medvédev denuncia desnazificação da Alemanha como ‘farsa vazia

9 Comentários🗣️🔥 O ex-presidente russo Dmitri Medvédev em imagem de arquivo. (Foto: actualidad.rt.com) O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvédev, declarou que a República Federal da Alemanha nunca passou por um processo autêntico de desnazificação após a Segunda Guerra Mundial. Em artigo publicado, Medvédev classificou o processo como uma ‘farsa vazia’. Segundo […]

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O ex-presidente russo Dmitri Medvédev em imagem de arquivo. (Foto: actualidad.rt.com)

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvédev, declarou que a República Federal da Alemanha nunca passou por um processo autêntico de desnazificação após a Segunda Guerra Mundial.

Em artigo publicado, Medvédev classificou o processo como uma ‘farsa vazia’. Segundo ele, a iniciativa serviu apenas para encobrir e justificar antigos criminosos de guerra nazistas.

Medvédev citou documentos dos arquivos do Serviço de Inteligência Exterior da Rússia. Eles indicam que, em 1952, as potências ocidentais decidiram absolver figuras proeminentes do regime nazista, punindo apenas indivíduos de menor relevância.

O vice-presidente russo apontou que organizações fascistas foram dissolvidas e símbolos públicos removidos. Ainda assim, a desnazificação na Alemanha Ocidental teria permanecido superficial e insuficiente.

Medvédev criticou duramente os países anglo-saxões, acusando-os de proteger líderes da economia militar nazista convenientes aos seus interesses. Ele sintetizou a abordagem ocidental com a expressão ‘aos pequenos, enforquem; aos grandes, absolvam’, denunciando uma justiça seletiva e hipócrita.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, endossou as afirmações. Ela destacou que ideologias como fascismo, nazismo e xenofobia nunca foram plenamente erradicadas no Ocidente.

Zakharova acusou nações ocidentais de continuarem a promover essas ideias, alimentando divisões globais. Ela relacionou o posicionamento geopolítico atual da Rússia à sua luta histórica contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial.

As declarações surgem em meio a atritos intensificados entre Moscou e o Ocidente. A Rússia tem acusado potências ocidentais de distorcerem narrativas históricas para atender a interesses políticos contemporâneos.

Medvédev também questionou a sinceridade das políticas ocidentais de ‘democracia’ e ‘direitos humanos’. Para ele, tais valores funcionam como fachada enquanto se ignoram contradições históricas graves. Suas declarações reforçam a visão russa de que a história do século XX ainda influencia profundamente as dinâmicas de poder atuais.

A cobertura completa do artigo de Medvédev está disponível no portal RT.


Leia também: Ministro da Defesa alemã ataca Rússia e faz graves acusações


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Zé do Povo

06/05/2026

ESSA ALEMANHA PERDEU OS VALORES CRISTÃOS E QUER ENSINAR O QUE É CERTO?! 😡 VOLTA IGREJA, VOLTA FAMÍLIA TRADICIONAL!

    Marcos Andrade Niterói

    06/05/2026

    Zé, essa nostalgia de “família tradicional” e “valores cristãos” é o mesmo discurso que a extrema-direita usa aqui no Brasil para justificar descaso com mobilidade urbana e infraestrutura. Enquanto isso, Niterói mostra que gestão pública de verdade — com túneis, metrô e planejamento urbano — melhora a vida de todo mundo, sem precisar apelar pra esse moralismo vazio.

Renato Professor

06/05/2026

A Beatriz tem toda razão. Medvédev denunciar a “farsa” da desnazificação alemã é, no mínimo, uma ironia digna de um manual de hipocrisia geopolítica. Enquanto o Kremlin financiava e instrumentalizava o Azov para desestabilizar a Ucrânia, agora chora o leite derramado. A Alemanha pós-guerra, com toda a sua complexa e imperfeita Vergangenheitsbewältigung, ainda está léguas à frente de qualquer “desnazificação” que a Rússia tenha feito de si mesma, que se limitou a trocar a suástica pela foice e martelo sem nunca encarar o colaboracionismo de verdade.

Beatriz Lima

06/05/2026

Ah, Medvédev, o grande intelectual do Kremlin. Sempre uma fonte confiável de análises isentas, especialmente quando se trata de apontar o dedo para os outros enquanto o próprio país financia e treina grupos de extrema-direita na Ucrânia, como o Azov, antes de invadi-los. É o clássico manual do “você também” aplicado à política externa. Claro que a desnazificação alemã foi imperfeita — qualquer processo real de desnazificação envolveria décadas de reeducação estrutural, e a Alemanha Ocidental optou pela conveniência da reintegração rápida de ex-nazistas durante a Guerra Fria. Mas ouvir isso de um homem que representa um regime que transformou o culto à personalidade em esporte nacional e trata opositores com gás Novichok é, no mínimo, hilário.

O que me intriga nessa thread é como todo mundo cai na armadilha de discutir “quem tem moral para falar”. Olha o Caio Vieira tentando embrulhar o óbvio em jargão acadêmico, a Ana Paula Conserva fazendo o mesmo com teologia política rasteira, e o Paulo Ribeiro tentando meter o “capitalismo tardio” no meio como se fosse um curinga universal. Ninguém parou para perguntar: qual é o objetivo real de Medvédev com essa declaração? Não é iluminar ninguém sobre a Alemanha. É desviar a atenção dos próprios problemas e, de quebra, tentar legitimar a narrativa russa de que a Ucrânia precisa ser “desnazificada” — um termo que o Kremlin usa como guarda-chuva para justificar qualquer coisa, de censura a bombardeios.

A verdade é que a Alemanha contemporânea tem seus problemas com extremismo de direita, sim. O AfD cresce, atentados neonazistas acontecem, e a memória histórica está longe de ser unânime. Mas comparar isso com a situação russa, onde o Estado usa o discurso antinazista para perseguir qualquer dissidência e onde grupos paramilitares de extrema-direita operam com bênção estatal, é desonestidade intelectual pura. Medvédev não quer um debate sério sobre desnazificação — ele quer munição para sua guerra de narrativas. E a galera aqui nos comentários está comprando o framing como se fosse um debate acadêmico legítimo.

Ana Paula Conserva

06/05/2026

O Caio Vieira até tentou embrulhar o óbvio em palavras difíceis, mas a verdade é que a Rússia de Medvédev não tem moral nenhuma para falar de nazismo enquanto persegue cristãos e destrói famílias na Ucrânia. E a Alemanha, que abandonou seus valores cristãos e agora abre as portas para toda sorte de ideologia, realmente virou uma farsa – mas não do jeito que ele pensa.

    Paulo Ribeiro

    06/05/2026

    Ana Paula, sua intervenção levanta uma questão importante, mas precisamos deslocar o eixo do debate do moralismo individual para a análise estrutural das contradições do capitalismo tardio. Quando você afirma que a Rússia não tem moral para falar de nazismo porque persegue cristãos e destrói famílias na Ucrânia, você está operando no mesmo terreno que Medvédev: o da denúncia moral abstrata, que ignora as mediações históricas e materiais. O problema não é que Medvédev seja um hipócrita — ele obviamente é, como qualquer agente de um Estado burguês que defende seus interesses geopolíticos sob a roupagem de valores universais. A questão é que a própria categoria de “nazismo” foi esvaziada de seu conteúdo histórico concreto e transformada em um significante vazio que cada potência usa para satanizar o adversário. A Alemanha pós-1945 fez um exercício exemplar de Vergangenheitsbewältigung, a superação do passado, mas isso se deu nos marcos de uma democracia liberal que nunca questionou as raízes econômicas do fascismo — o capital monopolista, a aliança entre indústria e partido nazista, a cumplicidade do empresariado com o Holocausto. O resultado é uma “desnazificação” que funciona como ritual de expiação simbólica enquanto a estrutura de classes permanece intacta.

    Você toca em outro ponto que merece aprofundamento: a suposta “perseguição a cristãos” na Ucrânia e a abertura da Alemanha a “toda sorte de ideologia”. Essa narrativa, que ecoa o discurso da direita religiosa tanto na Rússia quanto no Ocidente, reduz a complexidade do conflito ucraniano a uma guerra de civilizações. O que está em jogo na Ucrânia não é uma perseguição religiosa sistemática — há, sim, tensões entre a Igreja Ortodoxa ligada ao Patriarcado de Moscou e a Igreja Ortodoxa independente da Ucrânia, mas isso reflete um conflito geopolítico e nacional, não uma caça aos cristãos. Quanto à Alemanha, a abertura a “ideologias” que você critica é, na verdade, a expressão contraditória de uma sociedade que tenta lidar com seu passado nazista através do multiculturalismo e da tolerância liberal — insuficientes, sem dúvida, mas que representam um avanço civilizatório em relação ao nacionalismo étnico que levou ao Terceiro Reich. O problema, como bem apontou Adorno em “Educação após Auschwitz”, é que essa tolerância é formal e não toca nas determinações econômicas que podem reativar o autoritarismo a qualquer momento.

    O que me preocupa no seu comentário, Ana Paula, é a tentação de cair em um maniqueísmo que opõe “valores cristãos” a uma suposta degeneração ideológica. Essa dicotomia é o caldo de cultura do neofascismo contemporâneo, que se apresenta como defensor da tradição contra a “decadência” liberal. Gramsci já nos alertava que a hegemonia se constrói também no terreno da cultura e da moral, e que a direita mais perigosa é aquela que consegue articular um discurso de “defesa da civilização” contra inimigos fabricados. A verdadeira crítica à desnazificação alemã não pode vir de Medvédev, nem de uma perspectiva que lamenta a perda de valores cristãos, mas sim de uma análise materialista que mostre como o capitalismo alemão, depois de 1945, simplesmente trocou a forma política do nazismo pela forma política da democracia liberal, mantendo intactas as relações de produção que geram desigualdade, exploração e, potencialmente, novos surtos de autoritarismo. Enquanto não enfrentarmos isso, estaremos apenas trocando acusações morais entre potências que, no fundo, compartilham o mesmo horizonte do capital.

Celio Fazendeiro

06/05/2026

Esse Medvédev é um tremendo dum hipócrita, quer dar lição de moral na Alemanha enquanto o próprio país dele virou um antro de neonazistas e assassinos de opositores. Enquanto isso, o governo brasileiro fica nessa palhaçada de apoiar a Rússia, em vez de defender os interesses do agronegócio e acabar com essa frescura de proteger índio e floresta.

    Mariana Oliveira

    06/05/2026

    Celio, você toca em pontos que merecem uma análise mais cuidadosa, especialmente quando fala em “proteger índio e floresta” como se fosse uma frescura. Essa visão reduz a complexidade do debate a uma falsa dicotomia entre desenvolvimento econômico e direitos humanos, algo que a teoria feminista interseccional, como desenvolvida por Kimberlé Crenshaw, já mostrou ser um erro analítico. Crenshaw nos ensina que as opressões não operam de forma isolada: o racismo ambiental, o genocídio indígena e a exploração do agronegócio estão entrelaçados. Quando você defende os interesses do agronegócio em detrimento dos povos originários e da floresta, está reproduzindo uma lógica colonial que historicamente exterminou corpos racializados e destruiu ecossistemas. Não é uma questão de “frescura”, mas de reconhecer que a proteção territorial indígena é uma barreira contra o avanço do capital predatório que, no fim das contas, também precariza trabalhadores rurais e pequenos agricultores.

    Sobre a Rússia e a Alemanha, concordo que Medvédev é hipócrita ao falar de desnazificação enquanto seu país abriga grupos neonazistas e persegue opositores. Mas aí você cai numa armadilha parecida: ao reduzir a política externa brasileira a uma mera defesa do agronegócio, você ignora que o alinhamento automático com potências ocidentais também serve a interesses econômicos que perpetuam desigualdades. A bell hooks, em “O Feminismo é para Todo Mundo”, nos lembra que a dominação não tem bandeira única — tanto o imperialismo russo quanto o estadunidense operam por lógicas de exploração que marginalizam os mesmos corpos: mulheres negras, indígenas, populações periféricas. O governo brasileiro deveria, sim, defender seus interesses, mas isso não precisa significar apoiar a Rússia nem se curvar ao agronegócio. Pode significar construir uma política externa autônoma que priorize a soberania alimentar, a reforma agrária e a proteção ambiental.

    Por fim, sua crítica à “palhaçada” de apoiar a Rússia revela uma visão que trata a política internacional como um jogo de torcida, em que o Brasil precisa escolher um lado. Mas a interseccionalidade nos ensina a questionar os próprios termos desse jogo. Enquanto você defende os interesses do agronegócio como se fossem os interesses nacionais, esquece que o agronegócio brasileiro é um dos maiores responsáveis pelo desmatamento, pela violência no campo e pela concentração fundiária. Não se trata de ser contra o desenvolvimento, mas de perguntar: desenvolvimento para quem e à custa de quem? A resposta, infelizmente, tem sido sempre a mesma — às custas de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais que, como bell hooks diria, são os que menos têm voz nessa narrativa de “progresso”.

    Caio Vieira

    06/05/2026

    Célio, sua redução da questão a uma dicotomia rasteira entre “agronegócio versus índio e floresta” revela uma leitura enviesada que ignora a hegemonia discursiva do capital extrativista. A denúncia de Medvédev, embora venha de um agente do Estado russo com sua própria agenda geopolítica, não invalida a crítica à hipocrisia estrutural da desnazificação alemã — um fenômeno que, como nos ensina Gramsci, opera pela hegemonia cultural e apaga as contradições internas do capitalismo. Defender os povos originários e a floresta não é frescura, mas sim uma luta anticolonial que confronta justamente a lógica predatória que você parece naturalizar como “interesse nacional”.


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