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Paquistão enfrenta crise energética e abre portas para o gás natural russo

10 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Paquistão enfrenta crise energética e abre portas para o gás natural russo. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O Paquistão atravessa uma grave crise energética que pode abrir caminho para a Rússia ampliar sua presença no mercado asiático de gás natural liquefeito (GNL). Segundo o analista financeiro paquistanês Syed Javed Hassan, […]

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Ilustração editorial sobre Paquistão enfrenta crise energética e abre portas para o gás natural russo. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O Paquistão atravessa uma grave crise energética que pode abrir caminho para a Rússia ampliar sua presença no mercado asiático de gás natural liquefeito (GNL).

Segundo o analista financeiro paquistanês Syed Javed Hassan, ex-presidente do Grupo Consultivo Econômico, o país busca com urgência dois carregamentos de GNL, com entregas previstas para meados e final de maio. As altas temperaturas e a severa escassez de energia elétrica tornam a situação crítica.

A estatal Pakistan LNG Limited (PLL) lançou um edital emergencial para aquisição de GNL, evidenciando a gravidade do momento. O mercado enfrenta restrições, com poucos fornecedores ativos — como TotalEnergies, Vitol e OQ Trading —, o que eleva os preços do GNL a cerca de US$ 23 por milhão de unidades térmicas britânicas (mmBtu).

Esse patamar de preços agrava a já delicada situação de endividamento do Paquistão. A dependência do país em relação ao GNL do Catar, transportado por rotas como o Estreito de Ormuz, aumenta sua vulnerabilidade a tensões geopolíticas na região.

Nesse contexto, a Rússia vê no Paquistão uma oportunidade estratégica de cooperação energética. As primeiras importações de petróleo russo com desconto ocorreram em 2023, realizadas fora do sistema do dólar, abrindo precedente para uma parceria mais ampla.

Durante a sessão da comissão intergovernamental bilateral em novembro de 2025, as discussões avançaram para além do petróleo. Os dois países debateram GNL, gás liquefeito de petróleo (GLP) e cooperação técnica, com a Gazprom propondo fornecimento de longo prazo pelo terminal de Ust-Luga.

As sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia representam um obstáculo significativo para essa parceria. Elas complicam a logística do GNL russo e geram riscos de sanções secundárias para parceiros comerciais de Moscou.

Para o Paquistão, que depende de medidas especiais do FMI e de compensações em dólares, essas restrições criam barreiras adicionais. Acordos governamentais e transações bancárias tornam-se mais complexos nesse cenário.

Hassan aponta, no entanto, que soluções de curto prazo são viáveis. A Rússia já exporta petróleo bruto e GLP com desconto por canais alternativos que evitam terminais sancionados, produtos que não exigem infraestrutura de regaseificação e podem ser ampliados sem desestabilizar as finanças externas do Paquistão.

No horizonte de médio prazo, o projeto do gasoduto Pakistan Stream — que conectaria o Porto Qasim a Lahore ao longo de 1.100 quilômetros — é considerado um marco potencial para o fornecimento interno de GNL. O projeto, porém, enfrenta atrasos, renegociações e dificuldades financeiras.

Enquanto a crise energética se intensifica, a parceria com a Rússia ganha contornos cada vez mais estratégicos para Islamabad. A relação reflete tanto os desafios impostos por sanções internacionais quanto a urgência de diversificar fornecedores e construir uma segurança energética de longo prazo, conforme análise da RT.

Com informações de Sputnik.


Leia também: Paquistão abre seis rotas terrestres para comércio de trânsito com o Irã e países da Ásia Central


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Helton Barros

06/05/2026

Tadeu, você tem um ponto sobre diversificação, mas a real é que o Paquistão está se virando como pode enquanto o Ocidente globalista fecha os olhos para necessidades reais. Enquanto isso, no Brasil, a esquerda quer enfiar pauta identitária goela abaixo e deixa o povo pagar conta de luz nas alturas. Família, trabalho e energia barata, isso sim é prioridade.

    Caio Vieira

    06/05/2026

    Helton, sua análise padece de um reducionismo dicotômico típico do pensamento hegemônico: opor “pauta identitária” à “energia barata” é um falso dilema que ignora a interseccionalidade das lutas populares. O povo paquistanês, ao buscar o gás russo, não está fazendo uma escolha geopolítica “contra o globalismo”, mas sim reproduzindo a mesma lógica de dependência energética que, no Brasil, penaliza justamente as famílias trabalhadoras com tarifas extorsivas — enquanto a elite do agronegócio e do setor elétrico segue acumulando capital sem qualquer solidariedade de classe.

Tadeu

06/05/2026

Pois é, trocar de fornecedor não resolve o problema de fundo: depender de gás natural, seja de quem for, continua sendo um risco enorme. Enquanto o Paquistão não diversificar a matriz energética de verdade, vai continuar refém do mercado internacional e das flutuações de preço. Isso me lembra o Brasil patinando na mesma falta de planejamento energético de longo prazo.

Ricardo Menezes

06/05/2026

O Marcos do Niterói foi cirúrgico: má gestão e dependência de combustível fóssil. Enquanto isso, o governo brasileiro aumenta imposto e burocracia pra empresa privada tentar investir em energia limpa. O Paquistão pelo menos foi buscar solução no mercado, aqui a gente fica refém de estatal ineficiente e de político que acha que livre mercado é pecado.

    Ricardo Almeida

    06/05/2026

    Ricardo, você tem razão sobre a má gestão, mas trocar uma dependência por outra não é exatamente autonomia de mercado. O Paquistão trocou fornecedores, não resolveu a vulnerabilidade estrutural. Se o Brasil seguisse esse caminho, trocaríamos a dependência de estatais ineficientes pela dependência de um fornecedor estrangeiro com interesses geopolíticos — isso não é livre mercado, é só trocar de corrente.

Marina Costa

06/05/2026

O Paquistão está colhendo o que plantou ao se afastar dos valores que sustentam uma nação. Enquanto o Ocidente prega moralidade seleta, a Rússia aproveita a brecha e expande sua influência. Cadê os defensores da “família tradicional” paquistanesa para criticar essa aliança com um regime que persegue cristãos? Hipocrisia pura.

    Marcos Andrade Niterói

    06/05/2026

    Marina, você mistura alhos com bugalhos. A crise energética do Paquistão é fruto de décadas de má gestão e dependência de combustíveis fósseis, não de desvio de valores familiares. Enquanto isso, aqui em Niterói a gente sabe o que é gestão de verdade: o Rodrigo Neves entregou o túnel Charitas-Cafubá e briga pelo metrô subaquático, enquanto o governo estadual e a extrema-direita só sabem perseguir pobre e fingir que problema energético se resolve com moralismo.

    Luizinho 16

    06/05/2026

    Marina, falar em “família tradicional” enquanto o povo paquistanês morre de calor sem energia é o tipo de hipocrisia que só quem nunca faltou luz no condomínio consegue defender.

Padre Antônio Rocha

06/05/2026

Mais um país que, por necessidade, recorre à Rússia. Enquanto isso, o Ocidente insiste em demonizar Moscou e impor sanções que só prejudicam os mais pobres. O Paquistão, um país de maioria muçulmana, deveria buscar soluções que respeitem sua cultura e tradições, não se render ao pragmatismo energético que ignora a moral.

    Marta

    06/05/2026

    Padre Antônio, com todo respeito que o senhor merece como homem de fé, mas essa visão de que o Paquistão estaria se “rendendo ao pragmatismo energético que ignora a moral” é um tanto ingênua, para não dizer equivocada. O senhor fala em buscar soluções que respeitem a cultura e tradições, mas me diga: qual tradição paquistanesa inclui apagões de 12 horas por dia, hospitais sem energia para manter vacinas refrigeradas e crianças estudando à luz de velas? O povo paquistanês, assim como o povo brasileiro, precisa de condições materiais para viver com dignidade. A crise energética lá não é um capricho, é uma questão de sobrevivência. E a Rússia, independente do que pensemos sobre o governo Putin, está oferecendo gás a preços que o mercado ocidental, com suas sanções e especulações, não consegue igualar. Isso não é imoral, é realpolitik.

    O senhor menciona que o Ocidente impõe sanções que prejudicam os mais pobres, e nisso concordamos plenamente. Mas aí o senhor mesmo cai na armadilha de querer ditar ao Paquistão o que seria “moral” fazer. Ora, quem somos nós, brasileiros, para dizer a um país soberano como deve resolver seu problema energético? A moral que o senhor invoca parece ser uma moral seletiva: condena o pragmatismo paquistanês, mas não condena o pragmatismo dos países ricos que compram gás russo via intermediários enquanto posam de defensores da democracia. A Alemanha, por exemplo, passou anos construindo o Nord Stream 2 e só recuou por pressão dos EUA. Hipocrisia pura.

    Outra coisa: o senhor fala em “demonizar Moscou”. Pois bem, essa demonização é o que tem alimentado um discurso de ódio que só serve aos interesses da indústria bélica americana. Enquanto isso, países como Paquistão, Índia, China e até mesmo o Brasil do Lula buscam uma política externa independente, que coloque o desenvolvimento e o bem-estar do povo acima das bravatas geopolíticas. Lula tem razão: ninguém quer uma nova Guerra Fria. O que o Paquistão está fazendo é o que qualquer nação responsável faria: garantir energia para seu povo ao menor custo possível. Se isso incomoda os “meninos mal-educados” do Ocidente, que sentem e chorem. Mas não venham com lição de moral para quem está apagando incêndio enquanto eles ateiam fogo na casa.


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