O membro do Parlamento do Irã, Ali Nikzad, declarou que os Estados Unidos buscam impor seus interesses por meio de guerras, sanções e interferências, mas que seus planos contra a República Islâmica jamais se concretizarão. Segundo o parlamentar, a nação iraniana, sustentada pela cultura de resistência e pelos ensinamentos religiosos, escolheu manter-se firme diante das pressões externas.
Em discurso na cidade de Arak, Nikzad condenou o que classificou como padrão duplo nas reações ao confronto entre Washington, Tel Aviv e Teerã. Ele apontou que crimes atribuídos a esses países, incluindo ataques contra centros civis e escolas, passam sem condenação internacional, ao passo que qualquer ação defensiva iraniana é imediatamente alvo de críticas.
O parlamentar acusou os Estados Unidos de promoverem guerras com finalidade comercial, voltadas a impulsionar a venda de armamentos e a explorar recursos naturais de nações devastadas sob o pretexto de reconstrução pós-conflito. Nikzad também responsabilizou Israel por fomentar divisões na região, sustentando que muitos dos conflitos atuais não teriam emergido sem a presença daquele Estado no Oriente Médio.
Nikzad fez referência à guerra de doze dias travada entre Irã, Israel e Estados Unidos, quando ataques aéreos atingiram instalações iranianas e provocaram a morte de altos oficiais militares e cientistas nucleares do país. O parlamentar tratou o episódio como agressão sem provocação prévia, lembrando que as forças armadas iranianas responderam com operações de mísseis e drones contra alvos militares israelenses e bases norte-americanas espalhadas pela região.
O deputado dirigiu apelo aos governos vizinhos para que não permitam que seus territórios sejam utilizados pelos Estados Unidos ou por Israel em ações desestabilizadoras contra Teerã. Nikzad reafirmou que a República Islâmica busca relações pautadas pelo respeito mútuo com seus vizinhos, mas advertiu que qualquer hostilidade será respondida de forma proporcional e contundente.
O parlamentar mencionou ainda as tensões envolvendo os Emirados Árabes Unidos, após acusações de que o Irã teria lançado mísseis e drones contra território emiradense, alegações rejeitadas categoricamente por Teerã. Segundo Nikzad, qualquer ação militar deflagrada a partir do solo dos Emirados contra o Irã será respondida de maneira esmagadora, conforme registrou o portal Mehr News.
A fala do deputado integra um esforço sistemático da liderança política iraniana de denunciar a hipocrisia das potências ocidentais, que pregam direitos humanos enquanto financiam ofensivas militares contra populações civis no Oriente Médio. O contraste entre o discurso humanitário de Washington e seu papel direto em guerras por procuração na região tem sido tema recorrente nos pronunciamentos oficiais em Teerã.
Nikzad encerrou seu discurso reforçando que o Irã não recuará diante de coerções externas e que continuará a defender sua soberania com todos os meios disponíveis. A mensagem do parlamentar reflete a leitura corrente entre as autoridades iranianas de que o eixo formado por Estados Unidos e Israel busca remodelar a geopolítica regional pela força, mas encontra na resistência da República Islâmica um obstáculo intransponível.
Leia também: EUA matam cinco civis em ataque no Golfo e intensificam tensão com Irã
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Maria Clara Lopes
06/05/2026
Ana, você equilibrou bem a crítica ao autoritarismo iraniano com a hipocrisia ocidental. O problema é que essa retórica de “resposta esmagadora” só alimenta o ciclo de tensão que prejudica justamente a população civil. Enquanto líderes trocam ameaças, quem sofre com sanções e inflação é o povo comum dos dois lados.
Rubens O Pescador
06/05/2026
Ana Souza, a senhora tem toda razão. Lá na roça a gente chama isso de “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Os EUA e Israel querem ditar regra pro mundo inteiro, mas quando é com eles, o choro é livre. Lembro bem que no tempo do Lula o Brasil tinha voz ativa e ninguém nos pisava, hoje é só vergonha.
Ana Souza
06/05/2026
John, você trouxe um ponto interessante sobre como o discurso de resistência pode ser usado para justificar autoritarismo. Mas acho que a crítica ao padrão duplo ocidental é válida – os EUA vendem democracia enquanto apoiam ditaduras no Oriente Médio quando convém. O problema é que no fim das contas, tanto o povo iraniano quanto o brasileiro sofrem com as consequências desses jogos de poder, independente de quem está certo ou errado.
John Marshall
06/05/2026
Carlos Oliveira, você capturou bem a essência do problema: o trabalhador comum é sempre a moeda de troca nesse jogo geopolítico. O que me irrita, como estudioso de Hobbes e Locke, é ver como o discurso de “soberania” e “resistência” serve para mascarar a mesma lógica de poder que denunciam nos EUA. O Irã tem todo o direito de reagir a décadas de interferência, mas enquanto líderes trocam ameaças, quem sente o peso das sanções e da inflação é o povo — e isso vale para qualquer lado do Atlântico.
Carlos Oliveira
06/05/2026
Pois é, João, você tocou no ponto: o povo iraniano sofre com sanções e inflação, assim como a gente aqui sente no bolso o preço da gasolina e do pão. Enquanto os EUA e Israel brincam de guerra no Oriente Médio, quem paga o pato é sempre o trabalhador, seja em Teerã ou na periferia de Fortaleza. O discurso de “resposta esmagadora” é só pra esconder que a vida de quem rala não muda nada com essa briga de egos.
Ricardo Almeida
06/05/2026
Cláudio, você tocou num ponto importante: o tal “teatro” do Capitão ignora que a política externa iraniana é reativa a décadas de interferência ocidental. Mas discordo quando reduz tudo a neoliberalismo. O Irã tem um regime teocrático que usa o antiamericanismo como cortina de fumaça pra própria incompetência econômica. Sanções existem, mas má gestão interna também pesa.
Capitão Tavares 🇧🇷
06/05/2026
Mais um teatro pra tentar assustar o mundo. Enquanto isso, o Brasil tá sendo entregue de bandeja pros mesmos esquemas que esses caras usam pra desestabilizar nações. Se as Forças Armadas não acordarem logo, vamos virar refém dessa gente.
Cláudio Ribeiro
06/05/2026
Capitão, você reduz a geopolítica do Oriente Médio a um teatro, mas ignora que o Brasil já é refém há décadas do mesmo receituário neoliberal que desmonta o Estado e entrega soberania ao capital financeiro. As Forças Armadas não vão nos salvar porque o problema não é de caserna, é de projeto de nação — e esse projeto foi sequestrado pelo mercado.
João Carlos Silva
06/05/2026
É dose, né? Enquanto eles tão nessa briga de foice no escuro, o povo iraniano deve estar sofrendo com o preço do pão e da gasolina, igual a gente aqui. Essa história de “resposta esmagadora” só aumenta a tensão e ninguém ganha.
Lucas Moreira
06/05/2026
Mais um capítulo do eterno teatro geopolítico. Enquanto o Irã gasta rios de dinheiro com propaganda e retórica belicosa, a população vive sob sanções que poderiam ser evitadas com uma abertura econômica de verdade. Se eles gastassem metade da energia que colocam em ameaças para privatizar setores e atrair capital estrangeiro, talvez não precisassem de “respostas esmagadoras” contra ninguém. Estado grande e intervencionista só gera crise e pobreza.
Tiago Mendes
06/05/2026
Lucas, o problema não é o tamanho do Estado iraniano, mas o fato de que as sanções impostas pelos EUA e Israel sufocam qualquer possibilidade de desenvolvimento econômico soberano. A Bíblia nos ensina a denunciar a opressão dos poderosos sobre os fracos, e esse discurso de “abertura econômica” muitas vezes é só um convite para que países ricos continuem explorando os mais pobres.