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QuTwo atinge avaliação de US$ 380 milhões em rodada angel de financiamento

5 Comentários🗣️🔥 Peter Sarlin, fundador da QuTwo, em evento. (Foto: techcrunch.com) A startup finlandesa QuTwo, focada em inteligência artificial e computação quântica, alcançou uma avaliação de 325 milhões de euros — cerca de US$ 380 milhões — após uma rodada angel que captou 25 milhões de euros. Fundada por Peter Sarlin, ex-CEO da AMD Silo […]

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Peter Sarlin, fundador da QuTwo, em evento. (Foto: techcrunch.com)

A startup finlandesa QuTwo, focada em inteligência artificial e computação quântica, alcançou uma avaliação de 325 milhões de euros — cerca de US$ 380 milhões — após uma rodada angel que captou 25 milhões de euros.

Fundada por Peter Sarlin, ex-CEO da AMD Silo AI, a empresa emerge como um dos nomes mais promissores da Europa no setor de tecnologias avançadas. Sarlin também ocupa o cargo de presidente executivo da QuTwo.

O carro-chefe da empresa, o QuTwo OS, funciona como uma camada de orquestração que distribui tarefas entre arquiteturas clássicas, quânticas ou híbridas, conforme a demanda específica. A abordagem é pragmática: prioriza simulações de comportamentos quânticos em hardware clássico, mais estável e acessível.

Sarlin enfatizou que a inteligência artificial é o pilar central da companhia, enquanto a computação quântica representa um recurso computacional inovador. Ele destacou a visão de longo prazo da startup, mirando um horizonte de cinco a dez anos, sem ceder à pressão de grandes rodadas de capital de risco.

A QuTwo já assegurou cerca de US$ 23 milhões em receitas comprometidas, fruto de parcerias com empresas como a varejista Zalando, para quem desenvolveu assistentes baseados em IA. O objetivo declarado é construir a principal empresa global de IA para o próximo paradigma tecnológico.

O financiamento inicial veio do escritório familiar de Sarlin, o PostScriptum, que também incubou a NestAI. Essa outra empresa de IA captou US$ 115 milhões em rodada liderada pelo fundo soberano da Finlândia e pela Nokia.

Diferentemente da NestAI, a QuTwo optou por recusar investimentos de venture capital, priorizando a rodada angel. A decisão reflete a busca europeia por soberania tecnológica frente à dependência de provedores dos Estados Unidos.

Entre os investidores estão figuras como Yuri Milner, Xavier Niel, Nico Rosberg e Niklas Zennström, além de fundadores de empresas como Hugging Face, Miro e Skype. Essa rede de apoio deve facilitar a expansão da QuTwo em setores onde a Europa já tem forte atuação, como automotivo, ciências da vida e jogos eletrônicos.

A startup avança também em sua presença internacional, com entrada recente no mercado sueco e a contratação de cerca de 50 cientistas especializados em IA e computação quântica. Sua equipe conta com cofundadores experientes, como Kaj-Mikael Björk, que trabalhou com Sarlin na Silo AI, e Kuan Yen Tan, cofundador da IQM, empresa finlandesa de computação quântica próxima de abrir capital.

Com a crescente demanda por soluções de IA e o movimento por autonomia tecnológica na Europa, a QuTwo se destaca como um ator relevante no cenário de inovação. Conforme reportado pelo TechCrunch, a empresa simboliza um esforço concreto para fortalecer a competitividade europeia em computação avançada.


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Capitão Tavares 🇧🇷

06/05/2026

380 milhões de dólares em papinho de startup finlandesa, e aqui o Brasil se afundando em corrupção e incompetência. Enquanto isso, o Exército deveria estar tomando conta desse país, não deixando esses “gênios” da tecnologia nos engabelarem com dinheiro de fundo perdido. Quero ver essa tal de computação quântica resolver a segurança pública no Rio.

    Mariana Oliveira

    06/05/2026

    Capitão, sua indignação com a corrupção e a incompetência estatal é legítima e eu compartilho dela em grande medida. Mas quando você sugere que a solução é o Exército “tomar conta do país”, você está reproduzindo um raciocínio que historicamente tem servido para aprofundar as desigualdades que tanto criticamos. A militarização da gestão pública não é uma novidade no Brasil – ela já foi testada em diversas pastas e o resultado, como aponta a pesquisa da socióloga Jacqueline Muniz, é o agravamento da letalidade policial e a manutenção de um Estado que prioriza o controle sobre populações periféricas em vez de garantir direitos básicos. A segurança pública no Rio de Janeiro não se resolve com mais farda nas ruas, mas com políticas que enfrentem a raiz do problema: a concentração de renda, o racismo estrutural e a falta de acesso a educação e saúde de qualidade.

    Você pergunta “quero ver essa tal de computação quântica resolver a segurança pública no Rio”. É uma provocação justa, mas ela parte de uma premissa equivocada: a de que tecnologia e justiça social são esferas opostas e excludentes. Kimberlé Crenshaw, ao formular o conceito de interseccionalidade, nos ensina que as opressões não funcionam de forma isolada. Da mesma forma, as soluções não podem ser pensadas em caixas estanques. Uma startup finlandesa levantando 380 milhões de dólares não vai, sozinha, resolver a violência no Rio, assim como o Exército não vai. O que pode fazer diferença é um ecossistema que combine inovação tecnológica com políticas públicas anticapacitistas, antirracistas e feministas – algo que bell hooks chamaria de uma pedagogia engajada, que forma cidadãos críticos e não apenas consumidores de promessas de mercado.

    O problema não é o dinheiro dos fundos de investimento, mas a ausência de um debate democrático sobre para onde esse dinheiro deve fluir. Enquanto tratamos a tecnologia como um fetiche de mercado, descolado das necessidades reais da população, continuaremos vendo valuations astronômicos convivendo com o caos nas periferias. A solução não é o autoritarismo militar, mas a radicalização da democracia – com participação popular, controle social dos recursos e um Estado que, em vez de sugar o contribuinte, redistribua riqueza e invista em infraestrutura social. Só assim a computação quântica, ou qualquer outra inovação, poderá servir para algo além de enriquecer alguns poucos enquanto a maioria sobrevive na corda bamba.

    Cláudio Ribeiro

    06/05/2026

    Capitão, sua nostalgia por uma intervenção militar revela menos amor à ordem e mais um desejo de repetir 1964, que nos legou exatamente o Estado burocrático e a segurança pública privatizada que o senhor critica. A computação quântica não vai resolver o Rio porque o problema não é tecnológico, é político: enquanto tratarmos segurança como guerra e não como direito social, nenhum algoritmo vai substituir a ausência de políticas públicas de base.

Cecília Alves

06/05/2026

Mais uma startup que infla valuation com dinheiro de investidor-anjo, enquanto o mercado real trava na burocracia brasileira. 380 milhões de dólares em promessas de IA e computação quântica, mas cadê o retorno produtivo? Enquanto isso, o Estado continua sugando o contribuinte pra bancar privilégio de meia dúzia de iluminados.

    Letícia Fernandes

    06/05/2026

    Cecília, sua indignação é compreensível e compartilho da desconfiança em relação a esses valuations etéreos que mais parecem fichas de pôquer num cassino de alto risco. No entanto, permita-me aprofundar a crítica para além da dicotomia “mercado produtivo versus Estado parasita”, pois essa narrativa, embora popular, oculta as engrenagens reais do capitalismo financeirizado. O que estamos testemunhando com a QuTwo não é um desvio do “verdadeiro” capitalismo, mas sim sua manifestação mais madura e reveladora. O capital, em sua fase tardia, já não precisa mais da mediação da produção material para se valorizar; ele se autovaloriza na esfera da circulação financeira, e startups de IA e computação quântica são o veículo perfeito para esse processo. Os 380 milhões de dólares não são um investimento em “promessas”, como você diz, mas sim a compra de um lugar na fila para a próxima bolha especulativa, onde o lucro não virá da venda de um produto, mas da revenda da própria participação acionária para um comprador ainda mais otimista.

    A sua crítica ao Estado, embora toque num ponto real — o uso de dinheiro público para subsidiar a acumulação privada —, inverte a causalidade. O Estado brasileiro não “suga o contribuinte” por uma falha de caráter ou ineficiência burocrática; ele opera como o braço político do capital, especialmente num país de capitalismo dependente e periférico como o nosso. Ele financia, via BNDES, Finep e renúncias fiscais, exatamente esses “iluminados” que você menciona, não por privilégio, mas porque a reprodução do sistema exige que o risco da inovação seja socializado (pago por todos nós) enquanto o lucro, quando vier, será integralmente privatizado. A burocracia que trava o “mercado real” — o pequeno empresário, o agricultor familiar, o microempreendedor — é a mesma burocracia que se desdobra em tapetes vermelhos para garantir que o capital fictício encontre seu ninho. Não há contradição: o Estado é o grande fiador desse cassino, e a “sugada” no contribuinte é o custo de manter a fantasia de que todos podemos ser sócios do Vale do Silício.

    Portanto, Cecília, a raiz do problema não está no excesso de Estado ou na falta dele, mas na natureza de um sistema que precisa criar bolhas de valor fictício para adiar sua crise de realização. Enquanto discutimos se a culpa é da burocracia ou dos privilégios, a QuTwo e seus pares seguem extraindo mais-valia social — seja do trabalho precarizado de seus programadores, seja dos subsídios públicos que você corretamente denuncia — para alimentar uma máquina que não produz senão mais desigualdade. O “retorno produtivo” que você cobra é uma miragem num regime em que a produção material foi subordinada à especulação financeira. A pergunta que fica é: até quando vamos aceitar que o Estado transfira renda dos que trabalham para os que apostam, tudo em nome de uma “inovação” que nunca chega para a maioria?


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