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Cientistas descobrem nova espécie de pinguim-gentoo após mais de um século

0 Comentários🗣️🔥 Dois pinguins-gentoo interagem na água, com respingos ao redor. (Foto: phys.org) Cientistas chilenos e norte-americanos descobriram uma nova espécie de pinguim gentoo — a primeira reconhecida oficialmente pela ciência em mais de cem anos. A espécie foi batizada de Pygoscelis kerguelensis e habita as isoladas Ilhas Kerguelen, também chamadas de Ilhas da Desolação. […]

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Dois pinguins-gentoo interagem na água, com respingos ao redor. (Foto: phys.org)

Cientistas chilenos e norte-americanos descobriram uma nova espécie de pinguim gentoo — a primeira reconhecida oficialmente pela ciência em mais de cem anos.

A espécie foi batizada de Pygoscelis kerguelensis e habita as isoladas Ilhas Kerguelen, também chamadas de Ilhas da Desolação. O local fica a cerca de 2 mil milhas de distância de qualquer território habitado de forma permanente.

O estudo, publicado na revista Communications Biology, demonstrou que o que se pensava ser uma única espécie de pinguim gentoo consiste, na realidade, em quatro espécies diferentes. Análises genômicas detalhadas revelaram variações genéticas importantes entre os grupos populacionais.

A professora Juliana Vianna, da Universidade Andrés Bello no Chile, alertou para as implicações da descoberta. As mudanças climáticas representam uma ameaça grave para três das quatro espécies agora identificadas.

As populações que vivem em áreas subantárticas enfrentam os maiores riscos, segundo a especialista. Por outro lado, a espécie Pygoscelis ellsworthi, residente na Antártica, pode expandir sua área de distribuição com o aquecimento global.

A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional liderada por especialistas do Chile e da Universidade da Califórnia em Berkeley. Os cientistas examinaram 64 genomas completos coletados em dez colônias de reprodução diferentes.

Além de descrever a nova espécie, o trabalho elevou três subespécies à categoria de espécies plenas. Estas incluem a Pygoscelis taeniata, a Pygoscelis papua e a Pygoscelis ellsworthi.

A Pygoscelis kerguelensis é considerada espécie críptica: suas diferenças em relação às demais são sutis e difíceis de detectar apenas pela observação visual.

Os pesquisadores examinaram as adaptações genéticas que permitem a sobrevivência em ambientes tão distintos. O Pygoscelis ellsworthi conta com genes que favorecem a geração de calor e o armazenamento eficiente de gordura corporal.

Já o Pygoscelis taeniata apresenta modificações que possibilitam mergulhos mais prolongados e um metabolismo otimizado. Essas características são fundamentais para sua sobrevivência em águas mais quentes com menor disponibilidade de alimentos.

O estudo projeta que, sob cenários moderados de mudanças climáticas, as ilhas subantárticas podem se tornar inadequadas para essas aves até 2050. A falta de ilhas próximas para onde migrar aumenta consideravelmente o risco de extinção local.

Juliana Vianna defendeu a necessidade de cooperação entre os países que controlam essas regiões remotas. Medidas de proteção coordenadas tornam-se essenciais para garantir a preservação das populações de pinguins gentoo.

A descoberta amplia o entendimento científico sobre a biodiversidade em regiões polares e subpolares. Ela também destaca a urgência de ações globais contra as ameaças representadas pelas alterações climáticas e pela atividade humana.

A pesquisa abre caminho para novos estudos sobre como as espécies evoluem e se adaptam a condições extremas ao longo do tempo. Conforme apontado pelo portal Phys.org, o trabalho representa um avanço importante na biologia evolutiva.


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