O fechamento da Estação Cidadania I na região da Sé tem gerado críticas e apreensão entre usuários e especialistas.
A unidade oferecia serviços como banho, lavanderia, atendimento psicossocial e atividades educativas para pessoas em situação de rua no centro de São Paulo. A estrutura realizava cerca de 140 banhos diários e registrou 428 atendimentos psicossociais apenas em março.
O local acumulou mais de 14 mil banhos entre janeiro e abril, segundo dados do Instituto Claret. A Prefeitura de São Paulo justificou a medida por razões técnicas e administrativas.
Os atendimentos serão redirecionados para outros serviços equivalentes na região central da capital. O Instituto Claret, que gerenciava o espaço, tentou dialogar com a Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Cidadania sem obter sucesso na manutenção do convênio.
A rescisão unilateral foi publicada no Diário Oficial e o prédio deverá ser desocupado até 8 de junho. O superintendente do Instituto Claret, Clodoaldo José Oliva Muchinski, destacou a relevância do equipamento para os usuários.
O local fornecia água potável, banheiros, telefonemas, rodas de conversa e atividades culturais e artísticas de forma gratuita. O frequentador Anderson, que utiliza a estação há mais de um ano, via o espaço como única possibilidade de dignidade e cuidados básicos.
Ele questionou a decisão ao afirmar que “se ele quer tirar a gente daqui, no mínimo ele tem que dar uma posição pra gente”. O membro do Fórum da Cidade de São Paulo em Defesa da População em Situação de Rua, Alderon Costa, classificou a medida como parte de uma política de exclusão e higienização do centro da cidade.
Costa citou o desmonte da cracolândia e as operações na Favela do Moinho como ações que seguem a mesma lógica. Ele advertiu que o fechamento vai sobrecarregar os serviços restantes e reduzir a qualidade dos atendimentos oferecidos.
O Governo Federal anunciou a instalação de sete novas unidades de atendimento à população de rua na cidade de São Paulo. Uma delas será na Sé e integrará o programa Cidadania PopRua, com equipes multidisciplinares focadas em direitos humanos, higiene e guarda de pertences.
O jovem Mário, de 25 anos, que usa os serviços de banho e lavanderia diariamente, demonstrou forte apreensão com o encerramento. Ele desabafou que “o cara quer fechar um negócio que ajuda a população de rua e que dá pelo menos um alento”.
Com informações de Metrópoles.
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