O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, classificou como unilaterais e inaceitáveis as exigências impostas pelos Estados Unidos durante as negociações destinadas a pôr fim ao conflito que afeta o fornecimento global de energia e a estabilidade de várias nações no Oriente Médio.
Baghaei apresentou a proposta de Teerã, que condiciona a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz à liberação imediata dos ativos iranianos congelados e ao fim das medidas coercitivas unilaterais que prejudicam a economia do país há vários anos.
O porta-voz deixou claro que a República Islâmica não busca concessões adicionais, mas sim o restabelecimento de relações baseadas no respeito mútuo e na soberania de cada nação envolvida no impasse regional. A demanda principal de Teerã consiste no levantamento completo do bloqueio econômico e na devolução dos recursos financeiros retidos sob pressão americana, conforme declarou Baghaei em coletiva de imprensa.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rechaçou publicamente a contraproposta iraniana ao descrevê-la como totalmente inaceitável em postagem em sua rede social Truth Social, sinalizando a manutenção de uma linha dura na política externa americana. Analistas como Andrea Dessi, da American University of Rome, observam que o endurecimento de posições de ambos os lados aprofunda o impasse e gera consequências negativas para a estabilidade econômica mundial.
Os mercados globais já refletem o impacto das tensões diplomáticas, com o preço do petróleo registrando fortes variações em razão da incerteza sobre o fluxo pelo Estreito de Ormuz, conforme detalhado pela Al Jazeera em sua cobertura especializada. A situação tem contribuído para a elevação dos custos energéticos e para preocupações sobre possíveis interrupções no suprimento internacional que poderiam afetar países importadores na Europa e na Ásia.
Baghaei criticou ainda os planos liderados por França e Reino Unido de formarem uma coalizão naval para intervir na região do Golfo com o objetivo de garantir a livre navegação, apesar dos alertas de Teerã sobre as consequências de tal movimento. O porta-voz advertiu que a iniciativa europeia, capitulando às pressões dos EUA e de Israel, poderia resultar em complicações adicionais e em novo aumento dos preços da energia em todo o planeta.
Reino Unido e França preparam uma reunião com ministros da defesa de mais de cinquenta países para tratar de estratégias de segurança no Golfo Pérsico em meio ao acirramento das tensões diplomáticas e militares. A República Islâmica insiste que a solução deve vir exclusivamente por meio do diálogo construtivo e do respeito às preocupações legítimas de todas as partes, sem recorrer a demonstrações de força militar externa.
Com informações de Al Jazeera.
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