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Fósseis de 540 milhões de anos encontrados em Mato Grosso do Sul desafiam teorias sobre a origem da vida animal

0 Comentários🗣️🔥 Dedo humano aponta para um fóssil em rocha. (Foto: sciencedaily.com) Uma nova análise de fósseis microscópicos encontrados em Mato Grosso do Sul está desafiando as teorias estabelecidas sobre a origem da vida animal na Terra. Os pesquisadores descobriram que estruturas anteriormente interpretadas como traços de pequenos animais marinhos do período Ediacarano são, na […]

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Dedo humano aponta para um fóssil em rocha. (Foto: sciencedaily.com)

Uma nova análise de fósseis microscópicos encontrados em Mato Grosso do Sul está desafiando as teorias estabelecidas sobre a origem da vida animal na Terra.

Os pesquisadores descobriram que estruturas anteriormente interpretadas como traços de pequenos animais marinhos do período Ediacarano são, na verdade, comunidades fossilizadas de bactérias e algas. O estudo foi publicado na revista Gondwana Research por uma equipe internacional de cientistas.

O pesquisador Bruno Becker-Kerber conduziu a pesquisa durante seu pós-doutorado no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo e no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais. Técnicas avançadas de microtomografia e espectroscopia revelaram estruturas celulares preservadas com material orgânico.

Essas características são mais compatíveis com bactérias ou algas do que com marcas de animais. Os fósseis foram coletados nas localidades de Corumbá e Bonito, na região da Serra da Bodoquena.

As duas áreas integram a formação geológica Tamengo, formada em ambiente marinho raso durante os estágios finais do supercontinente Gondwana. A descoberta sugere que os níveis de oxigênio nos oceanos daquela época ainda eram insuficientes para sustentar formas de vida animal mais complexas.

Pequenos invertebrados com menos de um milímetro, conhecidos como meiofauna, não teriam condições de prosperar nos mares do Ediacarano segundo a nova interpretação. O período Ediacarano precedeu a explosão Cambriana, momento marcado pelo aumento dos níveis de oxigênio e pela diversificação acelerada da vida.

Embora a existência da meiofauna durante o Cambriano seja bem documentada, os novos achados indicam que esses organismos podem não ter habitado os mares durante o Ediacarano. Para aprofundar a análise, os cientistas utilizaram o feixe de luz MOGNO no acelerador de partículas Sirius, em Campinas.

Essa tecnologia permitiu a visualização de estruturas internas dos fósseis em escalas microscópicas e nanoscópicas sem danificar as amostras. A espectroscopia Raman identificou a presença de material orgânico nas paredes celulares fossilizadas, reforçando a interpretação de corpos microbianos preservados.

Os pesquisadores também identificaram diferentes tamanhos de fósseis, sugerindo a coexistência de várias espécies em comunidades microbianas. Algumas amostras apresentaram características associadas a bactérias oxidantes de enxofre, enquanto outras lembram algas verdes ou vermelhas.

A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e contou com a participação do professor Miguel Angelo Stipp Basei, do Instituto de Geociências da USP, e do pesquisador Lucas Warren, da Universidade Estadual Paulista. O grupo já havia identificado anteriormente o que pode ser o fóssil de líquen mais antigo do mundo, também encontrado em Mato Grosso do Sul.

Os resultados reescrevem parte da história da vida na Terra e destacam a importância de tecnologias avançadas para a reinterpretação de fósseis antigos. Conforme apontado no SCIENCEDIRECT, as descobertas oferecem novas perspectivas sobre as condições ambientais que antecederam a ascensão de formas de vida mais complexas.

Com informações de SCIENCEDAILY.


Leia também: Pesquisadores brasileiros refutam vestígios de animais em microfósseis do Ediacarano


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