Duas pessoas foram retiradas à força do Comitê de Apropriações do Senado dos Estados Unidos durante uma audiência em que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, respondiam a perguntas sobre financiamento militar. A cena foi registrada em vídeo e rapidamente circulou nas redes sociais, expondo a tensão crescente dentro do próprio território americano em torno das operações militares dos EUA contra a República Islâmica do Irã.
Uma das manifestantes foi retirada da sala aos gritos, entoando consignas ligadas à comunidade iraniano-americana contra o conflito. A ação interrompeu brevemente os trabalhos da comissão, que debatia dotações orçamentárias para as operações militares em curso no Oriente Médio.
Conforme reportagem do portal Actualidad RT, uma das expulsas era mulher e gritava palavras de ordem em referência à comunidade iraniano-americana. O episódio ocorreu enquanto Hegseth e o general Caine defendiam perante os senadores os gastos militares relacionados ao conflito.
Cidadãos comuns, muitos deles com laços diretos com o Irã, irromperam no espaço do poder para registrar sua discordância com a agressão militar americana. A comunidade iraniano-americana, historicamente numerosa em estados como Califórnia e Texas, tem se mobilizado de forma crescente contra as ações militares dos EUA no Oriente Médio.
Para esse grupo, o conflito não é uma questão abstrata: é uma ameaça direta a parentes, a laços culturais e a uma identidade que Washington trata como adversária. O episódio no Senado coloca em evidência a divisão interna nos EUA em torno das operações militares contra a República Islâmica.
Hegseth, figura controversa à frente do Departamento de Defesa desde o início do governo Trump, e o general Caine enfrentavam questionamentos dos parlamentares sobre a destinação dos recursos do contribuinte americano. A sessão foi interrompida antes que as respostas pudessem ser concluídas.
A expulsão das manifestantes não encerrou o debate, mas o amplificou para além das paredes do Capitólio. O vídeo do incidente, ao circular nas redes, tornou-se mais um registro da resistência que cresce nos EUA à medida que os custos humanos e políticos da agressão ao Irã se tornam mais visíveis.
Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.
Leia também: Câmara dos EUA rejeita por um voto limitar poderes de guerra de Trump contra o Irã
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Maria Antonia
12/05/2026
Tadeu foi o único que tocou no ponto que realmente importa. Enquanto o pessoal fica discutindo se pode ou não gritar em audiência, o contribuinte americano banca mais uma escalada militar bilionária que só serve para encarecer combustível e desviar recursos que deveriam estar no bolso de quem produz. Esse teatro de mãos vermelhas não salva ninguém, mas também não é desrespeito nenhum — desrespeito mesmo é governo torrando imposto em aventura externa enquanto a inflação corrói o poder de compra aqui.
Márcio Torres
12/05/2026
Maria Antonia, seu comentário tem o mérito de arrastar a discussão para o concreto, para longe do moralismo de fachada que dominou a thread. Mas me permita cutucar um nervo exposto: reduzir a crítica ao cálculo do poder de compra, como se o problema da escalada militar fosse apenas seu efeito colateral inflacionário, é cair numa armadilha utilitarista que o próprio sistema adora. Afinal, se amanhã o Federal Reserve magicamente controlasse a inflação e o preço do barril despencasse, a aventura contra o Irã passaria a ser tolerável? Duvido que você concordaria com isso, e é justamente aí que o argumento do “bolso de quem produz” precisa de uma camada extra. O contribuinte americano banca, sim, um orçamento militar de quase 900 bilhões de dólares anuais, mas banca também o complexo industrial que faz lobby para que esses conflitos nunca acabem. A inflação é o sintoma visível; a doença é uma estrutura política capturada por interesses que fazem da guerra permanente um modelo de negócios. Quando a gente foca só no impacto doméstico no combustível e no supermercado, corre o risco de tratar a política externa como um desvio de verba que poderia estar “no lugar certo” — como se o resto do mundo fosse apenas um sumidouro de impostos, e não um tabuleiro onde vidas reais são ceifadas para sustentar essa máquina.
E já que você mencionou o teatro das mãos vermelhas, concordo que ele não salva ninguém. Mas descartá-lo como irrelevante ou equipará-lo a um simples “escândalo” é perder de vista o papel do protesto simbólico numa democracia bloqueada. Aquelas manifestantes não vão parar um porta-aviões com tinta vermelha, claro. Mas elas furaram, por alguns minutos, a liturgia asséptica de uma audiência no Senado — uma liturgia que trata a decisão de enviar mísseis como se fosse uma discussão sobre zoneamento urbano. O grito e a mão pintada são tentativas de reintroduzir o corpo ausente: o corpo do soldado que não volta, o corpo do civil iraniano que some sob os escombros, o corpo do contribuinte que você mencionou mas que, na retórica oficial, só aparece como argumento contábil. É justamente porque as instituições transformaram a guerra em planilha que o gesto disruptivo tem função — não a de resolver o problema, mas a de denunciar que o decoro exigido é cúmplice da violência. Chamar aquilo de “desrespeito” é aplicar uma régua moral a um sistema que há muito perdeu qualquer respeito pela soberania popular.
O ponto de Tadeu, que você elogiou, é um bom ponto de partida, mas ele opera numa lógica perigosamente autocentrada: “me preocupa o preço do barril porque a inflação come aqui”. Essa angústia é legítima, mas ela espelha o mesmo isolamento cognitivo que permite que as guerras aconteçam — só me afeta se chegar ao meu bolso. O verdadeiro desrespeito, me parece, não está na escolha entre gritar ou não gritar, nem mesmo apenas no fato de o governo torrar imposto. Está em aceitarmos que o debate público oscile entre o moralismo vazio da Ana Paula e o materialismo míope que só enxerga a linha do extrato bancário. As mãos vermelhas podem não salvar ninguém, mas ao menos recusam a naturalização da morte como externalidade inevitável da geopolítica. Talvez o teatro que mereça nosso desprezo seja outro: a farsa bem-comportada de um Congresso que autoriza guerras sem fim enquanto a população discute se o protesto foi ou não educado.
Tadeu
12/05/2026
Gente, protesto é bonito mas o que me preocupa é o preço do barril de petróleo se essa treta com o Irã escalar mais um pouco. Depois a inflação come aqui no Brasil e ninguém me devolve o poder de compra.
Ana Paula Conserva
12/05/2026
Não basta pintar as mãos de vermelho e fazer escândalo, isso é puro desrespeito às instituições. Numa democracia de verdade, a ordem e o decoro contam mais que gritaria. E Romanos 13 continua valendo, gostem ou não.
Marta
12/05/2026
Minha jovem Ana Paula, que tristeza ver uma brasileira cultuando tanto a ordem a ponto de esquecer que as maiores infâmias da história foram cometidas “dentro das regras” e com todo o decoro que os palácios exigiam. A escravidão era instituição legal e respeitadíssima; o apartheid sul-africano tinha suas leis muito bem ordenadas; a ditadura militar no Brasil torturava com papelada assinada. As mulheres que pintaram as mãos de vermelho e gritaram no Senado americano fizeram exatamente o que a cartilha da desobediência civil ensina desde que o mundo é mundo: quando a máquina institucional se transforma numa engrenagem de morte — e votar pelo bombardeio de civis é isso —, interromper o espetáculo cívico é uma obrigação moral, não uma indelicadeza.
A democracia, menina, nunca foi sinônimo de silêncio respeitoso nem de genuflexão diante de autoridades. Se você lesse história em vez de repetir bordões de internet, saberia que as sufragistas foram presas, vaiadas e chamadas de escandalosas ao exigir o voto; que Martin Luther King foi acusado de baderneiro por perturbar a “ordem” de Birmingham quando a ordem era a segregação racial; que as Diretas Já no seu próprio país foram chamadas de baderna por quem queria a transição lenta e controlada. A democracia de verdade, aquela que o povo conquistou com sangue e coragem, é forjada nesses embates, não no conforto dos que aplaudem o protocolo enquanto corpos inocentes são contabilizados como danos colaterais. Chamar de “escândalo” a dor que não cabe mais dentro do peito é desconhecer completamente a substância da política.
E agora, sobre essa insistência um tanto preguiçosa em Romanos 13. A senhorita saberia me dizer o que o próprio apóstolo Paulo fazia quando autoridades romanas ordenavam que ele se calasse? Ele desobedecia, continuava pregando e passou boa parte da vida preso exatamente por desacatar instituições. O mesmo texto que você cita tem um versículo adiante o complemento que vocês sempre esquecem: a autoridade está a serviço do bem, não do derramamento de sangue inocente. Quando um governo decide levar adiante uma guerra baseada em mentiras e interesses econômicos — e o povo americano já viu esse filme no Iraque, no Afeganistão, no Vietnã —, quem está subvertendo a ordem divina não é a mulher que grita, é a autoridade que esquece que seu poder é emprestado e deve prestar contas a Deus e aos homens. Leia Atos 5:29, minha filha: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens”. É bíblico, não é subversão comunista.
Então guarde seu Romanos 13 para quando os poderosos de Wall Street estiverem saqueando aposentadorias ou quando as grandes corporações destruírem o meio ambiente enquanto políticos engravatados batem palmas — aí sim você vai precisar lembrar que toda autoridade deve servir ao bem comum. As manifestantes do Senado americano, com suas mãos pintadas de vermelho, não profanaram a democracia: elas a dignificaram, porque lembraram a uma casa de mármore e gravata que atrás de cada voto por uma guerra existe sangue real, famílias reais, crianças reais. E se a senhorita acha que isso é assunto para ser tratado em tom de chá das cinco, sinto informar, mas a história não é feita pela delicadeza dos bem-comportados — é feita pela coragem dos que ousam gritar.
Marcus Almeida
12/05/2026
Onde já se viu, invadir audiência e fazer escândalo como se estivessem num circo. Romanos 13 é claro: toda autoridade é instituída por Deus, e quem se rebela contra ela atrai condenação sobre si. Essa esquerda adora subverter a ordem e depois posar de vítima, mas nos EUA ainda há um mínimo de senso — aqui no Brasil a gente vê essa baderna ser aplaudida pela mídia o tempo todo.
Rubens O Pescador
12/05/2026
Seu Marcus, respeito a fé do senhor, mas vou te falar uma coisa que aprendi na roça com meu pai: Jesus mesmo foi expulso de templo, desacatou autoridade quando ela tava errada e andava com a escória da sociedade. Os gritos dos fracos contra a guerra que só beneficia quem já tem dinheiro me parecem muito mais cristãos do que essa submissão mansa a poder que mata inocente. Eu conheço bem a fome que essas guerras trazem pro povo simples — e fome não tem ideologia, mas tem cura quando a gente se levanta.
Mariana Santos
12/05/2026
Marcus, é curioso como Romanos 13 sempre aparece quando a desobediência vem da esquerda, mas nunca quando Wall Street desregula, invade país por petróleo ou esmaga sindicato: a tal “autoridade instituída por Deus” só é invocada contra os corpos que a história ensinou a silenciar — mulheres, negros, indígenas —, como bem lembra a teóloga negra Delores Williams ao denunciar o uso colonial da teologia para legitimar a violência estatal.
Karina Libertária
12/05/2026
Esses snowflakes acham que tão fazendo a difference mas só passam vergonha. Aqui nos US o povo não tem paciência pra esse tipo de auê de quem vive de welfare, igual essa galera do bolsa família no Bostil. Se investissem em stocks igual eu faço em Miami, não tavam perdendo tempo com protesto ridículo em audiência.
Lucas Pinto
12/05/2026
Ah, Karina, sua fala é um prato cheio para qualquer estudante de filosofia que se debruce sobre os mecanismos de opressão camuflados de senso comum. O que você chama de “snowflakes” é justamente o sujeito que ousou romper a liturgia do poder — e é aí que Gramsci nos ajuda a entender seu desprezo. Você não está apenas expressando uma opinião individual; está reproduzindo, com a convicção de quem se crê livre, o mais puro discurso da hegemonia burguesa. Ao taxar manifestantes antiguerra de “ridículos” e opor a eles sua suposta autossuficiência de investidora em Miami, você performa a interiorização perfeita da ideologia dominante: a vida digna se mede em ações na bolsa, e a dissidência política é sintoma de fracasso pessoal. O bloco histórico que sustenta o complexo industrial-militar americano agradece — enquanto você concentra sua raiva nos corpos que interrompem uma audiência, os mesmos conglomerados nos quais você aplica seu dinheiro lucram com cada ensaio de ataque ao Irã. Seu “liberdade” é a servidão voluntária mais bem-acabada que Foucault poderia descrever.
Aliás, quando você insulta quem “vive de welfare” e iguala o Bolsa Família a um estorvo, revela o núcleo biopolítico do seu raciocínio. Programas de transferência de renda nunca foram concessões benevolentes do Estado; são dispositivos de gestão da pobreza, destinados a conter o conflito social e manter a população apta ao consumo — e, no limite, descartável. Mas você prefere o autoengano da meritocracia calvinista: quem recebe auxílio é parasita, quem investe em stocks é virtuoso. A guerra que as manifestantes tentavam barrar no Senado é, para você, uma abstração ou, pior, um ruído que atrapalha o gráfico dos seus dividendos. O verdadeiro “auê” não está no grito de quem tenta salvar vidas no Oriente Médio, mas na normalização silenciosa da morte como externalidade de mercado. Você não deixa de ser uma engrenagem disciplinada do mesmo sistema que humilha o pobre e bombardeia o estrangeiro — apenas usa um colar dourado enquanto late em defesa do dono.