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Empresário confirma ter intermediado repasse de R$ 62 milhões de Vorcaro a Flávio Bolsonaro para financiar filme

0 Comentários🗣️🔥 Flávio Bolsonaro em imagem de arquivo. (Foto: cartacapital.com.br) O empresário Thiago Miranda confirmou à Carta Capital que atuou como intermediário entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o fundador e CEO do banco Master, Daniel Vorcaro, para o repasse de R$ 62 milhões destinados ao financiamento de um filme sobre a vida do […]

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Flávio Bolsonaro em imagem de arquivo. (Foto: cartacapital.com.br)

O empresário Thiago Miranda confirmou à Carta Capital que atuou como intermediário entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o fundador e CEO do banco Master, Daniel Vorcaro, para o repasse de R$ 62 milhões destinados ao financiamento de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A revelação expõe uma articulação financeira de grande escala entre um parlamentar em exercício e um banqueiro que, à época, já estava sob escrutínio do Banco Central do Brasil. O caso foi originalmente divulgado pelo Intercept Brasil, que revelou negociações que chegaram a envolver a cifra de R$ 134 milhões para bancar a produção.

O valor final do aporte teria sido reduzido em razão da crise financeira que já corroía o banco Master. A instituição passou por um processo de incorporação pelo BRB (Banco de Brasília) com intervenção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Miranda confirmou ainda que tentou organizar um encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, que ocorreria na residência do banqueiro. O senador, no entanto, não compareceu ao jantar previamente combinado.

As trocas de mensagens reveladas pelo Intercept mostram o senador cobrando repasses atrasados na véspera da prisão de Vorcaro. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio Bolsonaro, em tom que evidencia a proximidade entre as partes e a urgência do parlamentar em relação aos recursos.

Em nota divulgada após a repercussão, o senador afirmou ser necessário “separar os inocentes dos bandidos” e defendeu que o que ocorreu foi “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”. A justificativa, no entanto, não endereça a questão central levantada pela reportagem: a natureza da relação entre um senador da República e um banqueiro sob investigação regulatória.

O banco Master acumulava questionamentos do Banco Central antes de ser incorporado pelo BRB. As negociações descritas pelas mensagens ocorreram nos meses que antecederam a intervenção regulatória na instituição financeira.

A confirmação do intermediário Miranda coloca o senador Flávio Bolsonaro no centro de uma articulação que envolve dezenas de milhões de reais, um banqueiro preso e uma instituição financeira em crise regulatória. O caso levanta questões sobre os limites entre patrocínio cultural privado e financiamento de projetos de propaganda política por agentes do sistema financeiro.


Leia também: Intercept revela que Flávio Bolsonaro negociou US$ 24 milhões com banqueiro Vorcaro para financiar filme sobre o pai


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