A SpaceX se prepara para lançar a terceira geração do seu foguete Starship, a versão mais alta e poderosa já construída, com janela de lançamento prevista para 19 de maio a partir das 18h30 (horário de Brasília) na base Starbase, no sul do Texas.
O voo será o 12º teste da família Starship e o primeiro da versão V3. O modelo incorpora uma série de redesenhos estruturais e de propulsão em relação ao modelo anterior.
O conjunto completo — formado pela espaçonave Starship acoplada ao propulsor Super Heavy — atinge 407 pés (124 metros) de altura, o equivalente a um campo de futebol americano em comprimento. Conforme o portal Live Science, o Starship V3 traz novos motores Raptor 3 e um tubo de transferência de combustível completamente redesenhado. Novas aletas de grade na base do propulsor garantem maior estabilidade durante a amerissagem.
Se tudo correr conforme o planejado, o voo de teste terá duração de pouco mais de uma hora em trajetória suborbital. A espaçonave se separará do propulsor Super Heavy, que fará uma manobra de retorno e pousará nas águas do Golfo do México. A SpaceX optou por não tentar a captura no solo neste primeiro voo de um veículo significativamente redesenhado.
Uma das etapas mais aguardadas do teste é o lançamento de 22 satélites simuladores Starlink, versões fictícias da próxima geração da constelação de internet da empresa. Dois desses dispositivos também realizarão varreduras no escudo térmico da espaçonave, deliberadamente comprometido para fins de pesquisa. “Um único bloco do escudo térmico foi intencionalmente removido para medir as diferenças de carga aerodinâmica nos blocos adjacentes quando há um bloco faltando”, explicou um porta-voz da SpaceX em comunicado oficial.
O roteiro do teste prevê ainda o reacendimento de um motor Raptor no espaço, antes da amerissagem controlada da espaçonave no oceano. O propulsor Super Heavy desta versão conta com 33 motores Raptor 3, todos capazes de ignição simultânea graças ao novo tubo de transferência de combustível.
A história dos testes foi marcada por percalços. O sétimo e o oitavo voos resultaram em chuva de detritos em chamas sobre o Atlântico, e um Starship explodiu na plataforma durante um teste de rotina antes do décimo voo. Os voos mais recentes foram considerados progressivamente mais bem-sucedidos, pavimentando o caminho para a estreia da versão V3.
O sucesso do Starship V3 tem implicações diretas para o programa lunar americano. A NASA depende de uma versão adaptada do Starship como módulo de pouso lunar para a missão Artemis IV, prevista para 2028, que deverá levar astronautas à superfície da Lua pela primeira vez desde o programa Apollo. O plano prevê o lançamento dos astronautas na cápsula Orion, um encontro com o módulo de pouso em órbita lunar e a descida à superfície — com o retorno feito pelo mesmo módulo até a Orion para a viagem de volta à Terra.
A NASA selecionou tanto a SpaceX quanto a Blue Origin, do bilionário Jeff Bezos, como fornecedores de módulos de pouso lunar para missões distintas do programa Artemis. A prontidão técnica de cada veículo será determinante para o calendário das missões, num programa que já acumula atrasos e estouros de orçamento e ainda aguarda a entrega de trajes espaciais adequados para caminhadas lunares.
A SpaceX afirma que as melhorias do Starship V3 visam desbloquear funções centrais do veículo, incluindo reutilização plena e rápida, transferência de propelente no espaço e a capacidade de enviar pessoas e cargas à Lua e a Marte. O lançamento desta terça-feira será o primeiro grande exame dessa nova geração.
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