Cinco anos após pousar na superfície marciana, o rover Perseverance, da NASA, continua ampliando as fronteiras do conhecimento sobre o Planeta Vermelho.
O veículo explorador, do tamanho de um carro de passeio, acaba de registrar sua sexta selfie desde a chegada a Marte. A imagem é composta por 61 fotografias capturadas em março, mostrando o robô posicionado na região conhecida como Lac de Charmes, próxima à borda ocidental da Cratera Jezero.
A imagem marca um momento simbólico da missão: o ponto mais distante a oeste já alcançado pelo Perseverance desde o pouso em 2021. A cientista da missão Katie Stack Morgan explicou que a equipe apelidou o local de ‘Velho Oeste’, em referência ao avanço inédito das explorações além da borda da cratera.
A selfie foi produzida com a câmera WATSON, instalada na extremidade do braço robótico do rover. O processo exigiu cerca de uma hora de trabalho e dezenas de movimentos extremamente precisos para alinhar corretamente todas as fotografias e compor a imagem final.
Antes do autorretrato, o Perseverance realizou uma análise detalhada de uma rocha chamada Arethusa, utilizando a broca instalada em seu braço robótico para desgastar a superfície da formação geológica. O procedimento permite estudar a composição química e mineral do interior das rochas, revelando informações que a superfície exposta ao ambiente marciano não consegue preservar com fidelidade.
Os resultados foram reveladores: a rocha Arethusa é formada principalmente por minerais ígneos, criados a partir de material derretido há milhões de anos. Os pesquisadores acreditam que essas rochas sejam ainda mais antigas do que a própria Cratera Jezero — formada pelo impacto de um grande meteorito —, o que as coloca entre os registros geológicos mais primitivos já estudados em Marte.
Além da análise da Arethusa, o rover fotografou a região de Arbot, também localizada em Lac de Charmes, utilizando a câmera Mastcam-Z para criar um mosaico composto por 46 imagens. O objetivo do mosaico é ajudar os cientistas a planejar os próximos deslocamentos do Perseverance e estudar melhor as formações rochosas da área, conforme detalhou o Olhar Digital.
As imagens obtidas reforçaram uma suspeita que vinha ganhando força entre os pesquisadores: a existência de megabrechas em Marte. Essas estruturas são blocos rochosos de dimensões colossais, lançados pela força de impactos de meteoritos ocorridos há cerca de 3,9 bilhões de anos, e algumas dessas rochas podem atingir o tamanho de arranha-céus.
Para a ciência planetária, estudar essas formações representa uma janela direta para o início da história marciana. Os cientistas acreditam que as rochas profundas da crosta de Marte podem ajudar a responder questões fundamentais sobre se o planeta já teve um oceano de magma em seus primórdios e quais condições permitiram que fosse potencialmente habitável no passado distante.
O Perseverance opera dentro da Campanha da Orla Norte, etapa atual da missão que concentra esforços na investigação das regiões próximas à borda da Cratera Jezero. A cratera foi escolhida como local de pouso justamente por ser considerada um antigo delta de rio — ambiente que costuma preservar traços de vida microbiana. A cada nova análise geológica, o rover acumula dados que poderão ser decisivos quando as amostras coletadas forem eventualmente trazidas à Terra para estudo laboratorial aprofundado.
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