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Neandertais usavam brocas de pedra para tratar cáries há 60 mil anos

0 Comentários🗣️🔥 Um estudo recente revelou que os Neandertais, frequentemente vistos como primitivos, possuíam habilidades odontológicas notáveis. Arqueólogos descobriram que eles utilizavam brocas de pedra sofisticadas para tratar cáries, datando de 60 mil anos atrás, sem qualquer tipo de anestesia. Essas descobertas foram feitas a partir de um molar encontrado na caverna de Chagyrskaya, na […]

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Ilustração editorial sobre Neandertais usavam brocas de pedra para tratar cáries há 60 mil anos. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Um estudo recente revelou que os Neandertais, frequentemente vistos como primitivos, possuíam habilidades odontológicas notáveis. Arqueólogos descobriram que eles utilizavam brocas de pedra sofisticadas para tratar cáries, datando de 60 mil anos atrás, sem qualquer tipo de anestesia.

Essas descobertas foram feitas a partir de um molar encontrado na caverna de Chagyrskaya, na Rússia, que apresentava um buraco profundo, indicando a remoção intencional de tecido cariado. Segundo os pesquisadores da Academia Russa de Ciências, isso representa a evidência mais antiga de tratamento odontológico bem-sucedido no mundo.

Dr. Ksenia Kolobova, uma das autoras do estudo, afirmou que tratar um dente cariado exige um diagnóstico preciso e uma intervenção médica ativa, algo que os Neandertais aparentemente dominavam. A habilidade de identificar a fonte da dor e realizar uma ação invasiva demonstra uma capacidade cognitiva avançada, comparável à dos Homo sapiens da época.

Os pesquisadores realizaram experimentos em dentes humanos modernos para provar que um buraco semelhante poderia ser criado usando ferramentas de pedra encontradas na caverna. Essa prática demonstra que os Neandertais compreendiam a relação de causa e efeito, um salto cognitivo significativo além do instinto básico.

A operação, provavelmente realizada com jaspe local, um tipo de quartzo colorido, era dolorosa, mas aliviava a dor da infecção dentária ao remover a parte danificada. Este procedimento precede o exemplo mais antigo conhecido desse comportamento em mais de 40 mil anos.

Os artefatos encontrados na caverna sugerem que essas ferramentas podem ter sido utilizadas na cirurgia dental. A descoberta desafia a percepção tradicional de que os Neandertais eram menos desenvolvidos intelectualmente do que os humanos modernos.

Dr. Alisa Zubova, outra autora do estudo, destacou que os Neandertais cuidavam dos doentes e fracos de maneira semelhante aos Homo sapiens. Evidências de outros sítios arqueológicos mostram ossos com lesões bem curadas, sugerindo que eles ofereciam cuidados comunitários durante o Paleolítico Médio.

Lydia Zotkina, também envolvida na pesquisa, ficou impressionada com a resiliência do Neandertal que suportou o procedimento doloroso. A compreensão de que a dor era temporária e necessária para a cura reflete uma força de vontade notável e uma conexão social íntima.

Essas descobertas arqueológicas não apenas revelam aspectos das vidas dos Neandertais, mas também oferecem uma visão sobre sua resiliência e força social. A pesquisa destaca a complexidade social e cognitiva desta antiga espécie humana, frequentemente subestimada.


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