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Estudo arqueológico revela uso de mercúrio tóxico em tratamentos medievais contra lepra

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Estudo arqueológico revela uso de mercúrio tóxico em tratamentos medievais contra lepra. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Pesquisa inovadora confirma que leprosários europeus da Idade Média aplicavam mercúrio, metal pesado altamente tóxico, em tratamentos para pacientes com lepra. A descoberta, liderada pela arqueóloga italiana Elena Fiorin, foi publicada no Journal […]

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Ilustração editorial sobre Estudo arqueológico revela uso de mercúrio tóxico em tratamentos medievais contra lepra. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Pesquisa inovadora confirma que leprosários europeus da Idade Média aplicavam mercúrio, metal pesado altamente tóxico, em tratamentos para pacientes com lepra. A descoberta, liderada pela arqueóloga italiana Elena Fiorin, foi publicada no Journal of Archaeological Science e utiliza análise de cálculo dental para identificar exposição a substâncias químicas.

A equipe examinou amostras de esqueletos de dois leprosários históricos: St Leonard, na Inglaterra, e St Thomas d’Aizier, na França. O cálculo dental, uma placa bacteriana endurecida nos dentes, serviu como arquivo biológico para rastrear a ingestão ou inalação de mercúrio ao longo da vida dos pacientes.

O estudo revelou que o mercúrio, conhecido como azougue na época, era aplicado em pomadas oleosas sobre lesões cutâneas. Apesar de sua toxicidade comprovada, a substância era valorizada por supostas propriedades curativas. A análise de 76 indivíduos confirmou que os níveis de mercúrio nos dentes não eram resultado de contaminação pós-morte, mas sim de tratamentos deliberados.

Os resultados também evidenciaram desigualdades sociais no acesso aos cuidados. Pacientes enterrados em áreas mais nobres dos leprosários apresentaram concentrações significativamente maiores de mercúrio, sugerindo que indivíduos de maior status socioeconômico recebiam doses mais intensas do tratamento.

O caso mais extremo foi o de uma mulher sepultada na capela de St Leonard, cujos dentes registraram 3,8 miligramas de mercúrio por quilo — dez vezes mais que outros pacientes. Essa disparidade reforça a hipótese de que, mesmo em contextos de isolamento médico, as estruturas sociais medievais perpetuavam desigualdades no acesso à saúde.

A pesquisa destaca a importância da arqueologia para desvendar práticas médicas históricas, oferecendo uma perspectiva única sobre os limites entre a busca por cura e os riscos da toxicidade em sociedades antigas.

Leia mais sobre o assunto na phys.org.


Leia também: Neandertais realizavam cirurgias dentárias há 59 mil anos, revela estudo


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