O repasse de emendas parlamentares para entidades associadas à produtora do filme sobre Jair Bolsonaro está sob investigação após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, solicitar uma apuração preliminar. Segundo o portal Metrópoles, os deputados justificaram os repasses alegando conformidade com as normas técnicas e ausência de desvio de finalidade.
A investigação foi motivada por revelações de que o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado financiamento para o projeto cinematográfico “Dark Horse”, que retrata a vida de seu pai. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria contribuído com R$ 61 milhões para a obra. As entidades sob investigação incluem o Instituto Conhecer Brasil, Academia Nacional de Cultura e Conhecer Brasil Assessoria, todas dirigidas por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora do filme.
Parlamentares do Partido Liberal (PL), como os ex-deputados Alexandre Ramagem e Carla Zambelli, e os deputados Marcos Pollon, Bia Kicis e Mario Frias, estão entre os que destinaram emendas às entidades. Um levantamento aponta que deputados e vereadores de São Paulo enviaram ao menos R$ 7,7 milhões em emendas. Mario Frias, produtor executivo e roteirista de “Dark Horse”, teria destinado R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, divididos entre um projeto de letramento digital e um projeto esportivo.
A defesa de Frias baseia-se em uma análise técnica da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, que não identificou irregularidades nas propostas, afirmando compatibilidade com os planos de trabalho registrados. Contudo, oficiais de Justiça tentam intimar Frias para esclarecimentos. Bia Kicis afirmou que uma emenda de R$ 150 mil para uma série documental não foi executada, desvinculando-a do filme “Dark Horse”.
Marcos Pollon também indicou uma emenda de R$ 1 milhão para o mesmo projeto, mas solicitou o cancelamento do empenho após a entidade não comprovar a titularidade dos direitos autorais. Os recursos foram redirecionados para o Hospital de Amor de Barretos. Gil Diniz, deputado estadual e aliado de Eduardo Bolsonaro, destinou R$ 200 mil para o projeto, mas não respondeu aos contatos da reportagem.
Lucas Bove, deputado da Assembleia Legislativa de São Paulo, indicou R$ 213 mil para o Instituto Conhecer Brasil, mas o repasse foi impedido por razões técnicas. Valéria Bolsonaro, deputada estadual, também enviou R$ 100 mil para a aquisição de equipamentos pelo Instituto. Dois vereadores de São Paulo, Cris Monteiro e André Santos, liberaram emendas para a Conhecer Brasil, justificando a destinação com base no mérito dos projetos apresentados.
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