A Etiópia está se destacando na adoção de veículos elétricos (EV) na África, impulsionada por fatores econômicos e políticos. O aumento dos preços de combustíveis fósseis, intensificado por tensões geopolíticas, tem levado muitos países africanos a buscar alternativas energéticas. A Etiópia, apesar de suas limitações em infraestrutura elétrica, tomou medidas significativas ao proibir a importação de veículos movidos a combustíveis fósseis, priorizando a importação de EVs.
No ano passado, o país importou mais de 44.000 veículos elétricos da China, conforme dados do Ministério do Comércio da China. Essa crescente demanda reflete a busca por soluções sustentáveis e a redução da dependência de combustíveis fósseis caros e escassos. O ministro do Comércio da Etiópia, Kassahun Gofe, destacou que o país gasta cerca de US$ 4,2 bilhões anualmente em importações de combustível, o que representa um peso significativo nas reservas de moeda estrangeira.
A transição para veículos elétricos é ainda mais notável considerando as limitações da infraestrutura elétrica do país. Mesmo em Addis Ababa, a capital, as interrupções no fornecimento de energia são frequentes. No entanto, a dependência de fontes renováveis, como a energia hidrelétrica e solar, que representam 90% da matriz energética do país, oferece um potencial significativo para o crescimento sustentável dos EVs.
Para incentivar a adoção de veículos elétricos, o governo etíope isentou esses veículos de taxas e impostos de importação. Apesar disso, o custo ainda é um desafio, com o modelo mais barato da BYD custando cerca de US$ 13.000, enquanto o salário médio de um médico no país é inferior a US$ 100 por mês. A falta de infraestrutura de carregamento fora da capital também limita a adoção em áreas rurais, onde as viagens de longa distância são comuns.
O governo etíope está investindo em infraestrutura e planeja expandir a capacidade de montagem de veículos elétricos no país. Atualmente, há 17 plantas de montagem em desenvolvimento, com a meta de aumentar esse número para 60 até 2030. Essa estratégia visa não apenas reduzir custos, mas também criar empregos e desenvolver a indústria local.
Outros países africanos, como Egito, África do Sul e Marrocos, também estão avançando na transição para veículos elétricos, adotando políticas de incentivo e investindo em energia renovável. Segundo Bob Wesonga, da Africa E-Mobility Alliance, a transição para EVs está ajudando a aliviar a pressão sobre a demanda por combustíveis fósseis e criando um amortecedor contra a volatilidade dos preços globais do petróleo.
Com mais de 115.000 veículos elétricos já nas estradas, a Etiópia está promovendo uma mudança significativa no cenário energético da África. A mudança não só promete reduzir a poluição e os custos de transporte, mas também transformar a maneira como o país utiliza e gera energia, beneficiando a economia e a sociedade.
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