A China desperdiçou energia eólica e solar equivalente à geração total de eletricidade da França no primeiro trimestre do ano, segundo análise do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA).
O desperdício decorre da gestão inflexível da rede elétrica, que continua a posicionar o carvão como fonte estabilizadora de energia e impede a expansão da energia limpa, de acordo com a análise do CREA para o Carbon Brief divulgada em 4 de junho.
A demanda de energia da China subiu no primeiro trimestre. Porém, em vez de preencher a lacuna com sua capacidade eólica e solar em rápida expansão, o país reverteu aos combustíveis fósseis.
O CREA constatou que o corte de usinas eólicas e solares deixou a China mais exposta ao fechamento do Estreito de Hormuz ao aumentar a necessidade de outros combustíveis, incluindo carvão e gás.
Como resultado, a geração de energia da China a partir de carvão e gás subiu 4 por cento no primeiro trimestre do ano, e as emissões de dióxido de carbono cresceram 2 por cento em relação ao ano anterior.
O Estreito de Hormuz está sob bloqueio desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques em fevereiro que iniciaram a guerra com o Irã. O estreito é um ponto crítico de passagem para cerca de um quinto do petróleo mundial.
Dados da Administração Nacional de Energia revelaram que no primeiro trimestre o consumo de eletricidade da China subiu 5,2 por cento em relação ao ano anterior.
Esse aumento de cerca de 120 terawatts-hora na demanda de energia poderia ter sido coberto confortavelmente pelo aumento recorde da capacidade solar e eólica da China, capaz de gerar 160TWh extras comparado ao mesmo período do ano passado.
Essa oferta potencial de energia limpa poderia ter alcançado 170TWh se nuclear e hidrelétrica também fossem incluídas, superando a geração total de energia da França no mesmo período.
Apesar do aumento de capacidade, o aumento real na geração de energia limpa foi de apenas 60TWh, com a geração eólica mostrando quase nenhum crescimento apesar de uma alta de 23 por cento na capacidade eólica e 33 por cento na capacidade solar comparado ao primeiro trimestre de 2025.
A razão principal para o desperdício de geração eólica e solar foi a gestão inflexível de usinas de carvão e redes elétricas, não a falta de infraestrutura de rede, segundo o CREA.
A geração de energia a carvão é operada em grande parte por meio de contratos de médio e longo prazo para fornecer quantidades fixas de eletricidade a preços fixos, o que significa que não há incentivo para ajustes na produção para abrir espaço para solar e eólica.
Pequim tem expandido rapidamente sua capacidade renovável em busca de autossuficiência energética e para ajudar a cumprir suas metas de carbono: pico de emissões até 2030 e neutralidade de carbono até 2060.
A energia a carvão, que ainda representa a maior parcela da geração de eletricidade da China, foi oficialmente posicionada como rede de segurança e estabilizadora para energia renovável intermitente ou variável.
Em 2021, a China experimentou uma grande crise de fornecimento de energia que levou as autoridades a prometer maior apoio às usinas a carvão.
O corte de fontes de energia renovável como solar e eólica está reduzindo seus benefícios e elevando riscos de investimento, o que afeta o ritmo da transição energética da China, afirmou o CREA.
Material de referencia publicado por SCMP.


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