A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou com um pedido formal no Supremo Tribunal Federal para que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado suspeito para atuar nos processos ligados ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro. O movimento, longe de ser uma questão técnica, expõe a tentativa do pré-candidato da direita de minar uma investigação que ameaça diretamente o núcleo do bolsonarismo.
Protocolado na última segunda-feira, 1º de junho, o pedido será analisado pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin. A manobra jurídica foi revelada com detalhes pelo Diario de Pernambuco e mostra como o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro busca transferir a relatoria dos casos para o ministro André Mendonça, indicado ao Supremo por seu pai.
O argumento central da petição gira em torno de uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro. Os advogados de Flávio mencionam trocas de mensagens e, principalmente, o contrato milionário firmado pelo Banco Master com a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Documentos fiscais enviados à CPI do Crime Organizado no Senado indicam que o escritório dela recebeu R$ 80,2 milhões para prestar serviços jurídicos.
O cálculo político é transparente. Moraes havia solicitado à Procuradoria-Geral da República um parecer sobre a inclusão de Flávio no inquérito que já tornou réu seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por suposta coação no curso do processo e obstrução à Justiça no julgamento da trama golpista que condenou Jair Bolsonaro. O despacho atendeu a um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), desencadeado por revelações explosivas.
O site The Intercept Brasil mostrou que o senador pediu a Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para financiar o filme ‘Dark Horse’, produção inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro. Desse total, cerca de R$ 61 milhões foram efetivamente pagos e enviados a um fundo ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A suspeita dos investigadores é que o dinheiro tenha sido canalizado para ações do ex-deputado contra autoridades brasileiras.
A petição de Flávio é cristalina ao apontar o incômodo com Moraes: com o máximo respeito, sua Excelência não teria a imparcialidade necessária para processar e julgar o requerimento enviado pelo Deputado Federal Lindbergh Farias, argumenta a defesa. O senador pede ainda que a solicitação de Lindbergh seja extraída do inquérito atual e redistribuída para uma nova ação sob a relatoria de André Mendonça.
O caso Master é uma bomba de efeito retardado no colo da pré-campanha bolsonarista. Enquanto Flávio tenta se equilibrar no discurso de candidato a presidente, a ligação financeira com Vorcaro, o rastro do dinheiro até os Estados Unidos e a obstrução judicial protagonizada pelo irmão montam um cenário de desgaste que vai muito além dos tribunais.
Para o campo democrático, a movimentação de Flávio escancara o modus operandi do bolsonarismo: atacar as instituições quando elas se colocam no caminho. Resta saber se o Supremo, que já enfrentou incontáveis tentativas de intimidação oriundas do mesmo grupo político, aceitará a tese de suspeição ou entenderá que se trata de mais uma cortina de fumaça para barrar investigações.


João Batista
06/06/2026
Mais uma perseguição descarada contra quem ousa defender a família e a moral cristã nesse país. O sistema se arma contra conservadores enquanto bandidos de esquerda ficam impunes. Só Deus para trazer justiça nesse Brasil.
Jeferson da Silva
06/06/2026
João Batista, família e moral cristã não pagam vale-transporte nem garantem estabilidade no emprego. Enquanto vocês choram perseguição, o povo trabalhador perde direito atrás de direito com carteira assinada cada vez mais flexível. Cadê a moral cristã na hora de pagar salário justo?
Lurdinha Deus Acima de Todos
06/06/2026
Tão querendo perseguir os conservadores! 🙏🇧🇷 vão fechar as igrejas 😡😡
Julia Andrade
06/06/2026
Lurdinha, essa associação entre investigação de repasses milionários e fechamento de igrejas é um clássico do que a socióloga Patricia Hill Collins chama de “pânico moral seletivo”. O artigo trata de Flávio Bolsonaro tentando afastar o ministro Alexandre de Moraes de uma apuração sobre transações financeiras suspeitas do Banco Master — um caso que envolve lavagem de dinheiro e tráfico de influência, não liberdade religiosa. Quando um político acuado por evidências de corrupção grita “perseguição aos conservadores”, ele está usando a fé como escudo, não defendendo a fé. É o que o cientista político Sérgio Fausto chama de “vitimismo estratégico”: transformar toda acusação formal em ataque ideológico para desmobilizar a base.
Ninguém está querendo fechar igreja alguma. O que está em jogo são montanhas de dinheiro que circularam sem transparência e que, coincidentemente, beneficiam aliados políticos e pastores de determinadas denominações. O problema não é a existência de igrejas — é o uso de estruturas religiosas como fachada para operações financeiras opacas. A própria CPI das Pirâmides Financeiras revelou como algumas lideranças usam o discurso de “perseguição” para silenciar questionamentos sobre patrimônio incompatível e doações suspeitas.
A estratégia é velha e eficiente: quando não se pode rebater os fatos, ataca-se o mensageiro e desloca-se a discussão para um terreno emocional onde a crítica parece heresia. Mas é justamente esse deslocamento que permite que esquemas de repasses milionários continuem funcionando sem prestação de contas. Defender transparência não é perseguir conservadores; é exigir que as mesmas regras valham para todos — inclusive para aqueles que se escondem atrás de crucifixos e bandeiras.