Uma equipe internacional de pesquisadores liderada pela bióloga Julia Kurth, da Universidade de Münster, na Alemanha, identificou e caracterizou um sistema enzimático até então desconhecido que permite a bactérias anaeróbicas desintoxicar o clorometano — gás tóxico que contribui para a destruição da camada de ozônio. A descoberta, publicada na revista Nature Communications, abre caminho para avanços em remediação ambiental, pesquisa climática e biotecnologia.
O clorometano é liberado durante a queima de carvão, biomassa e outras matérias-primas, além de ser produzido naturalmente por algas, plantas e fungos. Devido à sua toxicidade e papel na degradação do ozônio estratosférico, o gás representa ameaça ambiental e à saúde pública. A compreensão de como microrganismos em ambientes sem oxigênio conseguem degradá-lo preenche uma importante lacuna científica.
Segundo reportagem do portal phys.org, o sistema enzimático foi identificado na espécie Acetobacterium dehalogenans, bactéria anaeróbica comum em lodo de esgoto. Ela utiliza o clorometano como fonte de energia e carbono, removendo o íon cloreto do grupo metil e convertendo o gás em produtos inofensivos.
As propriedades bioquímicas e estruturais do sistema enzimático diferem de outras enzimas que transferem grupos metil. Os pesquisadores demonstraram que, na Acetobacterium dehalogenans, o clorometano é conduzido por um túnel molecular único até o centro ativo da enzima, onde ocorre a transferência do metil.
Um aspecto crucial da descoberta é que a informação genética para as proteínas envolvidas está presente em outras bactérias, incluindo aquelas que vivem no trato gastrointestinal humano e em sedimentos marinhos. Isso indica que essa via de degradação do clorometano é disseminada na natureza e possui relevância ecológica ampla.
“Nossos resultados podem ser relevantes para a pesquisa climática”, destacou a professora Julia Kurth. A identificação dos genes e enzimas permite prever quais outros micróbios anaeróbicos são capazes de converter o clorometano e onde ocorrem. Esse conhecimento contribui para entender como o gás é degradado em ecossistemas e aprimora modelos que projetam a evolução da camada de ozônio.
A indústria química também pode se beneficiar do novo sistema enzimático. Ele poderá ser utilizado para decompor seletivamente compostos halogenados como o clorometano em processos industriais, substituindo métodos mais agressivos e poluentes.
O estudo contou com a participação de cientistas das universidades de Estrasburgo e Grenoble, na França, da Universidade de Marburg, na Alemanha, e do Instituto Max Planck de Microbiologia Terrestre. A pesquisa combinou análises de expressão gênica, espectroscopia UV-visível e cristalografia de raios X para determinar a estrutura atômica da enzima e seu mecanismo de reação.
A descoberta abre novas possibilidades para a biorremediação de solos e águas contaminados, especialmente em ambientes sem oxigênio. Bactérias equipadas com essa via enzimática podem ser empregadas para converter o clorometano em substâncias inofensivas, contribuindo para a despoluição de áreas afetadas.


Ricardo Menezes
06/06/2026
Bactéria mais eficiente que o governo brasileiro pra resolver problema ambiental. Se depender do Estado, a gente paga imposto pra ozônio continuar furado, enquanto a ciência alemã resolve com uma enzima. Cadê o financiamento privado meritocrático? Enquanto isso, os mesmos que criticam “comunismo nas universidades” vão pagar caro na conta de luz pra sustentar pesquisa inútil da estatal.
Jeferson da Silva
06/06/2026
Ricardo, vou te contar uma coisa: eu trabalho há vinte anos numa fábrica que terceirizou tudo pra “iniciativa privada meritocrática” e o resultado foi salário congelado, jornada estourada e direitos jogados no lixo. Essa “eficiência” que você exalta é a mesma que manda trabalhador pra escala 6×1 enquanto o dono da empresa compra iate. Pesquisa pública não é inútil, é o que garante que descoberta não vire patente privada nas costas de quem produz.
Lurdinha Deus Acima de Todos
06/06/2026
Mais uma invenção desses cientistas comunistas pra acabar com a fé e fechar as igrejas 🙏🇧🇷😡
Tiago Mendes
06/06/2026
Lurdinha, a Bíblia diz em Gênesis que fomos feitos pra dominar a terra com sabedoria, não pra ignorar descobertas que protegem a criação de Deus. Negar a ciência que salva vidas e o meio ambiente é que é falta de fé, não o contrário.