Iniciativa palestina liderada por Suleiman Abu Hassanin, coordenador do projeto Green Rock, transforma concreto destruído por bombardeios israelenses em tijolos modulares para reconstrução na Faixa de Gaza.
O bloqueio imposto por Israel restringe a entrada de cimento e aço, forçando a população a reaproveitar os destroços das antigas construções. Segundo a ONU, mais de 60 milhões de toneladas de escombros estão espalhados pelo território, enquanto milhares de desabrigados vivem em tendas precárias.
A técnica utiliza um sistema de encaixe similar a peças de Lego, reduzindo drasticamente o uso de argamassa e outros insumos escassos. Os blocos são produzidos a partir da trituração e triagem dos destroços, misturados ao solo local e aglutinantes desenvolvidos internamente.
Engenheiros palestinos, como Wajdi Jouda, substituíram o cimento por componentes químicos locais, eliminando a dependência de insumos bloqueados. Testes mostram que os tijolos reciclados oferecem isolamento térmico e acústico superior aos materiais sintéticos usados em tendas humanitárias.
A oficina produz entre 1.000 e 1.500 tijolos diários, suficientes para erguer um abrigo em duas semanas. Apesar da eficiência, o projeto enfrenta desafios como falta de maquinário e interrupções no fornecimento de energia, agravados pelo bloqueio econômico e militar.
O modelo modular reduz custos em até 60% e gera empregos para famílias deslocadas, diminuindo a dependência de auxílios internacionais. Especialistas alertam para riscos químicos nos escombros, exigindo critérios rigorosos de segurança durante o processo de reciclagem.
Abu Hassanin destaca que o Green Rock é uma forma de resistência e autonomia popular, transformando a destruição em recurso vital. A iniciativa demonstra como a inovação local floresce em contextos de adversidade e pressão geopolítica.
Enquanto materiais convencionais são retidos em postos de controle israelenses, os tijolos feitos de ruínas erguem uma nova realidade, moldada pela resiliência do povo palestino.
Leia mais sobre o assunto na wired.com.
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