A nova legislação israelense que institui a pena de morte para palestinos condenados por “atos terroristas mortais” entrou em vigor.
A lei se aplica a territórios sob controle de fato de Tel Aviv, incluindo a Cisjordânia e parte da Faixa de Gaza. Foi proposta pelo partido de extrema-direita Otzma Yehudit, liderado pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir.
A medida prevê pena capital para quem cometer assassinato com intenção de negar a existência de Israel. Prisão perpétua pode substituir a pena de morte em casos com “circunstâncias especiais”.
A implementação gerou condenação internacional, com a Autoridade Palestina classificando-a como “escalada perigosa”. A ONU pediu a revogação imediata da lei, considerando-a discriminatória.
Antes da votação, ministros das Relações Exteriores da Alemanha, França, Itália e Reino Unido pediram que Israel abandonasse a iniciativa. Os Estados Unidos declararam respeitar o direito soberano de Israel de determinar suas próprias leis para condenados por terrorismo.
Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.
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Mariana Alves
18/05/2026
É sintomático que a foto que ilustra a notícia mostre um deputado israelense brindando com champanhe enquanto aprova a pena de morte para palestinos. O champanhe não é um detalhe folclórico — é uma declaração de classe e de projeto político. Aqueles senhores de terno celebram, em um gesto de entorpecimento moral, a institucionalização do assassinato estatal como instrumento de gestão territorial. Não se trata de combater o terrorismo, conceito que sempre serviu para criminalizar a resistência de povos ocupados, mas de consolidar uma máquina de extermínio jurídico. O direito penal, na lógica colonial, nunca foi universal — ele se aplica com todo o rigor ao colonizado, enquanto o colonizador permanece impune.
A lei em questão não é um desvio, e sim a realização da lógica interna do sionismo enquanto movimento colonial de povoamento. Quando o Ocidente levanta bandeiras contra a pena de morte no Irã ou na Arábia Saudita, mas silencia diante da legislação israelense, expõe a hipocrisia estrutural do chamado “estado de direito”. Como bem aponta a análise de Achille Mbembe sobre necropolítica, o que Israel faz é definir quem pode viver e quem deve morrer, usando o direito como biombo. A lei transforma tribunais em braços da ocupação, e a condenação à morte do palestino não é punição — é eliminação política de um povo que insiste em existir e resistir.
O que me assombra, como psicóloga social, é a normalização desse sadismo no discurso público. O champanhe não é só provocação: é a expressão de uma subjetividade que encontrou na desumanização do outro uma fonte de gozo. Isso não é segurança nacional, é psicopatologia coletiva elevada a política de Estado. Vale lembrar Hannah Arendt quando alertou que a banalidade do mal se manifesta justamente na burocratização da morte, na frieza com que se assinam decretos fatais enquanto se brinda. O neoliberalismo, no seu casamento com o fundamentalismo religioso, produz essas figuras monstruosas que mercantilizam até a morte alheia.
Não se iludam: essa lei não vai trazer paz a ninguém. A pena de morte nunca reduziu conflitos em lugar algum — pelo contrário, aprofunda ciclos de vingança e transforma o Estado em algoz legítimo. A história mostra que povos submetidos a esse tipo de violência jurídica, da Argélia à África do Sul, não se curvam; radicalizam sua resistência. O que Israel faz, ao aprovar essa legislação, é cavar mais fundo o fosso que separa os dois povos e garantir que a próxima geração de palestinos cresça sabendo que o Estado que a ocupa não a trata como cidadã, mas como inimiga a ser eliminada. A solidariedade internacional e a pressão por boicotes, como os movimentos BDS, nunca foram tão urgentes.
Carlos Mendes
18/05/2026
Enquanto a esquerda faz vista grossa para o arbítrio de Tel Aviv, a direita religiosa celebra champanhe com um Estado cada vez mais intrusivo e vingativo. Liberdade individual e devido processo legal não podem ser atropelados nem por terroristas nem por governos que se acham acima da lei.
Ricardo Almeida
18/05/2026
Concordo com a crítica ao moralismo seletivo, mas a questão vai além: essa lei transforma o sistema de justiça israelense em instrumento de vingança coletiva, o que historicamente nunca reduziu conflitos – só os retroalimenta.
Francisco de Assis
18/05/2026
Carlão, aí tu foi cirúrgico! Enquanto a direita religiosa brinda com champanhe, o povo palestino sofre na pele o arbítrio que eles mesmos condenam nos outros. O Brasil precisa manter a soberania e não se curvar a esse tipo de hipocrisia, que só serve pra alienar a cabeça do povo.