Uma descoberta arqueológica no planalto de Xieng Khouang, em Laos, trouxe novas luzes sobre o enigmático sítio conhecido como a Planície dos Jarros. Pesquisadores liderados por Nick Skopal, da James Cook University da Austrália, encontraram restos mortais de pelo menos 37 pessoas dentro de um jarro de pedra gigante, medindo 1,3 metro de altura e mais de 2 metros de largura, próximo à cidade de Phonsavan.
Esses jarros monumentais, alguns com até 3 metros de altura e pesando várias toneladas, têm sido objeto de especulação há décadas. As investigações iniciais nos anos 1930 sugeriram uma associação com a Idade do Ferro do Sudeste Asiático, entre 500 a.C. e 500 d.C., e que poderiam ter sido usados para cremação ou decomposição de corpos.
Estudos recentes revelaram a presença de contas de vidro, joias e alguns restos cremados, além de sepulturas próximas, mas não dentro dos jarros. Os restos encontrados por Skopal e sua equipe foram datados por radiocarbono, indicando que foram depositados em fases múltiplas ao longo de até 270 anos, entre os séculos IX e XII.
A disposição dos ossos, com os mais longos nas bordas e muitos ossos menores ausentes, sugere que os corpos passaram por um período inicial de decomposição em outro local antes de serem transferidos para o jarro. Essa descoberta é considerada altamente significativa por Nigel Chang, também da James Cook University, que não participou do estudo.
Chang destaca que, após quase um século de especulação, esta é a primeira vez que um desses jarros é investigado com associação irrefutável a práticas mortuárias. A cerca de 500 metros do jarro principal, foram encontrados jarros menores, alguns contendo contas de vidro, sugerindo que os corpos eram inicialmente colocados nesses recipientes até que a carne se deteriorasse, antes de serem transferidos para o jarro maior.
Skopal levanta a hipótese de que os jarros de pedra poderiam ter sido usados como meio para a liberação da alma e preparação para o além, como parte de rituais de culto aos ancestrais. Estudos de DNA estão em andamento para determinar a identidade e as relações entre os indivíduos cujos restos foram encontrados.
Embora a datação dos artefatos sugira um uso medieval dos jarros, a origem exata dos recipientes permanece incerta, com alguns especialistas acreditando que eles possam ter mais de 2000 anos. Além dos restos humanos, a equipe de Skopal encontrou ferramentas de ferro, cerâmica, um sino de cobre e contas de vidro dentro do jarro.
Análises químicas revelaram que as contas foram produzidas no sul da Índia e na Mesopotâmia, indicando comércio de longa distância na região. Marco Mitri, da North Eastern Hill University na Índia, sugere que uma população austroasiática ampla praticava essas tradições funerárias por centenas de anos.
Ritos semelhantes ainda são observados hoje por grupos como os Khasi na Índia, que depositam ossos em caixas de pedra chamadas cistas. Segundo o New Scientist, essa descoberta não só ilumina práticas culturais antigas, mas também destaca as complexas redes de comércio e interação cultural no Sudeste Asiático medieval.
Com informações de NEWSCIENTIST.
Leia também: Vasos gigantes de Laos revelam rituais funerários de gerações antigas
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Major Ricardo Silva
19/05/2026
Interessante essa descoberta no Laos, mostra que civilizações antigas já tinham ordem e valores sólidos. Enquanto isso, a esquerda por aqui quer destruir a história e enfiar ideologia de gênero nas escolas. Falta respeito às tradições e à verdadeira ciência.
Rubens O Pescador
19/05/2026
Pois é, major, bonito esses jarros antigos, mas o povo daqui também lembra de quando tinha carne na mesa e emprego certo, no tempo do Lula e da Dilma. Ordem e valores não enchem barriga de quem passou fome depois do golpe.
Cristina Rocha
19/05/2026
Major, seu comentário revela uma visão bastante romântica e seletiva do que chama de “ordem e valores sólidos”. Esses jarros gigantes no Laos são fascinantes, sim, mas a arqueologia séria nos mostra que as chamadas “civilizações antigas” raramente eram esses paraísos de harmonia e tradição que você imagina. Estudamos na filosofia política, desde Rousseau a Foucault, que a “ordem” frequentemente era a imposição violenta de hierarquias – religiosas, tribais, patriarcais – sobre populações subjugadas. O que você chama de “valores sólidos” provavelmente incluía escravidão, submissão feminina e rituais de exclusão. A nostalgia por um passado supostamente íntegro é um truque ideológico clássico para naturalizar as desigualdades do presente.
Sobre a tal “ideologia de gênero” nas escolas: esse termo foi cunhado por setores conservadores para demonizar o que é, na verdade, o ensino de direitos humanos básicos e de respeito à diversidade. Desde Simone de Beauvoir até Judith Butler, o pensamento feminista e queer mostrou que gênero é uma construção social, não uma essência imutável ditada pela natureza. Ensinar isso não é destruir a história – é revelar como as estruturas de poder sempre moldaram o que consideramos “natural”. O patriarcado também é histórico, major, e questioná-lo não é um ataque à ciência, mas sim um avanço dela. A “verdadeira ciência” não é a que apenas descreve pedras antigas sem questionar quem as produziu e a que custo; é a que também escava as camadas de opressão soterradas pelo discurso da tradição.
Por fim, me causa estranheza que você veja ameaça em crianças aprenderem sobre respeito às identidades de gênero, mas não veja problema em romantizar sociedades que, muito provavelmente, tratavam mulheres como propriedade e matavam quem ousasse desobedecer à “ordem”. A esquerda não quer apagar a história; quer justamente lê-la com lentes críticas – materiais, pós-coloniais, feministas – para que não repitamos os mesmos erros sob novas máscaras. Se os jarros do Laos nos ensinam algo, é que toda civilização lega ruínas; a pergunta é: quais ruínas queremos construir hoje – as de um passado idealizado e excludente, ou as de um futuro que finalmente inclua todas as pessoas como sujeitos plenos de sua própria história?