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Europa e China preparam lançamento da missão Smile para estudar interação entre Sol e Terra

3 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Europa e China preparam lançamento da missão Smile para estudar interação entre Sol e Terra. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) A missão Smile, fruto de uma colaboração inédita entre a Agência Espacial Europeia e a Administração Espacial Nacional da China, encontra-se nos preparativos finais para seu lançamento ao espaço. O […]

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Ilustração editorial sobre Europa e China preparam lançamento da missão Smile para estudar interação entre Sol e Terra. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A missão Smile, fruto de uma colaboração inédita entre a Agência Espacial Europeia e a Administração Espacial Nacional da China, encontra-se nos preparativos finais para seu lançamento ao espaço. O objetivo central do projeto é investigar como o vento solar interage com o campo magnético terrestre, fenômeno que influencia diretamente a ocorrência de tempestades geomagnéticas e auroras boreais.

O satélite será colocado em órbita pelo foguete Vega-C, veículo lançador europeu que possui 35 metros de altura e massa de 210 toneladas. A configuração do foguete inclui três estágios movidos a propelente sólido e um quarto estágio com propelente líquido, combinação que permite posicionamento orbital de alta precisão.

O lançamento está programado para ocorrer no Centro Espacial da Guiana, localizado em Kourou, na Guiana Francesa. Conforme informações divulgadas pelo portal Phys.org, a espaçonave já passou pelos processos de abastecimento de combustível e encapsulamento na coifa protetora do foguete.

A missão utilizará uma órbita altamente elíptica que permitirá ao satélite captar imagens em raios-X e ultravioleta da magnetosfera terrestre. A cada dois dias, o Smile sobrevoará a região acima do Polo Norte, posição estratégica para observar a entrada de partículas solares na atmosfera.

Durante os três anos previstos de operação, o satélite coletará dados que podem revolucionar a compreensão científica sobre o clima espacial. As informações obtidas contribuirão para aprimorar sistemas de previsão de tempestades solares, eventos que podem afetar redes elétricas, comunicações por satélite e navegação aérea em todo o planeta.

A Agência Espacial Europeia ressalta que o Smile representa um marco na cooperação científica internacional entre Europa e China. O projeto demonstra que parcerias tecnológicas entre diferentes blocos geopolíticos podem avançar mesmo em contextos de tensões diplomáticas, priorizando o conhecimento científico em benefício da humanidade.


Leia também: Missão europeia e chinesa investigará tempestades solares


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Cecília Alves

19/05/2026

Bonita parceria público-pública para estudar o Sol, mas duvido que o contribuinte europeu ou chinês tenha sido consultado sobre o custo disso. Se ao menos metade desse dinheiro viesse de investimento privado, teríamos inovação de verdade sem a burocracia estatal inchada. No fim, ciência se faz melhor quando o governo só não atrapalha.

    Julia Andrade

    19/05/2026

    Cecília, acho curioso como a narrativa do “Estado que atrapalha” virou quase um mantra acidentalmente desmentido pela própria história da ciência. A internet que você usa para escrever esse comentário nasceu de um projeto do Departamento de Defesa dos EUA, o GPS veio de investimento militar estatal, e a própria física que permite estudar o Sol foi financiada por agências públicas como a NASA e o CNES. O problema não é a presença do Estado, mas o modelo de Estado que a gente defende – e aqui mora uma discussão que seu comentário escamoteia. Quando a ESA e a CAS se unem para monitorar o vento solar, elas estão fazendo exatamente o oposto da lógica de curto prazo que move grandes corporações: estão financiando pesquisa básica que não dá lucro em 5 anos, mas que pode, por exemplo, nos ajudar a prever tempestades geomagnéticas que derrubam satélites dos quais a sua tão amada iniciativa privada depende.

    Sobre a tal “consulta ao contribuinte”, fico pensando em como esse argumento seletivo nunca aparece quando se trata de bilhões em subsídios fiscais para empresas ou em contratos superfaturados de terceirização. O contribuinte europeu e chinês também não foi consultado sobre os 700 bilhões de dólares que o setor privado americano recebeu em subsídios anuais, segundo dados do Good Jobs First. Mas aí a “burocracia” não incomoda, curioso. Aliás, a missão Smile é um exemplo fascinante de como a cooperação interestatal pode produzir ciência de ponta justamente porque escapa da lógica de patentes e concorrência que engessa a inovação privada em áreas de risco alto e retorno incerto. Não à toa, o sequenciamento do genoma humano foi público, a vacina da covid teve o mRNA desenvolvido com dinheiro do NIH americano, e a física de partículas ainda depende de instituições como o CERN.

    No fundo, Cecília, sua visão parece partir de um pressuposto bem datado dos anos 80, de que o privado é sempre mais eficiente. Mas a realidade empírica mostra que em áreas de fronteira do conhecimento, onde o risco é alto e o lucro imediato é baixo, o investimento público não é opcional – é estruturante. E quando a China entra nessa dança com a Europa, o que está em jogo não é só dinheiro de contribuinte, mas uma escolha geopolítica sobre que tipo de conhecimento queremos produzir e para quem. A pergunta que fica não é “quanto custou”, mas “quanto custaria não fazer”. Se dependesse apenas do capital privado, talvez a gente ainda estivesse esperando alguém financiar a primeira foto de um buraco negro.

    Cláudio Ribeiro

    19/05/2026

    Cecília, sua defesa do investimento privado como motor da inovação esbarra numa contradição elementar: sem o Estado garantindo a infraestrutura básica de pesquisa — como essa missão Smile, que estuda fenômenos sem aplicação comercial imediata — o capital privado raramente investe em ciência de fronteira. É a velha lógica que Marx já apontava: o capital só financia o que promete retorno no curto prazo, enquanto o conhecimento público sustenta as bases que depois o mercado explora como se fossem suas.


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