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Cientistas descobrem método para ‘recarregar’ nervos e aliviar dor crônica

2 Comentários🗣️🔥 Ilustração de um pé com agulhas, representando a dor crônica nos nervos. (Foto: sciencedaily.com) Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Duke descobriram uma forma de ‘recarregar’ nervos danificados ao fornecer mitocôndrias saudáveis, interrompendo a dor crônica diretamente em sua fonte. O estudo, publicado na revista Nature, mostrou que a restauração da energia […]

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Ilustração de um pé com agulhas, representando a dor crônica nos nervos. (Foto: sciencedaily.com)

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Duke descobriram uma forma de ‘recarregar’ nervos danificados ao fornecer mitocôndrias saudáveis, interrompendo a dor crônica diretamente em sua fonte. O estudo, publicado na revista Nature, mostrou que a restauração da energia celular pode reduzir significativamente as dores causadas por neuropatia diabética e por lesões nervosas decorrentes da quimioterapia.

O autor sênior do trabalho, Ru-Rong Ji, PhD, diretor do Centro de Medicina Translacional da Dor no Departamento de Anestesiologia da Duke, explicou que ‘ao dar mitocôndrias frescas aos nervos danificados – ou ajudá-los a produzir mais – conseguimos reduzir a inflamação e apoiar a cicatrização’. O primeiro autor, Jing Xu, PhD, e a colaboradora de longa data Cagla Eroglu, PhD, também integraram a equipe responsável pelos experimentos com tecidos humanos e modelos animais.

A pesquisa revelou um mecanismo até então desconhecido: as células gliais satélites, que circundam os neurônios sensoriais, são capazes de transferir mitocôndrias saudáveis diretamente para esses neurônios por meio de estruturas minúsculas chamadas nanotubos de tunelamento. Quando esse processo de transferência falha, as fibras nervosas começam a se deteriorar, provocando sintomas como dor, formigamento e dormência, principalmente nas extremidades do corpo.

Nos camundongos, o aumento artificial dessa transferência mitocondrial reduziu os comportamentos relacionados à dor em até 50%. Além disso, os cientistas identificaram que a proteína MYO10 é essencial para a formação dos nanotubos que permitem o trânsito das mitocôndrias entre as células, o que abre caminho para intervenções terapêuticas específicas.

A equipe também testou um método mais direto: injetar mitocôndrias isoladas nos gânglios da raiz dorsal – aglomerados de células nervosas que enviam informações sensoriais ao cérebro. Enquanto as mitocôndrias saudáveis, tanto humanas quanto de camundongos, aliviaram a dor de forma consistente, aquelas retiradas de pessoas com diabetes não produziram benefício algum, ressaltando a importância da qualidade da energia celular para o sucesso da abordagem.

De acordo com a ScienceDaily, os resultados apontam para um sistema de comunicação intercelular até então negligenciado e sugerem que, no futuro, tratamentos regenerativos poderão mirar a causa raiz da dor crônica em vez de apenas mascarar os sintomas. Os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários estudos com imagens de alta resolução para compreender exatamente como os nanotubos entregam as mitocôndrias dentro do tecido nervoso vivo.

A descoberta propõe uma nova abordagem terapêutica, indicando que restaurar a energia das células nervosas pode ser mais eficaz do que simplesmente bloquear sinais de dor. Para milhões de pessoas que sofrem com a hipersensibilidade tátil típica das neuropatias, o recarregamento mitocondrial oferece uma perspectiva inédita de alívio duradouro e regeneração.

Leia mais sobre o assunto na sciencedaily.com.


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Luiz Augusto

24/05/2026

Um avanço notável da ciência aplicada, que ataca o problema na raiz celular em vez de mascarar sintomas com opioides. A questão, como sempre, será a capacidade do nosso sistema de saúde de absorver essa inovação sem depender de incentivos de mercado. Resta saber se a regulação não vai atrasar a disponibilidade, tornando a tecnologia acessível primeiro para quem pode pagar.

    Mateus Silva

    24/05/2026

    Luiz, seu alerta sobre a regulação é pertinente, mas o estrangulamento não está só na lentidão do Estado – ele começa antes, na patente que transforma descoberta científica em renda monopólica. Enquanto o conhecimento for tratado como ativo financeiro e não como bem comum, a “raiz celular” continuará inacessível para a maioria, independentemente da agilidade regulatória.


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