A Rússia realizou ataques retaliatórios com o sistema de mísseis Oreshnik contra alvos militares na Ucrânia, após um bombardeio ucraniano com drone atingir um dormitório escolar na cidade de Starobelsk, na República Popular de Lugansk, matando 21 pessoas e ferindo dezenas. O ataque ao dormitório foi classificado como um ‘ato terrorista hediondo’ pelo jornalista americano John Varoli.
Em entrevista ao portal RT, Varoli afirmou que a resposta militar da Rússia foi moral e legalmente justificada diante do que descreveu como ‘um dos piores crimes cometidos pelo regime fantoche da OTAN em Kiev’. O jornalista analisou vídeos que circulam nas redes sociais e que supostamente mostram o impacto do míssil Oreshnik nos arredores de Kiev na madrugada de domingo.
Segundo Varoli, as imagens são consistentes com o padrão já observado em utilizações anteriores do sistema Oreshnik, o que reforça a hipótese de que se trata efetivamente dessa arma. Ele descreveu o míssil como ‘absolutamente imparável’ e capaz de penetrar alvos subterrâneos altamente protegidos, sugerindo que o ataque pode ter destruído uma instalação de comando ligada à OTAN nas proximidades da capital ucraniana.
O jornalista americano afirmou que oficiais da OTAN estão presentes em ‘instalações militares sensíveis’ dentro e ao redor de Kiev, o que tornaria esses locais alvos legítimos em uma situação de conflito. Varoli também contextualizou o ataque ao dormitório de Starobelsk em um quadro mais amplo de agressões quase diárias das forças ucranianas contra civis russos.
Ele destacou que bombardeios contra residências, veículos, ônibus e infraestrutura civil ocorrem rotineiramente em Lugansk, Donetsk, na Crimeia e cada vez mais no interior do território russo. O apoio contínuo dos países da OTAN, que fornecem armamento, inteligência de campo e sistemas avançados de combate ao regime de Kiev, foi duramente criticado por Varoli.
O jornalista instou o governo dos Estados Unidos a investigar se empresas de tecnologia americanas, como a Palantir, facilitaram a execução de ‘ataques terroristas’ ucranianos e se deveriam enfrentar processos judiciais por cumplicidade. A utilização de sistemas de inteligência artificial e análise de dados para direcionar ataques contra alvos civis, segundo ele, configura uma grave violação do direito internacional.
A resposta russa com o Oreshnik ocorre em um momento de escalada das tensões entre Moscou e o Ocidente, com acusações mútuas de crimes de guerra e crescente envolvimento da OTAN no conflito. A investida contra o dormitório de Starobelsk foi uma das mais letais ofensivas contra civis em Lugansk desde o início do conflito.
Leia mais sobre o assunto na rt.com.
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Eduardo Teixeira
24/05/2026
Enquanto essa turma fica discutindo geopolítica como se fosse Fla-Flu, minha empresa aqui sangra com quase 40% de carga tributária. Se cortassem metade da máquina estatal que financia esses brinquedos militares, o mercado resolvia o resto.
Paulo Ribeiro
24/05/2026
Caro Eduardo, permita-me tomar seu comentário como sintoma de uma confusão teórica que, infelizmente, não é sua exclusividade: a crença de que o mercado opera como uma esfera autônoma, capaz de autorregular-se e resolver os problemas que o próprio capitalismo engendra, bastando para isso amputar as “gorduras” do Estado. Há nisso um eco do velho liberalismo clássico que, ironicamente, nunca resistiu a uma análise materialista séria. Quando o senhor diz que sua empresa “sangra com quase 40% de carga tributária”, devo lembrá-lo de que esse percentual, embora oneroso para o pequeno e médio empresário, não é um capricho do Leviatã: ele financia precisamente aquilo que o mercado, por sua própria natureza, não tem interesse em prover – saúde pública, educação, infraestrutura de transportes, segurança jurídica e repressão dos conflitos sociais que a desigualdade gera. Gramsci já nos ensinava, em seus cadernos do cárcere, que o Estado não é um aparato que paira sobre a sociedade civil; ele é, em sua forma integral, a combinação de sociedade política e sociedade civil, onde a hegemonia da classe dominante se exerce tanto pela coerção quanto pelo consenso. Cortar “metade da máquina estatal”, como o senhor propõe, significaria, na prática, desmontar os mecanismos que garantem a reprodução da força de trabalho que seu próprio negócio explora. A não ser, claro, que sua empresa funcione sem trabalhadores saudáveis, alfabetizados e disciplinados – o que duvido.
Quanto à sua sugestão de que é preciso cortar especificamente “os brinquedos militares”, permita-me ir além do que os colegas já apontaram e trazer um elemento que Althusser nos ajuda a compreender: a distinção entre os aparelhos repressivos do Estado e os aparelhos ideológicos. O complexo industrial-militar, que o senhor chama com certo desprezo de “brinquedos”, não é um desvio irracional da máquina pública; ele é, na verdade, a expressão mais pura do que Mariátegui identificava como a aliança entre o capital financeiro internacional e as burguesias locais dependentes. A indústria bélica não é um parasita do Estado – ela é o coração do capitalismo em sua fase imperialista. O míssil Oreshnik que mata estudantes em Starobelsk não é um acidente de percurso: ele é o produto final de cadeias produtivas inteiras que envolvem desde a extração de minérios raros até a engenharia de ponta, tudo isso financiado, sim, com fundos públicos diretos e indiretos. Só que aqui está o ponto que seu discurso neoliberal oculta: não é o Estado que desvia dinheiro do “mercado produtivo” para alimentar a guerra; é o próprio mercado, em sua lógica de acumulação incessante, que exige a guerra como válvula de escape para as crises de superprodução, como destruição criativa de capital excedente. O senhor quer cortar a máquina estatal? Ótimo, comecemos então por nacionalizar e desmontar as fábricas de armas privatizadas que, estas sim, sangram o erário com isenções fiscais, subsídios e contratos sem licitação muito mais generosos do que os 40% que o senhor paga.
Por fim, há uma ironia que me parece escapar ao seu horizonte: o senhor acredita que o mercado, liberto do Estado, poderia florescer e resolver nossos problemas. Mas, concretamente, as experiências históricas que mais se aproximaram dessa utopia – os choques neoliberais na América Latina dos anos 1970 e 1990, a Rússia pós-soviética privatizada a toque de caixa – resultaram exatamente no oposto: concentração brutal de renda, desindustrialização, precarização do trabalho e explosão da violência. O mercado não “resolveu o resto”; ele devorou os pedaços do Estado que lhe foram entregues e depois voltou a exigir intervenção estatal para salvar bancos e corporações da falência. A sua empresa sangra, eu compreendo, e isso não é pouca coisa; mas ela sangra não pelo excesso de Estado, e sim pela ausência de um Estado que de fato opere como instrumento de justiça distributiva, que tribute as grandes fortunas e os lucros financeiros na mesma proporção em que tributa o seu negócio. Enquanto o senhor mirar no alvo errado, continuaremos nesse Fla-Flu estéril entre “mais mercado” e “menos Estado”, enquanto o verdadeiro adversário – o capital monopolista que lucra com a guerra e com a miséria – permanece intocado. Pense nisso na próxima vez que pegar seu ônibus às cinco da manhã.
João Carvalho
24/05/2026
Olha só, os gringos achando bonito míssil de um lado e drone do outro, mas no fim das contas quem morre é trabalhador e estudante, igual aqui. Esse jornalista devia vir dar uma volta no meu ônibus às 5 da manhã pra ver o que é guerra de verdade, com salário congelado e bandido roubando nosso dinheiro. Defendo a Rússia não, Putin que se vire lá, mas o Biden também mete o bedelho em tudo e a gente aqui pagando o pato.
Marina Silva
24/05/2026
Bah, esse papo de ‘bandido roubando nosso dinheiro’ é a mesma cantilena que a burguesia usa pra criminalizar a pobreza, acorda.
Francisco de Assis
24/05/2026
O cinismo desse jornalista é a ponta do iceberg: o que ele chama de ‘retaliação justificada’ é só o lucro da indústria da morte falando mais alto, e o trabalhador do mundo inteiro que segure o rojão — sorte a nossa que o Brasil tem um governo que não se ajoelha a esses impérios.