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Tragédia a 900 pés: mergulhador recordista morre em caverna sul-africana após erro inacreditável

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Tragédia a 900 pés: mergulhador recordista morre em caverna sul-africana após erro inacreditável. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6) Em outubro de 2004, o mergulhador australiano Dave Shaw estabeleceu um recorde mundial ao descer com um rebreather até 274 metros (900 pés) no Bushman’s Hole, a caverna de água doce mais […]

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Ilustração editorial sobre Tragédia a 900 pés: mergulhador recordista morre em caverna sul-africana após erro inacreditável. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Em outubro de 2004, o mergulhador australiano Dave Shaw estabeleceu um recorde mundial ao descer com um rebreather até 274 metros (900 pés) no Bushman’s Hole, a caverna de água doce mais profunda da África do Sul. Durante a exploração do leito, ele fez uma descoberta sombria: o corpo de Deon Dreyer, um jovem mergulhador desaparecido ali havia uma década.

Deixar um colega para trás é considerado inaceitável na comunidade de mergulho em cavernas, um código de honra que Shaw levou muito a sério após encontrar os restos mortais de Dreyer. Determinado a trazer o jovem de volta, ele passou um ano inteiro treinando incansavelmente e recrutou uma equipe de apoio multidisciplinar.

No dia 8 de janeiro de 2005, Shaw mergulhou novamente no Bushman’s Hole, no que seria o 333º e último mergulho de sua vida. A bordo estava o médico Jack Meintjes, especialista em fisiologia do mergulho da Universidade de Stellenbosch, e a preparação incluía 35 cilindros reserva de gás e uma câmara móvel de recompressão da polícia sul-africana.

Shaw iniciou a descida às 6h13 e atingiu o fundo em apenas 11 minutos, enquanto Don Shirley começava seu mergulho para encontrá-lo a 221 metros de profundidade. O plano minucioso previa que mergulhadores posicionados em profundidades progressivamente menores passassem o corpo de Dreyer para cima, como uma corrente humana subaquática.

Contudo, ao passar dos 152 metros, Shirley percebeu que a lanterna de Shaw estava completamente imóvel e escreveu uma mensagem arrepiante em sua placa: ‘Dave não vai voltar’. O erro fatal ocorreu quando Shaw tentava colocar os restos de Dreyer em um saco e percebeu que o corpo havia se transformado em uma substância semelhante a sabão, dificultando o controle.

Imagens da câmera corporal mostraram que Shaw largou sua lanterna enquanto lutava com o saco de recuperação, e o objeto ficou preso ao cabo-guia principal que levava à superfície. Ao tentar se soltar, ele se enredou ainda mais, começou a respirar aceleradamente e consumiu rapidamente seu suprimento de ar, afogando-se ao lado dos restos de Dreyer.

Após o incidente, Shirley lamentou profundamente não ter participado de um mergulho de treino no qual Shaw mencionou que às vezes deixava a lanterna solta. Ele afirmou que até mergulhadores experientes jamais deveriam permitir que equipamentos flutuassem livremente, chamando a prática de ‘receita para o desastre’.

A trágica sequência de eventos, descrita minuciosamente pelo Daily Mail, remonta ao desaparecimento de Deon Dreyer em 1994. O caso ilustra como a determinação heroica pode ser traída por uma falha aparentemente pequena.

Deon Dreyer era um mergulhador apaixonado de Vereeniging, na África do Sul, que já havia completado 200 excursões aos 20 anos. Em dezembro de 1994, ele se uniu a uma equipe liderada por Nuno Gomes, que mais tarde se tornaria recordista de profundidade no Bushman’s Hole.

No dia 17 de dezembro, durante um mergulho de treino para uma expedição técnica, Dreyer desapareceu a cerca de 49 metros de profundidade enquanto fazia a subida. As causas exatas nunca foram esclarecidas, embora teorias sugiram que ele tenha desmaiado devido à toxicidade do oxigênio ou hipercapnia.

Várias tentativas de recuperação foram feitas, e a empresa de mineração De Beers enviou um submersível operado remotamente que localizou o capacete de Dreyer, mas não o corpo. A família então aceitou que ele jamais seria encontrado e colocou uma placa memorial na entrada do Bushman’s Hole, com o pai dizendo que aquele seria seu ‘túmulo mais majestoso’.

Contra todas as probabilidades, os corpos de Shaw e Dreyer foram finalmente recuperados graças a uma missão heroica realizada por dois amigos do australiano. As imagens e os detalhes do mergulho fatal de Shaw ecoam de forma perturbadora um incidente recente em cavernas nas Maldivas.

Em meados de maio, cinco mergulhadores italianos morreram ao explorar o sistema de cavernas Thinwana Kandu, também conhecido como Shark Cave, no Atol Vaavu. O grupo, que incluía a professora de biologia marinha Monica Montefalcone e o guia local Gianluca Benedetti, partiu em 14 de maio e nunca mais retornou à superfície.

Autoridades investigam se os mergulhadores foram arrastados para o interior da caverna por uma corrente poderosa chamada ‘efeito Venturi’, que aumenta a sucção em passagens estreitas. Segundo o presidente da Sociedade Italiana de Medicina Subaquática e Hiperbárica, Alfonso Bolognini, o fenômeno pode ser letal em ambientes confinados.

Uma equipe de mergulhadores finlandeses da organização Dan Europe recuperou os corpos e sugeriu que o grupo pode ter entrado em um túnel sem saída, ficando preso. Os mergulhadores carregavam tanques de oxigênio de 12 litros, equipamento recreativo inadequado para aquela profundidade e condições de visibilidade.

O corpo do capitão Benedetti foi o primeiro a ser encontrado, na boca da caverna, enquanto os outros quatro estavam juntos na terceira câmara. A operação de busca foi encerrada após a retirada dos últimos corpos, encerrando mais um capítulo trágico no mergulho em cavernas.

As histórias de Shaw e dos italianos revelam os perigos insondáveis do mergulho em cavernas, onde um erro mínimo pode ser fatal. Especialistas reiteram que a preparação meticulosa e a aderência estrita aos protocolos jamais são excessivas.


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