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Antigos dados da sonda Magellan revelam primeira caverna vulcânica em Vênus e abrem janela para o subsolo do planeta infernal

0 Comentários🗣️🔥 Superfície de Vênus, com destaque para a região de Nyx Mons e possíveis estruturas vulcânicas. (Foto: ecoticias.com) Vênus sempre escondeu sua superfície atrás de densas nuvens, desafiando a observação direta por câmeras comuns. Agora, antigos registros de radar revelaram uma surpresa impressionante. Um novo estudo aponta evidências de um enorme tubo de lava […]

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Superfície de Vênus, com destaque para a região de Nyx Mons e possíveis estruturas vulcânicas. (Foto: ecoticias.com)

Vênus sempre escondeu sua superfície atrás de densas nuvens, desafiando a observação direta por câmeras comuns. Agora, antigos registros de radar revelaram uma surpresa impressionante.

Um novo estudo aponta evidências de um enorme tubo de lava vazio sob a superfície de Vênus, provavelmente a primeira caverna vulcânica identificada no planeta. A descoberta está ligada a uma abertura colapsada no lado oeste de Nyx Mons, um vulcão-escudo com cerca de 362 quilômetros de diâmetro.

Os dados vieram da sonda Magellan, da NASA, que mapeou Vênus por radar no início da década de 1990, cobrindo aproximadamente 98% do planeta. A missão estendida da Magellan forneceu a primeira imagem geológica global de um mundo envolto em nuvens.

Na Universidade de Trento, os pesquisadores Leonardo Carrer, Elena Diana e Lorenzo Bruzzone lideraram o trabalho com suporte da Agência Espacial Italiana. O coordenador da equipe resumiu a importância da investigação ao afirmar que ‘nosso conhecimento sobre Vênus ainda é limitado’.

Uma claraboia, no contexto geológico, não é uma janela comum, mas um buraco formado quando parte do teto de um tubo de lava desaba. Essa abertura deixa um poço que pode revelar um túnel vazio abaixo.

O radar funciona enviando ondas de rádio em direção à superfície e lendo os ecos que retornam, permitindo estudar Vênus mesmo através de sua espessa cobertura de nuvens. Neste caso, os pesquisadores se concentraram em um poço denominado ‘A’, próximo a Nyx Mons.

Diferentemente de outros poços próximos, o poço ‘A’ mostrou um retorno de radar brilhante e assimétrico que se estendia além da borda do poço. A equipe argumenta que esse padrão corresponde ao que pode ocorrer quando o radar entra em um tubo de lava colapsado e reflete a partir do interior oco, conforme detalhado pelo portal Ecoticias.

Esse detalhe é crucial, pois, de cima, um poço pode parecer uma simples dolina. No entanto, o sinal de radar sugeriu algo mais complexo escondido sob o solo.

Mas, afinal, o que é um tubo de lava? Trata-se de um túnel natural formado quando o topo de um fluxo de lava em movimento esfria e endurece, enquanto a rocha derretida continua fluindo por baixo.

Quando o suprimento de lava diminui ou cessa, o interior pode drenar e deixar uma passagem aberta. Na Terra, esses túneis são acessíveis em lugares como ilhas vulcânicas, mas em Vênus eles podem crescer em uma escala muito maior.

A nova estrutura venusiana é interpretada como um possível piroduto, outro termo para um canal subterrâneo formado por lava. Os números são impressionantes.

A equipe estima que o conduto subsuperficial visível tenha uma largura média de cerca de 1 quilômetro, com um teto de pelo menos 150 metros de espessura e um espaço vazio que atinge não menos de 375 metros de altura. O radar conseguiu rastrear a cavidade por pelo menos 300 metros a partir da claraboia.

Com base no terreno circundante e em poços semelhantes nas proximidades, o sistema de túneis mais amplo pode se estender por pelo menos 45 quilômetros, embora essa distância maior ainda precise de dados melhores para confirmação. Tente imaginar um túnel de metrô expandido à escala de uma montanha.

O estudo afirma que a formação venusiana parece mais larga e mais alta do que os tubos de lava conhecidos na Terra ou previstos para Marte, aproximando-se do limite superior do que os cientistas esperam na Lua. A existência de uma caverna natural em um planeta tão hostil como Vênus levanta questões instigantes sobre a possibilidade de abrigos subterrâneos.

Embora a superfície seja um inferno com temperaturas capazes de derreter chumbo, o subsolo poderia oferecer condições mais amenas para futuras missões robóticas. Vênus é frequentemente chamado de gêmeo da Terra por ter tamanho semelhante, mas sua superfície conta uma história muito diferente.

Sua paisagem foi fortemente moldada por vulcões, planícies de lava e intensa atividade geológica ao longo do tempo. Os pesquisadores argumentam que a gravidade mais baixa e a atmosfera densa de Vênus podem ajudar os tubos de lava a se tornarem especialmente grandes.

Uma crosta espessa e isolante pode se formar rapidamente sobre a lava fluente, ajudando o material quente a continuar se movendo por baixo por mais tempo. Isso não significa que o tubo recém-identificado seja prova de uma erupção atual.

No entanto, ele se encaixa em um quadro crescente de Vênus como um planeta cuja história vulcânica não é apenas um capítulo empoeirado em um livro-texto antigo. Durante anos, os cientistas suspeitaram que Vênus pudesse ter tubos de lava, em parte porque estruturas semelhantes são conhecidas ou esperadas na Lua e em Marte.

A parte difícil era encontrar evidências abaixo de um planeta que não permite que câmeras vejam sua superfície facilmente. Trabalhos recentes tornaram a questão mais urgente.

Uma análise separada de dados da Magellan, publicada em 2024, encontrou evidências de que duas regiões de Vênus podem ter mudado durante a missão da sonda, sugerindo que fluxos de lava ocorreram no início dos anos 1990. É por isso que a descoberta da caverna parece mais do que uma curiosidade.

Ela oferece aos pesquisadores uma possível porta de entrada para o subsolo de Vênus, onde estruturas vulcânicas mais antigas podem estar mais bem preservadas do que na superfície exposta. A descoberta, descrita em artigo na revista Nature Communications, reacende o interesse por novas missões ao planeta infernal.

O próximo grande passo é um radar melhor. A missão EnVision, da Agência Espacial Europeia (ESA), foi projetada para estudar Vênus como um sistema conectado, da atmosfera à superfície e ao interior.

A ESA afirma que será a primeira missão a investigar diretamente abaixo da superfície do planeta com um radar de sondagem subsuperficial. A missão VERITAS, da NASA, também deve trazer um mapeamento por radar mais nítido do que o da Magellan.

Seu objetivo é construir mapas detalhados da superfície de Vênus e buscar sinais de processos geológicos ativos ou recentes. Isso pode mudar a caça aos tubos de lava venusianos.

Os antigos dados da Magellan foram poderosos para sua época, mas instrumentos futuros podem detectar claraboias menores, mapear túneis ocultos com mais detalhes e testar se Nyx Mons faz parte de uma rede subterrânea mais ampla. A era dos segredos profundos de Vênus pode estar apenas começando.


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