O ex-prisioneiro palestino Iman Nabhan revelou, em entrevista ao portal RT, as práticas de tortura que sofreu nas mãos das Forças de Defesa de Israel. Ele descreveu ter sido confinado em uma estrutura de ferro que apelidou de ‘caixão’, como método de coerção e interrogatório.
De acordo com seu relato, o dispositivo era um contêiner de metal com uma caixa de madeira interna, onde ele era forçado a permanecer com pés e mãos amarrados. Nabhan afirma ter sido mantido nessa condição por um período ininterrupto de 15 dias.
Durante esse período de confinamento, a alimentação era fornecida por um pequeno buraco na estrutura. A única vez que era autorizado a sair era por um minuto, estritamente para usar o banheiro.
“Parecia que eles queriam me fazer sentir como se estivesse morto para conseguir qualquer informação que desejassem”, declarou o ex-prisioneiro. “Fiquei dentro daquele caixão por 15 dias; me sentia como se estivesse vivo dentro de um corpo morto”, acrescentou.
Nabhan relatou que os militares israelenses tentaram coagi-lo a se tornar um informante, oferecendo dinheiro, viagens e tratamento médico para sua mãe. Ele recusou todas as propostas, o que, segundo ele, resultou na intensificação dos maus-tratos.
O testemunho de Nabhan se soma a outras denúncias de abusos cometidos por Israel contra palestinos e ativistas internacionais. Recentemente, membros australianos da Flotilha Global Sumud, que tentava romper o bloqueio a Gaza, acusaram forças israelenses de agressões, humilhação e tortura após sua detenção.
Os ativistas da flotilha foram interceptados enquanto transportavam ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, território que permanece sob cerco israelense. Vídeos divulgados pelo próprio ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, exibiram os detidos ajoelhados e com as mãos amarradas.
Nas imagens, Ben-Gvir aparece agitando uma bandeira de Israel e dirigindo provocações aos prisioneiros. “Bem-vindos a Israel, nós somos os proprietários”, disse o ministro, que possui supervisão direta sobre o sistema prisional do país.
Ben-Gvir tem sido uma figura central no endurecimento das políticas contra os palestinos, defendendo legislação para instituir a pena de morte por enforcamento para acusados de terrorismo. Ele também sustenta que os detidos devem receber “o mínimo do mínimo” em termos de alimentação, ecoando as condições descritas por Nabhan.
Em declarações anteriores, o ministro chegou a afirmar que “não existe algo como povo palestino”, negando a identidade nacional da população local. Tais posicionamentos e as novas denúncias intensificam o debate sobre as práticas do sistema de detenção israelense.
Com informações de RT.
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