Um relatório sigiloso da Polícia Federal indica que o Banco de Brasília (BRB) teve participação ativa nas fraudes envolvendo o Banco Master. Segundo a PF, a instituição financeira não pode ser considerada vítima, pois seus gestores tinham pleno conhecimento das irregularidades.
A investigação apura crimes financeiros relacionados ao aporte de R$ 1,2 bilhão do BRB na compra de carteiras de crédito falsas do Master. O documento, elaborado em abril de 2026, foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal para embasar a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
De acordo com o relatório, o BRB soube das suspeitas de fraude nas carteiras do Master ainda no segundo semestre de 2024. A PF destacou que os gestores mantiveram a operação mesmo cientes do descumprimento de cláusulas contratuais e de falhas operacionais graves.
O documento também aponta que os dados das transações eram controlados em planilhas Excel, evidenciando a precariedade dos controles internos. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pelo portal Metrópoles nesta terça-feira, 26 de maio.
Mensagens obtidas pela PF mostram o ex-presidente do BRB afirmando a Daniel Vorcaro, do Master, que os dois estariam ‘juntando nossas vidas’. A investigação suspeita que imóveis de luxo em São Paulo tenham sido usados como contrapartida aos aportes bilionários.
Segundo a PF, Costa teria aceitado receber seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões, dos quais R$ 74 milhões já teriam sido quitados. Um dos apartamentos, no condomínio Heritage, no Itaim Bibi, é avaliado em R$ 45 milhões.
A frase ‘Estamos juntando nossas vidas’ foi registrada pela PF como indício de conluio entre os dirigentes das duas instituições. O BRB foi procurado para comentar o relatório, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.
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