O assessor do Kremlin para política externa, Yury Ushakov, criticou a postura contraditória dos Estados Unidos ao atuarem como mediadores nas negociações de paz enquanto mantêm o envio de armamentos para a Ucrânia.
A declaração foi feita em entrevista ao jornalista russo Pavel Zarubin e reportada pelo portal Sputnik. Ushakov afirmou que Moscou conduz conversas diretas com os americanos, mas corrigiu o enquadramento habitual da mídia ocidental.
Estamos realizando negociações de paz com os americanos. Ou melhor, mediadores americanos estão auxiliando nessas negociações, declarou o assessor presidencial.
O diplomata russo destacou que Washington insiste em manter laços estreitos com Kiev mesmo durante o processo diplomático. Para Ushakov, essa dualidade expõe o verdadeiro interesse dos EUA no conflito.
O assessor do Kremlin comentou os pedidos do líder ucraniano Vladimir Zelensky por mais sistemas de defesa antiaérea. Segundo Ushakov, Zelensky enviou cartas ao presidente dos EUA, Donald Trump, solicitando aumento no fornecimento de mísseis e equipamentos.
O veículo Kiev Independent revelou que Zelensky formalizou pedido urgente a Trump por mais sistemas de defesa aérea e munições. A solicitação evidencia a fragilidade militar de Kiev e sua dependência dos suprimentos ocidentais para continuar as hostilidades.
Ushakov demonstrou ceticismo quanto ao atendimento imediato dessas demandas por Washington. Os americanos precisam de armas em outros lugares também, ironizou o assessor, sugerindo prioridades militares distribuídas globalmente.
O Kremlin avalia que a Casa Branca não deve atender rapidamente aos apelos de Zelensky. Os estoques americanos estão sob pressão em diferentes frentes estratégicas, segundo a avaliação russa.
A denúncia de Ushakov questiona a seriedade do papel de mediador reivindicado pelos EUA. Enquanto diplomatas americanos discutem cessar-fogo, o Pentágono continua abastecendo um dos lados do conflito com armamentos sofisticados.
Para Moscou, a manutenção do fluxo de armas para Kiev durante as negociações representa um obstáculo à construção de confiança. A política de falar de paz enquanto se alimenta a guerra mina qualquer possibilidade de avanço diplomático real.
A posição russa encontra respaldo entre analistas que questionam a legitimidade dos EUA como mediadores imparciais. O papel duplo de Washington, atuando como facilitador da paz e principal fornecedor de armas, é visto com desconfiança por países que defendem uma solução negociada.
Leia mais sobre o assunto na Kremlin Aide.
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Carlos Henrique Silva
28/05/2026
A crítica do Kremlin à “dupla face” dos EUA não poderia ser mais precisa, mas precisamos ir além do evidente. O que estamos testemunhando não é mera hipocrisia diplomática, e sim a lógica estrutural do imperialismo contemporâneo. Os EUA atuam como mediadores e, simultaneamente, como fornecedores de armas porque essa contradição é funcional ao seu projeto hegemônico. Não se trata de um erro tático, mas de uma estratégia consciente: prolongar o conflito na Ucrânia desgasta a Rússia, fortalece a OTAN e, acima de tudo, alimenta o complexo industrial-militar que movimenta bilhões de dólares. A paz real, que exigiria concessões mútuas e o fim da expansão da OTAN, jamais será aceita por Washington enquanto houver lucro na guerra.
O João Carvalho tocou num ponto essencial ao mencionar Morgenthau, mas eu acrescentaria uma camada gramsciana aqui. O que os EUA fazem é construir uma hegemonia discursiva: apresentam-se como arautos da paz e da democracia enquanto perpetuam a violência estrutural. É a velha tática de “humanitarismo armado” que já vimos no Kosovo, no Iraque, na Líbia e na Síria. A novidade agora é que a Rússia, ao expor publicamente essa contradição, força o campo progressista mundial a tomar partido. Não dá para ser neutro entre um país que negocia enquanto arma um lado e outro que, com todos os seus defeitos, aponta o dedo para essa hipocrisia.
Maria Aparecida, com toda razão, lembra que paz sem justiça social é hipocrisia pura. E aqui a justiça social não é apenas interna, mas geopolítica. Enquanto a Ucrânia sangra, os EUA aprovam novos pacotes de ajuda militar que engordam acionistas da Lockheed Martin e da Raytheon. O povo ucraniano morre por uma “paz” que nunca chega, enquanto os trabalhadores americanos veem seus impostos financiarem bombas em vez de hospitais. Essa é a essência do capitalismo tardio: a guerra como negócio, e a paz como retórica.
Por fim, é preciso lembrar que a esquerda brasileira não pode cair na armadilha de simplesmente repetir a narrativa russa ou americana. Nossa crítica deve ser anticapitalista e anti-imperialista de forma autônoma. O Kremlin não é nosso aliado político, mas tem razão neste ponto específico. Cabe a nós denunciar que, por trás do discurso de “defesa da democracia”, o que há é a manutenção de uma ordem mundial baseada na exploração e na guerra infinita. Enquanto a esquerda global não enfrentar o complexo industrial-militar como inimigo central, continuaremos a ver esses dois lados da mesma moeda.
João Carvalho
28/05/2026
É a velha lógica do complexo industrial-militar americano funcionando a pleno vapor: vender armas e, ao mesmo tempo, posar como mediador imparcial. A tradição realista das Relações Internacionais já alertava para isso — Morgenthau chamaria de hipocrisia estrutural de quem confunde interesses nacionais com moralidade universal. Enquanto houver lucro com a guerra, a paz será apenas retórica de palco.
Tonho Patriota
28/05/2026
EUA ajudando a Ucrânia enquanto fala em paz? ISSO É COMUNISMO PURO! SÓ O BOLSONARO PRA ACABAR COM ISSO! FAZ O L!
João Silva
28/05/2026
Tonho, chamar os EUA de comunistas é um equívoco conceitual gigantesco — o que eles praticam é imperialismo clássico, com financiamento bélico e diplomacia de dupla face. Bolsonaro não mudaria isso, só trocaria o alinhamento geopolítico.
Maria Aparecida
28/05/2026
Amado, confundir as coisas não ajuda ninguém. Os EUA não são comunistas, são imperialistas, e a Bíblia já nos ensina em Tiago que fé sem obras é morta — paz sem justiça social é hipocrisia pura. Bolsonaro não resolveu nada pra quem mais precisa.