O senador Romário (PL-RJ) contrariou a posição do próprio partido e declarou apoio à Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6×1, modelo que prevê seis dias de trabalho para um de descanso. O anúncio foi feito em publicação na rede X, antigo Twitter.
Com a decisão, o ex-jogador endossa a proposta de origem governista e se distancia do texto alternativo que vem sendo articulado no Senado. Romário pediu formalmente a retirada de sua assinatura da PEC 12/2026, protocolada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN).
Galera, vou votar pelo FIM da escala 6×1 no Senado. Por isso, pedi a retirada da minha assinatura da PEC 12/2026, escreveu Romário na publicação. O senador justificou que havia assinado inicialmente por considerar importante que o tema fosse debatido, mas que política também exige saber ouvir a população.
A PEC que elimina a escala 6×1 foi aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada e agora enfrenta pressão para tramitação no Senado. O texto enfrenta resistência de setores empresariais e de uma ala expressiva da oposição na Casa.
A posição de Romário diverge frontalmente da linha adotada pela bancada do PL. Marinho protocolou uma proposta alternativa que cria um modelo de jornada flexível, permitindo que empregados e empregadores escolham entre as regras atuais da CLT e um sistema baseado no total de horas trabalhadas.
A mudança de posição do senador fluminense foi recebida com entusiasmo por parlamentares governistas, que veem o gesto como um reforço importante para a tramitação da PEC. Romário é uma figura de grande visibilidade pública e sua adesão pode influenciar outros senadores indecisos.
a decisão de Romário já era especulada nos bastidores do Congresso há alguns dias. O senador vinha sendo pressionado tanto por lideranças do PL quanto por movimentos sindicais e centrais de trabalhadores.
A PEC 6×1 é uma das bandeiras centrais do governo na área trabalhista e integra um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas à modernização das relações de trabalho. O Palácio do Planalto acompanha de perto as movimentações no Senado e aposta na aprovação da proposta ainda neste semestre.
A posição de Romário sinaliza um tensionamento interno no PL, partido que abriga desde bolsonaristas históricos até parlamentares com perfil mais independente. O gesto do senador expõe as fissuras da legenda em temas que vão além do alinhamento automático com a oposição.
Para as centrais sindicais, a adesão de Romário representa uma vitória parcial na estratégia de isolar os defensores da escala 6×1. A proposta original, que tramitou com forte mobilização popular, busca garantir ao trabalhador o direito a dois dias consecutivos de descanso semanal.
A PEC alternativa de Rogério Marinho, por sua vez, mantém a possibilidade da escala 6×1 no modelo negociado entre patrões e empregados. Críticos da proposta apontam que a flexibilização, na prática, tende a favorecer a parte economicamente mais forte da relação trabalhista.
O movimento de Romário também é lido como um aceno ao eleitorado progressista e aos trabalhadores que formam grande parte de sua base política no Rio de janeiro. O senador, ídolo do futebol mundial, mantém forte identificação com pautas sociais desde sua entrada na política.
O Senado ainda não definiu a data para a votação da PEC, mas a expectativa é que o tema entre na pauta nas próximas semanas. A articulação governista trabalha para garantir os votos necessários à aprovação, que exige quórum qualificado de três quintos dos senadores em dois turnos.