Israel ataca Beirute e emite ordens de deslocamento forçado no sul do Líbano, matando ao menos três

Pessoas em meio aos escombros de um prédio danificado por ataque, em Beirute. (Foto: aljazeera.com)

Pelo menos três pessoas foram mortas e outras seis ficaram feridas após novos bombardeios israelenses contra os subúrbios ao sul de Beirute, ao mesmo tempo em que o governo de Israel emitia ordens de deslocamento forçado para 29 localidades no sul do Líbano, elevando a tensão regional e ameaçando as frágeis negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que as Forças de Defesa israelenses realizaram ataques no distrito de Dahiyeh, em Beirute, contra alvos que Tel Aviv classifica como pertencentes à organização Hezbollah, em retaliação ao disparo de três projéteis contra o norte de Israel. A agência de defesa civil libanesa confirmou que os corpos de três pessoas foram retirados dos escombros.

Segundo a Al Jazeera, as ordens de deslocamento forçado abrangeram 25 cidades no distrito de Nabatieh e quatro no distrito de Sidon, determinando que os moradores fugissem imediatamente para o norte do Rio Zahrani. Entre as localidades afetadas estão Jbaa, Houmin al-Tahta, Ansar e Kfar Sir, além da cidade de Nabatieh, que já foi um próspero centro urbano e hoje abriga um dos poucos hospitais ainda em funcionamento no sul do país.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, havia afirmado que um acordo estava próximo, mas não seria assinado naquele dia, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantira que o memorando de entendimento com o Irã seria fechado em breve. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador-chave, também projetou a conclusão em 24 horas.

A ação militar israelense, porém, coloca em xeque esse processo, já que o Irã estabeleceu como linha vermelha ataques aos subúrbios de Beirute. Na semana anterior, quando Israel bombardeou a mesma região, Teerã respondeu com mísseis contra território israelense, e Trump telefonou irritado a Netanyahu exigindo moderação. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, reiterou que o Irã não abandonará o Líbano nem aceitará um acordo que permita a continuação dos ataques israelenses.

O episódio reacende o trauma do último cessar-fogo temporário, em abril, quando Israel atingiu mais de cem alvos libaneses em dez minutos, causando o dia mais letal da guerra com mais de 350 mortos. O temor agora é que a dinâmica se repita, com Israel ignorando qualquer entendimento entre Washington e Teerã para seguir com sua ofensiva militar contra o Líbano.

Enquanto isso, a situação humanitária se deteriora rapidamente. O hospital de Nabatieh, um dos últimos redutos de atendimento no sul, está sob pressão extrema após semanas de bombardeios. As ordens de deslocamento em massa empurram milhares de civis para o norte, num cenário de destruição generalizada e de um acordo de paz que parece mais distante a cada nova explosão.

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