Pequim não precisou ameaçar ninguém: sua presença financeira no transporte marítimo global já é suficiente para dobrar Bruxelas.
Segundo o SCMP, a União Europeia suavizou sanções ao setor de gás natural liquefeito russo por temer que a China assuma o controle de navios estratégicos europeus, segundo o South China Morning Post.
Bruxelas concluiu que proibir empresas gregas de transportar GNL russo para países terceiros poderia transferir ativos navais decisivos a Pequim. Boa parte dessas embarcações foi financiada por investidores chineses, que também figuram como acionistas das empresas operadoras.
"A maioria desses navios foi comprada por meio de acordos financeiros com investidores chineses, com empréstimos de longo prazo, e os chineses também são acionistas da empresa", afirmou um alto funcionário da União Europeia ao jornal.
O risco foi descrito como "muito sério" e "muito grande" para os interesses europeus. Se as empresas perderem receita por causa das sanções e não conseguirem honrar os empréstimos, os navios voltam automaticamente aos credores chineses.
Sem disparar um único alerta formal, Pequim tornou-se uma variável que Bruxelas não pode ignorar nem mesmo ao sancionar Moscou.


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