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Jeffrey Sachs não poupa críticas a Trump e solta recado sobre o futuro dos EUA e a humanidade

O economista Jeffrey Sachs, professor da Universidade Columbia, reagiu de forma crítica ao conteúdo de uma carta atribuída ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual o mandatário reivindica “controle completo e total” sobre a Groenlândia e afirma não se sentir mais obrigado a pensar “puramente” em paz. As declarações de Sachs foram feitas […]

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O economista Jeffrey Sachs, professor da Universidade Columbia, reagiu de forma crítica ao conteúdo de uma carta atribuída ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual o mandatário reivindica “controle completo e total” sobre a Groenlândia e afirma não se sentir mais obrigado a pensar “puramente” em paz. As declarações de Sachs foram feitas em entrevista publicada no YouTube, em um programa dedicado à política internacional que analisou a escalada de tensões entre Washington e governos europeus.

Segundo Sachs, o teor do documento, se autêntico, indica uma situação grave para a política e as instituições norte-americanas. “Eu acho aterrorizante porque ou ele é insano ou ele não é insano. Nós não sabemos qual dos dois”, afirmou. Para o economista, o problema não se limita a um conflito diplomático pontual, mas sugere um processo mais amplo de degradação institucional. “Se isso é sério e é assim que um presidente fala, nós perdemos nosso país, nossa democracia, nosso sistema e nossa segurança”, declarou.

A entrevista tem início com a leitura da carta atribuída a Trump. No texto, o presidente questiona a capacidade da Dinamarca de proteger a Groenlândia de supostas ameaças externas e sugere que a soberania sobre o território seria frágil, concluindo que “o mundo não é seguro” sem que os Estados Unidos tenham “controle completo e total” sobre a ilha. A Groenlândia é um território autônomo dentro do Reino da Dinamarca, país aliado dos EUA e membro da Otan.

Sachs classificou o episódio como incompatível com padrões institucionais consolidados. Para ele, a gravidade do caso está menos na reivindicação territorial em si e mais na naturalização de um discurso que trata a anexação de territórios como opção legítima de política externa. Segundo o economista, aceitar esse tipo de linguagem como algo normal representa um risco para a ordem internacional e para os próprios mecanismos de contenção do poder.

Durante a conversa, o entrevistador também mencionou postagens atribuídas a Trump sobre a imposição de tarifas a países europeus, relacionando a postura agressiva a uma percepção de fortalecimento político da Casa Branca após ações recentes no exterior. Sachs rejeitou essa leitura e afirmou que o cenário não reflete uma estratégia estruturada, mas um comportamento que tende a gerar instabilidade. “Isso é gangsterismo. E gangsterismo geralmente termina em tiroteios”, disse, ao avaliar que a substituição de diplomacia por coerção costuma resultar em escaladas de conflito.

O economista argumentou que esse tipo de conduta não expressa a vontade da sociedade norte-americana nem do Congresso e tampouco estaria ancorada em processos constitucionais. Ele também criticou a postura de países europeus, afirmando que, ao longo das últimas décadas, a Europa teria reduzido sua autonomia estratégica em relação aos Estados Unidos. Ainda assim, observou sinais de reação mais firme por parte de governos europeus, especialmente no que diz respeito à Groenlândia, tratada por autoridades como uma “linha vermelha”.

Outro ponto central da entrevista foi a discussão sobre a aplicação seletiva de princípios no cenário internacional. O entrevistador questionou como governos europeus podem defender de forma enfática a soberania da Groenlândia enquanto, em outros contextos, apoiam ou toleram ações que relativizam esses mesmos princípios. Sachs concordou e afirmou que a política externa dos Estados Unidos opera há décadas com pouca observância de limites legais, embora considere que, no momento atual, essa postura esteja mais explícita.

Nesse contexto, ele citou Gaza como exemplo de violação grave de normas internacionais, afirmando que houve uma “operação genocida” conduzida com apoio político, financeiro e militar dos Estados Unidos, além de conivência europeia. Segundo Sachs, quando violações são relativizadas em determinadas situações, torna-se mais difícil sustentar um discurso consistente de defesa do direito internacional em outros casos.

A entrevista também abordou a proposta de criação de um chamado “Board of Peace”, mencionada a partir de uma reportagem citada pelo programa. O rascunho descrito incluiria contribuições financeiras elevadas de países para garantir assentos no órgão, com Trump atuando como presidente e detentor de poder decisório. Sachs reagiu com ironia e classificou a ideia como incompatível com qualquer estrutura multilateral reconhecida. “Se George Orwell tivesse escrito isso, você acharia levemente engraçado”, afirmou, ao comentar a proposta.

Para o economista, iniciativas desse tipo não substituem instituições internacionais existentes e tendem a surgir em ambientes marcados por pressão e barganha. Ele reconheceu que, mesmo sem sustentação de longo prazo, propostas assim podem gerar instabilidade no curto prazo, ao ampliar incertezas e riscos no sistema internacional.

Apesar das críticas, Sachs avaliou que a postura errática dos Estados Unidos pode acelerar movimentos de reorganização global. Segundo ele, países tendem a buscar alternativas que reduzam dependência de Washington, fortalecendo alianças regionais e fóruns como o Brics. Na sua análise, o comportamento imprevisível da maior potência militar do mundo estimula outros atores a priorizar estabilidade, especialmente em um contexto de proliferação nuclear.

Ao final da entrevista, Sachs afirmou que a crise vai além da diplomacia. Para ele, quando um presidente atua como se não existissem leis, tratados e limites institucionais, o impacto se projeta sobre a segurança internacional como um todo. Na avaliação do economista, esse cenário amplia o risco de conflitos e pressiona a ordem global em um momento de elevada instabilidade geopolítica.

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