A Câmara dos Deputados aprovou, na retomada das atividades legislativas de 2026, um conjunto de projetos que reestrutura a carreira de seus servidores e permite a ampliação das remunerações por meio de gratificações e benefícios adicionais. Na mesma sessão, os parlamentares também deram aval a um novo plano de carreira para o funcionalismo do Senado. As medidas foram aprovadas em sequência, por acordo entre lideranças partidárias, sem abertura para apresentação de emendas, e seguem agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com estimativas apresentadas durante a tramitação, o impacto fiscal combinado das propostas pode superar R$ 1 bilhão. Na Câmara, as alterações permitem que cargos do topo da carreira legislativa alcancem remunerações mensais próximas de R$ 77 mil, considerando vencimento básico, gratificações e benefícios. O teto constitucional do funcionalismo, atualmente fixado em R$ 46.366,19, poderá ser ultrapassado em casos específicos, especialmente em funções de direção consideradas estratégicas.
O relator das matérias, deputado Alberto Fraga (PL-DF), afirmou que os textos são de iniciativa da Mesa Diretora e não de parlamentares individualmente. Segundo ele, o objetivo central é retirar restrições legais para que as vantagens remuneratórias dos servidores possam ser definidas internamente pela direção da Casa. Fraga sustentou ainda que a reestruturação busca equiparar a carreira da Câmara às de outros órgãos, como o Senado e o Tribunal de Contas da União.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que as mudanças têm alcance amplo e atingem diferentes categorias, incluindo servidores efetivos, comissionados, secretários parlamentares e trabalhadores terceirizados. Segundo Motta, a possibilidade de remuneração acima do teto se aplicaria a um grupo restrito de 72 servidores, em funções ligadas à gestão orçamentária e administrativa, e estaria em consonância com discussões mais amplas sobre a Reforma Administrativa.
Entre os principais pontos do projeto está a extinção da Gratificação de Representação e a criação da Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE), que poderá variar entre 40% e 100% do maior vencimento básico das carreiras de analista e técnico legislativo. A concessão da nova gratificação dependerá de critérios como desempenho, competências e metas institucionais, a serem regulamentados posteriormente pela Mesa Diretora. O texto também revisa o cálculo de outras gratificações, atualiza adicionais de especialização e promove o reenquadramento das tabelas salariais de toda a carreira legislativa.
Outro ponto aprovado é a criação de licença compensatória para servidores que ocupam funções comissionadas de maior complexidade. A regra estabelece um dia de folga a cada três dias de exercício, com possibilidade de conversão em indenização em situações específicas. Além disso, os cargos efetivos da Câmara passam a ser reconhecidos formalmente como funções típicas de Estado.
No mesmo pacote legislativo, a Câmara aprovou propostas que beneficiam servidores do Poder Executivo, incluindo reajustes salariais, reestruturação de carreiras e criação de vagas em ministérios e agências reguladoras. O impacto adicional dessas medidas pode elevar o gasto público em mais de R$ 4 bilhões ainda neste ano.
Apesar da aprovação, os projetos foram alvo de críticas de parlamentares de diferentes espectros ideológicos. Deputados do PSol e do Novo questionaram o impacto fiscal, a flexibilização do teto constitucional e a criação da licença compensatória. Destaques apresentados para alterar o texto foram rejeitados após acordo entre líderes, que acelerou a tramitação tanto do regime de urgência quanto do mérito das propostas.


Paulo
04/02/2026 - 12h04
Enquanto isso, tive que esperar 20 meses para concederem minha aposentadoria (a partir do requerimento e da aquisição do direito), no serviço público federal. E com proventos que se descolam progressivamente do pessoal da ativa…Os governos brasileiros não cumprem com suas promessas ao funcionalismo (não só este atual)…Não há mais garantias jurídicas de nada…Democracia de araque…