Nesta terça-feira (3), um drone iraniano foi abatido por forças estadunidenses no Mar Arábico e, horas depois, embarcações do Irã ameaçaram um navio-tanque de bandeira dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, segundo autoridades militares americanas.
De acordo com o Capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA, o primeiro incidente ocorreu quando um drone iraniano se aproximou do porta-aviões USS Abraham Lincoln, que navegava em águas internacionais a cerca de 800 quilômetros da costa sul do Irã. A aeronave não tripulada, segundo Hawkins, manteve trajetória em direção ao navio “apesar das medidas de desescalada tomadas pelas forças americanas”. Diante da aproximação considerada agressiva, um caça F-35C embarcado no Lincoln abateu o drone. “Nenhum militar americano ficou ferido durante o incidente e nenhum equipamento dos EUA foi danificado”, afirmou o porta-voz.
Pouco tempo depois, a tensão se deslocou para o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Duas lanchas operadas pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã se aproximaram do M/V Stena Imperative, um navio-tanque químico operado por americanos e que navegava sob a bandeira dos EUA. Segundo Hawkins, as embarcações iranianas passaram pelo navio três vezes em alta velocidade, enquanto um drone iraniano do tipo Mohajer sobrevoava a área. Em uma das passagens, os iranianos ameaçaram por rádio abordar e apreender o navio, que estava em águas internacionais.
Após as ameaças, forças militares americanas que atuavam na região intervieram. O destróier USS McFaul escoltou o navio-tanque para fora da área, com apoio aéreo defensivo da Força Aérea dos EUA. Ainda segundo Hawkins, a escolta levou à redução da tensão e o episódio foi encerrado sem confronto direto.
O porta-voz do Comando Central afirmou que os dois episódios refletem “falta de profissionalismo e comportamento agressivo” por parte do Irã e disse que esse tipo de “assédio” em águas internacionais aumenta o risco de erros de cálculo. Segundo ele, os Estados Unidos não tolerarão esse tipo de conduta contra embarcações que operam na região.
Os incidentes ocorreram poucos dias antes de uma reunião prevista para sexta-feira (7) entre autoridades americanas e iranianas, com o objetivo de buscar uma saída diplomática que evite um confronto militar. O cenário, porém, permanece sensível. O presidente Donald Trump avalia a possibilidade de um grande ataque ao Irã, em meio ao impasse nas discussões sobre a limitação do programa nuclear e da produção de mísseis balísticos do país.
Na semana passada, os Estados Unidos intensificaram sua presença militar no Oriente Médio. O Grupo de Ataque do Porta-Aviões USS Abraham Lincoln foi enviado à região acompanhado de três destróieres de mísseis guiados e do grupo aéreo embarcado, que inclui esquadrões de caças F/A-18E Super Hornet, F-35C Lightning II e aeronaves de guerra eletrônica EA-18G Growler. A Marinha americana também mantém, de forma independente, os destróieres USS McFaul, USS Delbert D. Black e USS Mitscher operando na área.


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