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Diretor de obras hídricas do Ceará é alvo de operação contra facção criminosa

O superintendente da Superintendência de Obras Hidráulicas do Ceará (Sohidra), Marco Bica (PT), está entre os alvos da Operação Traditori, deflagrada pelas forças de segurança para investigar a atuação de uma organização criminosa com influência política no interior do Estado. A ação ocorreu nesta quarta-feira (12) e faz parte de uma investigação sobre financiamento ilegal […]

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O superintendente da Superintendência de Obras Hidráulicas do Ceará (Sohidra), Marco Bica (PT), está entre os alvos da Operação Traditori, deflagrada pelas forças de segurança para investigar a atuação de uma organização criminosa com influência política no interior do Estado.

A ação ocorreu nesta quarta-feira (12) e faz parte de uma investigação sobre financiamento ilegal de campanhas eleitorais e outros crimes ligados ao crime organizado.

A operação ganhou repercussão após resultar na prisão de cinco vereadores de Morada Nova, município localizado no Vale do Jaguaribe. Além dos mandados de prisão, também foram executadas ordens de busca e apreensão em diferentes cidades do Ceará e no estado de São Paulo.


Defesa afirma que superintendente não foi preso

A defesa de Marco Bica informou que ele não foi preso durante a operação e que não existe mandado de prisão preventiva contra o gestor.

A advogada do superintendente, Vitória Virna, declarou que “não existe nenhum mandado de prisão preventiva contra ele”, acrescentando que a equipe jurídica ainda não teve acesso completo ao processo judicial para analisar os fatos investigados.

Segundo a defesa, somente após conhecer o conteúdo das investigações será possível apresentar posicionamento mais detalhado sobre as suspeitas mencionadas pelas autoridades.


Sohidra diz que apura os fatos

A Superintendência de Obras Hidráulicas do Ceará também se manifestou após a divulgação da operação policial. Em nota, o órgão informou que acompanha a situação e que iniciou procedimentos internos para avaliar os desdobramentos do caso.

De acordo com a instituição, as informações estão sendo analisadas internamente e as medidas cabíveis serão comunicadas oficialmente quando houver definição.

O posicionamento ocorre enquanto as autoridades responsáveis pela investigação seguem reunindo informações sobre os possíveis vínculos entre agentes públicos e a organização criminosa investigada.


Investigação mira atuação de facção no Vale do Jaguaribe

A Operação Traditori foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco-CE). O objetivo é desarticular uma organização suspeita de atuar em diferentes crimes, incluindo lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, organização criminosa e financiamento ilícito de campanhas eleitorais.

Segundo os investigadores, o grupo teria operado principalmente na região do Vale do Jaguaribe, utilizando recursos de origem ilegal para financiar atividades políticas e ampliar sua influência em estruturas públicas.

Durante a ação, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram nas cidades de Fortaleza, Chorozinho, Morada Nova, Limoeiro do Norte e Pedra Branca, no Ceará, além da capital paulista.

Também foram determinadas medidas como bloqueio de bens e afastamento cautelar de agentes públicos, consideradas estratégias para interromper o fluxo financeiro do esquema investigado.


Trajetória política do superintendente

Marco Bica, conhecido politicamente como Marquinho da Ana, possui trajetória política em Morada Nova. Ele foi vereador do município e chegou a presidir a Câmara Municipal entre os anos de 2021 e 2022.

Além da atuação no Legislativo municipal, também exerceu o cargo de procurador-geral do município. Em 2024, disputou a eleição para prefeito de Morada Nova pelo Partido dos Trabalhadores (PT), mas acabou derrotado nas urnas.

Posteriormente, assumiu a função de superintendente da Sohidra, órgão do governo estadual responsável por projetos e obras relacionadas à infraestrutura hídrica.


Investigações continuam

As autoridades informaram que a operação segue em andamento e que novas diligências podem ocorrer conforme o avanço das investigações.

O objetivo é aprofundar a apuração sobre a possível relação entre agentes públicos e a organização criminosa investigada, além de identificar outros envolvidos no esquema.

Com o desdobramento da operação, o caso passou a ter grande repercussão política no Ceará, especialmente na região do Vale do Jaguaribe, onde ocorreram as prisões e onde se concentram parte das investigações sobre o financiamento ilegal de campanhas eleitorais.

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