O presidente chinês Xi Jinping recebeu nesta terça-feira o premier espanhol Pedro Sánchez no Grande Palácio do Povo e declarou que a Espanha “está do lado certo da história”. Xi afirmou que Madri é “um país muito razoável” e que a China “está ao lado da Espanha”. Ele conclamou os dois países a “trabalhar pela paz mundial e se opor à lei da selva”, numa referência clara ao unilateralismo que Pequim atribui aos Estados Unidos.
Durante a reunião, Xi Jinping descreveu o atual cenário internacional como “caótico” e em “retrocesso à lei da selva”, defendendo o multilateralismo e a ordem baseada no direito internacional. Sánchez, que cumpre sua quarta visita oficial à China em pouco mais de três anos, respondeu que a Espanha quer contribuir para soluções diante das “tensões comerciais, dificuldades geopolíticas e guerras” atuais. O premier reforçou sua posição de “não à guerra” e defendeu a “autonomia estratégica” da Europa.
Contexto da crise com Trump
A tensão entre Madri e Washington começou em 3 de março de 2026, quando Donald Trump declarou publicamente que “vamos cortar todo o comércio com a Espanha. Não queremos mais nada com a Espanha”. O motivo foi a recusa espanhola em autorizar o uso das bases militares de Rota e Morón — instalações compartilhadas com os EUA — para operações ligadas a ataques contra o Irã. Trump repetiu a ameaça várias vezes nas semanas seguintes.
A Espanha manteve sua posição de que qualquer ação militar deve respeitar o direito internacional e as decisões da ONU. Sánchez rebateu as ameaças comerciais afirmando que Madri não muda sua política externa por pressão externa.
O que vem a seguir
Além da reunião com Xi, Sánchez tem agenda com o primeiro-ministro Li Qiang e deve assinar acordos nas áreas de energia verde, baterias, semicondutores e agricultura. A China é o maior parceiro comercial da Espanha fora da União Europeia.
As agressões comerciais e diplomáticas de Donald Trump estão empurrando cada vez mais países na direção da China, que não agride ninguém e sempre quer discutir desenvolvimento, comércio, e fortalecer o multilateralismo e defender a paz no mundo.
O episódio ilustra a nova dinâmica da geopolítica em 2026: enquanto Washington pressiona seus aliados da OTAN, países como a Espanha respondem aprofundando laços com Pequim.


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