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Derrota de Orbán na Hungria muda cenário na Europa e indica caminhos contra o extremismo nas urnas

0 Comentários🗣️🔥 Depois de 16 anos, chega ao fim o governo de Viktor Orbán na Hungria. Na eleição parlamentar, realizada em 12 de abril, o país viu uma vitória esmagadora do partido de oposição Tisza, comandado por Péter Magyar. O Tisza conquistou 137 dos 199 assentos da Assembleia Nacional, enquanto o Fidesz, partido de Orbán, […]

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Depois de 16 anos, chega ao fim o governo de Viktor Orbán na Hungria. Na eleição parlamentar, realizada em 12 de abril, o país viu uma vitória esmagadora do partido de oposição Tisza, comandado por Péter Magyar. O Tisza conquistou 137 dos 199 assentos da Assembleia Nacional, enquanto o Fidesz, partido de Orbán, caiu de 135 para 56 assentos.

O professor do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, Kai Enno Lehmann, avalia que os Estados Unidos e a Rússia perderam um grande aliado dentro da União Europeia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O pesquisador também acredita que a campanha de Magyar pode servir de aprendizado para candidatos de outros países e que a derrota de Orbán é uma dura lição para a extrema-direita.

Orbán ficou conhecido por suas medidas populistas, pela boa relação com Donald Trump e Vladimir Putin, além de escândalos de corrupção. A eleição de Magyar como primeiro-ministro repercutiu mundialmente, por representar o fim de um dos principais polos da direita nacionalista na Europa e a possível mudança na política internacional, com expectativa de maior aproximação com a UE.

Política internacional

Lehmann explica que Orbán era uma peça-chave para enfraquecer a democracia no continente europeu, principalmente dentro da UE, servindo aos interesses de Trump e Putin. Após a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, Orbán tornou-se um empecilho para o envio de ajuda ao país do Leste Europeu. Ainda neste ano, o então primeiro-ministro húngaro vetou um empréstimo de € 90 bilhões.

Em um contexto global, a eleição na Hungria é mais uma derrota para o governo russo. “Vladimir Putin perdeu mais um aliado. Ele já perdeu na Síria, na Venezuela, pode ainda perder no Irã, e agora perdeu o principal aliado na Europa”, analisa o professor.

Estratégia eleitoral

Para derrotar Orbán, primeiro-ministro desde 2010, foi necessária a criação de um novo partido de oposição, o Tisza. Além disso, uma campanha focada principalmente na corrupção do governo, enquanto o líder do Fidesz tentava mudar o foco para a guerra na Ucrânia. O pesquisador acrescenta que a mensagem da oposição foi que “esses governos da extrema-direita chamada populista não trabalham em prol do povo, mas por interesses próprios”.

“Sem dúvida, políticos do mainstream, da centro-esquerda e da centro-direita vão analisar detalhadamente essa eleição e ver o que eles podem aprender com a vitória da oposição na Hungria, e como aplicar essas lições ao caso específico do país deles”, avalia Lehmann.

Essa eleição mostrou que os eleitores, no geral, não estão preocupados com questões ideológicas, mas sim com o bom funcionamento do Estado. Escolas, saúde e transporte valem mais para a população do que servir aos interesses de outros países. “Menos culture wars e mais service delivery”, reflete.

O professor acredita que os países europeus mais alinhados à Hungria, como a Eslováquia e a República Checa, devem ajustar sua relação com Trump e com os países da UE, bem como adotar um tom menos agressivo. “Os países onde já há governos desse tipo vão agir com mais cautela”, acredita. A derrota de Orbán acabou com o ar de invencibilidade que pairava sobre ele e a extrema-direita como um todo.

Reportagem publicada no Jornal da USP no Ar, programa da Rede USP de Rádio, sob supervisão de Marcia Avanza, em 15 de abril de 2024.

Fonte: Jornal da USP

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