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Guerra mostrou que transição energética também é questão de segurança

0 Comentários🗣️🔥 Nesta sexta-feira (24 de abril de 2026), começou a 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, na cidade de Santa Marta, na Colômbia. O encontro reúne mais de 60 países que pretendem diminuir a produção, o consumo e a dependência do petróleo. Os debates vão orientar a construção do Mapa […]

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Nesta sexta-feira (24 de abril de 2026), começou a 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, na cidade de Santa Marta, na Colômbia. O encontro reúne mais de 60 países que pretendem diminuir a produção, o consumo e a dependência do petróleo.

Os debates vão orientar a construção do Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis, documento proposto pela presidência brasileira na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

Antes de embarcar para participar dos debates, a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, concedeu entrevista exclusiva à Agência Brasil sobre a conferência e a construção do texto. Ela destacou que a guerra no Irã e a instabilidade do preço do petróleo evidenciaram os problemas da dependência de combustíveis fósseis e sublinharam a importância da transição energética.

“A gente não tinha ideia que isso ia acontecer, mas acho que o nosso Mapa do Caminho se transformou em uma plataforma para discutir e revisar a segurança energética, econômica e essa dependência global que temos de combustível fóssil”, afirmou Toni.

O documento está previsto para ficar pronto em novembro, com orientações aos países sobre a transição energética e a redução das emissões de gases do efeito estufa, causadores da mudança climática.

Agência Brasil: Como será a participação da presidência da COP30 nos debates da Conferência de Santa Marta?
Ana Toni: A presidência da COP30 está indo lá muito mais para contribuir com a construção coletiva. O nosso Mapa do Caminho já é uma resposta à demanda que a gente ouviu durante a COP30. Estamos trabalhando nele para criar essa plataforma de debate, e a reunião da Colômbia é um desses lugares que também vai debater o tema. Ficamos muito felizes que a Colômbia e os Países Baixos estejam realizando esse evento, e nós vamos participar para fortalecer esse diálogo.

Agência Brasil: A conferência será aberta, com ampla participação social. De que forma os debates poderão contribuir para a construção de um Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis?
Ana Toni: Acho que a decisão para transitar para longe dos combustíveis fósseis já foi tomada na COP28, em Dubai. O nosso Mapa do Caminho e essa conferência vão aprofundar o debate. A partir do que já foi decidido, precisamos pensar como implementar. Quais são os próximos passos? Por onde começamos? Qual é a sequência de ações? Como o presidente da COP30, André do Lago, tem repetido, para tomar a decisão você precisa de consenso, mas, para a implementação, não. Até porque, para alguns países, vai fazer mais sentido trabalhar pela eletrificação; em outros, será importante o combustível sustentável. A ideia desses debates é mostrar que há diversas maneiras de implementar o que já foi decidido na COP28.

Agência Brasil: Como a presidência brasileira da COP avalia o interesse de mais de 60 países em participar dessa conferência? São países que têm peso nesse processo de transição para longe dos combustíveis fósseis?
Ana Toni: A cada quatro pessoas no mundo, três vivem em países que importam combustível fóssil. Então, esses 60 países são muito significativos, porque não importa se você é produtor ou consumidor. Diminuir essa dependência global dos combustíveis fósseis vai depender dos dois lados. Vou dar o exemplo da Etiópia, que é um país consumidor e decidiu não mais importar carros a combustão. Isso é importantíssimo. Teremos que olhar nossa dependência econômica, que não é só energética. No Mapa do Caminho, pedimos contribuições formais de países e não-países e recebemos mais de 250. Isso mostra uma grande demanda para debater os próximos passos. Em Santa Marta, será um dos fóruns importantes para atender a essa demanda. É um processo de amadurecimento do que podemos fazer concretamente, porque a decisão já foi tomada.

Agência Brasil: Encerrou em 10 de abril o prazo para as contribuições ao Mapa do Caminho. Quais os desafios no processo de construção desse documento orientador para o mundo?
Ana Toni: É muita informação. Trazer tudo isso e priorizar o que será recomendado é o mais difícil, pois depende das circunstâncias de cada país. Infelizmente, a guerra contra o Irã, promovida pelos Estados Unidos e Israel, mostra que caminhar para longe dos combustíveis fósseis é absolutamente necessário — não só por questões climáticas, mas também econômicas, energéticas e de segurança. A gente não tinha ideia que isso ia acontecer, mas o Mapa do Caminho se transformou em uma plataforma para discutir e revisar a segurança energética e econômica e essa dependência global. Sabemos que não é da noite para o dia que essa dependência vai acabar, mas precisamos planejar, porque, se não planejarmos, acontece o que está acontecendo agora, com forte impacto no mundo todo.

Agência Brasil: Já há um desenho de como o Mapa do Caminho será estruturado? Os temas serão organizados em capítulos?
Ana Toni: Já temos uma ideia do que queremos, mas vai depender das contribuições. O primeiro capítulo vai tratar dos riscos da não transição — riscos climáticos, naturais, políticos e de segurança. O segundo capítulo olha a transição da perspectiva dos produtores de combustíveis fósseis e também dos consumidores, analisando setores como o elétrico, de transporte e indústria. A terceira parte trata da dependência econômica, mostrando que as circunstâncias variam entre países e que governos subnacionais, como prefeituras, também enfrentam desafios econômicos nessa dependência. No último capítulo, estarão as recomendações para o mundo, não apenas para a COP31.

Agência Brasil: A partir do que já foi debatido até aqui, é possível pensar essa transição justa e planejada, com esse olhar global e aplicação local?
Ana Toni: Essa transição já começou. O que vemos no mundo são dois pés acelerando: um no acelerador das renováveis, armazenamento e eficiência, e outro no dos combustíveis fósseis. O que queremos é tirar o pé do acelerador dos fósseis. Isso já começou. Não tenho dúvida de que essa mudança precisa ser justa, porque, se não for, não acontecerá. Temos uma oportunidade única de continuar debatendo o tema. Haverá a COP31, COP32 e o segundo Balanço Global, para amadurecermos o que está funcionando e chegarmos mais preparados para definir o que deve ser acelerado. Estou otimista, e o mais importante é que continuemos debatendo politicamente para tomar as decisões certas.

Fonte: Agência Brasil

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