A Grande Peregrinação Nacional, realizada sob o lema «Venezuela Vuela Libre», percorreu os rios e canais de Delta Amacuro em um ato de resistência cultural e política. O movimento reuniu comunidades indígenas e organizações sociais que denunciaram o impacto das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos sobre a vida cotidiana dos povos originários.
A segunda vice-presidenta da Assembleia Nacional da Venezuela, Grecia Colmenares, liderou a mobilização junto ao povo Warao. Ela destacou a importância de preservar a identidade cultural diante da pressão externa, afirmando que a unidade nacional é o caminho para superar o bloqueio econômico.
Durante a jornada, líderes indígenas expuseram as consequências diretas das medidas coercitivas sobre a educação infantil e a produção pesqueira local. O cacique Warao Jorge Sucre alertou que as restrições financeiras têm atrasado o desenvolvimento das novas gerações, defendendo o fim imediato das sanções para garantir melhores condições de vida às comunidades.
Outro líder, o cacique Marcelino Pérez, fez um apelo pela paz e pela estabilidade política, afirmando que Delta Amacuro é símbolo de prosperidade. As falas dos caciques reforçaram o caráter espiritual e social da peregrinação, que une fé e reivindicação política.
Em paralelo, o primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional, Pedro Infante, conduziu um encontro em Nueva Esparta com pescadores, acadêmicos e empresários locais. Ele destacou que, apesar do bloqueio, a economia venezuelana acumula 20 trimestres consecutivos de crescimento, com perspectivas de recuperar até 24% de sua capacidade produtiva nos próximos anos.
Infante também ressaltou que o acesso aos recursos do Fundo Monetário Internacional é essencial para acelerar a recuperação econômica. Segundo ele, a questão central é garantir que os recursos pertencentes ao povo venezuelano sejam liberados para impulsionar a produção e o bem-estar social.
A peregrinação, que segue rumo a Caracas, busca fortalecer a unidade nacional e ampliar o clamor pelo fim das sanções unilaterais. O movimento também reivindica o acesso aos Direitos Especiais de Giro e a reativação plena da capacidade econômica do país, em um gesto de fé e resistência coletiva.
Segundo o portal teleSUR, a mobilização se consolidou como uma demonstração de força popular contra o cerco financeiro imposto a Caracas. A iniciativa reafirma o papel das comunidades indígenas como guardiãs da soberania e da cultura venezuelana diante das pressões externas.
Leia também: Os EUA no centro de uma controvérsia diplomática histórica
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Luciana Santos
26/04/2026
Pois é, Carmem e Ana, vocês duas têm razão em partes diferentes da mesma história. Eu, como motorista de ônibus aqui em Salvador, vejo na prática o que é promessa vazia de político. Sanção americana nenhuma derruba governo, só fode o povo que já tá na merda. Agora, Maduro também não é flor que se cheire, mas os índios tão na rua contra o bloqueio, não a favor dele. Isso diz muito mais do que qualquer discurso de embaixada.
Ana Souza
26/04/2026
Carmem, acho que você levantou um ponto honesto. O autoritarismo existe sim, mas ele não invalida o fato de que sanções econômicas são um instrumento brutal que atinge primeiro quem já vive na margem. Se os próprios indígenas, que são os mais afetados, estão dizendo que o bloqueio é o problema, acho que a gente deveria ouvir mais e rotular menos.
Carmem Souza
26/04/2026
É bonito ver essa mobilização, mas confesso que fico com um pé atrás. Claro que sanções econômicas sempre pesam mais sobre os pobres e isso é uma injustiça que qualquer cristão deveria repudiar. Mas também não posso fechar os olhos para o autoritarismo do governo Maduro, que usa a religião e a cultura indígena como escudo enquanto sufoca a oposição. Oremos para que esses povos tenham voz livre de ambos os lados, sem serem instrumentalizados por ninguém.
Fernando O.
26/04/2026
A Paula Santos foi precisa: a fé cristã de verdade sempre esteve do lado de quem apanha, não de quem bate. Se o Maduro fosse o ditador sanguinário que pintam, esses povos estariam marchando contra ele, não contra o bloqueio econômico que tira remédio e comida da mesa deles. O problema é que o brasileiro médio acha que sanção é só um “castigo moral” e nunca parou pra calcular quantas vidas custa manter o embargo.
Paula Santos
26/04/2026
Adalberto, você tocou no ponto certo. Se as sanções fossem tão “boas” para o povo venezuelano, os indígenas estariam marchando a favor delas, não contra. A fé cristã nos ensina a olhar para quem sofre, e são os pobres e os povos originários que pagam o preço mais alto dessas medidas.
Adalberto Livre
26/04/2026
Luiz Augusto, cortina de fumaça é o seu cérebro depois de ler tanta mentira da Globo. Se Maduro é tão ruim assim por que os indios tão marchando CONTRA as sanções e não a favor? Acorda
Luiz Augusto
26/04/2026
Jeferson, você tem razão em um ponto: esses indígenas estão exercendo o direito de se manifestar, e isso deve ser respeitado. Mas não dá para ignorar que o governo Maduro usa essas marchas como cortina de fumaça para o desastre econômico que ele mesmo criou. Sanções são um instrumento grosseiro, mas a crise humanitária na Venezuela começou muito antes delas, com estatismo e corrupção. Se os Warao querem autonomia de verdade, deveriam começar cobrando de Caracas, não de Washington.
Jeferson da Silva
26/04/2026
João, você foi cirúrgico. O que esses povos estão fazendo é exercer soberania, não fazer média com ninguém. Enquanto a direita brasileira babava ovo de Trump e das sanções, quem tá morrendo de verdade são os trabalhadores e os povos originários. Isso não é questão de esquerda ou direita, é questão de humanidade.
João Carvalho
26/04/2026
A discussão aqui está muito boa, mas acho que falta um elemento central: a autonomia dos povos indígenas como sujeitos políticos, não como peças de xadrez geopolítico. Quando marcham contra sanções, os Warao e outros povos de Delta Amacuro não estão fazendo um favor ao governo Maduro nem à oposição — estão defendendo a própria sobrevivência diante de um bloqueio que encarece remédios e alimentos. O problema do debate brasileiro é que sempre tentamos encaixar a luta indígena em narrativas partidárias, quando ela é, antes de tudo, uma questão de justiça distributiva e direito à vida.
Cecília Ramos
26/04/2026
Ana Karine e Sandra, vocês duas trouxeram o que falta nesse debate: a teologia da libertação de verdade, que não separa a luta contra o imperialismo de ontem da luta contra o imperialismo de hoje. As sanções são um ataque direto aos mais pobres, e a igreja que não denuncia isso está do lado errado da história.
Sandra Martins
26/04/2026
Ana Karine, você tocou no ponto que a maioria aqui parece querer evitar: a história não começa quando a gente decide prestar atenção. Essas sanções são um absurdo, sim, mas não dá pra fingir que os mesmos países que hoje se dizem preocupados com os indígenas não passaram séculos destruindo suas culturas. A questão não é escolher entre um mal ou outro, é enxergar o padrão.
Sargento Bruno
26/04/2026
Marina Silva, com todo respeito, mas esse papo de “genocídio histórico” é cortina de fumaça da esquerda para desviar o foco. O problema agora são as sanções criminosas dos EUA que estão matando indígenas venezuelanos de fome e falta de remédio. Enquanto ficam remoendo o passado, o presente sangra. Cadê a condenação firme contra o imperialismo ianque?
Ana Karine Xavante
26/04/2026
Sargento Bruno, com todo respeito que a sua patente e a sua indignação merecem, mas você está caindo numa armadilha lógica que o colonialismo adora: a falsa dicotomia entre passado e presente. O genocídio histórico não é “cortina de fumaça da esquerda”, é a estrutura de concreto sobre a qual as sanções de hoje são aplicadas. Quando os EUA bloqueiam medicamentos e alimentos, eles não estão inventando uma nova forma de violência — estão apenas atualizando o software do mesmo sistema que, durante séculos, usou a Bíblia, a pólvora e as dívidas externas para nos exterminar. Ignorar isso não é pragmatismo, é amnésia política.
Você pede “condenação firme contra o imperialismo ianque” e eu assino embaixo, mas condenar sem entender a continuidade histórica é como tratar um câncer com band-aid. As sanções são a ponta do iceberg; embaixo d’água estão 500 anos de roubo de território, destruição de línguas e imposição de um modelo econômico que transformou nossos rios em esgoto e nossos corpos em mão de obra descartável. Quando você diz “o presente sangra”, eu pergunto: quem parou de sangrar no passado? Nós, povos originários, nunca tivemos um dia de paz — o que mudou foi a tecnologia do genocídio, que agora vem em formato de decreto presidencial e não de carta de alforria.
E tem mais: ao reduzir a discussão a “esquerda vs. direita” e “passado vs. presente”, você repete o mesmo erro que os militares brasileiros cometeram na ditadura — tratar a luta indígena como peça de xadrez geopolítico. Nós não somos soldados do seu batalhão ideológico. Somos nações com 10 mil anos de história que estão sendo esmagadas entre o martelo das sanções estadunidenses e a bigorna dos governos que nos veem como obstáculo ao “desenvolvimento”. Se você quer realmente combater o imperialismo, comece ouvindo o que os velhos Warao e Yanomami dizem: eles não separam a fome de hoje do roubo de ontem. Para nós, o tempo é circular, e a ferida nunca fechou.
João Batista Alves
26/04/2026
Mariana Alves, sua análise é inteligente, mas falta um ponto central: essas sanções não são um acidente de percurso, são uma ferramenta deliberada de dominação. Enquanto a esquerda e a direita brasileiras ficam nesse pingue-pongue ideológico, o povo indígena de Delta Amacuro está pagando com a própria vida por um embargo que viola o direito internacional e a dignidade humana. A Igreja sempre ensinou que o bem comum vem antes dos interesses de impérios, e o que vejo aqui é um povo sofrendo por pecados que não cometeu.
Marina Silva
26/04/2026
João, falou bonito, mas enquanto a Igreja aponta o dedo pras sanções, será que também vai apontar pro próprio histórico de genocídio contra esses mesmos povos?
Mariana Alves
26/04/2026
A leitura da thread me provoca uma certa inquietação, porque embora todos estejam, a seu modo, tentando defender os povos originários, a análise estrutural do problema continua sendo sistematicamente desviada para o terreno do moralismo ou da disputa eleitoral rasteira. O camarada Paulo Ribeiro fez um esforço louvável ao tentar desmontar a falácia do “estatismo como causa única”, mas ainda assim a discussão permanece prisioneira de um falso dilema: ou se culpa Maduro, ou se culpa Washington. A verdade material, como bem sabemos da teoria da dependência, é que ambas as forças operam dentro da mesma lógica do capitalismo global. O Estado venezuelano, mesmo em sua fase bolivariana, nunca rompeu de fato com a inserção subordinada na divisão internacional do trabalho — e as sanções são justamente o instrumento que a burguesia imperialista utiliza para aprofundar essa subordinação, usando o povo como refém.
O que me parece mais grave, e que a Mariana Lopes e o Capitão Tavares tangenciaram sem aprofundar, é que a peregrinação indígena em Delta Amacuro não é apenas um ato de resistência cultural — é uma denúncia material de que o desenvolvimento capitalista, em qualquer de suas variantes (estatista ou neoliberal), sempre tratou os territórios originários como áreas de sacrifício. As sanções aceleram o genocídio, sim, mas a estrutura fundiária e extrativista que precede as sanções já vinha destruindo os modos de vida indígenas há séculos. Quando a direita brasileira, como o Paulo Ribeiro insinuou, aponta o dedo para o “modelo estatista”, ela esconde que o verdadeiro modelo em disputa na América Latina sempre foi o de entregar os recursos naturais ao capital estrangeiro — e o governo Maduro, com todos os seus erros, ao menos manteve a soberania sobre o petróleo, o que é um crime para os interesses do Departamento de Estado.
O debate sobre “quem começou” ou “quem errou primeiro” é uma armadilha ideológica que nos impede de enxergar a totalidade concreta. A economia venezuelana pré-sanções tinha contradições internas gravíssimas, fruto de uma transição socialista que nunca se completou e de uma burocracia estatal que reproduzia privilégios. Mas transformar essas contradições na causa central da crise, como faz a narrativa hegemônica da grande mídia, é um exercício de fetichismo que ignora o bloqueio financeiro, a perseguição a navios petroleiros e a guerra cambial orquestrada por Washington. O povo indígena de Delta Amacuro não está fazendo teoria — está vivendo na pele a síntese dialética de todas essas determinações. E a peregrinação deles, com seus rituais e canoas, é uma forma de luta de classes que a academia e a política institucional insistem em não enxergar como tal.
Por fim, é preciso dizer que a solidariedade internacionalista não pode ser seletiva. Enquanto a esquerda brasileira gasta energia discutindo se Lula deve ou não visitar Maduro, os Warao estão morrendo de doenças tratáveis porque não há insulina ou antibióticos nos postos de saúde — consequência direta das sanções que nosso próprio governo, via Itamaraty, muitas vezes endossa nos fóruns multilaterais. A peregrinação é um chamado à ação concreta: pressionar o governo brasileiro a romper com o cerco econômico, a reabrir a fronteira para o comércio humanitário e a denunciar na OEA o caráter genocida do bloqueio. O resto é conversa fiada de quem nunca precisou pescar em rio contaminado por derramamento de petróleo para alimentar os filhos.
Capitão Tavares 🇧🇷
26/04/2026
Mariana, você foi a única que falou a real até agora. Enquanto essa turma fica nesse debate de estatismo vs. imperialismo, os índios tão lá sem remédio, sem comida e sem poder vender o peixe deles. Sanção não caiu na cabeça de Maduro, caiu na do povo mais pobre. Mas aqui no Brasil o pessoal acha que isso é novela das oito.
Mariana Santos
26/04/2026
Capitão Tavares, é exatamente isso. Enquanto a esquerda e a direita disputam narrativa, quem paga o pato é o povo originário que nunca pediu pra ser moeda de troca entre Washington e Caracas. Sanção seletiva não existe — ela sempre bate primeiro em quem já está no chão.
Mariana Lopes
26/04/2026
Sinceramente, essa discussão sobre culpa do estatismo ou das sanções já virou um pingue-pongue ideológico que não leva a lugar nenhum. A real é que o povo indígena de Delta Amacuro não tá nem aí pra Maduro ou pra Biden — eles querem é poder pescar, plantar e viver sem ser refém de embargo nenhum. Enquanto a esquerda e a direita brasileira ficam nessa briga de narrativa, quem morre de fome e sem remédio é sempre o mesmo: quem já era invisível antes do bloqueio.
Carlos Rocha
26/04/2026
Maura, Célia e Pedro, vocês estão certíssimos. Sanção econômica é ferramenta de guerra, não de correção de rumos. O problema é que a esquerda brasileira adora culpar o Tio Sam por tudo, mas esquece que o modelo estatista venezuelano — com controle de preços, câmbio fixo e empresas estatais quebradas — já estava destruindo o país muito antes do bloqueio. As sanções só aceleraram o colapso de um sistema que já era inviável. O povo indígena sofre por causa de dois lados irresponsáveis: o imperialismo americano e o socialismo do Maduro.
Paulo Ribeiro
26/04/2026
Carlos, você toca num ponto que merece ser desdobrado com cuidado, porque mistura meia verdade com um equívoco estrutural que a direita brasileira adora repetir como se fosse axioma. Sim, a economia venezuelana já apresentava distorções antes das sanções — controle de preços mal calibrado, dependência excessiva do petróleo, ineficiências estatais. Isso é fato e qualquer marxista honesto reconhece. Mas daí a concluir que o modelo era “inviável” e que as sanções apenas “aceleraram” um colapso inevitável, há um salto lógico que ignora a natureza do imperialismo contemporâneo.
O que você chama de “modelo estatista” é, na verdade, a tentativa mais radical da América Latina de romper com a herança neocolonial do Consenso de Washington. A Venezuela de Hugo Chávez e Nicolás Maduro enfrentou — e enfrenta — uma guerra híbrida que combina sabotagem econômica (a dolarização do mercado negro estimulada pela própria oposição), embargo financeiro internacional e bloqueio naval disfarçado de sanções. Não é coincidência que o país tenha sido expulso do sistema SWIFT, que a CITGO tenha sido confiscada e que mais de 900 medidas coercitivas unilaterais tenham sido impostas desde 2015. Pergunte a qualquer economista sério, como Mark Weisbrot do Centro de Pesquisa Econômica e Política, se um país com a maior reserva de petróleo do mundo pode quebrar só por má gestão. A resposta é não: o que quebra um país assim é o estrangulamento externo combinado com a sabotagem interna da burguesia parasita que nunca aceitou perder o poder.
O povo indígena de Delta Amacuro e do Amazonas venezuelano não está sofrendo por causa de “dois lados irresponsáveis”. Está sofrendo porque as sanções dos EUA — e a cumplicidade de governos como o do Brasil de Bolsonaro e agora de Lula, que mantém o bloqueio de fato — impedem a importação de medicamentos, peças para bombas d’água e alimentos básicos. Dizer que o modelo de Maduro é culpado é o mesmo que culpar uma vítima de asfixia por ter os pulmões fracos. O erro da esquerda brasileira, se é que existe, não é “culpar o Tio Sam por tudo”, mas sim subestimar o quanto a nossa própria elite econômica — e a mídia que a serve — trabalha ativamente para naturalizar o massacre econômico como se fosse “consequência inevitável do socialismo”. Enquanto isso, o povo venezuelano, incluindo os indígenas que marcham em Caracas, mostra uma lucidez que falta a muitos analistas de gabinete: eles sabem que o bloqueio é a causa imediata da fome, e que a saída não é mais neoliberalismo, mas sim soberania popular e integração regional. Gramsci diria que você está confundindo crise orgânica com crise conjuntural — e jogando a criança fora junto com a água do banho.
Maura Santos
26/04/2026
Pedro Silva, tô contigo e com a Célia. Essa conversinha de que “sanção atinge o governo” é o maior papo furado que existe — pergunta pra qualquer indígena de Delta Amacuro se ela consegue comprar insulina ou arroz com o bloqueio. Enquanto isso, a galera que acha que Maduro é o problema esquece que os EUA já derrubaram governo de todo tipo por aqui, de esquerda a direita. Resistência indígena é luta anticolonial, não é briga de partido.
Pedro Silva
26/04/2026
Pois é, Célia, você foi certeira. Essas sanções são um instrumento de guerra econômica, não importa quem tá no poder. O povo indígena tá pagando o pato de uma briga que não é deles, enquanto os políticos aqui no Brasil ficam nessa de “esquerda e direita” e esquecem que o povo tá passando fome.
Marta Souza
26/04/2026
Ah, mas que surpresa, os mesmos de sempre defendendo sanção como se fosse castigo divino. Sanção econômica não atinge ditador, atinge o povo e, nesse caso, atinge justamente quem já vive à margem do Estado. Se o Maduro fosse um liberal de verdade, não precisaria de bloqueio externo pra quebrar — o mercado já teria varrido essa incompetência. Mas enquanto a esquerda chora imperialismo e a direita aplaude sanção cega, quem paga a conta são os indígenas que nunca pediram pra ser moeda de troca de geopolítica nenhuma.
Célia Carmo
26/04/2026
Marta, tu acha que se o Maduro virasse liberal os EUA iam tirar as sanções? #AcordaVenezuela, o bloqueio é pra quebrar qualquer governo que ouse desafiar o Tio Sam, seja ele de esquerda, direita ou indígena!
Luizinho 16
26/04/2026
Gabriel Teen e Alice T., vocês dois mandaram bem demais. Maria Clara, essa falsa simetria cansa. Enquanto os EUA bloqueiam até comida e remédio, o povo originário tá na rua mostrando que resistência não é mimimi, é luta pela sobrevivência. Imperialismo não tem lado bom.
Alice T.
26/04/2026
Gabriel Teen, você foi cirúrgico. A tal “neutralidade” da Maria Clara é o mesmo que dizer que o agressor e a vítima estão igualmente errados pra não ter que se posicionar contra o imperialismo. Enquanto isso, os indígenas estão na linha de frente sentindo na pele o que é bloqueio econômico — não é teoria, é fome real causada por sanção que mata mais que qualquer discurso de “autoritarismo dos dois lados”.
Gabriel Teen
26/04/2026
Ah, Maria Clara Lopes, lá vem a equilibrista do “os dois lados são ruins”, como se ficar em cima do muro fosse virtude e não medo de escolher um lado.
Maria Clara Lopes
26/04/2026
Pessoal, essa thread tá uma bagunça de extremos como sempre. A marcha indígena tem um simbolismo forte, mas a real é que tanto o autoritarismo do Maduro quanto as sanções dos EUA são duas faces da mesma moeda que fode o povo comum. Enquanto ficam nessa briga de “quem é mais culpado”, quem sofre é quem tá na base, sem acesso a remédio e comida.
Tonho Patriota
26/04/2026
Ah, Clarice Historiadora, você e seus amiguinhos de toga querem defender a Venezuela, mas esquece que o Maduro é um COMUNISTA que roubou eleição e ainda tacou fogo em caminhão de ajuda humanitária. Enquanto isso, os indiozinhos marcham contra sanção porque o Lula mandou, faz o L! E o nióbio? Ninguém fala do nióbio que eles tão escondendo!
Samara Oliveira
26/04/2026
Tonho, pelo amor de Deus, chamar indígenas de “indiozinhos” já mostra o desrespeito que você tem com a imagem de Deus naquelas pessoas. E sobre o nióbio, se tem alguém escondendo riqueza pra explorar povo é o imperialismo, não quem luta por pão.
Marta
26/04/2026
Minha querida Luciana, você tocou num ponto que parece inocente, mas revela como a grande mídia conseguiu vender a ideia de que política é algo separado da vida real. Quando você diz que “esse povo precisa de comida, não de passeata”, você está repetindo um discurso que nos ensinaram a vida inteira: que protestar é perder tempo, que resistir é frescura. Mas deixa eu te contar uma coisa, menina: a passeata É sobre a comida. As sanções dos Estados Unidos contra a Venezuela não são um castigo divino, são um estrangulamento deliberado. Elas impedem que o país venda seu petróleo, comprem medicamentos, consertem refinarias. O gás de cozinha que você menciona está caro justamente porque os bancos internacionais, sob pressão de Washington, congelaram os recursos da Venezuela. A marcha dos povos indígenas não é um desfile, é um grito de socorro.
E olha, Lucas Alves, você até tenta parecer esperto com essa ironia de que “a esquerda descobriu que sanções têm consequências”. Mas vou te contar um segredo: a esquerda sempre soube. Quem fingiu descobrir agora foram os liberais, quando viram que as sanções contra a Rússia estavam quebrando a economia europeia. Sanção econômica nunca foi instrumento humanitário, sempre foi arma de guerra. A diferença é que quando os EUA aplicam sanções contra um país que não se curva, a mídia chama de “punição a um ditador”. Quando a Rússia corta o gás, aí vira “chantagem”. Os povos indígenas de Delta Amacuro sabem disso melhor que qualquer comentarista de internet: eles vivem na pele o que significa ter seu território sufocado por decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância.
O que me entristece, Carlos Henrique Silva, é ver gente inteligente como você caindo na armadilha de achar que crise econômica venezuelana é culpa exclusiva do chavismo. Sim, o modelo rentista petroleiro é insustentável, sim, houve erros de gestão. Mas você já parou pra pensar por que a Venezuela, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo, não consegue vender uma gota? Por que as refinarias estão paradas? Por que os navios com comida ficam meses retidos em portos? Não é porque o Maduro é incompetente, é porque os EUA usam o sistema financeiro global como torniquete. Os indígenas que marcham nos rios de Delta Amacuro não estão defendendo partido nenhum, estão defendendo o direito de existir. Enquanto a gente fica aqui discutindo ideologia, eles estão perdendo filhos para doenças tratáveis, porque os remédios não chegam.
E já que você, Clarice Historiadora, trouxe a crise estrutural, deixa eu completar seu raciocínio com um dado que a mídia esconde: antes das sanções mais duras de 2017, a Venezuela já enfrentava queda no preço do petróleo, mas ainda importava comida e remédios. Foi depois que Trump assinou a ordem executiva proibindo negociações com a dívida venezuelana que o colapso se acelerou. Coincidência? Os números da ONU mostram que a mortalidade infantil disparou exatamente nesse período. Então, quando você vê um indígena venezuelano marchando de canoa pelos canais de Delta Amacuro, não pense que é ato político partidário. É um ato de sobrevivência. É o mesmo que nossos povos originários faziam aqui no Brasil quando lutavam contra a ditadura militar. A história se repete, e os meninos mal-educados que torcem pelo colapso alheio continuam sem aprender nada.
Luciana
26/04/2026
Gente, esse povo precisa de comida, não de passeata. Enquanto ficam marchando contra sanção, o preço do gás de cozinha lá deve estar um absurdo, igual aqui quando a política atrapalha a economia. Cadê a preocupação com o básico?
Clarice Historiadora
26/04/2026
João Santos, você realmente acredita que a Venezuela era um paraíso antes das sanções? Que piada. O país já vinha de uma crise estrutural herdada do modelo rentista petroleiro, mas as sanções dos EUA foram um golpe deliberado para sufocar a economia e criar sofrimento humano como arma política. Os povos indígenas de Delta Amacuro não estão marchando por Maduro — estão denunciando que o bloqueio econômico destrói suas comunidades, corta acesso a medicamentos e alimentos, e isso é fato documentado pela ONU e pela OEA. Mas claro, para quem acha que ditador bom é ditador preso, a vida real de gente de carne e osso deve ser só detalhe.
Carlos Henrique Silva
26/04/2026
Caro Lucas Alves, você toca num ponto que merece ser aprofundado com seriedade, não com ironia rasa. Quando você diz que “antes das sanções o chavismo já tinha transformado a Venezuela num…” — e aí você não completa a frase, mas subentende-se o discurso do colapso —, você está reproduzindo acriticamente a narrativa de que a crise venezuelana é um fenômeno endógeno, fruto exclusivo de má gestão ou autoritarismo. Ora, isso é ignorar deliberadamente o que Antonio Gramsci chamaria de “guerra de posição” do imperialismo: as sanções econômicas unilaterais não são uma reação a uma suposta ditadura, mas um instrumento sistemático de asfixia, aplicado há décadas contra qualquer experiência que ouse desafiar a hegemonia estadunidense na região. A Venezuela sofreu um bloqueio financeiro, petrolífero e comercial que, segundo estimativas do próprio governo Trump, foi desenhado para “causar o máximo de sofrimento possível” à população civil — e isso está documentado em declarações de John Bolton e Elliott Abrams.
O que me impressiona é a seletividade moral de quem critica o chavismo mas silencia sobre o fato de que, entre 2017 e 2020, os EUA confiscaram ativos da PDVSA no exterior, impediram a compra de medicamentos e alimentos, e bloquearam o acesso a vacinas durante a pandemia. Isso não é “punição a um ditador”, é guerra econômica contra um povo inteiro. E os povos indígenas de Delta Amacuro, que marcham hoje nos rios, são a ponta mais vulnerável dessa corda: comunidades que dependem de insumos básicos para saúde e alimentação, e que veem suas práticas culturais e sua própria existência ameaçadas por um bloqueio que não distingue entre governo e povo.
Você pergunta por que a esquerda “só agora” descobriu o impacto das sanções. Mas, com todo respeito, quem estava nas ruas denunciando o embargo a Cuba desde os anos 1960? Quem criticou as sanções ao Iraque que mataram meio milhão de crianças, segundo a ONU? A esquerda latino-americana e os movimentos indígenas sempre estiveram na linha de frente contra essa política. O que ocorre é que a grande mídia brasileira, inclusive setores que se dizem progressistas, sistematicamente invisibiliza a voz dos indígenas venezuelanos quando eles denunciam o imperialismo — mas corre para dar palco a qualquer oposicionista que fale em “liberdade”. A marcha em Delta Amacuro é um ato de resistência cultural e política que merece ser levado a sério, não tratado como mais um capítulo da novela geopolítica que você parece consumir sem questionar suas fontes.
Lucas Alves
26/04/2026
Ah, lindo ver a esquerda descobrindo que sanções econômicas têm consequências reais — quem diria que estrangular a economia de um país inteiro não afeta só o ditador de plantão, né? Mas é sempre bom lembrar que antes das sanções o chavismo já tinha transformado a Venezuela num case de estudo de como destruir uma economia que era a maior da América Latina. O povo sofre, sim, mas a culpa não é só do Tio Sam.
João Santos
26/04/2026
Pois é, Marina, mas o problema é que essa Venezuela aí já era uma bagunça antes das sanções. O Maduro quebrou o país, acabou com a economia, e agora quer culpar os outros. Bandido bom é bandido preso, e ditador tem mais é que sentir o peso mesmo. O povo indígena sofre porque o governo deles é corrupto e incompetente, não por causa de sanção americana.
Caio Vieira
26/04/2026
Caro João, sua análise, embora carregada de um senso comum difundido pela grande mídia, ignora a complexidade histórica da hegemonia estadunidense sobre a América Latina — as sanções não são uma punição a um “ditador”, mas um instrumento de asfixia econômica que, como bem apontou a Cecília, recai desproporcionalmente sobre os corpos indígenas e populares, transformando a soberania nacional em refém de uma geopolítica predatória.
Marina Costa
26/04/2026
É impressionante como esses povos indígenas, que vivem da terra e do trabalho honesto, entendem o que nossos “intelectuais” progressistas insistem em negar: sanções econômicas são um instrumento cruel que atinge os mais pobres, não os governantes. Enquanto a esquerda brasileira aplaude esse tipo de pressão internacional contra a Venezuela, o povo simples paga o preço com fome e falta de remédios. O Brasil deveria aprender com essa lição e parar de importar essa agenda imoral de interferência estrangeira.
Cristina Rocha
26/04/2026
Marina, sua indignação é legítima e compartilho a crítica ao caráter classista e imperialista das sanções. Mas preciso fazer uma distinção que me parece crucial, e que sua fala acaba por escamotear: a esquerda brasileira que você menciona não é um bloco monolítico. Há uma diferença abissal entre setores que, de fato, flertam com a agenda intervencionista dos EUA sob o pretexto de “defesa da democracia” — e aí concordo plenamente com sua crítica — e aqueles que denunciam as sanções como violação do direito internacional e crime contra a humanidade. O problema não é “a esquerda”, mas uma certa esquerda liberal que trocou a solidariedade de classe por um moralismo vazio, e que, sim, se alinha ao Departamento de Estado americano. Mas reduzir toda a tradição crítica ao marxismo e ao pensamento decolonial a esse grupo é um erro teórico e político.
Quando você fala em “intelectuais progressistas” que negam o óbvio, me pergunto a quais intelectuais você se refere. Se forem os que defendem a “intervenção humanitária” ou a “responsabilidade de proteger”, concordo que são cúmplices de uma lógica neocolonial. Mas a tradição que vem de Mariátegui, de Frantz Fanon, de Aníbal Quijano, de Lélia Gonzalez — essa sempre apontou que as sanções são a continuidade da guerra por outros meios, um instrumento de dominação que visa desestabilizar governos que ousam desafiar a hegemonia do capital financeiro internacional. Esses intelectuais não negam a dor do povo venezuelano; pelo contrário, a denunciam como resultado direto de uma política imperialista que usa o sofrimento como arma. A questão é que, para eles, a saída não é “aprender com a lição” e se curvar à pressão, mas sim romper com a dependência estrutural que torna um país vulnerável a esse tipo de chantagem.
O que me preocupa no seu raciocínio é que ele pode, sem querer, desaguar em um discurso que isenta o Estado venezuelano de suas próprias contradições internas. Sanções são um instrumento brutal, sim, e condená-las é obrigação de qualquer pessoa com um pingo de senso de justiça. Mas a fome e a falta de remédios na Venezuela também são resultado de décadas de má gestão, de burocracia estatal ineficiente e de uma economia que, mesmo antes das sanções, já apresentava distorções estruturais herdadas do rentismo petroleiro. Não se trata de fazer o jogo do imperialismo, mas de reconhecer que a luta anti-imperialista não pode ser um cheque em branco para qualquer governo que se autoproclame revolucionário. A solidariedade crítica é a única via madura: apoiar o povo venezuelano contra as sanções, mas também cobrar transparência e participação popular dentro do próprio processo bolivariano.
Por fim, Marina, quando você diz que “o Brasil deveria aprender com essa lição”, fico com um pé atrás. Aprender o quê? Que soberania nacional é um valor inegociável? Sim, isso aprendemos com os povos indígenas que marcham. Mas aprender que “interferência estrangeira” é sempre ruim? Depende. Se for a interferência dos EUA, sim, é criminosa. Se for a solidariedade internacional dos movimentos sociais, dos sindicatos, dos camponeses — essa é a base de qualquer transformação real. O problema não é a interferência em si, mas de onde ela vem e a quem serve. Os indígenas venezuelanos não estão marchando contra “interferência estrangeira” em abstrato; estão marchando contra o bloqueio econômico imposto por Washington. E é aí que a esquerda de verdade — a que estuda, a que milita, a que vai para as ruas — precisa estar: ao lado deles, não contra eles.
Cecília Silva
26/04/2026
Marina, você tocou num ponto que me revolta: enquanto a elite intelectual defende sanção de camarote, é o povo preto e indígena que sente a bala na carne. Na favela a gente sabe que quem paga a conta da guerra dos poderosos é sempre quem já vive na corda bamba.
Augusto Silva
26/04/2026
Marina, discordo com todo respeito: a esquerda brasileira que você generaliza foi a primeira a denunciar o caráter seletivo dessas sanções — lembre-se de que foi o governo Lula quem liderou a crítica no BRICS e na Celac, enquanto a direita daqui aplaudia Trump. O problema não é “esquerda versus direita”, é coerência: quem defende soberania nacional não pode achar lindo ver os EUA sufocando a Venezuela com canetadas de Washington.
Mariana Oliveira
26/04/2026
Marina, sua indignação com o caráter classista e imperialista das sanções é absolutamente correta, e compartilho dela. Kimberlé Crenshaw, ao formular o conceito de interseccionalidade, nos ensina que sistemas de opressão — como o racismo, o capitalismo e o imperialismo — não operam de forma isolada, mas se sobrepõem. As sanções contra a Venezuela são um exemplo perfeito disso: atingem desproporcionalmente corpos racializados, indígenas e pobres, que já vivem na encruzilhada da exclusão. Quando você diz que “o povo simples paga o preço”, está ecoando bell hooks, que insistia que a luta anticapitalista precisa ser também uma luta antirracista e antimperialista, porque a fome e a falta de remédios não são acidentes — são a materialização de uma violência estrutural que escolhe quem vive e quem morre.
No entanto, preciso discordar de você quando generaliza “a esquerda brasileira” como se fosse um bloco monolítico que aplaude sanções. Isso é um apagamento perigoso. A esquerda negra, feminista e indígena — aquela que está nas bases, nos movimentos de moradia e nas aldeias — foi a primeira a denunciar o caráter genocida dessas sanções. Lembra da campanha “Nenhum Direito a Menos” e das notas da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) contra o bloqueio econômico? Enquanto setores da esquerda institucional às vezes titubeiam, a militância de terreiro e de floresta sempre soube que sanção é arma de guerra contra os pobres. A crítica que você faz deveria mirar não “a esquerda”, mas a elite branca e cosmopolita que, de camarote, defende intervenções que nunca afetam seus próprios privilégios.
O que me preocupa no seu comentário é o risco de cair numa armadilha que bell hooks chamava de “nacionalismo reacionário”: a ideia de que, por criticar o imperialismo, a gente fecha os olhos para as contradições internas. As sanções são imorais, sim, mas isso não nos impede de exigir que o governo venezuelano garanta direitos territoriais aos povos indígenas Yanomami e Warao, que sofrem com garimpo ilegal e omissão estatal. A luta contra as sanções não pode ser um cheque em branco para autoritarismos. O que precisamos é de uma solidariedade crítica e interseccional, que denuncie o bloqueio econômico enquanto cobra democracia real para quem está na base da pirâmide — porque, como dizia Lélia Gonzalez, “a gente não se liberta sozinha, a gente se liberta juntas, e com contradições”.
Maria Antonia
26/04/2026
Mais uma prova de que o povo simples entende melhor de economia do que nossos políticos. Sanções só prejudicam quem já sofre, nunca derrubam governo.
Rubens O Pescador
26/04/2026
Pois é, Maria Antonia, em 2014 quando o Brasil enfrentava pressão lá fora, o povo não deixou faltar nada na mesa, e olha que não tinha essa história de sanção. O problema é que esses políticos de gravata nunca pisaram num roçado pra saber o que é trabalhar de sol a sol e ver o fruto do suor virar pó por causa de briga de gabinete.