O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) revelou que quase 900 refugiados rohingya morreram ou desapareceram no mar de Bengala e no mar de Andamão ao longo de 2025, o ano mais letal já registrado para os deslocamentos marítimos no sul e no sudeste da Ásia.
O porta-voz do órgão, Babar Baloch, fez o anúncio em Genebra. Ele descreveu a região como um “cemitério sem nome para milhares de refugiados desesperados”.
Baloch destacou que cerca de 5 mil pessoas se afogaram nessas águas na última década. Mesmo após o recorde trágico de 2025, milhares continuam tentando a travessia em 2026, impulsionados pela ausência de perspectivas de cidadania e pela violência persistente em Mianmar.
Desde 2017, centenas de milhares de rohingyas fugiram de Mianmar após uma campanha de perseguição étnica contra essa minoria muçulmana. A maioria se instalou em campos de refugiados em Bangladesh, onde a escassez de recursos e a redução da ajuda humanitária agravaram progressivamente as condições de vida.
Conforme reportagem da Al Jazeera, a limitação de acesso à educação e ao trabalho tem levado muitos a arriscar a vida em embarcações precárias rumo à Malásia e à Indonésia. Somente em 2026, mais de 2.800 pessoas já tentaram a travessia, partindo principalmente de Cox’s Bazar, em Bangladesh, e do estado de Rakhine, em Mianmar.
O ACNUR observa que mais da metade dos viajantes são mulheres e crianças. Essas populações estão frequentemente expostas ao tráfico humano e à exploração sexual durante o percurso.
O órgão espera que a divulgação do número recorde de mortes sirva de alerta para a comunidade internacional. A agência defende que a tragédia marítima é reflexo direto da falta de soluções políticas duradouras para os rohingyas, tanto dentro de Mianmar quanto nos países que os acolhem.
A maioria dos refugiados ainda expressa o desejo de retornar a Mianmar, mas o cenário de conflito, perseguição e ausência de cidadania torna esse retorno inviável. Sem ações concretas para garantir segurança e direitos básicos, o ciclo de fugas e mortes tende a se perpetuar, alertou Baloch.
Organizações humanitárias pedem mais apoio financeiro internacional e a criação de rotas seguras para os deslocados. O ACNUR cobra coordenação urgente entre os países do sudeste asiático para estabelecer mecanismos de resgate e acolhimento à altura da escala da crise.
Com informações de Al Jazeera.
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