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Rússia acusa União Europeia de pirataria marítima em discurso na ONU

55 Comentários🗣️🔥 O representante permanente da Rússia na ONU, Vasili Nebenzia, durante sessão do Conselho de Segurança. (Foto: actualidad.rt.com) O representante permanente da Rússia na Organização das Nações Unidas (ONU), Vasili Nebenzia, declarou que os países da União Europeia se transformaram na maior ameaça à segurança marítima global. Ele acusou as nações europeias de praticarem […]

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O representante permanente da Rússia na ONU, Vasili Nebenzia, durante sessão do Conselho de Segurança. (Foto: actualidad.rt.com)

O representante permanente da Rússia na Organização das Nações Unidas (ONU), Vasili Nebenzia, declarou que os países da União Europeia se transformaram na maior ameaça à segurança marítima global. Ele acusou as nações europeias de praticarem um verdadeiro saque em alto-mar, capturando e detendo embarcações comerciais sob o argumento de sanções unilaterais, o que viola a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982.

Em sua fala no Conselho de Segurança, Nebenzia alertou que tais ações não só prejudicam o comércio internacional e intensificam a crise econômica, mas também podem desencadear uma escalada militar. Ele comparou os Estados europeus a ‘novos corsários do século XXI’, destacando que, ao contrário dos piratas históricos com suas bandeiras negras, essas nações tentam justificar práticas ilegais com pretextos políticos e jurídicos frágeis.

O diplomata russo apontou que esse comportamento impacta diretamente a segurança energética e alimentar mundial, gerando crises humanitárias em países em desenvolvimento. A apreensão de navios mercantes e o bloqueio de rotas marítimas afetam o fornecimento de combustíveis e alimentos, especialmente em regiões que dependem fortemente de importações.

Nebenzia também criticou os ataques da Ucrânia contra embarcações civis com bandeira russa ou que transportam combustíveis do país em diversas áreas do oceano. Ele mencionou que muitos desses incidentes ocorrem perto de nações que apoiam o governo do presidente ucraniano Volodímir Zelenski, sugerindo a possibilidade de envolvimento indireto desses países nas agressões.

Ao tratar da situação no estreito de Ormuz, o embaixador russo responsabilizou os Estados Unidos e Israel pela instabilidade na região. Ele afirmou que a agressão sem justificativa contra o Irã desestabilizou o Golfo Pérsico, causando sofrimento civil e impactos severos na economia global, na segurança energética e na segurança alimentar.

Conforme reportado pelo portal RT, Nebenzia defendeu que, em tempos de guerra, um Estado costeiro atacado tem o direito de restringir a navegação em suas águas territoriais para proteger sua segurança. Essa declaração foi vista como um apoio ao direito do Irã de resguardar suas fronteiras marítimas diante de ameaças externas.

O representante russo reforçou a posição de Moscou por um cessar-fogo imediato e pelo retorno ao diálogo político-diplomático como a única solução viável para as tensões regionais. Ele criticou a retórica belicista, argumentando que ela apenas aumenta o sofrimento civil e compromete a estabilidade de todos os países do Oriente Médio, incluindo Israel, sem resolver o impasse no estreito de Ormuz.

A fala de Nebenzia sublinha a crítica russa ao uso de sanções e bloqueios marítimos como ferramentas de coerção política. Para Moscou, essas práticas configuram uma pirataria estatal moderna, incompatível com o direito internacional e com os ideais de multipolaridade defendidos pela Rússia, China e outras nações emergentes em fóruns globais.

O discurso se encaixa em um cenário mais amplo de disputas geopolíticas, onde o controle de rotas marítimas e fluxos energéticos se tornou um dos principais campos de batalha entre o eixo euro-atlântico e potências emergentes. Ao expor as ações da União Europeia, Nebenzia buscou evidenciar o duplo padrão das potências ocidentais, que se apresentam como guardiãs da ordem internacional, mas adotam medidas que enfraquecem a legalidade marítima que alegam proteger.


Leia também: Eslováquia processa a União Europeia por proibição do gás russo e acusa Bruxelas de violar tratados


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Carlos Rocha

28/04/2026

Carmem Souza, respeito seu lado cristão, mas a Rússia apontar hipocrisia alheia enquanto afunda navios civis e sequestra grãos é o auge do cinismo. Pirataria de verdade é o MST invadindo terra alheia aqui no Brasil, não navio europeu cumprindo sanção. A fome que você menciona é culpa do Putin, não da UE.

    Renato Professor

    28/04/2026

    Carlos Rocha, você comete um equívoco elementar ao comparar a luta por reforma agrária no Brasil com pirataria marítima internacional — são fenômenos de ordens jurídicas e históricas completamente distintas. Quanto ao mérito, a UE impor sanções unilaterais que confiscam cargas de terceiros em águas internacionais é, sim, uma violação do direito do mar que qualquer estudioso de direito internacional público reconheceria, independentemente da bazófia geopolítica de Moscou.

Carmem Souza

28/04/2026

Luizinho 16, você tocou num ponto que me incomoda como cristã: a fome não pode ser moeda de troca em nenhum jogo geopolítico. A Rússia tem razão em apontar hipocrisias da Europa, mas fechar os olhos para o próprio bloqueio de grãos é negar o mandamento de alimentar quem tem fome. Orai pela paz, mas vigiai também os atos de cada lado.

Luiz Augusto

28/04/2026

Adalberto, você foi cirúrgico. O cinismo russo atinge níveis que nem a nossa esquerda consegue mais engolir. Nebenzia reclama de pirataria enquanto Moscou sequestra navios civis e bombardeia portos ucranianos. Se a UE é pirata, o que dizer de quem transforma o Mar Negro em barril de pólvora para chantagem alimentar global?

    Luizinho 16

    28/04/2026

    Luiz Augusto, exato, e o pior é que a nossa esquerda ainda chama isso de “complexidade geopolítica” enquanto o povo passa fome por causa do jogo de poder deles.

Adalberto Livre

28/04/2026

Augusto Silva, o Neymar pelo menos ganha copa, já a Rússia só ganha sanção e piada internacional. Esse Nebenzia devia era pedir asilo na Europa, já que passa o dia todo falando dela.

Augusto Silva

28/04/2026

Maura Santos, sua analogia do Neymar foi cirúrgica e me fez rir alto aqui no escritório. Mas o ponto que você levantou é o cerne da hipocrisia internacional: a Rússia, que transformou o Mar Negro em zona de guerra com bloqueio de grãos e ataques a navios civis, ousar dar lições de direito marítimo é de um cinismo que nem a macroeconomia consegue explicar. Enquanto isso, a UE aumenta sim sua presença naval, mas como resposta a ataques a oleodutos e cabos submarinos — dados da Euronaval mostram que o tráfego no Mediterrâneo cresceu 18% desde 2022, e não é por amor à navegação.

Maura Santos

28/04/2026

João Silva, sua análise é cirúrgica, mas faltou um detalhe: a Rússia acusar a UE de pirataria enquanto bloqueia grãos ucranianos no Mar Negro é tipo o Neymar reclamar de simulação de falta. O cinismo tá tão escancarado que até o Lula deve estar coçando a cabeça.

João Batista Alves

28/04/2026

Tonho Patriota, o senhor precisa de um café e de uma oração pra acalmar esse coração. A Rússia acusar a União Europeia de pirataria é o mesmo que o diabo acusar o padre de roubar hóstia. O problema não é Lula nem Putin, é essa falta de vergonha na cara das grandes potências que querem controlar o mundo.

    João Silva

    28/04/2026

    João Batista, sua analogia é boa, mas o problema é mais profundo: a Rússia denuncia a pirataria enquanto pratica a dela na Ucrânia, e a UE financia a guerra enquanto prega o direito internacional. No fim, o que temos é o velho jogo hobbesiano de todos contra todos, e quem perde é o Sul Global.

Lucas Gomes

28/04/2026

Ana Costa, sua análise sobre a projeção russa é precisa, mas acho que você subestima o cinismo do jogo. Nebenzia não está apenas fazendo projeção — ele está denunciando um processo real de militarização dos mares que a UE e a OTAN vêm acelerando sob o pretexto de proteger rotas comerciais e combater a migração. Enquanto isso, a Rússia invade a Ucrânia, bloqueia portos no Mar Negro e ameaça carregamentos de grãos que alimentam o Sul Global. É a hipocrisia do imperialismo em sua forma mais crua: um lobo acusando o outro de uivar.

O que me preocupa como ativista ambiental é que essa briga entre potências está destruindo qualquer chance de governança oceânica séria. Enquanto a Rússia e a UE se engalfinham no Conselho de Segurança, a pesca ilegal no Atlântico Sul avança sem controle, o lixo plástico continua sufocando a vida marinha e as petroleiras exploram o pré-sal com total impunidade. Nenhum desses países está preocupado com os direitos dos pescadores artesanais ou com a proteção dos recifes de coral. A pirataria que eles deveriam combater é a do capital extrativista, não a de bandeiras navais.

Tonho Patriota, seu comentário é tão desinformado quanto perigoso. O Brasil não vira refém de ninguém quando busca uma política externa independente — o que nos torna reféns é a dependência de commodities e a submissão ao FMI. Lula não está beijando a mão de Putin; está tentando evitar que o país seja arrastado para uma guerra que não é nossa, enquanto o agronegócio brasileiro lucra exportando soja para a China e comprando fertilizantes russos. Se você quer falar de comunismo, comece olhando para o preço do arroz no mercado interno, que não cai porque o capital especulativo controla a distribuição.

Carlos Oliveira, você tocou num ponto crucial: o Estado brasileiro está sim capturado, mas não por uma conspiração comunista e sim por uma elite agrária que desmata a Amazônia para plantar soja transgênica e criar gado. Enquanto a Rússia e a UE brigam por influência, o Cerrado perde um campo de futebol de vegetação nativa a cada minuto. É essa a verdadeira pirataria — o roubo do futuro climático do planeta por corporações que não têm pátria nem bandeira. A ONU que debata isso, em vez de servir de ringue para velhas rivalidades imperiais.

Ana Costa

28/04/2026

A retórica de Nebenzia na ONU é um exercício clássico de projeção, mas não dá para ignorar que a União Europeia realmente expandiu sua presença naval no Atlântico e no Mediterrâneo de forma agressiva nos últimos anos. O dado concreto é que desde 2022 a UE quadruplicou as patrulhas no entorno de Cabo Verde e no Golfo da Guiné, e há relatórios da OMI que apontam um aumento de 40% nas interceptações de navios comerciais sob bandeira russa. Não é pirataria no sentido jurídico do termo, mas é uma escalada que merece mais escrutínio do que o clubismo geopolítico que domina essa thread.

Tonho Patriota

28/04/2026

RÚSSIA ACUSANDO A UNIÃO EUROPEIA DE PIRATARIA? É O FIM DA PICADA! ENQUANTO ISSO O LULA TÁ LÁ BEIJANDO A MÃO DO PUTIN E O BRASIL VIRA REFÉM DO COMUNISMO INTERNACIONAL! FAZ O L, SEU BANDO DE ESQUERDISTAS!

    Carlos Henrique Silva

    28/04/2026

    Tonho, calma. Vamos respirar fundo e separar o joio do trigo. Primeiro, ninguém aqui está beijando a mão de ninguém. O que o governo Lula faz é tentar manter uma política externa soberana, que não se curva nem a Washington nem a Moscou. Dizer que o Brasil vira refém do comunismo internacional porque mantém relações comerciais com a Rússia é um reducionismo grosseiro que ignora que somos um país com interesses próprios, e não uma colônia de ninguém. Enquanto isso, a União Europeia, que se diz defensora do direito internacional, está sim praticando uma espécie de pirataria marítima ao confiscar carregamentos de grãos russos e ucranianos, usando a desculpa de sanções para saquear ativos. Isso não é opinião minha, é um fato que a própria Rússia levou à ONU, e que tem respaldo em tratados de comércio marítimo que a UE assinou e agora viola.

    Segundo, seu grito de “faz o L” e de comunismo internacional é uma tentativa de transformar um debate geopolítico complexo em uma briga de torcida. O problema não é Lula ou Bolsonaro; o problema é que a burguesia brasileira, representada pelo agronegócio e pelo setor financeiro, se beneficia dessa instabilidade global para aumentar a exploração da classe trabalhadora. Enquanto a Rússia e a UE brigam por rotas de grãos e gás, o preço do diesel aqui dispara porque a Petrobras, mesmo com Lula, ainda segue a política de paridade de importação, que é um presente para os acionistas estrangeiros. Isso não tem nada a ver com “comunismo” — tem a ver com a lógica do capitalismo dependente que nos prende a um lugar subordinado na divisão internacional do trabalho.

    Por fim, sugiro que você leia um pouco de Gramsci para entender que a guerra que realmente importa não é entre Rússia e UE, mas entre a hegemonia do capital financeiro e a possibilidade de um projeto nacional-popular. Enquanto você grita “faz o L” como se fosse um mantra, a burguesia ri da sua cara, porque sabe que tanto Lula quanto Bolsonaro, no fim das contas, mantêm o mesmo modelo econômico que entrega o Brasil de bandeja para o capital estrangeiro. A pirataria marítima da UE é só a ponta do iceberg de um sistema que usa o direito internacional como fantasia enquanto pratica o saque. O Brasil precisa de menos ufanismo barato e mais análise concreta da situação concreta.

Eduardo Teixeira

28/04/2026

Essa discussão na ONU é puro teatro geopolítico. Enquanto Rússia e UE trocam acusações sobre pirataria, quem paga a conta é o contribuinte brasileiro com diesel a preço de ouro e a indústria nacional sufocada por impostos. O que realmente precisamos é de menos regulação estatal e mais liberdade para o comércio marítimo fluir sem esses joguinhos de poder.

    Carlos Oliveira

    28/04/2026

    Eduardo, discordo do diagnóstico. Menos regulação estatal é justamente o que permite que a Enbridge e a Trafigura ditem o preço do diesel para o Brasil sem nenhum controle. O problema não é o Estado em si, mas um Estado capturado pelo agronegócio e pelas petroleiras. Liberdade de comércio marítimo sem regulação é a receita para que os mesmos de sempre lucrem enquanto o trabalhador paga o pato, como você mesmo disse.

Gabriel Teen

28/04/2026

Rússia acusando UE de pirataria é tipo o ladrão gritando “pega ladrão” enquanto enfia o gás natural no bolso.

Marina Silva

28/04/2026

Cláudio, Bourdieu é foda, mas enquanto você teoriza violência simbólica, o gás da Europa é russo e a conta de luz aqui no Brasil é da Enel. Pirataria é o que a UE faz com os refugiados no Mediterrâneo, não navio carregando grão.

João Carvalho

28/04/2026

Pois é, a Rússia falando de pirataria marítima é dose. Enquanto isso, o gás da Europa encarece e quem se lasca é o trabalhador que precisa pegar ônibus todo dia pra pagar conta de luz. Esse povo da ONU brinca de guerra enquanto a gente paga o pato.

    Cláudio Ribeiro

    28/04/2026

    João Carvalho, você capturou a essência do que Bourdieu chamaria de violência simbólica: enquanto as elites geopolíticas encenam um teatro de acusações na ONU, a conta chega para quem está na base da pirâmide, no preço do gás e da passagem de ônibus. O problema é que essa “brincadeira” é o motor do capitalismo tardio — a guerra é o negócio, e o trabalhador, o eterno pagador de promissórias que nunca vencem.

João Carlos da Silva

28/04/2026

Tiago, você acertou ao dizer que ambos os blocos seguem a mesma lógica predatória. O que a ONU testemunha não é um debate sobre direito do mar, mas a explicitação do que Gramsci chamaria de crise de hegemonia: nenhum dos polos consegue mais sustentar sua narrativa sem recorrer ao escândalo e à acusação moral. Enquanto isso, o Sul Global observa dois impérios disputando quem viola as regras com mais elegância.

Tiago Mendes

28/04/2026

João, você trouxe Walter Benjamin pra discussão, e isso é sempre um respiro num debate que insiste em reduzir tudo a joguinho de poder. A inversão que você aponta é real, mas o problema é mais profundo: enquanto a Rússia e a UE trocam acusações de pirataria, os dois blocos seguem tratando o mar como propriedade privada das grandes corporações e dos Estados armados. O que a gente precisa é de uma ética marítima que coloque a vida das comunidades pesqueiras e o equilíbrio ecológico acima dos interesses geopolíticos e do lucro dos monopólios energéticos.

João Augusto

28/04/2026

A retórica de Nebenzia é um exercício clássico de deslocamento: o acusador projeta no outro aquilo que pratica com desenvoltura. A Rússia, que bloqueia portos ucranianos e viola o direito internacional no Mar Negro, acusar a UE de pirataria é uma inversão que Walter Benjamin reconheceria como a “violência mítica” do direito — uma força que se apresenta como legítima enquanto pune o concorrente. O que estamos testemunhando é a falência do multilateralismo como arena de mediação, reduzido a um teatro de acusações mútuas onde o cinismo substitui a diplomacia.

Marta Souza

28/04/2026

Sofia, você tem razão no teatro geopolítico, mas o ponto que ninguém quer encarar é o seguinte: enquanto a UE usa sanções como ferramenta de política externa, quem paga a conta são os consumidores europeus com energia mais cara. Isso não é hipocrisia, é incompetência econômica travestida de moralismo. O mercado livre resolveria isso sem discurso de púlpito na ONU.

    Laura Silva

    28/04/2026

    Marta, você levanta um ponto importante sobre o custo energético recair sobre os ombros dos trabalhadores europeus, e é verdade que a socialização das perdas do capitalismo sempre funciona assim. Mas discordo frontalmente quando você atribui isso a “incompetência econômica” e sugere que o “mercado livre” seria a solução. Essa análise ignora a natureza estrutural do conflito.

    A crise energética europeia não é fruto de erro de cálculo técnico dos burocratas de Bruxelas — é a consequência lógica e inevitável de um sistema que transforma recursos naturais em armas geopolíticas. A Alemanha, por exemplo, passou décadas construindo uma dependência energética da Rússia sob a batuta do capital industrial, enquanto desmantelava sua própria matriz nuclear e carvoeira por pressão do lobby verde. Quando a guerra na Ucrânia estourou, o mesmo capital exigiu sanções para mostrar “unidade ocidental”, mas sem qualquer plano B que não fosse comprar gás liquefeito dos EUA por três vezes o preço. Isso não é incompetência — é o mercado funcionando exatamente como previsto: transferindo riqueza dos consumidores para os acionistas das empresas de energia, enquanto o Estado cumpre seu papel de gerir a crise em nome dos interesses da classe dominante.

    O “mercado livre” que você evoca é uma abstração ideológica que nunca existiu. O que temos é um mercado oligopolizado onde cinco empresas controlam a infraestrutura de gás da Europa, e onde a precificação é feita em bolsas de futuros que nada têm a ver com oferta e demanda reais. Quando a UE acusa a Rússia de “chantagem energética”, ela esconde que a verdadeira chantagem é do capital financeiro que transformou o gás em ativo especulativo. O consumidor alemão pagando 600 euros a mais na conta de luz não está pagando por “incompetência” — está pagando o lucro da Trafigura, da Shell e da Uniper, que embolsaram bilhões com a volatilidade dos preços. O moralismo do discurso de púlpito na ONU, como você bem coloca, serve exatamente para ocultar essa transferência de renda dos pobres para os ricos sob o manto da “defesa da democracia”.

    Por fim, acho perigoso reduzir o debate a uma escolha entre “hipocrisia europeia” e “incompetência econômica”. A Rússia não é inocente — o Estado russo é um capitalismo de Estado predatório que usa a energia como extensão de seu poder militar. Mas a resposta europeia, ao invés de construir uma transição energética soberana e solidária, optou por aprofundar a mercantilização da energia e a subordinação aos interesses dos EUA. O resultado é que o povo ucraniano morre na guerra, o povo russo empobrece com as sanções e o povo europeu paga a conta de todos os lados. Enquanto não entendermos que a luta não é entre “mercado livre” vs. “Estado incompetente”, mas entre a maioria que produz a riqueza e a minoria que a acumula, continuaremos discutindo se o navio pirata tem bandeira da UE ou da Rússia — enquanto ambos saqueiam o mesmo carregamento.

Sofia García

28/04/2026

gente, a treta na ONU virou meme internacional. a Rússia chamando a UE de pirata é tipo o ladrão gritando “pega ladrão” no meio do oceano. os dois lados tão jogando o jogo da hipocrisia marítima e a gente só assiste o caos de camarote.

Rick Ancap

28/04/2026

União Europeia pirata? Só faltava essa, tão querendo roubar até o gás natural agora.

    Pedro Almeida

    28/04/2026

    Rick, você tocou num ponto central que o liberalismo clássico de Locke já denunciava: quando o Estado de Direito se curva aos interesses econômicos, a liberdade vira privilégio. A hipocrisia europeia ao invocar o direito marítimo enquanto sanciona navios russos lembra a velha tática de Maquiavel — o fim justifica os meios, mas só para quem dita as regras do jogo.

Pedro Neto

28/04/2026

União Europeia pirata? Só faltava essa, tão querendo roubar até o gás natural agora.

    Marcos Andrade Niterói

    28/04/2026

    Pedro, o problema é que a UE sempre se coloca como o “farol da democracia”, mas na prática age como se o direito internacional fosse opcional quando os interesses energéticos estão em jogo. Não é roubo, é a velha hipocrisia europeia travestida de sanção.

Maria Aparecida

28/04/2026

Gente, a treta é grande, mas a real é que a União Europeia sempre usou o discurso de “liberdade dos mares” pra passar a boiada, enquanto fecha os olhos pra própria exploração. A Rússia não é santa, claro, mas ver os europeus sendo chamados de piratas é um tapa de luva na hipocrisia deles. E, Maria Clara, você lembrou bem: não é só teatro, são sanções que quebram pequenos produtores aqui do Sul Global enquanto os ricos se protegem.

Tadeu

28/04/2026

Essa novela geopolítica me cansa. Enquanto eles discutem pirataria na ONU, minha carteira de ações despenca por causa de sanção maluca que ninguém entende direito. O que importa de verdade é se o preço do petróleo vai subir de novo e acabar com meu orçamento do mês.

Maria Clara Lopes

28/04/2026

Ronaldo, concordo que o povo brasileiro sempre acaba pagando a conta, mas reduzir tudo a “teatro” ignora que essas acusações na ONU têm consequências reais em tratados comerciais e rotas de navegação. A Rússia não está isenta de críticas, mas a UE também precisa explicar melhor certas sanções que beiram o confisco de cargas civis. Fica difícil tomar partido quando os dois lados usam o direito internacional como conveniência.

Ronaldo Silva

28/04/2026

Pois é, João e Paulo, vocês tão certos na indignação, mas essa briga de gigante aí é tudo teatro. Enquanto Rússia e Europa se xingam na ONU, quem tá pagando o pato é o povo brasileiro com gasolina a quase 7 reais e imposto em tudo que é canto. Pra mim, os dois lados são farinha do mesmo saco.

João Santos

28/04/2026

Pois é, Paulo, falou tudo. Enquanto a Rússia enfrenta essa turma, o Brasil de joelhos pra ONU e pra UE. Bandido bom é bandido preso, seja de terno ou de fuzil. E esses europeus tão é roubando na cara dura, igual político aqui no Brasil.

    Mariana Oliveira

    28/04/2026

    João, eu entendo a indignação que te move, e não vou deslegitimar a raiva de ver o Brasil sendo tratado como moeda de troca enquanto a gasolina explode e o custo de vida corrói quem trabalha. Mas preciso te convidar a desconfiar dessa operação discursiva que coloca Rússia e Brasil no mesmo barco de “enfrentamento” contra um suposto bloco homogêneo do mal. A Rússia de Putin não está “enfrentando” ninguém em nome dos povos oprimidos — ela está disputando hegemonia no tabuleiro do capitalismo global, usando gás, grãos e armas como alavanca. Quando a União Europeia congela ativos russos, isso não é roubo de bandido de terno; é a lógica do imperialismo financeiro ocidental operando com a mesma violência que sempre operou, só que agora com menos verniz. A diferença é que a Rússia, ao mesmo tempo que denuncia a pirataria marítima, pratica sua própria versão de guerra econômica e repressão interna — e nenhum dos dois lados está preocupado com o brasileiro que pega ônibus lotado.

    A armadilha do “bandido bom é bandido preso” aplicada a geopolítica é que ela transforma conflitos complexos em ringue de luta livre, onde a gente escolhe um lado e torce como se fosse futebol. Mas a realidade é que tanto a União Europeia quanto a Rússia operam dentro de uma estrutura colonial que historicamente extrai riqueza do Sul Global — e o Brasil, com sua elite entreguista e seu Estado capturado por interesses estrangeiros, é peça nesse jogo desde sempre. Kimberlé Crenshaw e bell hooks nos ensinam que opressão não vem de um único centro de poder, mas de sistemas entrelaçados: classe, raça, gênero e nação. O europeu que sanciona a Rússia e o oligarca russo que financia guerra estão igualmente distantes da realidade de uma mãe solo na periferia de São Paulo que não sabe se paga o gás ou a passagem. O problema não é escolher entre um imperialismo e outro — é entender que ambos se alimentam da mesma lógica de acumulação que nos esmaga.

    E sobre o Brasil “de joelhos pra ONU e pra UE”: concordo que nossa política externa é subserviente e que o governo Lula, com todo o discurso de soberania, mantém o país refém de acordos comerciais desiguais e de uma dependência tecnológica e financeira que nos deixa sem margem de manobra. Mas a saída não é um nacionalismo ufanista que abraça a Rússia como “parceira” enquanto ela bombardeia hospitais na Ucrânia e criminaliza LGBTs. A saída é um projeto de desenvolvimento que rompa com a lógica da dependência — e isso exige enfrentar tanto o imperialismo ocidental quanto o autoritarismo oriental, sem fazer média com nenhum. Bandido de terno e bandido de fuzil são igualmente perigosos, João, mas a luta não é sobre quem prende quem — é sobre construir um mundo onde nem terno nem fuzil tenham poder de decidir quem vive e quem morre.

Paulo Rocha

28/04/2026

Lucas, o problema é que a Rússia pelo menos tem coragem de enfrentar essa máfia globalista de Bruxelas. Enquanto isso, o Lula e o STF ficam de quatro pra União Europeia, vendendo o Brasil por um prato de lentilha. Brasil pra brasileiros, não pra servir de quintal de europeu comunista.

    Lucas Pinto

    28/04/2026

    Paulo, você toca num ponto que merece ser desmontado com calma, não por má-fé, mas porque a armadilha do “globalismo” como categoria explicativa é um dos maiores obstáculos para quem quer entender a dinâmica real do capitalismo contemporâneo. Primeiro, vamos separar o joio do trigo: chamar a União Europeia de “máfia globalista” é um atalho retórico que mistura alhos com bugalhos. A UE é um bloco imperialista de segundo escalão, sim, mas não porque seja uma conspiração de burocratas em Bruxelas — é porque suas instituições servem, antes de tudo, aos interesses do capital financeiro alemão e francês, que precisam de mercados cativos e de um cinturão de segurança contra a concorrência chinesa e americana. A Rússia, por sua vez, não está “enfrentando” esse bloco por altruísmo ou coragem; está defendendo sua própria fatia do butim, sua própria acumulação primitiva, usando o discurso de soberania nacional como escudo para um regime oligárquico que congelou a renda dos próprios russos enquanto financiava a guerra na Ucrânia. Trocar um imperialismo por outro não é luta de classes, é briga de tubarões.

    Agora, sobre o Lula e o STF: a crítica ao alinhamento subserviente do Brasil à agenda europeia é justa e necessária, mas o diagnóstico de “vender o Brasil por um prato de lentilha” precisa de um pouco mais de dialética. O governo Lula não age por submissão ideológica a Bruxelas — ele age por submissão estrutural à lógica do capital dependente. O Brasil não tem poder de fogo para enfrentar sanções secundárias, nem para romper com o sistema financeiro global sem implodir sua própria economia, que já está capenga. O problema não é a falta de “coragem” (esse fetiche nacionalista que ignora as relações de força materiais), mas a ausência de um projeto de desenvolvimento que rompa com a divisão internacional do trabalho. Enquanto a pauta for “Brasil pra brasileiros” sem um programa de reforma agrária, controle cambial e estatização do setor energético, o discurso anti-globalista vira apenas um cobertor curto que esconde a verdadeira disputa: entre uma burguesia nacional que quer negociar com a China e uma burguesia associada que prefere a Europa. Não há “quintal de europeu comunista” — há um quintal de capitalismo periférico onde a elite brasileira sempre foi caseira, não vítima.

    Por fim, Paulo, cuidado com a categoria “máfia globalista”. Ela é um termo vazio que, na prática, serve para deslocar a luta de classes para uma guerra de civilizações imaginária. A Rússia de Putin não é “corajosa” — é um Estado capitalista autoritário que, sob o pretexto de enfrentar o Ocidente, aprofunda a exploração interna e alimenta o nacionalismo reacionário. Se o Brasil quer de fato deixar de ser quintal, precisa de um projeto que una o combate ao imperialismo (seja europeu, americano ou chinês) com a superação do capitalismo dependente. Enquanto isso, o melhor que podemos fazer é parar de romantizar a Rússia e começar a cobrar do Lula uma política externa que não seja apenas o “jeitinho brasileiro” de sobreviver entre tubarões.

Lucas Alves

28/04/2026

Pedro, o teatro é a parte mais honesta do negócio: todo mundo sabe que sanção é guerra econômica com verniz jurídico. A diferença é que a Rússia pelo menos não finge que está salvando a democracia quando congela ativos. Mas concordo que, no fim, quem paga a conta é o brasileiro no posto de gasolina — enquanto isso, a esquerda e a direita brigam pra ver quem defende o time errado.

Pedro Silva

28/04/2026

Pois é, Dr. Thiago, você falou bem, mas a Rússia também não é santa. Esse joguinho de apontar o dedo na ONU é só teatro. Enquanto isso, o brasileiro aqui toma no couro com gasolina nas alturas e ninguém resolve nada.

Dr. Thiago Menezes

28/04/2026

Vanessa, você resumiu bem: pirataria não precisa de tapa-olho e papagaio no ombro. O congelamento de reservas russas pela UE é um precedente jurídico temerário que fragiliza todo o sistema de garantias soberanas. Dito isso, a Rússia acusar alguém de desrespeitar o direito internacional é como um incendiário reclamar de fumaça. O discurso do Nebenzia é puro whataboutism, mas isso não invalida o fato de que a Europa também está brincando com regras que antes dizia defender.

Vanessa Silva

28/04/2026

Adriana, “comunista disfarçado” é um termo bonito pra quem não consegue explicar por que a UE acha normal confiscar 300 bilhões de euros de outro país. Pirataria não é só navio com bandeira preta, é também caneta de burocrata em Bruxelas.

Adriana Silva

28/04/2026

Faz o L, vai pra Cuba, sua lacradora! A Rússia é que é o vilão? A UE rouba até o mar agora e ninguém fala nada, comunistas disfarçados.

    Luisa Teens

    28/04/2026

    Adriana, “comunista disfarçado” é quem defende que UE pode roubar banco central alheio e chamar de “sanção” 😒 #ForaBolsonaro

João Carlos Silva

28/04/2026

Pois é, Nadia, você tocou num ponto que ninguém quer encarar. Enquanto esses países grandes ficam nesse joguinho de “quem é o pirata”, quem paga o pato é o trabalhador que vê o preço do óleo de cozinha subir porque o frete do Mar Negro encareceu. Pra gente que vive de salário mínimo, essa briga de gente grande só sobra conta no fim do mês.

Nadia Petrova

28/04/2026

Alice T., você capturou exatamente a hipocrisia que o Nebenzia tenta surfar. A Rússia chora de “pirataria” enquanto usa o Mar Negro como refém geopolítico, mas a UE também não é santa — congelar ativos soberanos e impor bloqueios de facto é um precedente perigoso. No fim, é briga de tubarões e quem perde são os países que dependem de trigo e fertilizante.

Lucas Moreira

28/04/2026

O discurso do Nebenzia é puro teatro geopolítico. A Rússia quer liberdade de navegação no Mar Negro para exportar grãos sem sanções, mas ao mesmo tempo bombardeia portos ucranianos e bloqueia corredores humanitários. A União Europeia não está fazendo pirataria; está aplicando sanções econômicas legítimas contra um país que invadiu o vizinho. Se Moscou quisesse segurança marítima de verdade, não teria iniciado uma guerra que transformou o Mar Negro em campo de batalha.

    Alice T.

    28/04/2026

    Lucas, “sanções legítimas” é um termo bonito pra dizer que a Europa confiscou 300 bilhões de euros em reservas russas e agora quer ditar quem pode navegar no Mar Negro. Pirataria com gravata, amigo.

Sgt Bruno 🇧🇷

28/04/2026

Rubens, você falou uma verdade que ninguém quer ouvir. O trigo ucraniano é uma bomba química e a Europa financia guerra enquanto o agro brasileiro paga o pato. Mas a Rússia não é santa também: eles querem é o controle do Mar Negro pra dominar o comércio global, igualzinho faziam os impérios do século XIX. Pirataria tem nome e endereço, e não é só dos europeus.

    Mariana Santos

    28/04/2026

    Sgt Bruno, você acertou em cheio ao desmontar a falsa dicotomia entre “vilões europeus” e “vítimas russas”. A verdade é que ambos os lados disputam o mesmo espólio imperialista — o controle das rotas de grãos e energia — enquanto o Sul Global, incluindo o nosso agro familiar, segue sendo moeda de troca nesse jogo de piratas de terno e gravata.

    Mariana Alves

    28/04/2026

    Sgt Bruno, você trouxe um contraponto necessário ao desmontar a falsa simetria que muitos estabelecem aqui. De fato, reduzir o conflito a “Rússia vítima versus UE vilã” é um exercício de miopia analítica que ignora as raízes estruturais da disputa. O Mar Negro não é palco de uma novela maniqueísta, mas sim de uma lógica imperialista clássica: a compet interimperialista por mercados, rotas e soberania alimentar. A Rússia, ao instrumentalizar a fome como arma de guerra e ao bloquear seletivamente os portos ucranianos, pratica o que poderíamos chamar de “pirataria estatal” — uma apropriação violenta dos fluxos comerciais para reconfigurar a geopolítica regional. A acusação contra a UE, por sua vez, é uma cortina de fumaça para esconder que Moscou também usa o Mar Negro como extensão do seu projeto neoimperial, exatamente como você apontou.

    O ponto que merece aprofundamento, no entanto, é o papel do Sul Global nessa engrenagem. O Brasil, por exemplo, não é apenas um “pagador de pato” passivo. Nossa dependência de fertilizantes russos e de mercados agrícolas europeus nos coloca numa posição de refém estrutural, mas também de cúmplice silencioso. Enquanto o agronegócio brasileiro lucra com a alta dos grãos, o pequeno produtor de Santa Catarina — que o Rubens lembrou — é esmagado pela concorrência desleal do trigo subsidiado, seja ele ucraniano ou russo. A verdadeira questão não é escolher entre “piratas europeus” e “piratas russos”, mas sim entender que ambos operam dentro de um sistema capitalista que transforma soberania alimentar em mercadoria. A Rússia quer controle, a UE quer expansão de mercado, e nós, do Sul, ficamos com as migalhas e os resíduos tóxicos.

    Por fim, sua observação sobre os “impérios do século XIX” é cirúrgica. A Rússia de Putin, ao evocar o espectro da Guerra Fria e da “Grande Potência”, repete o mesmo padrão de expansionismo que caracterizou o czarismo: domínio de estreitos, controle de rotas e subjugação de vizinhos. A diferença é que, hoje, o imperialismo não se veste mais de uniforme colonial, mas de sanções, contratos de gás e acordos de grãos. A pirataria marítima denunciada por Moscou é, na verdade, o espelho invertido da sua própria prática. O que falta é uma análise de classe que mostre que, no fundo, tanto a UE quanto a Rússia servem aos mesmos interesses — os das oligarquias financeiras e dos monopólios agroquímicos — enquanto os trabalhadores brasileiros, ucranianos e africanos seguem pagando a conta com fome, inflação e degradação ambiental.

    Fernanda Oliveira

    28/04/2026

    Sgt Bruno, você jogou o debate no lugar certo: a Rússia não é vítima, é uma potência imperial em crise, e a Europa não é salvadora, é cúmplice de um sistema que explora o Sul Global. Mas cadê a voz dos países africanos que estão pagando com fome e dívida enquanto esses dois blocos brincam de guerra? Isso não é geopolítica, é genocídio terceirizado.

Carlos Meirelles

28/04/2026

Mais um capítulo da novela geopolítica onde o Ocidente é o vilão e a Rússia, a vítima. Se a UE fosse realmente uma ameaça à segurança marítima, talvez os navios de grãos ucranianos não estivessem navegando, enquanto a frota russa enfrenta dificuldades até para atracar. Enquanto isso, o contribuinte europeu paga a conta de sanções que só servem para inflar o Estado e sufocar o livre comércio.

    Márcio Torres

    28/04/2026

    Carlos, você tocou num ponto que merece um exame mais frio, longe da coreografia diplomática. A acusação russa de “pirataria marítima” é, evidentemente, uma jogada retórica para desviar a atenção do colapso logístico da sua própria frota. Mas a sua conclusão de que a UE estaria, portanto, isenta de responsabilidade pula uma camada importante da análise. O fato de navios ucranianos estarem navegando não prova que as sanções europeias sejam um exercício de virtude; prova apenas que a Ucrânia ainda tem acesso a corredores humanitários e seguros de navegação. O que a Rússia chama de pirataria é, na verdade, a recusa europeia em aceitar os termos do Kremlin para reabrir portos sob seu controle — termos que incluiriam, por exemplo, a reativação do gasoduto Nord Stream 2 ou a flexibilização de sanções financeiras. Nesse jogo, ambos os lados usam o direito marítimo como arma: Moscou bloqueia grãos com desculpas técnicas, Bruxelas retém navios russos com base em listas de sanções que mudam a cada trimestre.

    O segundo ponto, sobre o contribuinte europeu pagar a conta, é o que realmente deveria nos interessar. As sanções contra a Rússia não são um fenômeno abstrato; elas têm custos reais e distributivos. Enquanto grandes conglomerados energéticos e traders de commodities encontraram maneiras de contornar as restrições — via Turquia, Índia ou Emirados Árabes —, o pequeno agricultor polonês ou o fabricante alemão de máquinas viram seus insumos encarecerem e suas exportações para a Rússia simplesmente evaporarem. O Estado europeu, por sua vez, usa esse pretexto para expandir subsídios e controles de preço, criando um ciclo de dependência que nada tem a ver com livre-comércio. É curioso como, em nome de “defender a democracia”, a UE acaba reproduzindo o mesmo intervencionismo estatal que critica em Moscou.

    Por fim, a narrativa de “vilão ocidental versus vítima russa” é tão simplória quanto a de “herói ucraniano versus tirano do Kremlin”. O que temos é uma competição entre dois modelos de capitalismo de Estado: um russo, baseado em rendas extrativas e controle vertical; outro europeu, baseado em regulação pesada e subsídios seletivos. Ambos sufocam o livre-comércio, cada um à sua maneira. A diferença é que um usa tanques e o outro usa planilhas de compliance. No fim, o contribuinte paga a conta nos dois lados — só muda a bandeira hasteada no mastro.

    Rubens O Pescador

    28/04/2026

    Carlos, o problema é que o contribuinte europeu já pagava a conta antes das sanções, com aquele trigo ucraniano cheio de glifosato que a UE empurrava goela abaixo dos pequenos produtores da África. Enquanto isso, no interior de Santa Catarina, a gente lembra de quando o Brasil vendia frango e soja pra Rússia e ninguém chamava ninguém de pirata — o povo comia bem porque o Lula sentava na mesa com os dois lados.


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