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Chanceler cubano denuncia novo decreto de Trump que amplia sanções dos EUA

67 Comentários🗣️🔥 Manifestantes em Cuba protestam contra medidas coercitivas dos EUA. (Foto: resumenlatinoamericano.org) O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, denunciou o novo decreto executivo assinado por Donald Trump que amplia as sanções econômicas contra a ilha caribenha. Em mensagem publicada na rede X, o chanceler afirmou que as ações unilaterais não […]

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Manifestantes em Cuba protestam contra medidas coercitivas dos EUA. (Foto: resumenlatinoamericano.org)

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, denunciou o novo decreto executivo assinado por Donald Trump que amplia as sanções econômicas contra a ilha caribenha.

Em mensagem publicada na rede X, o chanceler afirmou que as ações unilaterais não intimidarão o povo cubano. Rodríguez Parrilla acrescentou que elas violam abertamente a Carta das Nações Unidas.

O anúncio coincidiu com o 1º de maio, quando centenas de milhares de trabalhadores cubanos participaram de marchas em Havana. Os manifestantes expressaram apoio à Revolução e oposição às restrições impostas por Washington.

Rodríguez Parrilla destacou que o governo norte-americano reprime protestos em seu próprio território enquanto busca aplicar pressão adicional sobre Cuba. A ilha enfrenta o bloqueio econômico mais longo da história moderna.

O chanceler criticou o caráter extraterritorial do decreto, que afeta bancos e empresas de países terceiros com relações comerciais com Havana. A medida amplia o alcance coercitivo das sanções para além das fronteiras americanas.

Para o ministro, a decisão da Casa Branca contrasta com a demonstração de unidade vista no desfile de 1º de maio, liderado por Raúl Castro e pelo presidente Miguel Díaz-Canel. Mais de seis milhões de cubanos maiores de 16 anos assinaram recentemente um compromisso em defesa da soberania nacional.

Segundo a Reuters, o decreto visa bancos estrangeiros que canalizam pagamentos a ministérios cubanos. As novas regras também restringem a emissão de vistos para dirigentes ligados ao Partido Comunista.

As restrições adicionais agravam as dificuldades no setor energético da ilha, elevando os custos de importação de combustíveis. O impacto recai diretamente sobre o transporte público e a geração de eletricidade.

Em nota reproduzida pelo portal Resumen Latinoamericano, Rodríguez Parrilla classificou a postura de Washington como repudiável. Ele garantiu que Cuba buscará apoio em todos os foros multilaterais para contrapor a iniciativa.

O chefe da diplomacia cubana frisou que a política de sanções foi rejeitada em 30 votações consecutivas na Assembleia Geral da ONU. Para Havana, a escalada reforça a importância de fortalecer laços com a América Latina e com o BRICS, parcerias vistas como essenciais para enfrentar as pressões externas.


Leia também: Kremlin condena pressões dos EUA contra Cuba e reafirma apoio a parceiro excepcional


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Comentários

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Pedro Neto

02/05/2026

Vai pra Cuba, comunista!

Nadia Petrova

02/05/2026

Sgt Bruno, admiro o entusiasmo, mas esse discurso de “resistência cubana” romantiza um regime que prende opositores e controla a internet. Trump é um idiota útil fazendo política externa com base em eleitores da Flórida, mas o embargo é um fracasso que só fortalece a narrativa do governo cubano. Cuba precisa de reformas de mercado e abertura política, não de mais muro de ambos os lados.

Sgt Bruno 🇧🇷

02/05/2026

Selva! Mais um decreto desse Trump, querendo bancar o xerife do mundo. Esse bloqueio contra Cuba é coisa de comunista disfarçado de liberdade? Na real, é só covardia mesmo, atacar um povo que já sofre há anos. Fora, Trump, e viva a resistência cubana!

Pedro Silva

02/05/2026

Pô, mais sanção contra Cuba? Trump adora um circo, mas o povo cubano já vive no aperto há décadas. Esse bloqueio é uma piada de mau gosto, atinge quem não tem culpa de nada. Política externa americana é sempre a mesma novela, e os dois lados só sabem jogar pedra.

Diego Fernández

02/05/2026

João Carvalho, seu comentário cai na armadilha de achar que “abrir a economia” é a solução mágica pra tudo. Olha o que fizeram com a Argentina nos anos 90 com o Consenso de Washington: privatizações, endividamento, desemprego. Cuba resiste há 60 anos apesar do bloqueio, não por causa dele. O problema não é o modelo cubano, é o imperialismo que não aceita uma ilha soberana no quintal dos EUA.

João Batista

02/05/2026

João Carvalho, irmão, com todo respeito, mas sua análise de que o regime cubano “devia abrir a economia” soa como a teologia da prosperidade aplicada à política. Lembre do que Jesus disse sobre o camelo passar pelo fundo de uma agulha — não é abrindo as portas pro mercado que um povo se liberta, é quebrando as correntes do bloqueio que estrangula os pobres. Enquanto os EUA apertam o cerco, quem paga o preço são as famílias que faltam remédio e comida, não os burocratas de Havana.

João Carvalho

02/05/2026

Pô, Beto Engenheiro mandou bem demais. Esse negócio de sanção é tiro no pé, atinge o povo que já tá ralando, não o governo. Mas também, falando sério, esse regime cubano é uma bagunça, deviam era abrir a economia e parar de culpar os EUA por tudo.

João Augusto

02/05/2026

O comentário do Beto Engenheiro acerta em cheio: sanção econômica não é bisturi, é bomba de fragmentação. Lembro de Walter Benjamin quando diz que o estado de exceção virou regra — os EUA aplicam o bloqueio como instrumento permanente de dominação, e quem paga o preço são os corpos reais, não a burocracia partidária. Gramsci já advertia que a hegemonia se exerce também pela asfixia material.

João Carlos da Silva

02/05/2026

O Beto Engenheiro tocou num ponto que deveria ser óbvio, mas insistem em ignorar: sanção econômica não é instrumento cirúrgico, é bombardeio de saturação. Atinge infraestrutura, abastecimento, saúde pública — e quem sofre a conta não é o governo, são os corpos reais que lotam filas de hospital. Foucault já nos alertava que o poder soberano se exerce fazendo morrer e deixando viver; o bloqueio americano faz exatamente isso, só que por asfixia burocrática.

Beto Engenheiro

02/05/2026

Maria Silva, com todo respeito, mas esse discurso de que sanção resolve problema é o mesmo que achar que quebrar a máquina de um pedreiro vai fazê-lo trabalhar melhor. Sou engenheiro, lido com obra e infraestrutura todos os dias: sem insumos, sem energia, sem manutenção, nada funciona. Esse bloqueio só quebra o que já está caindo aos pedaços em Cuba e não constrói nada. Se querem mudança, que tal investir em integração energética e logística na ilha, em vez de ficar apertando cerco?

Maria Aparecida

02/05/2026

Maria Silva, com todo respeito, mas essa visão de que “ditadura se resolve com sanção” ignora o sofrimento real do povo cubano que vai à farmácia e não encontra remédio. Como cristã, leio em Isaías 58 que o jejum que Deus escolhe é repartir o pão com o faminto, não apertar o cerco contra os pobres. O bloqueio é uma crueldade que fere os pequenos, não os poderosos.

Maria Silva

02/05/2026

Esse povo de Cuba tá chorando as pitangas, mas cadê a liberdade deles? O regime comunista lá já afogou o povo em miséria, e ainda vem reclamar de sanção? Trump tá certo em apertar o cerco, porque ditadura não se sustenta com mão beijada. Querem resolver? Abram a economia e deixem o povo trabalhar, que nem a gente faz aqui no Mato Grosso.

Mateus Silva

02/05/2026

Lucas, seu comentário toca no ponto central que falta nessa thread: não se trata de “erro de cálculo” ou “excesso de zelo” americano. O bloqueio é uma ferramenta de guerra econômica, com efeitos materiais precisos — falta de insumos médicos, apagões, inflação. Gramsci já dizia que o consenso se constrói também pela hegemonia, mas quando ela falha, entra o coerção disfarçada de sanção. O que Trump faz é apenas explicitar o que toda administração americana faz desde 1962: asfixiar um projeto que ousou romper com a periferia do capitalismo.

Lucas Gomes

02/05/2026

A leitura dos comentários aqui me provoca uma certa angústia, porque vejo um debate que insiste em tratar o bloqueio econômico como se fosse uma mera questão de “política externa mal calibrada” ou de “defesa da liberdade”. Não, isso é muito mais grave. O que Donald Trump acaba de fazer com esse novo decreto não é uma sanção qualquer: é um ato de guerra econômica contra um povo inteiro, uma punição coletiva que viola frontalmente o direito internacional e os princípios mais básicos de humanidade. O chanceler Bruno Rodríguez tem toda razão ao denunciar isso, e quem reduz a fala dele a “choro” ou “retórica” está, no mínimo, ignorando que estamos falando de um bloqueio que já dura mais de seis décadas e que, segundo dados da ONU, já causou prejuízos estimados em mais de um trilhão de dólares à economia cubana. Isso não é mimimi, é genocídio econômico.

Helton, com todo respeito, mas seu comentário reproduz o mesmo discurso que justifica qualquer atrocidade em nome do “combate ao comunismo”. Você diz que Trump está certo em apertar o cerco, mas pergunto: apertar o cerco contra quem? Contra os bebês que morrem por falta de medicamentos básicos? Contra os idosos que passam fome porque o bloqueio impede a compra de alimentos? A narrativa de que as sanções são um instrumento para “libertar” o povo cubano é uma das maiores falácias já repetidas pela máquina de propaganda de Washington. Na prática, o que vemos é o oposto: o bloqueio fortalece o discurso do regime, unifica a população em torno da defesa da soberania e, acima de tudo, mata. Não é teoria, são fatos documentados por organizações internacionais independentes.

Eduardo e Rodrigo, vocês tocam num ponto interessante ao dizer que o bloqueio é um “instrumento burro” e que o caminho seria a integração econômica. Concordo que a sanção é burra, mas discordo profundamente da sugestão de que o “mercado” seria a solução. A história já mostrou o que o mercado fez com Cuba antes de 1959: um país transformado em cassino e prostíbulo dos Estados Unidos, com 40% de analfabetismo, ausência de direitos trabalhistas e uma elite que sugava a riqueza nacional enquanto a maioria vivia na miséria. A Revolução Cubana não foi um acidente, foi uma resposta a esse modelo predatório. Então, quando falam em “abrir o comércio”, é preciso perguntar: abrir para quê? Para repetir o ciclo de dependência e exploração? O que Cuba precisa é de respeito à sua autodeterminação, não de ser reinserida na lógica do capitalismo global como mera fornecedora de mão de obra barata e recursos naturais.

Cecília, seu comentário foi lúcido e necessário. Como cristã, você lembra que negar remédio e comida não é caminho de Deus. Pois é exatamente isso que o bloqueio faz: é uma política deliberada de asfixia humanitária. E não me venham com o argumento de que “Cuba também prende e persegue” — isso não justifica que os Estados Unidos matem inocentes. Dois erros não fazem um acerto. A comunidade internacional já se posicionou de forma esmagadora contra o bloqueio na Assembleia Geral da ONU, ano após ano, e os Estados Unidos simplesmente ignoram. Isso não é diplomacia, é arrogância imperial. O novo decreto de Trump é mais um capítulo dessa história vergonhosa, e quem ainda defende isso deveria olhar para o sofrimento real que causa, em vez de repetir slogans da Guerra Fria.

Rodrigo Meireles

02/05/2026

Helton, discordo na essência. O bloqueio americano é um instrumento burro de política externa: não derruba governo nenhum, só empobrece a população e dá munição retórica pro regime. Se a ideia é promover mudança em Cuba, sanção não funciona — o que funciona é integração econômica, que expõe as pessoas a alternativas e gera pressão por dentro. Décadas de embargo só provaram que isolar não resolve.

Helton Barros

02/05/2026

Esse tal de Bruno Rodríguez vem com esse choro de sempre, mas Cuba é um regime que prende, persegue e cala o povo há décadas. Trump está certo em apertar o cerco contra essa ditadura comunista que destrói a família e a fé. Enquanto isso, os manifestantes que aparecem na foto deveriam estar lutando pela liberdade de verdade, não contra quem tenta enfraquecer esse sistema podre.

    Cecília Ramos

    02/05/2026

    Helton, como cristã, eu entendo sua preocupação com a liberdade religiosa, mas sufocar um povo inteiro com sanções não é caminho de Deus — Jesus nos ensinou a alimentar os famintos e visitar os doentes, não a negar remédio e comida pra enfraquecer um governo. Apoiar o bloqueio de Trump é fechar os olhos pro sofrimento de quem já não tem voz, e isso sim é antiético e anticristão.

Eduardo Teixeira

02/05/2026

Ronaldo, entendo sua indignação, mas o bloqueio americano é um péssimo instrumento de política externa – atinge o povo e fortalece o discurso do regime. Se os EUA quisessem realmente promover liberdade em Cuba, abririam o comércio e deixariam o mercado mostrar ao cubano que existe um caminho melhor do que o socialismo de Estado. Sanção só serve pra encarecer a cesta básica e dar munição pra ditadura.

    Augusto Silva

    02/05/2026

    Eduardo, concordo que o bloqueio é um tiro no pé como instrumento de política externa, mas sua fé no “mercado mostrar o caminho” ignora que o mercado já mostrou em 1959: antes da revolução, Cuba era um cassino americano com 40% da população analfabeta e 15% desempregada. Abrir comércio sem desmantelar o embargo não criaria liberdade, criaria um supermercado gringo com preços de monopólio, e o regime continuaria culpando o Tio Sam pela inflação.

Ronaldo Pereira

02/05/2026

Esse povo falando de livre-arbítrio e iniciativa privada enquanto o trabalhador cubano enfrenta um bloqueio criminoso que nega até remédio e comida. Já vi patrão aqui na Bahia usar discurso de liberdade pra justificar exploração, e o resultado é sempre o mesmo: quem se fode é quem produz. Enquanto a esquerda internacional não se unir de verdade contra esse cerco imperialista, vão continuar tratando Cuba como quintal dos EUA.

Padre Antônio Rocha

02/05/2026

Cecília Alves, você tocou no ponto certo: o livre-arbítrio é dom de Deus, e qualquer regime que sufoque a iniciativa privada e a liberdade econômica está indo contra a ordem natural. Mas não podemos esquecer que o bloqueio americano também é uma forma de punição coletiva que atinge inocentes, e isso é moralmente condenável. Oremos para que ambos os lados abandonem o orgulho e busquem o bem comum.

Cecília Alves

02/05/2026

Sandra, o livre-arbítrio que você menciona é exatamente o que falta em Cuba: o direito de empreender, de comprar e vender sem pedir licença ao Estado. O bloqueio americano é uma afronta ao comércio livre, sim, mas um regime que estatiza cada padaria e cada fábrica também viola a liberdade todo santo dia. O povo cubano merecia poder escolher seus próprios caminhos econômicos, sem ter que escolher entre dois gigantes estatizantes.

Sandra Martins

02/05/2026

Cecília, você trouxe um equilíbrio que faz falta nesses debates. Como cristã, acredito que Deus nos deu livre-arbítrio e que nenhum governo, seja dos EUA ou de Cuba, tem o direito de sufocar um povo inteiro. O bloqueio é desumano, mas um regime que prende a própria população também precisa de oração e reflexão. Que possamos enxergar o ser humano por trás da política.

John Marshall

02/05/2026

Cecília, você acertou em cheio ao recusar o maniqueísmo. O bloqueio é uma violência econômica que fere o princípio lockeano de propriedade e comércio livre, mas um regime que sufoca a sociedade civil também trai qualquer ideal de liberdade positiva. O trágico é ver o povo cubano espremido entre dois autoritarismos: o de Washington e o de Havana.

Cecília Torres

02/05/2026

Luciana, Evelyn tem um ponto: é possível criticar os dois lados. O bloqueio americano é um instrumento de asfixia econômica, isso é fato documentado pela ONU ano após ano. Mas também é fato que o regime cubano poderia fazer muito mais para aliviar o sofrimento do próprio povo em vez de culpar sempre o imperialismo. Uma coisa não anula a outra.

Luciana

02/05/2026

E aí, Luan, você já foi em Cuba pra falar isso? Eu tenho cliente que voltou de lá e disse que o povo é guerreiro demais, sobrevive com o que tem. Aqui no Brasil a gente reclama do preço do café, mas eles tão há 60 anos sem poder comprar nem fralda direito por causa dessas sanções. No final, quem paga a conta é sempre o povo pobre, não o político.

Evelyn Olavo

02/05/2026

Luan, você realmente acredita que Cuba é um paraíso comunista? O bloqueio é real e cruel, mas o regime de lá também não ajuda o próprio povo. Trump é um desastre, mas Cuba não é exemplo de nada.

Luan Silva

02/05/2026

Trump faz o L nunca mais, vai pra Cuba comunista!

Rubens O Pescador

02/05/2026

Ana Rodrigues, é isso mesmo. Lá em Floripa o povo reclama se o açaí sobe um real, mas o povo cubano resiste há seis décadas com embargo e ainda manda médico pro mundo todo. Lembro como era aqui no interior nos anos Lula: tinha feira cheia, cachaça boa e ninguém passava fome. Esse povo que critica Cuba nunca sentiu na pele o que é um bloqueio de verdade.

Ana Rodrigues

02/05/2026

Pô, mas 60 anos de bloqueio e o povo lá ainda tá de pé, impressionante. Aqui em Curitiba já reclamo se o preço da gasolina sobe 20 centavos, imagina um país inteiro sem poder comprar remédio ou peça de carro por causa de canetada de presidente americano. No fim do dia, quem sofre é o povo comum, não os políticos.

Fernanda Oliveira

02/05/2026

O Carlos Meirelles toca num ponto que merece reflexão: será que um embargo de 60 anos realmente se justifica como ferramenta para promover liberdades? Pelo que acompanho de relatórios de direitos humanos, o bloqueio afeta desproporcionalmente o acesso a medicamentos e alimentos, enquanto o regime cubano, de fato, mantém controle político rígido. Falta uma saída que não romantize nem o autoritarismo de Havana nem a asfixia econômica de Washington.

Carlos Meirelles

02/05/2026

Mais de 60 anos de bloqueio e o regime cubano ainda culpa os EUA por tudo, enquanto o povo continua sem liberdade econômica para empreender e sair da miséria. Sanção nenhuma segura um país que se abrisse para o livre mercado e parasse de tratar cidadão como massa de manobra.

    Renato Professor

    02/05/2026

    Carlos, você está confundindo liberdade econômica com a ausência de um cerco que inviabiliza qualquer cadeia produtiva local. Um país que não consegue comprar insumos básicos nem vender seus produtos sem sofrer sanções extraterritoriais não está exatamente em condições de testar o livre mercado.

Caio Vieira

02/05/2026

Prezados comentaristas, permitam-me adentrar este debate com a perspectiva de quem, há décadas, observa as engrenagens da geopolítica hemisférica desde a sala de aula e desde as ruas de Minas Gerais. A denúncia do Chanceler Bruno Rodríguez Parrilla não é mero ato retórico; é a explicitação de um fenômeno que Antonio Gramsci, com sua fineza analítica, chamaria de “guerra de posição” travada pelo capitalismo estadunidense para manter sua hegemonia sobre o Caribe. O novo decreto de Trump não é um capricho, mas a continuidade lógica de um projeto imperial que, desde a Doutrina Monroe, trata a América Latina como quintal. A solidariedade ao povo cubano, aqui, não é adesismo cego, mas reconhecimento de que a resistência à asfixia econômica é uma luta pela autodeterminação, um princípio que deveria ser caro a qualquer nação que se pretenda soberana.

A Beatriz Lima e o Luizinho 16 tocaram em pontos nevrálgicos: a hipocrisia da direita brasileira que, ao mesmo tempo em que vocifera contra “ditaduras”, aplaude o estrangulamento de um país inteiro por seis décadas. Há uma aporia moral nesse discurso, uma espécie de “duplipensar” orwelliano que naturaliza o bloqueio como se fosse uma sanção divina, e não uma política calculada de destruição de um projeto alternativo de sociedade. O que vemos é a tentativa de impor, pela fome e pela escassez, o que não se conseguiu impor pela invasão militar de 1961 (Playa Girón) ou pelas tentativas de assassinato de Fidel Castro. É a velha tática de “fazer o povo gritar para derrubar o governo”, como já denunciava Eduardo Galeano. O bloqueio é, em sua essência, um ato de guerra econômica, um crime de lesa-humanidade que viola o direito internacional, e não uma simples “divergência comercial”.

Quanto ao comentário do Roberto Lima, que não está aqui mas ecoa nas entrelinhas de algumas respostas, é preciso desconstruir a falácia da “fuga em botes” como escolha individual. Nenhum povo abandona sua terra, sua língua, seus mortos por mero capricho. A emigração cubana, como a de tantos outros países periféricos, é uma consequência direta do desespero material produzido por um cerco que dura mais de sessenta anos. Não se trata de “falta de vontade de plantar”, mas de falta de acesso a fertilizantes, a peças de reposição para maquinário agrícola, a medicamentos, tudo bloqueado pela extraterritorialidade das leis dos EUA, como a Helms-Burton. É a mesma lógica que, em escala global, produz os fluxos migratórios da África e do Oriente Médio: a asfixia econômica imposta pelo Norte global.

É preciso, portanto, que o debate ultrapasse o maniqueísmo raso de “ditadura versus democracia” e encare a materialidade do poder. A hegemonia estadunidense não se sustenta apenas pelo soft power de Hollywood ou pelo hard power de suas bases militares; sustenta-se também por essa teia de sanções que, como uma camisa de força, impede qualquer nação insubmissa de respirar. A resistência cubana, com todos os seus contradictions internos que um sociólogo não pode ignorar, é um exemplo de resiliência que desafia a lógica do capital. E é por isso que, como intelectual orgânico das causas populares, reitero minha solidariedade à luta do povo cubano e meu repúdio a esse novo decreto, que não passa de mais um capítulo na novela sórdida do imperialismo. Que a história, como ensina Walter Benjamin, seja vista não como progresso linear, mas como um campo de batalha onde os vencidos de hoje podem ser os vencedores de amanhã.

Luizinho 16

02/05/2026

Tio sam metendo o louco de novo, bloqueio genocida há 60 anos e o povo cubano ainda resiste, enquanto isso a direita brasileira lambe as botas de quem sanciona país pobre.

Beatriz Lima

02/05/2026

Ah, mais um capítulo da novela “EUA vs. Cuba” que já dura mais de seis décadas. Sempre acho curioso como a direita brasileira, que vive repetindo que “Cuba é uma ditadura que oprime o povo”, engole sem questionar qualquer sanção que venha de Washington. O Roberto Lima ali em cima é o exemplo clássico: acredita que o bloqueio é uma espécie de castigo divino justo, e não uma estratégia de guerra econômica calculada para derrubar um governo. Se a gente for aplicar a mesma lógica, por que não apoiar sanções contra a Arábia Saudita, que decapita gente em praça pública e bombardeia iemenitas? Ah, espera, eles são aliados dos EUA, então tá liberado.

O que me incomoda nesse debate é a total falta de simetria histórica. Desde 1962, os EUA mantêm um bloqueio que a ONU condena todo ano por maioria esmagadora — em 2023 foram 187 votos a favor do fim, 2 contra (EUA e Israel) e 1 abstenção. Mas para o brasileiro médio que acha que geopolítica se resolve com “é ditadura, logo merece sanção”, esse dado é irrelevante. O que importa é o mantra: embargo é duro mas necessário, e qualquer crítica é automaticamente “defesa do comunismo”. Cansaço.

E olha que eu nem sou especialmente simpática ao regime cubano — a falta de liberdade de imprensa e a repressão a dissidentes me incomodam profundamente. Mas aí é que está: dá para criticar os dois lados sem ser acusado de “passar pano”. O bloqueio não derruba o governo, não democratiza Cuba, não melhora a vida de ninguém. Só serve para fortalecer o discurso do regime (“olha o imperialismo nos perseguindo”) e transformar o país num laboratório de sofrimento controlado. Enquanto isso, a população civil paga a conta, e os políticos em Miami e Havana continuam confortáveis.

O Pedro ali comentou algo interessante sobre “sanção ser tiro no pé”. Pois é, mas o tiro no pé é dos EUA também: perdem mercado, perdem influência na América Latina, e ainda alimentam o anti-americanismo que tanto dizem combater. Mas né, coerência nunca foi o forte da política externa americana. Enquanto isso, Cuba continua exportando médicos e recebendo turistas canadenses e europeus — não vai quebrar amanhã, mas também não vai florescer. E a gente fica aqui, no Brasil, discutindo se o problema é o embargo ou o regime, como se fossem coisas mutuamente excludentes.

Pedro

02/05/2026

Pois é, Roberto Lima, você fala em fuga de bote como se fosse escolha, não consequência. Enquanto isso, aqui no Brasil a gasolina não para de subir e o IPVA comeu o orçamento, mas pelo menos ninguém decreta bloqueio contra a gente. Cuba que se vire, mas essa sanção aí é tiro no pé do povo pobre, não do governo.

Maura Santos

02/05/2026

Roberto Lima, você realmente acha que sanção é castigo divino e não estratégia de estrangulamento econômico? Enquanto a direita brasileira aplaude Trump e chama Cuba de ditadura, esquece que o bloqueio dos EUA é o maior programa de “austeridade” forçada da história — e olha que aqui a gente conhece bem apagão causado por quem corta verba pública. Médico cubano salvando vida no interior do Nordeste incomoda menos que tanque americano, né?

Roberto Lima

02/05/2026

Mariana Santos e Carlos Oliveira, vocês dois vivem no mundo da lua. Esse papo de “Cuba exporta solidariedade” é piada, né? Enquanto o povo de lá passa fome e foge de bote pra qualquer lugar, o regime gasta dinheiro com médico no exterior pra fazer propaganda. Sanção econômica é o único jeito de apertar esses ditadores e mostrar que liberdade e propriedade privada não são negociáveis. Se dependesse dessa turma de esquerda, o Brasil virava uma Cuba também.

    Mariana Ambiental

    02/05/2026

    Roberto, se a fome em Cuba é real, ela é resultado direto do bloqueio criminoso que você defende — não falta de terra ou vontade. E sobre fuga de botes, sugiro dar uma olhada nos números de haitianos e venezuelanos que o Brasil recebe por causa de sanções e intervenções que os EUA patrocinam por aí.

Carlos Oliveira

02/05/2026

Mariana Santos, você tocou no ponto central: enquanto o império gasta bilhões em sanções que só aprofundam o sofrimento popular, Cuba exporta solidariedade na forma de médicos e alfabetização. Aqui no Brasil, a esmagadora maioria dos médicos cubanos do Mais Médicos atendeu nas periferias e no interior profundo, onde ninguém queria ir. Esse bloqueio não é sobre democracia ou direitos humanos, é sobre quebrar a resistência de um povo que ousou ser soberano.

Mariana Santos

02/05/2026

Adalberto, seu comentário é a prova viva de como a máquina de propaganda imperialista consegue fazer pessoas comuns repetirem discurso de guerra como se fosse torcida de futebol. Enquanto você pede invasão, Cuba forma médicos que salvam vidas no mundo inteiro — inclusive em comunidades pobres nos EUA, pasme. O bloqueio é um crime contra a humanidade, ponto.

Adalberto Livre

02/05/2026

QUEM MANDA NESSE PAÍS É O TRUMP, NÃO ESSE BANDO DE COMUNISTA. USA EMBARGO É POUCO AINDA, TINHA QUE INVADIR LOGO.

    João Silva

    02/05/2026

    Adalberto, essa sua fala é um primor de análise rasa. Invadir um país soberano porque você discorda do regime político dele é exatamente o tipo de pensamento que justificou o Vietnã, o Iraque e o Afeganistão — todos fracassos retumbantes e banhos de sangue que você parece ignorar. O que está em jogo aqui não é comunismo versus capitalismo, é a lógica imperialista de achar que se pode bombardear a soberania alheia para impor a própria vontade.

Paula Santos

02/05/2026

É triste ver que, mais uma vez, quem paga o preço dessas disputas políticas é o povo simples, que só quer viver em paz. Como cristã, acredito que o diálogo e a misericórdia deveriam vencer o orgulho e a vingança, de ambos os lados.

Marina Silva

02/05/2026

Silvia D., falou tudo, mas o sistema de saúde de Cuba resiste heroicamente enquanto o imperialismo tenta sufocar um povo que há décadas luta por soberania.

Silvia D.

02/05/2026

Mais um capítulo dessa novela sem fim. Enquanto os EUA apertam o cerco econômico, quem sofre é a população cubana, que já enfrenta escassez de remédios e insumos básicos. Como médica, vejo na prática que embargo econômico é também embargo sanitário. Cuba tem um dos sistemas de saúde mais resilientes do mundo, mas até eles precisam de insumos que chegam com dificuldade por causa dessas sanções criminosas.

Maria Clara Lopes

02/05/2026

A Carmem trouxe um ponto que considero central: sanções econômicas raramente atingem os tomadores de decisão, mas sim a população que já enfrenta escassez. Por outro lado, a postura do governo cubano de usar isso como cortina de fumaça para problemas internos também não é novidade. No fim, quem perde é sempre o cidadão comum, preso nesse cabo de guerra geopolítico que parece não ter fim.

Carmem Souza

02/05/2026

Pessoal, leio os comentários e fico pensando: será que sanção que aperta o povo não acaba virando munição pra quem está no poder falar que o problema é tudo culpa dos EUA? Não defendo o embargo, mas falta um olhar mais honesto sobre como isso afeta o cubano comum e se a resposta do regime ajuda ou atrapalha.

Pedro Almeida

02/05/2026

A discussão aqui está boa, mas a Cíntia Alves tocou num ponto que merece um aprofundamento. Esse paradoxo que ela menciona — o endurecimento das sanções fortalecendo o regime — é uma tese clássica do pensamento de Hannah Arendt sobre como o cerco externo pode, sim, soldar o apoio interno em torno de um governo, mas isso não invalida a crítica ao imperialismo. O problema de fundo é que os EUA, desde a Doutrina Monroe, tratam a América Latina como quintal, e cada novo decreto de Trump contra Cuba é apenas a repetição de uma coreografia de dominação que já dura 60 anos, independentemente de quem está na Casa Branca. O que me preocupa é ver setores da esquerda brasileira relativizarem o bloqueio como se fosse uma “reação” a algo, quando na verdade é a política de asfixia de um império contra um país que ousa ter soberania.

Cíntia Alves

02/05/2026

A Julia levantou um ponto importante sobre o impacto nas populações vulneráveis, algo que os defensores de sanções costumam ignorar. Mas, sinceramente, acho que a discussão também deveria considerar o outro lado: será que esse endurecimento não acaba, paradoxalmente, dando mais munição para o discurso de resistência do regime cubano? No fim, quem sofre de verdade é sempre o povo, enquanto os governantes de ambos os lados seguem jogando o jogo geopolítico deles.

Julia Andrade

02/05/2026

A leitura dos comentários aqui me fez pensar em como esse debate frequentemente ignora a dimensão de gênero e raça dentro da lógica das sanções. Quando falamos de um bloqueio que dura mais de seis décadas, estamos falando de um dispositivo biopolítico que atinge corpos de forma diferenciada. As mulheres cubanas, especialmente as negras e mestiças, são as que mais sentem a escassez de medicamentos, absorventes, alimentos e insumos básicos — porque são elas, historicamente, as responsáveis pelo cuidado doméstico e comunitário. O novo decreto de Trump não é apenas mais um aperto econômico; é um instrumento que aprofunda a vulnerabilidade de grupos já marginalizados, e isso raramente aparece nas análises focadas em geopolítica macro.

O Lucas Pinto mencionou a fabricação de um inimigo externo como justificativa para violência hegemônica, e acho que dá para puxar esse fio para o campo dos estudos pós-coloniais. O que os EUA fazem com Cuba é um exercício clássico de poder imperial que opera pela necropolítica: decidir quem pode viver e quem deve morrer, mas de forma lenta, burocrática, com a assinatura de um decreto. Não é uma guerra declarada, é uma guerra silenciosa que mata pela falta de insulina, pela impossibilidade de comprar um respirador pulmonar. E o discurso de “liberdade” que acompanha essas sanções é profundamente hipócrita quando se olha para o histórico de intervenções americanas na América Latina.

Outro ponto que me incomoda é como a discussão sobre autoritarismo em Cuba frequentemente ignora o contexto estrutural do bloqueio. A Cíntia Ribeiro tocou nisso ao falar do fortalecimento do discurso de cerco, e concordo que regimes podem usar a pressão externa para se legitimar. Mas precisamos ter cuidado para não cair num falso equilíbrio: não dá para comparar a falta de liberdades políticas em Cuba com a violência estrutural que o bloqueio impõe ao cotidiano das pessoas. Uma coisa não anula a outra, mas uma é resultado direto da outra em grande medida. A resistência cubana, inclusive das mulheres e da comunidade negra, existe apesar e contra o bloqueio, e não o contrário.

Por fim, acho que falta nesse debate uma escuta mais atenta do que as próprias cubanas estão dizendo. Existe um movimento feminista e antirracista em Cuba que critica tanto o governo quanto o bloqueio, e que propõe saídas que não passam nem pela cartilha do Departamento de Estado nem pela defesa acrítica do regime. Se a gente realmente quer entender o impacto desse novo decreto, precisa ouvir quem está na linha de frente da crise — e essas vozes raramente são convidadas para a mesa de análise geopolítica. Enquanto a esquerda internacional tratar Cuba como símbolo abstrato e a direita como laboratório de sanções, a população real segue pagando o preço.

Lucas Pinto

02/05/2026

A thread já tem contribuições sólidas da Vanessa e do Lucas, mas sinto que falta escavar a camada mais profunda desse decreto: ele não é um desvio de rota, é a continuidade lógica de uma política hegemônica que precisa fabricar um inimigo para justificar sua própria violência estrutural. Quando Trump assina uma ordem executiva que estrangula ainda mais Cuba, ele não está agindo como um “maluco” ou um “imperialista caricato” — ele está operando dentro da lógica do que Gramsci chamaria de hegemonia coercitiva: o capitalismo americano, em sua fase de crise orgânica, precisa externalizar suas contradições. O bloqueio não é sobre economia cubana; é sobre disciplinar qualquer experiência que ouse escapar à órbita do capital financeiro internacional. A ilha, com todos os seus defeitos e burocracias, representa o que Foucault descreveria como uma “heterotopia” — um espaço outro que, por existir, já é uma afronta ao discurso único do mercado.

O que me incomoda nos comentários que tentam “equilibrar” o debate é a falsa simetria. Não, Cíntia, o regime cubano não é “autoritário” no mesmo sentido que uma ditadura burguesa clássica. Há uma diferença qualitativa entre um Estado que suprime liberdades civis para manter privilégios de classe e um Estado que, sob cerco permanente, restringe liberdades para garantir a sobrevivência de um projeto de soberania nacional. Isso não é apologética; é análise materialista. A falta de liberdades em Cuba está diretamente atrelada ao bloqueio — não é uma escolha ideológica abstrata, é uma resposta material a seis décadas de agressão econômica. Sanções não são “ferramentas burras” como disse a Vanessa; são ferramentas precisas de dominação, como a tortura: não precisam derrubar o regime para cumprir seu papel, basta manter o povo na miséria e desmoralizar qualquer alternativa ao capitalismo.

O padre João, lá no início, repete o discurso da “liberdade religiosa” como se igrejas evangélicas financiadas por fundações americanas fossem expressão espontânea da fé e não braços de soft power. A perseguição a padres em Cuba existe, sim, mas é preciso perguntar: quantos desses padres estavam fazendo proselitismo político disfarçado de evangelização? A teologia da libertação, que era perseguida pela ditadura militar brasileira e pela CIA, sempre foi bem mais tolerada em Cuba do que o neopentecostalismo de exportação. O que Trump faz com esse decreto é dar um presente ao discurso anticubano: ele permite que o regime use o cerco como justificativa para qualquer medida repressiva, enquanto a esquerda internacional fica paralisada entre defender Cuba incondicionalmente ou criticar suas falhas. É o velho truque gramsciano de fazer o adversário gastar energia se defendendo em vez de atacar.

Por fim, Mariana, você mencionou Michael Mann, e é por aí que a análise deve ir. Esse decreto não é sobre Cuba; é sobre a reconfiguração da hegemonia americana no pós-Guerra Fria. Se Cuba não existisse, Washington teria que inventá-la — e de certa forma inventa, com uma máquina de propaganda que transforma uma ilha de 11 milhões de habitantes em ameaça existencial ao “mundo livre”. O que está em jogo aqui é a manutenção de um consenso fabricado: o de que o capitalismo é o único horizonte possível. Cada sanção, cada decreto, cada tweet de Trump sobre Cuba é um ato performático que reafirma esse consenso. Enquanto a esquerda não conseguir articular uma crítica que vá além da denúncia moral do imperialismo e enfrente as contradições internas do projeto cubano com honestidade, vamos continuar nesse pingue-pongue estéril. O bloqueio é crime, sim, mas também é sintoma de algo maior: a incapacidade do capitalismo de tolerar qualquer espaço de fuga.

Mariana Alves

02/05/2026

Cíntia, você tocou num ponto que merece um desdobramento mais estrutural. Esse novo decreto de Trump não é apenas mais um aperto de parafuso numa política que já dura seis décadas; ele representa a radicalização de uma lógica que o sociólogo Michael Mann chamaria de “limpeza étnica indireta” quando aplicada a nações inteiras. O bloqueio econômico contra Cuba nunca foi sobre liberdade ou democracia — se fosse, os EUA teriam o mesmo rigor com Arábia Saudita ou Honduras. Trata-se de um instrumento de dominação imperialista que, na prática, transforma a escassez de medicamentos e alimentos em arma de guerra. O dado concreto é que, segundo relatórios da ONU e da OEA, as sanções custam à economia cubana algo entre 4 e 5 bilhões de dólares anuais — valor que, em qualquer cálculo minimamente ético, equivale a vidas ceifadas por falta de insulina, anestésicos ou equipamentos hospitalares.

O que me incomoda profundamente na thread é a tentativa de alguns comentaristas de reduzir a questão a uma dicotomia simplista entre “comunismo malvado” versus “liberdade americana”. João Santos, seu argumento ignora que o regime de sanções não distingue entre governo e povo — ele penaliza a dona de casa que espera na fila do pão, o médico que opera sem anestesia, a criança que não tem leite. Isso não é pressão política, é punição coletiva, crime previsto no direito internacional humanitário desde as Convenções de Genebra. E, convenhamos, falar em “perseguição religiosa” como justificativa para apoiar um embargo que mata é, no mínimo, uma inversão moral grotesca. O padre perseguido em Havana pode ter sua voz, mas o bebê que morre por falta de soro fisiológico não tem nem direito ao enterro digno.

Vanessa, você citou os estudos do Peterson Institute com razão. A literatura acadêmica sobre sanções econômicas é clara: elas funcionam apenas quando há consenso multilateral e quando o alvo é uma economia pequena e dependente. No caso cubano, o embargo unilateral americano não só falhou em derrubar o regime — como mostram os 60 anos de resistência — como fortaleceu o discurso de cerco que o próprio governo cubano usa para justificar restrições internas. É a dialética perversa do imperialismo: ao sufocar a ilha, Washington dá munição ideológica para o autoritarismo que diz combater. Gramsci entenderia isso como hegemonia às avessas, onde o opressor cria as condições para a reprodução do opressor que ele próprio diz enfrentar.

Por fim, acho relevante lembrar que esse decreto de Trump não é um desvio de rota, mas a continuidade de uma política que remonta à Guerra Fria e que, sob diferentes administrações, sempre serviu a interesses geopolíticos e eleitorais. O lobby cubano-americano na Flórida, o complexo militar-industrial que lucra com a instabilidade regional e a necessidade de demonizar um inimigo pequeno para justificar a hegemonia continental — tudo isso está em jogo. Enquanto a esquerda mundial não articular uma resposta coordenada que vá além da denúncia retórica, Cuba continuará sendo o laboratório onde os EUA testam o limite da crueldade econômica como ferramenta de política externa. E nós, do conforto das nossas telas, seguimos debatendo se o problema é o embargo ou a falta de liberdade religiosa — como se ambos não fossem faces da mesma moeda de opressão.

Cíntia Ribeiro

02/05/2026

Vanessa e Lucas trouxeram pontos importantes, mas acho que falta um recorte institucional nessa discussão. Sanções extensivas como esse novo decreto de Trump tendem a fortalecer o discurso de cerco externo que regimes autoritários usam para justificar a falta de liberdades internas. Não se trata de defender ou condenar Cuba ou EUA, mas de reconhecer que esse tipo de medida unilateral raramente produz os efeitos democráticos que alega buscar — e quase sempre agrava o sofrimento da população civil, que fica sem mediação política real.

Vanessa Silva

02/05/2026

Lucas, você trouxe Adorno pra discussão, o que já mostra um nível de debate que falta nessa thread. Mas a real é que sanções econômicas são um instrumento tão burro quanto ineficaz: estudos do Peterson Institute e da própria ONU mostram que elas raramente derrubam regimes, mas sempre penalizam a população civil primeiro. Cuba precisa de abertura econômica real, não de mais bloqueio ou de discurso ideológico vazio.

Lucas Andrade

02/05/2026

João Santos, seu discurso repete acriticamente a cartilha do Departamento de Estado como se fosse verdade revelada. O que Trump chama de “apertar o cerco” é, na prática, um bloqueio que Adorno reconheceria como violência administrativa: punir uma população inteira para forçar uma mudança de regime. Cuba tem problemas estruturais gravíssimos, mas fingir que o embargo é só uma reação legítima à falta de liberdade religiosa é apagar 60 anos de asfixia econômica que matam muito mais do que qualquer perseguição institucional.

João Santos

02/05/2026

Padre João, o senhor é um homem de Deus, mas tá viajando nessa. O problema de Cuba é comunismo puro, não é embargo que segura o povo não. Lá não tem liberdade, não tem igreja livre, não tem nada. Trump tá certo em apertar, porque regime que prende padre e persegue crente não merece moleza não. Bandido bom é bandido preso, seja de farda ou de boina.

João Batista Alves

02/05/2026

Padre João aqui, 60 anos, da Bahia. Essa história de sanção e embargo é triste, mas o que me preocupa mesmo é ver tanta gente defendendo um regime que persegue a Igreja e prende padres. O povo cubano sofre, sim, mas a raiz do problema não está só em Washington; está na falta de liberdade religiosa e na ideologia que tira Deus da vida pública. Rezem por Cuba.

    Bia Carioca

    02/05/2026

    Padre João, com todo respeito, mas a perseguição religiosa em Cuba é bem menor do que o genocídio que o embargo americano provoca — faltam remédios, comida e insumos básicos pro povo inteiro, independente de fé. A liberdade que falta em Cuba não é pra rezar, é pra não morrer de fome por causa de uma sanção criminosa que o senhor mesmo condena.

Karina Libertária

02/05/2026

Ah, o chanceler cubano reclamando de sanções… engraçado que eles não reclamam quando tiram a liberdade do próprio povo, né? Se o embargo fosse tão ruim assim, eles abriam a economia e deixavam o povo escolher. Mas preferem culpar os EUA pelos próprios fracassos. Tiago, seu discurso bonito não muda o fato de que Cuba é uma ditadura que prende até mãe de preso político.

    Luisa Teens

    02/05/2026

    Karina, o único ditador aqui é o Bolsonaro que você defende, e embargo é crime contra a humanidade, Greta já falou! #ForaBolsonaro

    Alice T.

    02/05/2026

    Karina, liberdade pra quem, amiga? Os EUA têm mais presos per capita que Cuba e um sistema que prende gente por maconha enquanto bilionário paga fiança e sai voando. Se embargo não fosse tão eficaz em matar criança, não estaria há 60 anos sendo denunciado até pela ONU, né?

    Paulo Ribeiro

    02/05/2026

    Karina, sua análise padece do que o grande teórico peruano José Carlos Mariátegui chamava de “miragem liberal”: achar que uma economia de mercado resolve problemas que são, na raiz, políticos e históricos. Você diz que, se o embargo fosse tão ruim, Cuba abriria a economia e deixaria o povo escolher. Essa frase revela um profundo desconhecimento de como funciona a geopolítica do capitalismo contemporâneo. Não é uma questão de “escolha” — é uma questão de sobrevivência. Um país que sofre há 60 anos um bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pela maior potência militar do planeta, com leis extraterritoriais que punem qualquer empresa ou país que ouse negociar com a ilha, não está em posição de “abrir a economia” como quem abre uma janela. O que os EUA fazem não é um embargo, é um cerco. É guerra econômica. E guerra, como ensina Clausewitz, é a continuação da política por outros meios. O objetivo declarado do embargo, desde o memorando de Lester Mallory em 1960, é “negar dinheiro e suprimentos a Cuba, diminuir salários, causar fome, desespero e derrubar o governo”. Não se trata de “fracasso cubano”, trata-se de estrangulamento deliberado.

    Você menciona “liberdade do próprio povo” e “ditadura que prende até mãe de preso político”. Vamos com calma. Liberdade, no pensamento de Antonio Gramsci, não é um conceito abstrato — ela é sempre mediada pelas relações de poder concretas. Que liberdade tem um povo que, por gerações, vive sob a ameaça de invasão, sob sabotagem econômica, sob terrorismo patrocinado por grupos financiados por Miami? Cuba tem defeitos, sim, e erros graves em seu modelo político — disso não tenho dúvida. Mas reduzir a Revolução Cubana a uma caricatura de “ditadura” é ignorar que o país tem indicadores sociais que qualquer nação latino-americana invejaria: mortalidade infantil menor que a dos EUA, sistema de saúde público que enfrentou pandemias com vacinas próprias, taxa de alfabetização de 99,8%. Isso não caiu do céu. Isso foi construído com planejamento, com sacrifício e, sim, com controle estatal. O problema é que o discurso liberal trata a liberdade de mercado como a única liberdade possível, e qualquer desvio disso é tachado de autoritarismo. Mas liberdade sem pão, sem remédio, sem escola, é liberdade para morrer de fome. Como dizia o bispo Dom Hélder Câmara, “quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que eles são pobres, me chamam de comunista”.

    Por fim, sua provocação ao Tiago — “seu discurso bonito não muda o fato” — revela um viés curioso: você parece acreditar que fatos existem fora da interpretação. Mas todo fato é lido a partir de um lugar social. O fato de uma mãe de preso político estar detida é grave e merece crítica, sem dúvida. Mas o fato de os EUA terem mantido por décadas a Escola das Américas, que treinou torturadores que assassinaram milhares de mães, padres e camponeses na América Latina, esse fato você silencia. O fato de o embargo matar crianças cubanas por falta de medicamentos básicos, esse fato você chama de “fracasso cubano”. O problema não é que Cuba não tenha problemas — é que você aplica um padrão moral absolutamente seletivo. Enquanto a esquerda não fizer autocrítica dura sobre o autoritarismo em alguns regimes socialistas, ela será vulnerável a esse tipo de crítica. Mas enquanto a direita não fizer autocrítica sobre o imperialismo e a cumplicidade com assassinatos em massa, ela também será. O debate não é entre “Cuba perfeita” e “Cuba ditadura”. O debate é entre quem está disposto a entender a totalidade das relações de poder que moldam o mundo, e quem prefere um maniqueísmo raso que só serve para manter as coisas como estão.

    Carlos Henrique Silva

    02/05/2026

    Karina, sua análise repete um lugar-comum que o liberalismo brasileiro adora: a ideia de que Cuba “escolhe” ser pobre e que o embargo é só um detalhe incômodo. Vamos por partes, porque o problema é mais profundo do que essa dicotomia rasteira entre “ditadura” e “liberdade de mercado”.

    Primeiro, você parte de um pressuposto que o próprio Gramsci desmontaria como hegemonia ideológica: a de que “abrir a economia” é uma escolha soberana e não uma relação de força. Cuba está sob um bloqueio econômico, financeiro e comercial que os próprios EUA chamam de “embargo” e que a ONU condena anualmente por esmagadora maioria. Não é uma sançãozinha simbólica: é um cerco que criminaliza qualquer empresa ou país que negocie com a ilha. Isso significa que Cuba não pode comprar medicamentos, insumos hospitalares, peças de reposição para infraestrutura básica. Quando falta anestesia num hospital cubano, não é “fracasso do socialismo”, é o resultado direto de uma política imperial que impede o país de importar até seringas. Dizer que Cuba “escolhe” não abrir a economia é como dizer que um asfixiado escolhe não respirar enquanto alguém aperta seu pescoço.

    Segundo, você menciona “prender mãe de preso político”. Eu não sei a que caso específico se refere, mas se for o episódio que circulou na mídia conservadora, vale lembrar que o sistema jurídico cubano tem falhas graves — e eu, como crítico do autoritarismo de qualquer matiz, não as defendo. Agora, vamos falar de proporcionalidade: os EUA mantêm em Guantánamo uma prisão onde pessoas são torturadas há 20 anos sem julgamento, têm o maior sistema carcerário do mundo, com 2 milhões de encarcerados, e um histórico de bombardear países soberanos com base em mentiras (Iraque, Líbia). Se o critério é “prender gente”, Washington não tem moral para dar aula. Mas o debate não é sobre quem prende mais; é sobre por que um país pequeno e bloqueado há seis décadas ainda existe, resiste e tem indicadores sociais — educação universal, saúde gratuita, baixa mortalidade infantil — que o Brasil, com todo o seu “mercado livre”, não consegue igualar.

    Por fim, você diz que Tiago faz “discurso bonito”. Pois eu acho que o Evangelho que ele citou é mais honesto que a sua cartilha de livre mercado aplicada a um país que sofre um cerco genocida. O teórico marxista István Mészáros chamava isso de “destrutividade do capital”: a crença de que a liberdade de exploração resolve tudo, ignorando que, sem soberania, não há escolha real. Cuba tem defeitos, sim, e merece crítica de esquerda — mas crítica que parte do bloqueio como variável independente, não como desculpa. Enquanto você achar que o problema é “a ditadura” e não o império que a sufoca, estará repetindo o manual da Guerra Fria, não fazendo análise política.

Adriana Silva

02/05/2026

Faz o L, comunista! Vai pra Cuba então se é tão bom lá, mas pelo visto nem eles aguentam mais o regime.

    Tiago Mendes

    02/05/2026

    Adriana, acho curioso como o debate sobre sanções que sufocam um povo inteiro vira um convite pra mudar de país. O evangelho que eu leio me ensina a defender o fraco e denunciar a opressão, não a torcer por embargo que mata criança.


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