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Lavrov visita Nova Délhi para reunião de chanceleres do BRICS e reforça parceria com a Índia

58 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Lavrov visita Nova Délhi para reunião de chanceleres do BRICS e reforça parceria com a Índia. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, viajará a Nova Délhi para participar da reunião de chanceleres do BRICS, encontro que antecede a cúpula de líderes do […]

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Ilustração editorial sobre Lavrov visita Nova Délhi para reunião de chanceleres do BRICS e reforça parceria com a Índia. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, viajará a Nova Délhi para participar da reunião de chanceleres do BRICS, encontro que antecede a cúpula de líderes do bloco prevista para o segundo semestre.

A visita serve de plataforma para aprofundar a parceria bilateral russo-indiana em defesa, energia e cooperação tecnológica, conforme reportagem do portal RT.

Lavrov se reunirá com o ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, para revisar o espectro completo da parceria estratégica entre os dois países. A diplomacia russa antecipa um debate substancial sobre governança global, mecanismos financeiros alternativos ao dólar e comércio em moedas nacionais.

A presidência rotativa do BRICS em 2026 cabe ao Brasil. A reunião de chanceleres em Nova Délhi integra, portanto, a agenda de preparação para a cúpula presidencial que o Brasil sediará.

No campo da defesa, o encontro ocorre em momento de expansão militar consistente entre Moscou e Nova Délhi. A entrega do quarto lote do sistema antiaéreo S-400 Triumf está prevista para maio, parte de um contrato de US$ 5 bilhões assinado em 2018 que abrange cinco baterias — três delas já operacionais no território indiano.

As tratativas para a produção local do caça de quinta geração Su-57 na Índia também ganham tração. A estatal russa United Aircraft Corporation informou que as discussões técnicas atingiram estágio avançado, sinalizando uma transferência de tecnologia rara em acordos de defesa internacionais.

O diálogo bilateral extrapola o setor militar e alcança o mercado de trabalho, área em que Moscou busca atrair mão de obra qualificada indiana. O pacto de mobilidade laboral firmado no ano passado abriu espaço para engenheiros de software, profissionais de construção civil e da área de saúde.

Para a Índia, a visita de Lavrov reforça a política de equilíbrio estratégico que o primeiro-ministro Narendra Modi mantém desde o início do conflito na Ucrânia, resistindo à pressão de Washington por alinhamento automático. A continuidade das importações de petróleo russo com descontos e o salto nas compras de fertilizantes explicam parte do crescimento econômico indiano em meio à volatilidade global.

Outro projeto de peso na agenda é a criação de um corredor marítimo-ferroviário conectando portos russos no extremo oriente à costa oeste indiana. O projeto desponta como alternativa ao Canal de Suez e amplia a relevância do Ártico nos planos energéticos de ambos os países.

A reunião de ministros também funcionará como ensaio para os protocolos de segurança e logística que a Índia pretende adotar na cúpula presidencial do BRICS. O governo local testará sistemas de credenciamento eletrônico e corredores de mobilidade urbana para receber delegações de múltiplos continentes.

Caso o presidente russo Vladimir Putin confirme presença na cúpula, será seu segundo deslocamento a um país do BRICS desde que o Tribunal Penal Internacional emitiu mandato contra ele. A Índia, que não reconhece a jurisdição dessa corte, já sinalizou disposição para recebê-lo sem restrições.

No âmbito financeiro, o rascunho do comunicado final da reunião de ministros dedica espaço à desdolarização gradual do comércio intra-BRICS, estratégia que ganhou impulso com o Novo Banco de Desenvolvimento, presidido pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff. A Índia avalia emitir parte de seus créditos de importação de energia em rúpias, replicando o modelo ensaiado por Pequim com o yuan em transações de petróleo.

Diplomatas brasileiros acompanham de perto o processo para inserir temas de transição energética, pré-sal e bioeconomia amazônica nos documentos finais do bloco. O Itamaraty vê na articulação com a Índia uma oportunidade de fortalecer o BRICS antes da cúpula que o Brasil sediará como presidente rotativo em 2026.

Com informações de RT.


Leia também: Lavrov viaja à Índia para alinhar agenda do BRICS e aprofundar parceria estratégica com Nova Délhi


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Celio Fazendeiro

03/05/2026

Ah, lá vem o Lavrov passear na Índia enquanto o Brasil afunda. Esses comunistas do BRICS só querem encher o nosso país de impostos e burocracia pra manter a boquinha deles. Enquanto isso, o agro brasileiro produz e eles querem nos prender nesse bloco de perdedores.

Mariana Santos

03/05/2026

Lurdinha, com todo respeito, mas a perseguição a igrejas que você menciona não tem nada a ver com a visita do Lavrov. O BRICS é um bloco estratégico para países como o nosso tentarem sair da condição de subordinação ao capital financeiro global. Enquanto isso, a direita brasileira continua vendendo soberania nacional a preço de banana.

Lurdinha Deus Acima de Todos

03/05/2026

Gente, mas esse Lavrov tá viajando pra lá e pra cá e ninguém fala que tão querendo fechar as igrejas aqui no Brasil? 😡🇧🇷🙏

Mariana Costa

03/05/2026

O Dr. Thiago levantou um ponto pertinente: fica difícil avaliar o peso real desses encontros sem métricas concretas de comércio e investimento. Dito isso, ignorar o BRICS também é um erro — o mundo mudou, e a coordenação entre essas economias tem sim relevância geopolítica, mesmo que os resultados práticos demorem a aparecer.

Dr. Thiago Menezes

03/05/2026

Lavrov em Nova Délhi é mais um capítulo da coreografia geopolítica do BRICS. A pergunta que fica: quantos acordos concretos saem dessas reuniões além do discurso de “parceria estratégica”? Dados de comércio bilateral e investimentos reais seriam mais úteis que fotos de aperto de mão.

João Pereira

03/05/2026

A Marta tem razão sobre a burocracia e os impostos no Brasil, mas acho que ela subestima o peso geopolítico do BRICS. Ignorar o bloco é fingir que o mundo ainda gira em torno de Washington e Bruxelas, o que não é mais verdade. Agora, se o bloco vai gerar emprego aqui ou virar só mais um clube de discursos bonitos, aí são outros quinhentos.

Marta Souza

03/05/2026

Mais um encontro de burocratas gastando dinheiro público para fingir que estão mudando o mundo. Enquanto isso, o empreendedor brasileiro paga 40% de imposto e trava na burocracia. BRICS não gera emprego, não reduz carga tributária e não abre mercado de verdade. Quer parceria? Assinem acordos comerciais sem amarras estatais e parem de tratar empresário como inimigo.

    João Augusto

    03/05/2026

    Marta, sua crítica ao peso tributário e à burocracia é justa, mas o problema não está no BRICS em si — está na captura do Estado brasileiro por frações do capital que se beneficiam justamente dessa burocracia. O BRICS é um fórum de coordenação entre economias periféricas e semiperiféricas que buscam renegociar os termos da inserção internacional; ignorar isso é tratar a geopolítica como se fosse um balcão de negócios. A questão não é menos Estado, mas um Estado que regule o grande capital e desobstrua a via para o pequeno e médio empreendedor, algo que acordos puramente bilaterais com potências hegemônicas jamais entregarão.

Miriam

03/05/2026

Sinceramente, acho impressionante como uma simples reunião de chanceleres vira esse circo todo. Lavrov vai lá, aperta mão, assina papelada e volta pra casa, enquanto aqui o povo briga como se ele fosse ditar o cardápio do almoço. O BRICS existe há anos e, na prática, o que muda no dia a dia do servidor público é zero.

Letícia Fernandes

03/05/2026

É sempre fascinante observar como a visita de um chanceler russo a Nova Délhi provoca, nos comentários da seção abaixo, um verdadeiro desfile de lugares-comuns que revelam muito mais sobre a neurose do comentarista do que sobre a geopolítica real. O Zé do Povo e o Sargento Bruno, por exemplo, entregam uma performance quase caricatural do que se poderia chamar de “inconsciente político reacionário”: para eles, qualquer encontro diplomático que não passe pelo crivo de Washington é automaticamente uma conspiração comunista. É uma visão de mundo tão empobrecida quanto patética, que reduz a complexidade das relações internacionais a um maniqueísmo infantil de “nós contra eles”. O que esses senhores não conseguem enxergar é que a visita de Lavrov não é sobre “ensinar comunismo” — conceito que eles mesmos não saberiam definir — mas sobre a tentativa, ainda que contraditória, de construir uma institucionalidade que não esteja subordinada ao imperialismo financeiro do dólar e às diretrizes do FMI.

A Laura Silva, com sua intervenção lúcida, já apontou na direção correta: o BRICS representa, em sua essência, um movimento de contestação à hegemonia das instituições de Bretton Woods. O que ela não disse, e que vale a pena aprofundar, é que essa contestação é ao mesmo tempo necessária e insuficiente. Necessária porque, de fato, o monopólio do dólar como moeda de reserva internacional permite que os Estados Unidos imponham sanções unilaterais e drenem riqueza do Sul Global através de mecanismos como o “imposto inflacionário” global. Insuficiente porque o BRICS, enquanto bloco, ainda opera dentro da lógica do capitalismo de Estado — uma contradição que não se resolve com cúpulas diplomáticas, mas com a superação do próprio modo de produção que gera essas assimetrias. A Rússia de Lavrov, afinal, não é exatamente um modelo de emancipação anticapitalista; é um Estado burguês autoritário que disputa fatias do mercado mundial com as potências ocidentais.

O que me causa uma certa pena intelectual é ver o Sargento Bruno e o Carlos Mendes repetindo, sem o menor senso crítico, o discurso do “contribuinte que paga a conta”. Ora, se formos aplicar essa lógica de “custo imediato” a qualquer política externa, teríamos que fechar todas as embaixadas, cancelar todas as missões diplomáticas e transformar o Itamaraty numa agência de viagens. A diplomacia não é um balcão de negócios onde se contabiliza o retorno financeiro de cada aperto de mão. O custo de não ter uma política externa autônoma, de não construir alternativas ao jugo financeiro ocidental, é muito maior e mais silencioso — é a perda de soberania, é a submissão a sanções que congelam o desenvolvimento, é a dependência que transforma países inteiros em meros exportadores de commodities. O BRICS, com todas as suas falhas e contradições, ao menos oferece uma brecha para que o Brasil não seja apenas um espectador passivo da história sendo escrita por outros. Negar isso é fazer o jogo daqueles que sempre lucraram com a nossa subserviência.

Sargento Bruno

03/05/2026

Enquanto o Zé do Povo falou a verdade nua e crua, esse tal Lucas Gomes aí vive no mundo da fantasia. Lavrov vem aqui apertar a mão de quem quer destruir nossos valores e o contribuinte brasileiro paga o pato. BRICS virou palco pra esquerda internacionalista, não engana mais ninguém.

Zé do Povo

03/05/2026

LULA E BRICS SÓ SERVEM PRA DESTRUIR O BRASIL! 🚨 LAVROV VEM AQUI PRA ENSINAR COMUNISMO E O POVO PAGA A CONTA! VOLTA MILITAR JÁ! 🔥

Laura Silva

03/05/2026

Lucas Gomes tocou num ponto que merece ser desdobrado com mais cuidado. O BRICS é, antes de tudo, uma tentativa de construir uma arquitetura financeira e política que não passe pelo monopólio do dólar e do FMI — instituições que, historicamente, impuseram receitas de austeridade e desindustrialização ao Sul Global. Claro que o bloco tem contradições internas profundas: a Índia de Modi flerta com o nacionalismo hindu e com Washington, a Rússia está numa guerra de anexação territorial, e o Brasil de Lula tenta equilibrar desenvolvimento com preservação ambiental. Mas negar que o BRICS representa um contrapeso real à hegemonia do G7 é ignorar como as sanções unilaterais e o controle das cadeias globais de valor têm sido usados como armas de dominação. Não se trata de aplaudir Lavrov de joelhos, como sugeriu o Eduardo Nogueira, mas de reconhecer que, na ausência de uma alternativa mais coesa, qualquer fórum que reúna China, Rússia, Índia, África do Sul e Brasil já desloca o eixo do debate mundial.

O comentário do Carlos Oliveira, embora legítimo na sua angústia cotidiana, reproduz uma armadilha analítica comum: a de exigir que cada movimento diplomático produza efeitos imediatos no preço do arroz. Isso seria como cobrar de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU que resolvesse o déficit habitacional de uma cidade. A política externa não opera nessa escala temporal nem nessa lógica de causalidade direta. O que o encontro de chanceleres do BRICS faz é pavimentar acordos de moeda local para comércio bilateral, criar linhas de crédito alternativas ao Banco Mundial e coordenar posições em foros multilaterais — tudo isso, sim, tem impacto estrutural sobre a soberania econômica de países como o Brasil. O problema não é a cúpula, é a ausência de políticas domésticas que redistribuam os ganhos dessas articulações para a base da pirâmide.

Quanto ao Tonho Patriota e ao Carlos Mendes, que enxergam no BRICS uma espécie de complô comunista global, sugiro uma leitura menos apocalíptica. A Índia, anfitriã da reunião, tem um governo abertamente hinduísta e nacionalista que reprime minorias muçulmanas e persegue jornalistas críticos. A Arábia Saudita, recém-convidada a integrar o bloco, é uma monarquia absolutista que decapita dissidentes. Se isso é a “nova ordem mundial comunista”, então o termo perdeu qualquer significado. O que une esses países não é ideologia, é o interesse comum em escapar da camisa de força do sistema financeiro centrado no dólar — um sistema que, aliás, já custou ao Brasil perdas bilionárias com a volatilidade cambial imposta pelas decisões do Federal Reserve.

No fim das contas, o BRICS é o que seus membros fizerem dele. Pode ser um clube de retórica vazia, como teme o Carlos Mendes, ou pode se tornar um instrumento concreto de descolonização econômica. A visita de Lavrov a Nova Délhi, nesse contexto, não é nem a salvação nem a ruína do povo brasileiro. É apenas mais um capítulo de uma disputa geopolítica que, se bem conduzida, pode abrir espaço para que o Brasil negocie de igual para igual com as potências tradicionais. O que falta, e aí concordo com a frustração do Carlos Oliveira, é que essa margem de manobra conquistada na diplomacia se traduza em políticas públicas que enfrentem o custo de vida e a concentração de renda. Mas isso já é outra briga — e não se resolve com passagem de avião de chanceler, mas com organização popular e pressão sobre o Congresso.

Carlos Mendes

03/05/2026

Carlos Oliveira, o problema não é a gasolina ou o arroz, é que enquanto o Estado brasileiro gasta rios de dinheiro bancando cúpula e passagem de chanceler para fazer média com regimes autoritários, o contribuinte que se vire para pagar a conta. BRICS virou clube de retórica anti-ocidental enquanto a economia real aqui dentro afunda de imposto e ineficiência.

    Lucas Gomes

    03/05/2026

    Carlos, seu discurso ignora que o verdadeiro custo não está nas cúpulas diplomáticas, mas no modelo extrativista que drena nossos recursos naturais enquanto financia a destruição da Amazônia e o genocídio de povos indígenas — o BRICS, apesar de suas contradições, ao menos tenta construir uma alternativa ao imperialismo que há séculos sangra o Sul Global.

Eduardo Nogueira

03/05/2026

Lavrov e o bonde do socialismo internacional, enquanto o povo paga a conta. Enquanto isso a esquerda brasileira aplaude de joelhos.

Tonho Patriota

03/05/2026

Lavrov na Índia é só mais um capítulo da nova ordem mundial comunista, enquanto o Brasil paga a conta desse circo todo! FAZ O L!

Carlos Oliveira

03/05/2026

É bonito ver o BRICS tentando se articular, mas enquanto Lavrov troca apertos de mão em Nova Délhi, aqui na base do aplicativo a gasolina não baixa e o arroz continua caro. Essa parceria toda tem que virar pão na mesa do trabalhador, não só discurso de chancelaria.

Zé Trovãozinho

03/05/2026

Ana, concordo que essa visita é estratégica demais pra ser só um chá de cortesia. A Rússia tá desesperada pra mostrar que não tá isolada, e a Índia adora esse joguinho de equilibrar entre os blocos. Mas no fim das contas, o que vai sair daí é mais papel e promessa, enquanto o povo aqui paga a conta.

    Luisa Teens

    03/05/2026

    Zé, enquanto eles tomam chá e fazem papelada, o planeta pega fogo e ninguém liga #ForaBolsonaro

Ana Souza

03/05/2026

Lavrov em Nova Délhi não é só cortesia diplomática: a Rússia sabe que precisa do BRICS para furar o isolamento ocidental, e a Índia, com sua posição ambígua entre EUA e Rússia, é peça-chave nesse tabuleiro. Fico curiosa para ver se desse encontro sai algo concreto, como acordos comerciais em moedas locais, ou se fica só no discurso de praxe.

Cíntia Alves

03/05/2026

Tadeu, a real é que essa novela ideológica toda só serve pra distrair enquanto os acordos de verdade rolam nos bastidores. Lavrov em Nova Délhi é mais do mesmo: blá-blá-blá diplomático enquanto a galera aqui tenta sobreviver ao preço do quilo do arroz. Mas confesso que fico com um pé atrás com esse papo de “parceria estratégica” vindo de quem tá bombardeando civil na Ucrânia.

Tadeu

03/05/2026

Pessoal, toda essa discussão geopolítica é interessante, mas vamos ao que importa: alguém já viu como essa parceria Rússia-Índia pode afetar o preço do petróleo e a inflação aqui? Enquanto ficam nessa novela ideológica, minha carteira de investimentos continua sangrando com o real desabando.

Silvia Ramos

03/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, esse papo de que geopolítica é só sobre dinheiro e commodities é a mesma desculpa que o mundo usa para justificar aliança com regimes que perseguem cristãos e destroem a família. Enquanto ficam nessa conversa de “preço do pão”, a Rússia apoia ideologias que tiram Deus das escolas e a Índia vira as costas para a perseguição religiosa. O Brasil precisa é de líderes que temam ao Senhor, não de parceria com quem despreza os valores que edificam uma nação.

    João Silva

    03/05/2026

    Silvia, seu argumento troca a materialidade da exploração por uma cruzada moral que sempre serviu para esconder quem realmente lucra com a desigualdade. Enquanto você defende um “Deus nas escolas”, a Índia e a Rússia fecham acordos que vão definir se o trabalhador brasileiro terá o que comer amanhã — e isso sim é uma questão de fé, a fé na luta de classes.

João Carlos da Silva

03/05/2026

Cecília, você tocou num ponto que a pedagogia crítica insiste há décadas: a geopolítica não é um assunto de especialistas em relações internacionais, ela bate no preço do arroz, na reforma do ensino médio, na precarização do trabalho docente. Enquanto a esquerda identitária e a direita moralista se estapeiam por símbolos, o capital financeiro e os Estados centrais reconfiguram as cadeias globais de exploração. O BRICS, com todas as suas contradições internas, é um sintoma claro de que o mundo unipolar ruiu — e a pergunta que fica é: que tipo de educação estamos oferecendo para formar cidadãos capazes de ler esse novo mapa do poder?

Evelyn Olavo

03/05/2026

Ana Karine, sua análise é a única que enxerga o óbvio: esse circo todo é sobre commodities e rotas de contorno de sanções, não sobre “valores” ou “ideologia”. Enquanto a turma do Deus-pátria-família briga com a turma do politicamente correto, a Rússia e a Índia estão fechando negócio de petróleo e armamento. O BRICS é um clube de interesses, não de princípios.

    Cecília Silva

    03/05/2026

    Evelyn, você disse tudo. Enquanto a elite brasileira briga no Twitter sobre Deus e costumes, a Rússia e a Índia tão fechando acordos que vão ditar o preço do pão na mesa do trabalhador. O BRICS sempre foi isso: o clube dos que cansaram de ser reféns do dólar. Quem acha que geopolítica se resolve com terço na mão ou bandeira do arco-íris tá perdendo o bonde da história.

Ana Karine Xavante

03/05/2026

É curioso ver como essa visita de Lavrov a Nova Délhi é tratada como mais um capítulo de um jogo de xadrez geopolítico, enquanto as engrenagens reais desse movimento são invisibilizadas. O BRICS, para quem olha de fora das bolhas diplomáticas, é a materialização de um esforço histórico dos países do Sul Global por autonomia frente à hegemonia ocidental. Mas eu, como indígena que vive na pele as violências do extrativismo, vejo nessa parceria Rússia-Índia uma contradição que não pode ser varrida para debaixo do tapete. Enquanto Moscou negocia petróleo e armamentos com Nova Délhi, a Índia intensifica a mineração em territórios adivasi e a exploração de carvão no nordeste do país, deslocando comunidades inteiras. O discurso de “parceria estratégica” soa vazio quando a base material dessa aliança é a mesma lógica colonial de espoliação de recursos e de corpos racializados.

A Vanessa Silva ali em cima tem um ponto quando diz que a Índia “faz o dever de casa” e diversifica fornecedores. Sim, a Índia age com pragmatismo, mas esse pragmatismo é seletivo. O mesmo governo que negocia com Lavrov está criminalizando ativistas ambientais em Jharkhand e aprofundando a militarização da Caxemira. O BRICS poderia ser uma plataforma para repensar modelos de desenvolvimento, mas insiste em replicar o paradigma do crescimento infinito num planeta finito. Onde fica a pauta climática nessa reunião de chanceleres? Onde está o debate sobre dívida ecológica, reparação histórica e soberania alimentar dos povos originários? Silêncio. O bloco se comporta como uma versão multipolar da mesma velha ordem, só que com outros protagonistas.

Lendo o Lucas Pinto, que respondeu à Marina Costa, fico pensando como a direita e a esquerda tradicional compartilham um mesmo cego estrutural: ambas ignoram que o colonialismo não acabou, ele apenas se reconfigurou. Enquanto uns choram por “Deus e família” e outros celebram acordos comerciais, os rios seguem sendo envenenados por mercúrio, as florestas queimadas para pasto e os corpos indígenas assassinados por grileiros. A visita de Lavrov não é sobre paz nem sobre cooperação horizontal — é sobre garantir que a Rússia continue vendendo urânio e gás para a Índia, enquanto a Índia vende mão de obra barata e produtos têxteis para a Rússia. E ninguém pergunta: quem paga o preço ambiental dessa troca? As comunidades tradicionais, sempre.

O que me preocupa é ver a intelectualidade progressista brasileira tratando o BRICS como um fim em si mesmo, como se a mera existência do bloco já fosse uma vitória contra o imperialismo. Não é. O imperialismo não tem bandeira única — ele se veste de terno e gravata em Genebra, de uniforme militar em Moscou e de turbante em Délhi. Se o BRICS não incorporar uma agenda anticolonial radical, que inclua reparação territorial, desmatamento zero e respeito ao direito de consulta prévia dos povos indígenas, ele será apenas mais um clube de elites nacionais negociando a partilha do espólio do planeta. E nós, povos da floresta, continuaremos sendo tratados como obstáculo ao “desenvolvimento”, e não como sujeitos políticos legítimos.

Por fim, acho sintomático que ninguém aqui tenha mencionado o papel do Brasil nessa equação. O que o governo Lula vai levar para essa reunião? Um discurso de “diplomacia ambiental” enquanto aprova a exploração de petróleo na foz do Amazonas? A hipocrisia cansa. Se queremos um mundo multipolar de verdade, ele precisa ser construído de baixo para cima, com os pés na terra e as mãos na semente, não com canetas em salões de hotéis cinco estrelas em Nova Délhi. Enquanto isso, sigo aqui, na beira do rio, vendo o barco da história passar — e esperando que um dia ele pare para ouvir quem sempre esteve à margem.

Vanessa Silva

03/05/2026

Rodrigo, você foi cirúrgico. Enquanto o Brasil se perde em debates ideológicos que não saem do Twitter, a Índia faz o dever de casa: diversifica fornecedores, barganha preço de energia e usa o BRICS como plataforma de negócios concretos. Se a gente não separar geopolítica de política de desenvolvimento urbano e industrial, vamos continuar vendo o diesel subir enquanto outros países garantem infraestrutura e logística de verdade.

Marina Costa

03/05/2026

Ah, Ahmed, o senhor acertou em cheio! Enquanto esses políticos brincam de geopolítica, a família brasileira está desmoronando com tanta imoralidade sendo empurrada goela abaixo. O que adianta parceria com a Índia se estamos permitindo que ensinem ideologia de gênero nas escolas e destruindo o conceito de lar? O Brasil precisa voltar para Cristo, não para o BRICS.

    Lucas Pinto

    03/05/2026

    Marina, seu desabafo revela uma angústia real, mas o diagnóstico está trocado. Você identifica a crise — desagregação familiar, perda de referências, precarização da vida — e aponta o dedo para a “ideologia de gênero” e o afastamento de Cristo como se fossem a causa. Na verdade, são sintomas de uma estrutura muito mais profunda que o discurso moralista se recusa a enfrentar. O que desmonta o “conceito de lar” não é um professor progressista dando aula sobre diversidade; é a necessidade de duas jornadas de trabalho para pagar o aluguel, é o transporte público que consome três horas do dia de um pai ou mãe, é a ausência de creche pública, é o salário mínimo que não cobre o básico. O capitalismo tardio já triturou a família tradicional muito antes de qualquer cartilha escolar chegar à sala de aula. A “volta a Cristo” que você prega, quando instrumentalizada politicamente, serve exatamente para desviar o foco disso: em vez de questionar por que o trabalhador precisa se matar de trabalhar para sobreviver, a culpa recai sobre minorias e professores.

    O BRICS, com todos os seus limites, é um dos poucos espaços em que países periféricos tentam construir alternativas à ordem imperialista que impõe a austeridade e a precarização que você mesma denuncia. Lavrov e os chanceleres estão discutindo exatamente como escapar de um sistema financeiro que drena recursos do Sul Global para Wall Street. A Índia negocia petróleo barato porque entende que o discurso moral não enche tanque de caminhão nem coloca comida na mesa. O problema do Brasil não é o BRICS; é que nossa elite nunca teve projeto de nação — sempre foi sócia minoritária do capital estrangeiro, importando não apenas tecnologia, mas também uma guerra cultural que divide a classe trabalhadora enquanto os verdadeiros donos do poder continuam intactos.

    Você fala em “imoralidade” como se a moral cristã fosse um bloco monolítico e não um campo de disputa. O próprio Cristo que você invoca passou a vida confrontando os poderosos do Templo e defendendo os excluídos — prostitutas, cobradores de impostos, leprosos. O que vemos hoje é uma apropriação seletiva do discurso religioso para justificar a ordem vigente: bênção para banqueiro, condenação para pobre que luta por moradia. A família que “desmorona” não cai por causa de livros didáticos; cai porque o capitalismo precisa de trabalhadores flexíveis, descartáveis e isolados, sem rede de proteção social, para explorar mais facilmente. Seu incômodo com a “ideologia de gênero” é a ponta do iceberg de uma insatisfação legítima que está sendo canalizada para o inimigo errado.

    No fim das contas, Marina, a pergunta que fica é: a quem serve essa cruzada moral? Enquanto gastamos energia discutindo o que se ensina nas escolas, quem está lucrando com a desregulamentação trabalhista, com a reforma da previdência que jogou milhões de idosos na pobreza, com a política de preços da Petrobras que atrela o diesel ao dólar? O BRICS pode ser imperfeito, mas pelo menos coloca na mesa o debate sobre um mundo multipolar. Já o “Brasil para Cristo” que vendem por aí, com raras exceções, tem servido para abençoar a exploração e silenciar a crítica social. Talvez o verdadeiro problema não seja a falta de Deus, mas a falta de uma consciência de classe que una o trabalhador crente e o trabalhador ateu contra quem realmente os explora.

Ahmed El-Sayed

03/05/2026

Ronaldo, o senhor tocou no ponto que ninguém quer ver: o povo real. Enquanto a diplomacia faz discurso bonito sobre BRICS e parcerias, a moral da nossa juventude se desfaz e o preço do básico só sobe. O problema não é só diesel — é a ausência de Deus e de valores sólidos nessa política secularizada que trata tudo como mercado.

Ronaldo Pereira

03/05/2026

Rodrigo, você tocou num ponto crucial: enquanto a diplomacia faz o jogo dela, quem segura a ponta da produção é o povo que sai de casa às 4 da manhã pra pegar busão lotado. Enquanto a Índia negocia petróleo barato, o trabalhador brasileiro vê o preço do diesel subir de novo e o salário não acompanhar. BRICS tem que servir pra fortalecer a classe trabalhadora, não pra ser palco de acordos que engordam patrão enquanto a gente aperta o cinto.

Rodrigo Meireles

03/05/2026

Fernanda, concordo que falta estratégia clara de comércio exterior, mas acho que você subestima o pragmatismo indiano. Enquanto a gente fica nesse teatro geopolítico, a Índia já está garantindo petróleo barato e abrindo mercado pro agro russo. O problema do Brasil não é o BRICS, é não saber jogar o jogo com dados na mão e resultado concreto.

Fernanda Oliveira

03/05/2026

É interessante ver o John tentando explicar o jogo de poder, mas a real é que essa coreografia geopolítica toda parece cada vez mais um teatro. Enquanto Lavrov e os chanceleres trocam tapinhas nas costas, o Brasil segue sem uma estratégia clara de comércio exterior que não dependa de aplaudir autocracia ou de se curvar aos EUA. Ficar no meio termo entre esses dois polos não é isenção, é falta de rumo.

Cecília Alves

03/05/2026

Rubens, com todo respeito, essa nostalgia do tempo do Lula e Dilma é pura miopia. Enquanto o Estado inchava e a burocracia engolia o orçamento, o BRICS só servia pra financiar discurso e estatal ineficiente. A Rússia quer parceria porque precisa de comprador, e a Índia vai levar vantagem como sempre faz. O que resolve a gasolina cara é menos imposto e mais concorrência, não bloco de países estatistas trocando gentilezas.

    Maria Aparecida

    03/05/2026

    Cecília, sua análise ignora que a Bíblia nos manda cuidar do órfão e da viúva, e o Estado tem sim papel de garantir que o pão chegue na mesa de quem não tem voz. Menos imposto e mais concorrência é discurso de quem nunca viu uma família inteira perder o emprego de uma hora pra outra. BRICS pode ser imperfeito, mas é um contraponto à ganância dos monopólios que você defende sem perceber.

John Marshall

03/05/2026

Célia, entendo a frustração, mas reduzir o BRICS a uma fachada é perder de vista o jogo de poder real. Lavrov em Nova Délhi não é passeio turístico; é a Rússia buscando aliados num tabuleiro onde o Ocidente já não dita as regras sozinho. A questão não é escolher entre pão e geopolítica, mas entender que, sem soberania, o pão some mais rápido ainda.

Célia Carmo

03/05/2026

Enquanto o povo passa fome e a gasolina não baixa, eles tão lá fazendo aliança com Putin! BRICS de fachada, cadê o pão na mesa do trabalhador? #ForaElite #BricsDosPatrao

Ana Rodrigues

03/05/2026

Pois é, Rubens, eu também sinto no bolso. Enquanto eles discutem geopolítica lá em Nova Délhi, aqui em Curitiba o preço da gasolina não baixa e o cliente tá cada vez mais raro. BRICS pra mim é bonito no papel, mas no dia a dia o que resolve é ter corrida e o arroz não custar um rim.

Rubens O Pescador

03/05/2026

Pois é, Renato Professor, o senhor falou bonito, mas o povo aqui no interior sabe o que é ter mesa farta. No tempo do Lula e da Dilma, o BRICS era só conversa, mas o arroz e o feijão chegavam na panela do pobre. Agora, com esse governo aí, até o ovo sumiu. Lavrov pode visitar a China inteira, mas se não botar comida na mesa do trabalhador, pra mim é só teatro.

Renato Professor

03/05/2026

Eduardo C., você tem razão ao apontar o pragmatismo, mas reduzir toda a dinâmica do BRICS a “troca de petróleo por retórica” ignora que o bloco está tentando construir alternativas ao sistema financeiro hegemonizado pelo dólar. A Índia compra barato, sim, mas também negocia moedas locais e linhas de crédito que, no longo prazo, desafiam a arquitetura de Bretton Woods. Não é só balança comercial, é geopolítica de longo prazo.

Eduardo C.

03/05/2026

Lucas Alves, você acertou em cheio. Enquanto uns querem transformar BRICS em ONG de justiça social, a conta é simples: balança comercial não se paga com retórica. Lavrov vai a Nova Délhi porque a Rússia precisa vender e a Índia precisa comprar. O resto é ruído de fundo.

Lucas Alves

03/05/2026

Lucas Andrade, você foi longe demais tentando encaixar “colonialismo” nessa dança de cadeiras diplomática. A Índia não tá fazendo caridade, tá fazendo conta: petróleo barato é petróleo barato, e o BRICS é só o palco onde cada um defende seu interesse nacional, sem messianismo. Se o Sul Global fosse tão solidário assim, a gente não via protecionismo agrícola indiano contra produtos brasileiros, né?

Lucas Andrade

03/05/2026

Ana Costa, seu “pragmatismo indiano” é o nome bonito que a geopolítica dá pra velha lógica colonial de extração disfarçada de realpolitik. Enquanto Lavrov e Modi trocam apertos de mão, quem paga o preço dessa coreografia são os corpos precarizados do Sul Global, cada vez mais soterrados por promessas de desenvolvimento que nunca chegam. O BRICS precisa menos de retórica de parceria estratégica e mais de uma autocrítica honesta sobre os fluxos de capital que reproduzem dentro do próprio bloco.

Ana Costa

03/05/2026

A visita de Lavrov é interessante, mas acho que o BRICS precisa mostrar resultados mais concretos além da retórica. Por outro lado, a Índia está fazendo o jogo pragmático de sempre: manter relações com todos os lados para maximizar seus ganhos. Difícil ver isso como um realinhamento geopolítico significativo quando os dados de comércio ainda mostram a hegemonia do dólar e a dependência indiana de tecnologia ocidental.

Maria Antonia

03/05/2026

Lucas, você foi cirúrgico. Enquanto o pessoal fica nessa novela geopolítica de “reconfiguração da hegemonia global”, a Índia faz o que qualquer país sensato faria: compra petróleo barato e toca seus negócios. BRICS é só mais um clube de estadistas perdendo tempo com retórica enquanto o mercado real precisa de menos burocracia e mais ação.

    Jeferson da Silva

    03/05/2026

    Maria Antonia, esse discurso de “mercado real” e “menos burocracia” é o mesmo que o patrão usa pra justificar corte de direitos e terceirização desenfreada. O BRICS pode até ter retórica, mas enquanto a Índia compra petróleo barato, o trabalhador indiano continua sem sindicato forte e sem garantia de salário digno. Mercado sem regulação é chão de fábrica com jornada de 14 horas.

Karina Libertária

03/05/2026

Lavrov na Índia é só mais um teatrinho geopolítico pra tentar salvar a economia russa que já era. Enquanto isso, a Índia fica nesse jogo duplo comprando petróleo barato e fazendo média com todo mundo. O BRICS é um clube de países que só sabem gastar dinheiro público em retórica vazia, enquanto quem trabalha de verdade investe em Miami e não perde tempo com esses encontros de aparências.

    Mariana Oliveira

    03/05/2026

    Karina, sua análise tem um mérito que eu reconheço: você capta a hipocrisia do jogo geopolítico, esse balé em que a Índia compra petróleo barato da Rússia enquanto mantém laços com o Ocidente. Mas quando você reduz o BRICS a um clube de retórica vazia e opõe isso a um suposto “quem trabalha de verdade investe em Miami”, você reproduz exatamente a lógica colonial que a interseccionalidade critica: a ideia de que o Norte global é o centro do “mundo real” e o Sul global é um teatro de aparências. Kimberlé Crenshaw, ao formular o conceito de interseccionalidade, nos ensina que as estruturas de poder não operam de forma isolada — raça, classe, gênero e geopolítica se cruzam. O que você chama de “teatrinho” é, para países como a Índia e o Brasil, a tentativa de criar um espaço de negociação que não seja ditado exclusivamente pelos interesses de Washington ou Bruxelas. Não é isento de contradições, claro, mas ignorar que o sistema financeiro global foi desenhado para beneficiar quem já está no topo é um privilégio que só quem pode “investir em Miami” tem.

    Você fala em “gastar dinheiro público em retórica vazia”, mas essa retórica é o que permite, por exemplo, que o Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS financie projetos de infraestrutura no Sul Global sem as amarras do FMI, que historicamente impõe ajustes fiscais que aprofundam desigualdades. bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, nos lembra que a teoria não é um luxo, mas uma ferramenta de sobrevivência para quem está às margens. O BRICS pode ser imperfeito, mas ele representa um esforço — ainda que contraditório e frequentemente capturado por elites locais — de reconfigurar a hegemonia global. Dizer que isso é só “teatro” é desconsiderar que, para a maioria da população do Sul Global, a alternativa não é Miami, mas sim a continuidade de uma ordem mundial que explora seus recursos e corpos.

    E sobre a Índia fazer “jogo duplo”: sim, ela age como qualquer ator racional no sistema capitalista, buscando maximizar seus interesses. Mas o problema não está no fato de a Índia comprar petróleo russo; está no fato de que o sistema internacional foi construído de tal forma que países como a Índia precisam se curvar a sanções unilaterais impostas por potências ocidentais para sobreviver economicamente. A crítica ao BRICS não pode vir de um lugar que romantiza o “mercado real” como se ele fosse neutro. O mercado real é o mesmo que financia guerras, explora trabalho análogo à escravidão no Sul Global e destrói o meio ambiente. Se o BRICS gasta energia com retórica, talvez seja porque a alternativa — o silêncio cúmplice diante da ordem vigente — é ainda mais violenta para quem está nas bases.

Lucas Moreira

03/05/2026

Lavrov na Índia é só mais um balcão de negócios onde o contribuinte paga a conta. Enquanto isso, o BRICS gasta energia com retórica geopolítica e o mercado real perde oportunidades de comércio bilateral descomplicado. A Índia sabe que petróleo barato é bom, mas sem reformas estruturais e abertura econômica, qualquer parceria vira cabide de emprego para burocrata.

    Mariana Ambiental

    03/05/2026

    Lucas, você trata o BRICS como se fosse um balcão de negócios qualquer, mas ignora que o “mercado real” que você defende é o mesmo que explora o Sul Global e deixa rastros de destruição ambiental. Enquanto o livre-comércio descomplicado só aprofunda a dependência, o BRICS pelo menos tenta construir alternativas que não passem pelo FMI e pelo agronegócio predatório.

Marcos Conservador

03/05/2026

Lavrov na Índia é só mais um capítulo dessa aliança contra o Ocidente. Enquanto isso, a Índia se faz de sonso, querendo petróleo barato da Rússia e tecnologia do Ocidente. O BRICS virou um clube de países que não aceitam a ordem mundial, mas também não propõem nada de bom.

    Caio Vieira

    03/05/2026

    Caro Marcos Conservador, sua análise padece de um vício de origem ao reduzir a complexa dialética geopolítica a uma mera “aliança contra o Ocidente”. O BRICS, em sua essência, não é um clube de rejeição, mas sim um movimento de reconfiguração da hegemonia global, onde a Índia, longe de ser “sonsa”, exerce uma astúcia gramsciana ao navegar entre polos de poder para extrair o máximo de autonomia possível para seu desenvolvimento. O que você chama de falta de proposição é, na verdade, a construção de uma nova institucionalidade que desafia a unipolaridade, ainda que com contradições internas — e é nessa tensão que reside a riqueza do processo.

Luiz Augusto

03/05/2026

Mais um encontro de chanceleres do BRICS para reafirmar alianças que pouco trazem de concreto para o desenvolvimento econômico real. Enquanto isso, a Índia tenta equilibrar-se entre Moscou e o Ocidente, mas o livre-comércio com parceiros sérios continua sendo a verdadeira chave para o crescimento.

    Tiago Mendes

    03/05/2026

    Luiz Augusto, discordo que o BRICS não traga nada concreto — o Novo Banco de Desenvolvimento já financiou projetos de infraestrutura e energia limpa que o mercado privado ignora por não darem lucro imediato. Livre-comércio com “parceiros sérios” geralmente significa imposição de regras que favorecem quem já é rico, enquanto o BRICS tenta construir pontes entre economias do Sul Global que historicamente foram exploradas.

    Marina Silva

    03/05/2026

    Livre-comércio com “parceiros sérios” é só o nome bonito que deram pra continuar explorando o Sul Global, Luiz Augusto.


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